quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Poema da Despedida - II

Foi no dia Santo de 27 de Janeiro do ano da Graça do Senhor de 1.709, que sepultei minhas mais sinceras esperanças. Eu que havia permitido analisar o mundo e suas perspectivas sob novo prisma, elevando minha crença nos sublimes mistérios humanos, me vi obrigado a abdicar da campanha iniciada em busca de um tesouro único.
Não são jóias e nem propriedades que me prendem, estas coisas mundanas e passageiras não acorrentam minha alma e nem detem a jornada, mas são fatos tão diferentes e propósitos únicos de dificil compreensão que impossibilitam a plena percepção e do dominio do exposto aqui por pessoas que desconhecem os pormenores deste épico.
Falar através de metáforas é a forma mais rápida encontrada para deixar pelo caminho a tonelada de frustração carregada, tão enraizada em meu ser, levando a confundir o real e o imaginário, criando a densa neblina em meu norte. Perceber o quanto se perde em uma expedição fadada ao fracasso, mistura os tão organizados pensamentos, ruboriza e cobre com um manto de vergonha os princípios básicos do caráter inato.
Olhando assim, se percebe os sinais tão claros deixados nos mapas escondidos pelos vales, ao invés de me aproximarem do objeto de minha busca, cumpriam papel inverso. Descobri, sem antes penar, que já havia conquistado o mais belo tesouro. A ganância empurrou-me a uma armadilha de dificil salvação e tão severo no julgamento constatei em mim o que Pessoa já havia dito; e eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco e tantas vezes vil, percebi na certeza da ilusão a oportunidade de esquecer e recomeçar!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma História bem Familiar

Esta crônica mereceu o reconhecimento e a escolha entre as 75 melhores Histórias bem Familiares ligadas aos 75 anos do Grupo Zaffari. Foi uma excelente surpresa, que uma história tão singela tenha merecido tal reconhecimento.

Anderson Ribeiro Cerva
Nasci e fui criado no bairro Santana no final de 76, pouco mais de dois anos após a inauguração do Zaffari Ipiranga, então posso dizer que minha vida se confunde um pouco com essa loja. Meus pais sempre faziam os tradicionais 'ranchos' na loja Ipiranga, e desde tenra idade, os acompanhava e ficava maravilhado, dentro da ingenuidade própria das crianças, com aquele Esquilinho Vermelho dono de 'um montão de coisas'.
Foto da Internet
O tempo foi passando, transformações ocorreram na loja e naquela criança; ficaram guardados na lembrança os lanches feitos na lanchonete do segundo andar, com entrada próxima onde hoje se localiza a fiambreria.
O Zaffari para mim é uma tradição que nossa Família incorporou; a confiança e segurança que sentimos não pode ser mensurada. Passados quase 34 anos, continuo frequentando a mesma loja, sentindo como se estivesse dentro de minha casa, olhando para os corredores e lembrando daqueles momentos de minha infância.
Acho que o melhor exemplo para finalizar essa narrativa ocorreu quando comecei a namorar minha esposa. Ela é natural de Bagé e residia lá. Quando ela veio pela primeira vez para Porto Alegre, disse que lhe mostraria o melhor pão da cidade. Fui direto para o 'Ipirangão' e a fornada recém havia sido retirada. Acredito que aquele pão auxiliou em muito na conquista! É por esse e tantos outros motivos que o Zaffari
passa de pai para filho, geração após geração, como uma das melhores heranças de nossa terra.

Perfume de Mulher

Falar simplesmente de um perfume feminino é impossível. Torna-se desta forma, porque a mente da minoria dos homens é fértil, reflexo de um profundo trabalho de preparação, cultivo e ajustes. Não adianta possuirmos uma compreensão limitada e tão pouco ajustarmos nossas lentes para uma visão curta, não somos assim; possuimos esta capacidade inata de observar e ver além do que olhos simples e mortais possuem.
Sendo assim, com toda esta introdução, imaginar o que um perfume diz é praticamente construir em pensamento a tese de um mestrado. O perfume que repousa na pele macia da mulher, é tal beijo do amante, afago na derme, é infinitamente superior a um simples ato de higine ou de cuidado pessoal.
Homens que preocupam-se ou demonstram interesse pelo todo; ao sentirem o doce aroma no ar, invariavelmente se indagam: estará ela toda perfumada? Quais serão os perfumes que estão espalhados por seu corpo? Sonham como desbravadores medievais em percorrer os centimetros mais expostos afim de sorver todo bálsamo; viajam pelas mãos, subindo por braços, encontrando guarida em pescoços convidativos, onde retem-se por tempo indeterminado, para após continuar sua expedição através do colo, abdome e por ai se vai. A imaginação masculina é prodigiosa quando relacionada com o objeto de desejo da maioria dos homens.
Outros irão construir de forma tridimensional, uma projeção feminia no exato momento em que tal ritutal ocorre. Sim, a aplicação do perfume é um ritual que pode ser realizado em diversos ambientes, com inumeras personagens e suas vestimentas traduzem-se em uma gama incontável de combinações. Minha imaginação que acostumou-se a correr solta, geralmente a percebe recém saída do banho, com íntimas roupas brancas, onde suas mãos treinadas, delicadas e ágeis massageiam a pele de todo o corpo com cremes que servem de preliminar para o momento do climax. Conforme a ocasião, seu corpo receberá mais peças de vestuário ou será despido das duas peças alvas que nele repousam. Aqui, seguirei pelo caminho em que está preparando-se para compromissos fora de casa, onde tem incio um processo de transformação, o perfume vem fazer companhia ao odor natural da pele, que entre nós já é afrodisíaco. Ele repousará atrás das orelhas, no pescoço, estrategicamente depositado no colo e por fim nos pulsos para que, a cada movimento das mãos, torne-se mais marcante sua presença. Para finalizar, com a maestria encontrada apenas nas mulheres de verdade, há a presença da maquiagem que a favorece, destacando os pontos positvos de seu rosto e disfarçando as imperfeições que a faz tão humana e real.
Perceber tudo isso, captar o perfume feminino no ar, antes de mais nada é um convite para uma aproximação saudável e respeitosa, se tua investida for recebida com um sorriso é a senha que ela deseja se fazer conhecer melhor e por fim, se não fores afoito e teu convite para leva-la a qualquer lugar em que possa faze-la o teu centro de atenção for avalizada com um sim, podes ter a certeza de que novos momentos de indisfarçavel realização aproximam-se.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tatuagem

Você não sai do pensamento,
tal tatuagem que não é apagada,
lembra a cada instante dos sonhos
e promessas veladas feitas
nas noites insones da eternidade...

Cada instante em que as indefinições se avolumam,
somadas as certezas dos fatos escancarados,
deixa transparecer que neste jogo
só há um perdedor, pois os jogadores em seus blefes
e artimanhas, mantem presos suas presas

A certeza de ter próximo alguém capaz
de suprir suas carências
como forma de bonificação
pela dedicação louca e sem fim...

A Menina do Teto Solar III

A Menina do Teto Solar andou ausente,
imersa em um mundo distante,
impedindo minha entrada em seus ares,
deixou um rastro intenso de saudades,
que aplaca-se aos poucos,
a cada instante que me brinda com seu olhar.

A Menina, conserva beleza tão própria,
seus cachos cuidadosamente tratados,
reforçam a suavidade de sua face e
contrastam com o gestual que lhe acompanha.

Parece que a longa espera está proxima do fim,
A Menina já respira mais calmamente,
voltou a ter aquele jeito moleca que encanta,
embora faça um esforço para ser mulher madura,
balança as tranças nos rodopios da vida,
onde cada volta é um recomeço!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Poema em linha reta Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

este é do Mestre Fernando Pessoa!

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Vento contra é pra gente voar...

recebi este email de uma das inumeras pessoas a quem classifico como especiais... é pra dividir com todos!!!

Você já viu uma Pipa voar a favor do vento ?
Claro que não.
Frágil que seja, de papel de seda e taquara, nenhuma se dá ao exercício fácil de voar, levada suavemente pelas mãos de alguma corrente.
Nunca.
Elas metem a cara.
Vão em frente.
Têm dessa vaidade de abrir mão de brisa e preferir a tempestade.
Como se crescer e subir fosse descobrir em cada vento contrário uma oportunidade.
Como se viver e brilhar fosse ter a sabedoria de ver uma lição em cada dificuldade.
No fundo, no fundo, todo mundo deveria aprender na escola a empinar pipas, pandorgas ou raias.
Para entender desde cedo, que Deus só lhes dá um céu imenso porque elas têm condições de o alcançar.
Assim como nos dá sonhos, projetos e desejos, quando possuímos os meios de os realizar.
De tempos em tempos, voltaríamos às salas de aula das tardes claras só para vê-las, feito bandeiras, salpicando o azul.
Assim compreenderíamos, de uma vez por todas, que pipas são como pessoas e empresas bem sucedidas: usam a adversidade para subir às alturas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tua Lua

A Lua encanta, aprisiona o olhar,
exercendo magnetismo e encantamento próprio
encontrado apenas na alcova dos amantes.
Nestes insistentes flertes onde o tempo não existe,
a solução para honrar o muito que ela concedeu,
é entregar de boa vontade as defesas da cidadela,
aguardando que a invasão do desconhecido,
tome conta de você!

???

Você que não presta atenção,
nem sabe para onde ir,
repare na inquietação,
dos saberes sem definição.
Ao deparar-se com respostas impossíveis
volte ao princípio e refaça o questionamento.

Andarilho

Eu viajante do tempo, possuo tanta vontade de escrever sobre as belas imagens que meus olhos registraram; é tanto desejo, uma certeza de ter presenciado os mais inacreditáveis milagres, que eu, antes tão falante, me perco na incerteza de quais palavras utilizar; por onde devo começar e ainda assim se haverá interesse nas recordações de um velho andarilho.

Senhas

Palavras perdidas, não são senhas para segunda chance.
Enquanto dia após dia,sem exceção, todos te esperaram,
e ao decidir-se pelo silêncio,
esta atitude de evasão deixou teu adeus,
assinado pela imaturidade própria de teu ser!

Você sabe onde encontrar as setas do desconhecido

Em rotação e translação,
percorre a noite,
mostra apenas uma face;
infinitamente idêntica,
como fora no princípio e agora ao fim.

Canto Menor - IV

Vivi a ânsia de amores impossíveis,
no cortante desencontro dos corações unidos,
permanecerei sonhando com as proibições,
e sendo assim, este amor que tanto acalentei,
transformou-se em fulgas lembrança,
e deixa claro a temeridade dela!
Frágil, a nada sobreviveu e sem testá-lo
parece ser apenas uma enrolação,
um truque dos deuses menores;
tão sedentos por testemunhos da derrota
daqueles que verdadeiramente amaram!

Mais um...

As aparências não enganam, nos enganamos com elas! Isto me lembra a urgência de uma menina, tão afoita em descobrir as respostas para os seus inúmeros questionamentos.

Perguntava-se porque é mais fácil fingir do que amar! Mas o que são nossos dias, além de uma necessidade desesperadora de sobreviver, usando de todos os recursos que estão disponíveis e escancarados em nosso redor?

Sendo assim, buscando sem a utilização de filtros, vamos descobrindo e trazendo para bem próximo, pessoas que não são tão merecedoras desta oportunidade. Por isso temos a constante impressão que somos enganados, mas não, nossa exigência de querermos pessoas do mesmo calibre que o nosso faz com que tenhamos esta ilusão...

Ao analisar de forma bem madura e realista, o azar é deles, que não sabem honrar o prêmio que ofertamos. Deixar-se conhecer por quem quer que seja (apesar de não soar bonito - é verdadeiro), é uma prova incontestável de boa vontade e de confiança. Ninguem abre sua vida, suas sensações e seus sentimentos a toa, é sempre uma consequencia maior, que alguns classificam como amizade; outros como carinho e um pequeno grupo o conhece como amor!

domingo, 14 de novembro de 2010

A Morte Não é Nada

Este texto é creditado a ao bispo de Hiponia, também conhecido como Santo Agostinho, o maior filósofo da História da religião Católica, e por tratar de um tema considerado tabu por tantos, resolvi posta-lo.

"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como
sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora de suas visitas?
Eu não estou longe, apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que ai ficou, siga em frente,
A vida continua linda e bela como sempre foi"

Who Am I?

Ser e não fazer é o mesmo que saber e não crer!
Meu lugar está reservado novamente há milhas daqui.
Realmente passam-se os anos e a eternidade não apavora,
Mostra sua face limpa, no convite extremado
Em escutar as mudanças anunciadas.
Os corações antes descompassados,
Aproximam-se a sinfonias inacabadas, que aguardam o maestro tolo.
Aonde se vá os questionamentos estampam os muros,
Paredes sem ornamentos, testemunhos mudos do ontem,
Frias definições dos sonhos sensoriais,
Escorrendo por entre meus dedos as amarras do destino.

Se foi

Tão tarde que não permite volta. Minha decisão está tomada. Iremos seguir este caminho para sempre!
Independente da tua necessidade de paz ou de amor, nas noites que tiveres a impressão de vivermos como antes, lembra dos mares revoltos atravessados e diga com toda a força constante em teu seio, peça para o tempo parar, não existem chaves na porta e o dom da premonição é uma das virtudes inexistentes em teu ser!

Vento... Ventania... Tempestade

Já pensei diversas vezes nas opções que desperdicei ao não levar a sério os sinais mostrados durante o caminho; nas pedras chutadas, encaminhadas para locais distantes de meus pés.
A oportunidade de reflexão, lembrar o quanto, independente dos acordes do violão, a vida não é composta sempre com as melhores melodias; muitas vezes há necessidade do som metalizado dos pratos ou o abafamento dos tambores, refinados junto ao sopro de flautas.
São medidas sem fim, encontrado em cada perímetro, o modelo exato da plenitude cega e estática que permite sermos exatamente quem desejamos.

Direito de Viver

Fica estabelecido através de Decreto Lei que todo humano terá o direito a viver! Não o que vulgarmente se classifica como tal, mas sim o conjunto único de experiências inesquecíveis, momento que lhe tiraram o fôlego pelos incontáveis segundos da existência.
Junto, será permitido sonhar os sonhos mais loucos, delirar de paixão e rir descontroladamente ao se deparar com piadas infames e toscas, sem o risco de profundos e intensos julgamentos dos seus iguais.
Será permitido a todo humano, sentar-se na soleira de casa e sorver da beleza das tardes de primavera conjuntamente com a tangerina que lhe perfuma as mãos. Será obrigatório a partir de então, apresentar a carteira de identificação humana, que é encontrada na forma de sorrisos e lágrimas aquecidos nos corações saltitantes e repletos de esperança.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Volta e meia

Que posso tentar dizer numa manha como esta, em que os raios do sol tentam de forma desesperada, derreter a camada de gelo que cobre minha alma tão indomável, insistente em buscar nos teus olhos castanhos a fonte que me conceda a realização dos meus mais loucos desejos, sonhos inconfessáveis, profetizados entre as estações do interior, ponto de encontro de minha historia com a tua?

se acaso ousar falar algo, teria que valer mais que ouro, uma vez que o silencio, em dias como estes, onde não se ve no horizonte nada alem do que o anil, parecem telas pintadas em momentos de contemplação das almas puras e juvenis perdidas nos mares da existencia

sem poder chegar a uma conclusão obvia, que alivie o fardo que se carrega, elucidando as divagações surgidas durante a noite e extinguindo de uma vez por todas a imensa saudade que em meu peito tem guarida!

Indagação...

Eis que a pequena, tão triste e desiludida, tecia em alta voz seus mais íntimos pensamentos: "ideal seria que todas as pessoas soubessem amar da mesma forma como sabem fingir".
Ah menina...se todos soubessem amar, que graça haveria de ser encontrada na sensação constante das indefinições e nas vontades que se perdem entre os instantes de razão extrema e insanidade perene? O amor apresenta-se de tantas formas que são poucos os que realmente conseguem vive-lo em plenitude; tirando dele todo o combustivel para continuar sonhando, assim, aos nossos olhos parece ser mais facil fingir que amar....

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Oriundo das Ferias

Existia algo a lhe importunar o pensamento, o livro de ilusões não possuía mais as páginas encardidas pintadas com tinta tão fraca que mal se podiam distinguir os tipos impressos. As letras embaralhadas lembravam cartas repousadas nas mesas de crupiês bem treinados. Olhava com suas esmeraldas para o telefone repousado na cama; sabia sim a procedência de sua inquietude. Não saia do quarto a dois dias, mantendo-se em profunda e comovente vigília; a esperança de escutar a campainha do aparelho soar parecia ser a última tábua disponível naqueles árduos tempos. Por mais que tentasse desviar sua atenção, o fato mostrava-se inegável, vivia uma época de tortura comparável a da Santa inquisição.

Almejava apenas escutar um alô desinteressado em suas manhãs de segunda. Fazia-lhe tanta falta um entendimento pleno das intenções dele. Chorava de saudade como de vergonha. Aquele amor que ela conduzira como precioso estandarte havia reduzido-se a pó; uma pequena e quase imperceptível lembrança trazia os momentos plenos e jaziam todos os desacertos. Mesmo insistindo, eles assemelhavam-se a mentiras espalhadas pelo vento. Desejava apenas um pouco de atenção. Queria sentir uma força a lhe impulsionar, esquecer que um dia seu coração fora solo fértil, servira de abrigo a quem nunca o merecera.

Tomou coragem; sentou-se, olhando friamente para o espelho não reconhecia seu reflexo, sua essência desaparecera. Apaixonada por línguas gritou: enought, è finito! Enxugou suas lágrimas. Respirou fundo e antes de tomar qualquer decisão, cerrou as pálpebras, lembrava das palavras ecoadas em seu pensamento: “encontrarás alguém que te ame com uma plenitude única, ele será capaz de transformar teus mais nublosos dias em tardes de primavera, te levará aos céus com um simples toque de lábios e assim, serás livre dessa criminosa paixão”.

Forçou o cenho, uma careta se fez notar; porque ao tentar trazê-lo para o papel deste homem, percebeu o quanto a resposta de suas inquietantes indagações estava a sua frente. Ele não se enquadrava mais naquele cenário; era um fantasma a atormentar sua existência, chegara o momento do exorcismo. Não podia mais recusar! Abriu os olhos e finalmente saiu do quarto, caminhou apressada pelo corredor ganhando o jardim. A pulsação traduzia o estado de seu coração, e tal ano atrás, encarou aquele paciente conquistador e sem perder tempo o flecha com seu sonho real: “onde você estava? Há um mundo inteiro para descobrirmos!”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

São Sebastião

Fiz promessa a São Sebastião
tire de meu peito toda a paixão,
se por bem não podes intervir
deixe ir para longe aquela a quem quis,
O Santo, pobre coitado, minhas súplicas
entendeu errado, pois que ao sair,
encontro-a com uma rosa na mão,
o rosto corado e um cartão,
nele escrito lia-se "te amo coração"

A Menina Dourada

Quedou-se a observar, por entre a fresta da porta o sono da Menina Dourada. Olhava com satisfação, imaginando o que ela falaria quando despertasse, quais seriam suas primeiras reações. Apreciava a forma como ela abria os olhos após um longo espreguiçar; soltando seus primeiros sons matinais; mistura de gemidos de preguiça com ais de satisfação por um novo dia poder desfrutar. Sabia tanto dela quanto de física quântica, duas incógnitas neste mundo de imperfeições e indagações profundas. Desejava mais, muito mais do que os olhos podem enxergar, queria pisar em solo onde nenhum outro homem havia estado. Queria desnuda-la com perfeição, descobrir em cada ponto de sua alma os sonhos e anseios mais profundos. Pouco lhe importava o que outros diriam, possuí-la carnalmente não era o bastante, ele poderia mergulhar de cabeça, sem proteção e oxigênio em busca do mapa que lhe mostraria o melhor meio de alcançar seu objetivo.

A Menina Dourada, imaginava ele, estava distante. Separados por mundos de ilusão, onde as flores nasciam nos telhados das casas e o sol brilhava a noite, não haveria possibilidade de seus caminhos cruzarem. Ainda imaginava se aquela pessoa deitada em sua cama, tapada com fino lençol de seda seria ela. Não possuía certeza de mais nada e tão pouco lhe fazia questão de tal, lhe importava o respirar profundo, lavando a alma, abrindo caminho para a expedição que disposto iniciara.

Já era tempo, no relógio da cabeceira mostrava-se 7 horas, os primeiros raios de sol lambiam as paredes do quarto de paredes clara, e mais bela era a cena, possível de imaginar apenas nas telas dos mais célebres pintores. Estava exausto da espera, a expectativa inundara sua mente, olhava incessante o ponteiro do contador de tempo e eis que minutos após sua ultima divagação a menina retoma as rédeas do ser, abre os olhos repetindo todo o ritual diurno e ao fita-lo, com voz beirando a sensualidade fatal e o autoritarismo radical, lhe diz; “me trás o café?”.

sábado, 7 de agosto de 2010

Pai

Segue uma pequena homenagem a todos os pais e principalmente ao meu Pai, meu Norte, meu Exemplo, Meu Herói, Meu Ídolo. Se um dia conseguir ser 10% do que este Homem é, estarei realizado.
Te Amo Velho!!!

Pai
Fábio Jr.
Composição: Fábio Jr.
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Quem sabe isso quer dizer amor

Quem sabe isso quer dizer amor
Milton Nascimento
Composição: Márcio Borges e Lô Borges

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

terça-feira, 27 de julho de 2010

It's only words...

Existe um refrão de uma musica dos Beegees que diz "it's only words, and words are all i have...", traduzida signifca "são somente palavras e palavras são tudo que tenho". Talvez esteja sendo muito exigente em minhas observações, mas há tanto sentimento que só é expresso por palavras, não são vividos em sua plenitude. Nestes exercícios que faço durante o dia, acabei tendo acesso a uma estória bem peculiar onde uma jovem mulher tenta a todo custo convencer seu "alvo" que o ama. São palavras apenas. As reais possibilidades de demonstração deste sentimento são escanteadas por comprimissos inadiáveis. Ele comentou que por várias vezes tentou leva-la pra jantar, almoçar, ir a qualquer lugar para constatar a intensidade desse sentimento que, como comenta a moça, a invade sem paralelos. Para a surpresa dele, todas as investidas são refutadas pelas mais variadas desculpas; um dia ela precisa fazer a mão, em outro dia há uma importante reunião com as freiras beneditinas; às vezes há aulas de dança; depilação; médico; massagem; compras, eventos, etc, etc e etc. Pensei em tudo isso e conclui que se você não sabe levar a vida a sério, não deve se arriscar. Expliquem-me, porque conquistar uma alma sem ter a intenção de ama-la? Talvez seja muito ácido, mas conclui que o nobre amigo virou um joguete dessa caçadora experiente e ao mesmo tempo tão infantil.

Vovô e sua sabedoria

Meu avô usava uma expressão para lembrar a todos sobre as consequencias dos seus impensados atos. Ele dentro de sua profunda sabedoria do inicio do século passado, dizia que "dor de barriga não dá uma vez só". É cômico de escutar pela primeira vez, mas quando se pensa e reflete um pouco mais, nota-se a profundidade daquelas palavras. Seria como traçar um paralelo com as chamadas máscaras que a maioria das pessoas utiliza com maestria. Dia desses cruzei com uma pessoa que utiliza desse subterfugio. Chega a beirar a fronteira do cômico, porque ela utilizou tanto tempo um personagem que acabou por acreditar que ele realmente existia. Alguns desavisados até foram envolvidos pela atmosfera de sorrisos abertos e gestos largos, mas minha reserva manteve-me imune aos tais encantos e feitiços. Enquanto vejo esse arremedo transitar pelas ruas de minha cidade lembro de meu avô, sentado na varanda de casa, acendendo o palheiro, olhando o horizonte a dizer.... "é meu filho, dor de barriga não dá uma vez só"

Redescobertas

Redescobrir uma amizade é uma das experiências únicas pelas quais passamos. Imagino que deva ser semelhante aquelas experimentadas pelos navegadores do séc XVI, a ansiedade ao perceber que depois de anos de ausencia e separação o momento do reencontro está próximo, a boca seca, o coração acelera, os pensamentos não concatenam-se mais. É o mesmo que abrir um Tomo de qualquer enciclopédia e ser bombardeado com um misto de lembranças, pensamentos e idéias. Quando o sentimento é verdadeiro e forte, anos do mais absoluto silêncio, assemelham-se a meros minutos de distanciamento, o que comprova a força que as almas possuem quando unem-se em toda sua plenitude.

A Musa do Jornal

Semana passada os corredores do jornal ficaram agitados após a publicação de uma coluna do Santana. Nela ele comentava sobre a beleza de uma colega e obviamente a curiosidade instaurada em torno de tão célebre e incógnita personagem tomaram volume, fazendo com que eu recebesse ligações de amigos curiosos em saber se a tal beleza cantada em verso e prosa era verdadeira.

É inegável que todos os seres humanos tecem suas considerações acerca da beleza física de seus semelhantes, e imaginei que a resposta correta ou pelo menos a que julgo ser a única a ser dita para as mulheres curiosas em compararem-se com a musa da última hora seria:

Não sei quem seja essa menina, mas asseguro que aqui no jornal existem mulheres divinas, de parar o transito, deixar-nos de boca aberta; morenas, loiras, orientais, um verdadeiro desfile!!!! E homens iguais a mim, que não possuem atrativo físico, ficam "embasbacos" por estas divas, embora o que as fazem realmente belas, está escondido sob a roupa, sob a carne, chama-se alma, chama-se espirito e este só é perceptível aos mais atentos, aos observadores natos nos quais me incluo. Sendo assim, desta forma tão peculiar, digo que o tal "pablo", se possuísse esse dom que eu carrego, estaria tão encantado e apaixonado por ti que esqueceria que algum dia existiu uma Priscila neste prédio!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Medo

ah... o medo
nos mantem vivos,
com os pes no chão
e as asas recolhidas

Vento Branco

Vento, porque corres assim, acaso não tens tempo para mim?
Corro porque há muito campo para semear, janelas a bater e cachoeiras para visitar. E quando, a necessidade de locomover-me depressa se extinguir, nada mais serei. Talvez lembrança perdida pelos papéis que li. Um sopro - dirão - poderá me devolver a vida, mas tão disperso, terei forças para novamente te perseguir?

Fragmentos...

O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. Como são sábios aqueles que se entregam às loucuras do amor!
Joshua Cooke


Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.
Victor Hugo


Que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros...
Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez... e não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!

Não despreze o mistério do homem em você sentindo pena de si mesmo ou tentando racionalizá-lo. Despreze a estupidez do homem em você, compreendendo-a. Mas não se desculpe por nenhum dos dois, ambos são necessários.

Carlos Castañeda

Um desejo

Homens não desejam somente uma transa momentânea, sem envolvimento, mecânica.
Sexo é mais do que isso, é envolvimento, entrega, carinho e prazer, a fim de transformar aqueles instantes em momentos de eterno relembrar, deitar proximos enquanto o arfar dos corpos se acalma, olhos colados um no outro, toques, susurros, comprometimento, iniciando mais um encontro, onde corpos se unem, vibram juntos e se desejam como se fosse o último instante de vida, como se extinguisse uma chama e em seu lugar surgisse uma fogueira.

Minha Versão

Filho meu, és um bobo,
pois todo homem apaixonado é bobo,
És um eterno apaixonado,
pela vida e pelas mulheres,
Eu o sei, e assim sendo,
viverás eternamente bobo,
Eternamente vivo!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

V

Imagine, é fácil. Só precisa cerrar levemente os olhos e permitir que os sons vindos do silêncio tragam mais uma carta, que tão diferente das anteriores não traduz em letras e versos o amor que outrora existiu.
Tantas madrugadas insones, na esperança insensata de ouvir passos pela casa, campainha do telefone a gritar ou algum pequeno sinal, uma demonstração de existência nos vãos deixados, atirados nos quatro cantos da cidade.
Esta indefinição tão definido, o saber das situações como são, como existir e respirar, torna tão humana este degradante momento, zerar os contadores do tempo não identifica a verdadeira raiz do problema.
Vielas esburacadas só refletem o dissabor do vento, insatisfação ao escalar morros em busca de paisagens verdejantes. Complicado é possuir milhares de pensamentos prontos para criarem vida, mas igualmente possuir a inata incapacidade de organiza-los e a coragem para dizer Adeus!

Estação Perdida

Eu não sou mais aquele cara,
parti para voltar logo;
sem destino segui,
possuindo meu nome como carta,
recomendação para a solidão.
Um minuto de contemplação
na brisa profunda,
nos sinos abafados,
descrédito absoluto do show de palhaços
dizem não parem, nem feche os olhos,
o trilho segue montanha abaixo
e lá existe vida!

Eu quero um amor

Eu quero um amor,
em que seja impossivel
viver nos diferentes lugares,
mesmo que sintam-se únicos,
são todos iguais.
Eu quero um amor diferente,
apenas um que leve meu abraço longe
tão repleto de pequenas nuances
sem romance,
apenas toques ligeiros,
que me traga irresponsabilidade.
Eu quero um amor frio,
para nada sentir,
apenas o queimar da pele,
sem beijos, sem despedidas.
Eu quero sim um amor,
que me torne tolo,
me arrebate, derrube e levante,
de forma equivocada,
em instantes completamente diferentes!

sábado, 26 de junho de 2010

Serrana

Fazia um ano, talvez pouco tempo mais,
Realmente não conseguia lembrar,
Ainda que desejasse havia uma cortina
Noturna a impedir que cantasse.
Continuava com aquela melodia viva,
Intensa, a lembrar cores fortes
Estampadas em cada horizonte,
Luzes das estrelas refletindo
Em cada janela o brilho de seus olhos.
Sentia que tudo lhe era permitido,
Inquieta, esperava ser resgatada,
Livre das amarras bronzeadas,
Viajaria ao seu jardim de Quimeras
Aonde suas flores azuis a esperavam;
Demonstraria sua nova capacidade,
E tomando as rédeas de sua vida,
Faria promessa a todos os Santos,
Respondendo a qualquer chamado.
Estaria atenta a cada novo dia no
Impulso primeiro de buscar
Toda felicidade guardada
Através dos segredos espalhados do
Singelo amor transformado em desejo.

IV

O mundo visto pela janela de minha casa é de constante transformação. Assim sem falar muito, apenas observando, compreendo que minha profunda lamentação invade os corredores da lembrança, aciona as recordações mais sublimes, escondidas da vida do adulto em que me transformei. Deixo os olhos do menino, percorrer cada janela em busca de algo que mantenha acesa a chama de esperança, que explique a transformação das pessoas, de poesia a um filme de horror, esquecendo das palavras, pavimentos dos caminhos eternos que nos levam aos nossos amores verdadeiros, e é assim que guardo com intensidade os grãos de centeio, na esperança que germine vida sob a terra tão seca.

III

No centro dos pensamentos que não se limitam mais aos reclusos espaços cerebrais, encontram-se os precursores das diferenças que tornam o vento esquecido em pequena brisa. Em dias tão felizes nada parece abrir os vãos onde se perderam populares observações, ainda mais quando tantas pessoas observam o que há entre as presas do ceifador que parado instiga a pensar quantas vezes pode-se andar em frente; sem esperar o momento da despedida. Nestas idades onde ninguém deseja ser solitário, é imprescindível saber enxergar e não olhar. Limites tão próximos e distantes que reivindicam suas aceitações, sem que haja necessidade de transformações bruscas de humor e de vida.

II

Vamos dormir esquecer os ruídos da rua,
É preciso fechar os olhos do corpo,
Enxergar com a alma a proposta da vida
Que dia é hoje? Não conto mais,
Deixei de me importar com coisas pequenas,
Quero saber dos encontros proibidos
Das cartas escritas e soltar por ai,
As recordações perdidas nas manhãs de domingo,
Porque aprendi que o amor é um cego errante
Tateando cada força ingênua que lhe apresenta,
Como se bastasse apenas palavras repetidas
Para assentar um viajante indômito.

I

Quando me falavas de amor e me fazias sonhar,
Canções distantes que não me recordo mais,
Palavras mentirosas que me fizeram perder tudo,
E que amores finitos são estes,
Canções surdas que fazem força para serem escutadas
Em um tempo que não volta mais
Na época em que tudo foi mais fácil,
Sozinho as distâncias pareciam nulas,
Na proximidade os abismos surgem.
Quando me falavas de amor e me fazias sonhar,
A nostalgia de nossos encontros era constante,
Hoje sem nenhum senso, qualquer porto me acolhe
Todas as palavras soltas no azul nada dizem
Porque eras tu que me fazias sonhar

Palavras ao Mar


Perdoe todo o tolo que infantilmente pensa na transferência de suas carências para aqueles que julga serem aptos a receber seus mais sinceros e belos sentimentos de bem querer. Nesta submersão de pensamentos, revolução que surge em cada amanhecer, esconde a chave mestra, responsável por destravar todas as portas, transformando areia em ouro, água em vinho e assim, nestes estranhos momentos, em que palavras e atos não podem traduzir os verdadeiros significados que surgem em cada tomada de decisão

Foi com uma flecha embebida no éter mais forte – o da paixão – que minha alma foi atingida. Talvez sejam apenas devaneios tolos a me perturbar refletidos em você, perdida na multidão, a escolhida entre tantas que passaram nos reinos que ergui pelas entradas da vida, edificando meu inquebrantável castelo.

As atitudes afugentam, oprimem e furtam o chão por onde se pisa e nos salões em que se baila, a ansiedade te procura, de forma tola, boba, quase infantil, sem saber que a verdade tão escancarada à minha frente, transforma todo o resto em profunda inverdade, afirmando categoricamente que nem hoje e ontem, nem no amanha e pelos dias da eternidade, será descoberto um pequeno espaço para se viver o desejo. Tão diferentes, necessidades inequívocas, sentimentos tão contrastados como sol e lua, reflexos escondidos e tão transparentes.

É assim, cada ato e som, partida e chegada, será guardada na garrafa atirada ao mar, levará a esmo tudo o que um dia senti, sinto e sentirei, matando aquele que muito pensa em ti, deixando viver o resto, que inflado de remorso, chora toda noite, sem ter fim por unicamente não estar junto a ti!

sábado, 12 de junho de 2010

Invictus

Chamou minha atenção o poema que Morgan Freeman declama no filme Invictus, que trata do período de Nelson Mandela como presidente da Africa do Sul e seu trabalho em unificar o Pais separado por 40 anos de Apartheid sob o rugby. O poema original é do autor ingles William Ernest Henley. Posto o original e a tradução para que todos possamos refletir sobre ele....

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto abaixo,
Agradeço quaisquer Deuses que existam
Pela minha alma inconquistável.

Na garra cruel da circunstância
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas erecta.

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E contudo a ameaça dos anos
Encontra e encontrar-me-á, sem temor.

Não importa a estreiteza do portão, ¹
Quão cheio de castigos o pergaminho, ²
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

GPS

A estrada parece mais longa, talvez nestes caminhos de entradas e retornos, um casal tenha redesenhado o trajeto. Seriam apenas boas recordações o querer misterioso, as músicas cantadas em tom baixo, que fazem moradia em lugares que nunca poderá se explicar. Você ainda estaria retratada na melodia mais suave e mesmo sem poder acompanhar, um pedaço do sol mostraria nosso destino.

Reter

Ela chegou e retirou um pedaço do coração do pobre infeliz, agora na despedida, levará de soslaio um caminhão de paixão e a eterna fotografia, enraizada no fértil terreno da saudade.

Mare del Nord

Os olhos brilham, enquanto surge, vagarosamente a vida sobre os campos.

Milagre da eternidade, é só observar a face complacente para tudo compreender.

Antigas casas, milhares de estórias determinando que os sonhos voem.

É a verdade perturbadora, retira tudo dos bolsos e atira homens ao mar do Norte.

Noites Infinitas

Quando conheci o livro dourado do saber, não me interessei pelo conteúdo. Acreditava não existirem mudanças profundas dentro do ser, que todas as estradas poderiam ser de sonhos, e em cada pegada deixada pelo caminho construíamos um pouco de nosso legado.

E se assim fosse, qual a vantagem de possuir o conhecimento contido em páginas emboloradas? Esqueci que ao meu lado só contaria com o gelado coração; em lutas maiores onde a lua escondia-se por entre nuvens escuras, fazia-me falta.

As escolhas forjadas pelo aço quente da espada pesam tanto, são companhia nestes tempos de viagens longas, onde o bater de palmas e a perturbadora unanimidade que flui de lábios pelo caminho são cantos líricos que não cesso de escutar.

Uma travessa qualquer

Estes lugares tão semelhantes entre si, com flores caídas e portas desenhadas, lembram um tanto do lugar de onde vim. As venezianas abertas, com matronas debruçadas que com olhar opaco observam tudo a sua volta, parecem tiradas das telas daquele pintor desconhecido.

Leningrado

Sem vingança, atravessa o mar de lama, pergunta-se o que faz ali. As sensações desaparecem com a mesma intensidade que surgem, idênticas as canções entoadas no meio da madrugada, salões vermelhos, intensidade única, ecos profundos vindos dos vales, consumindo os sonhos livres que encontram sempre iguais, na pequena prece erguida por entre tanques e metal.

Pedaços no Jardim

As mesmas árvores estão sob o céu azul e dia após dia nada adianta, as lágrimas não molham mais a terra seca. O mundo gira em sua mão e por mais esperto, sempre comete os mesmos equívocos. Bate nas mesmas portas, buscando a carta encerrada na garrafa.

Imagina como uma sentença de prisão pode livrar uma vida, se as danças e os sorrisos são vistos através da cortina do tempo, sem pressa, sem vida, sem morte!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

3x4

Chega mais perto, não tenha medo. Há tanto pra falar e nem sei por onde começar. Em que estação do trem meu caminho foi desviado. No piscar dos olhos, podemos conduzir uma cadeira de rodas em outro deitar na varanda da casa de praia. É tão rápido; o tempo corre deixando extremamente sem graça, sem ter as respostas certas, para as perguntas erradas, enquanto o amor dá seus últimos suspiros noturnos.

E apesar da polca que toca no radio, não movo os pés nos salões da vida; o soluço abafado entre os arfares é a segunda voz da canção triste, enquanto o frio bate na porta pesada. Subir rápido os degraus não me impede de continuar escutando a sinfonia estranha, metal contra o chão, sonhos deixados no balanço do jardim.

Gira a cabeça e as memórias já não se restringem aos espaços apertados, trancafiadas em jarros de ouro espalhados pela cidade que insistem em não dormir. Esticam-se com seus braços repletos de ventosas, instalando em cada poro um pouco de si, vírus que invade, percorre cada lembrança tua em mim.

Vidros quebrados, espelhos partidos, reflexos invertidos nas fronteiras de teus braços, por mais que viaje pelos campos infinitos, sempre é em ti que me encontro, nos “recuerdos” e na contagem dos anos que insistem em voar rumo ao infinito.

Tão pequeno, repleto d’alegria juvenil, independente do sol que se esconde por entre morros, beijando cada veio, esculturando as fontes límpidas que correm para desaguar no mar. Navego sem medo, sem compassos ou bussolas, sem partilhas, sem batidas soltas nas viagens do passado, sinais de tempo bom, gaivotas no horizonte, pedidos de beijos e sonhos perdidos nas primeiras manhãs de abril.

Words

Minha estranha insensatez
Ordena os desencontrados pensamentos
Norteando o caminho que devo tomar,
Inóspito e desconhecido, árido e fértil,
Com o destino traçado e determinado
Asseguro que a chegada seja suave
Vislumbrando neste instante a
Essência que emana de ti,
Tão suave como a brisa da madrugada,
Tão sublime como a aurora do dia
Encantadora e fascinante como a noite,
Resultado de um encontro sem fim!

Poema do Descobrimento

Vitória, brandam os conquistadores
Ao soar as trombetas no campo
Lugrube dos sonhos épicos
Esquecidos na passagem das horas.
Recomeçam a caminhada,
Inflamados pela chama dourada
Acesa nos corredores apartados
Milhares de beijos e desejos
Espalhados pelos corredores da vida
Nesta incessante busca
Do prazer pleno, do amor combustível
Elevam as almas até os céus
Servindo aos nossos desejos.
Lançar-se ao mundo do fantástico,
Exclusivamente reforça a convicção
Inata de cada ser, entre ais e afagos,
Trazendo as duvidas e certeza
Enclausuradas no coração incessante de bater!

Tarde de Outono

Nas típicas tardes de outono, nos é permitido revisistar o passado. É olhando pela janela; que se abre o portal inacessível das experiências de quase vida.
Enquanto o olhar se perde no horizonte, vai-se ordenando os pensamentos, colocando cada sensação em seu devido lugar e traça-se uma insegura e tênua linha cronológica, onde nada é pontuado pelo dissabor do tempo e sim pela sólida presença de fatos e atos!
Talvez aquela fosse apenas mais uma longa noite de domingo, antessala da semana; mas o vento que impulsionava as nuvens servia como breve aviso: nada voltaria a ser como antes. Tradicionais jogos são armas perigosas quando utilizados por mentes prodigiosas ou conduzidos por treinados observadores.
São nestes sinuosos corredores do não saber humano que ficam pelo chão migalhas e farelos do nosso interior. Assim, palavras soltas tornam-se aladas, voando incessantes ao encontro de guarida nos desatentos ouvidos das praças. Eis o grande mistério, o omega e o alfa, o tudo e o nada, o positivo e o negativo.
Seguem-se os dias, sedentos por aquele combustivel essencial para os corações manterem-se fortes. Alguns o oferecem sem nada pedir em troca, outros tão confiantes de si, desdenham de tal presente. Esquecem, desavisados quem são, que nunca é demais possuir grande cota de paixão!
Enquanto as folhas caem e tentam nos trazer novamente a razão, outras portas são escancaradas, permitindo a profunda exploração. Vão se desnudando de sentimentos e panos, com mentiras inocentes, verdades inconstantes, fugas cinematrográficas e desculpas imperiais.
Loucura é como poderia ser classificado este estranho fluxo de informações, torrente que lava a'lma, chama que Camões, diz não queimar, mas que aquece e enriquece.
No estranho bailar de corpos, o magnetismo exerce sua força, bocas se beijam, braços se procuram e mãos se tocam. O que fazer quando se aprisiona o olhar? Apenas aceitar o feitiço; permitir o enlace, deixar acontecer naturalmente tudo já vivido na solidão dos pensamentos noturnos.
Tantas são as estradas que conduzem ao mesmo destino; e dois pares vão se perdendo, pelas escolhas equivocadas, por palavras mal empregadas e pela teimosia tão presente no estilo de vida. Como juntar o sol e a lua? A águia e o lobo? Norte e Sul? Nestes caminhos diários, onde há em cada abrir de olhos uma decisão, observam-se de longe, aproximam-se, cruzam-se tal trens pagadores pela vida do outro, tatuando de forma indelével sua marca, a presença que nenhuma tarde de outono consegue apagar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Os Off-lines

Hoje estou postando o link de um texto escrito por uma amiga da fronteira, que de forma bem humorada traz um novo conceito sobre nós homens... confesso que me surpreendi...hehehehe
Fica a dica para que visitem e apreciem os pensamentos desta mocinha fronteiriça!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Canto Ligeiro (03 partes)

Não lembro ao certo o momento do inicio;
em que segundo cruzamos a linha;
ligações furtivas, longos sonhos,
promessas sem fim, pedidos de resgate,
o risco presumido e assumido,
o despertar da chama da paixão,
os impedimentos da vida,
unir e separar, as distâncias,
o chamar, o clamar, gritos abafados de dor,
ausência e presença,
chegadas e partidas,
beijos e abraços e igual a música
"cada retorno um recomeço"
cavalos de aço, Helena de Tróia?
Meu anjo salvador, o milagre de sexta
o brilho retornava aos meus olhos,
para partir nas noites de domingo,
levados pelas lágrimas nascidas de meu ser,
sozinho, acompanhado em alma
trilhando o desconhecido, traçando estratégias
trazendo aos poucos você para mim!

Escondido, observava teu jeito,
não falei nada, os lábios se encarregaram,
a revolução fora deflagrada,
deixou de ser segredo, estava em minha face
a alegria havia retornado
não queria mais saber do coração partido.
Esperança, amor, suspirar profundo
da boca seca transformando a névoa do pensamento
em corpo concreto, vivo, repleto de você!
Me impele, me faz buscar sempre,
o que há de bom em mim,
metade a melhorar este ser, tão imperfeito,
repleto de falhas, medos e incertezas.

Em meio a tempestades, é o farol;
indica o caminho, conduzindo minha viagem,
é a segurança que preciso para seguir
a companhia que sempre desejo ao meu lado
Nossa canção diz: "acho que foi Deus que te
mandou pra mim, pra me fazer feliz..."
Cansado de escutar meu pedido,
Ele me permitiu, uma vez mais;
provar do gosto da felicidade, ascender ao Nirvana
em meu 25° Luar, dia do amor, de meu renascimento,
dia em que entreguei minha alma e meu ser,
desapareceram as fronteiras, passamos a viver unos,
Escute o que falo, não quero corações partidos,
sempre foi, és e será a razão, o motivo,
o alimentar, o viver, o caminho, a vida que desejo viver!

Flexo Reflexo

Espelhos refletem o corpo,
meus olhos a alegria da alma,
por chamarem os teus para o encontro
sem necessidade de álibis,
desculpas para atirar-me em teu mundo,
ouvir tua respiração,
sentir teu hálito pela manhã
e sem nada dizer, novamente viver

Sonoridade

Você ainda continua cega
esquece de abrir os olhos,
sempre me esperou chegar,
feito uma prece repetida,
profana ao surgir de lábios doentes,
as mentiras deixadas no gradil,
me fazem esperar pela liberdade,
e ao mergulhar na escuridão,
o simples despertar,
deixa sons espaçados,
bradando: sinta!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sedução

Mesmo com o atraso matinal e a correria para arrumar-se; ela continua linda, deslizando por entre os corredores da casa, de forma única!
As roupas escolhidas aleatoriamente, combinam perfeitamente. Demonstram todo seu bom gosto e conhecimento pleno em como vestir-se.
Fiquei deitado, admirando por entre os raios de sol que lambem seu corpo o esforço para parecer comum.
Como - diria eu - esta mulher pode passar desapercebida em meio a multidão, se todo seu movimento exala sedução? O simples ato de vestir uma lingerie assemelha-se a um culto. Primeiro a perna esquerda, duas mãos a leva-la ao quadril, repouso da peça, espiada no espelho. Deus, como não pode ser sensual? Este ritual repete-se até completar a vestimenta. O sapato sempre de alto salto emoldura seus pés; marcando presença com seu estalar no piso frio. Brincos, anéis, pulseiras, está quase pronta, mas ainda resta o último detalhe: o perfume!
Mesmo colocado com moderação, marca sua presença mesmo já havido saido minutos antes.
Ser sedutora não é sinônimo de vulgaridade, é uma arte, um dom, algo inato, nasce com as mulheres, não se adquire em workshops, é um instinto natural. Ser seduzido por uma mulher desta estirpe é o mais belo presente que o homem recebe, é pular do penhasco sem asas, é vento no rosto, beijo na boca, sexo na cama e fogo n'alma.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

BBB e o Politicamente Incorreto

A vitória do gaúcho Marcelo Dourado na décima edição do BBB possui um significado "Épico". Não faço coro aos fãs enlouquecidos do novo ídolo do País, mas não há como fechar os olhos ao fenômeno "Dourado" e constatar de forma exagerada e/ou irônica que fomos agraciados em pleno horário nobre na tv paga e aberta, com a possibilidade única de presenciar o nascimento de um messias, de um libertador, aquela estirpe de caudilho que o Pampa está acostumado a ver surgir de suas entranhas. Nossa vida se divide em A.D e D.D, antes de Dourado e depois de Dourado. Agora, todos os homens reconquistaram o direito de ser o que realmente são em sua essência plena: Homens.
O lutador ao flatular na sala de cada brasileiro (não quis usar "peidar" seria Dourado demais), arrotar, escarrar, falar o que lhe vinha a cabeça, chorar por estar sentindo-se descriminado e isolado, além de toda terça-feira no paredão gritar "carvalho" nos devolveu o direito a viver o politicamente incorreto, abriu as portas da prisão da hipocrisia em que fomos obrigados a viver.
Não entrarei no mérito se a vitória no jogo foi justa ou não, mas a transformação do lutador perdedor em novo milionário, tal Rock Balboa, cérebre personagem do folclórico Silvester Stallone, que começava apanhando sempre em suas lutas para no final dar a volta por cima, fez perceber que tanto o telespectador/povo e a midia já andavam enjoados dos mocinhos imaculados, aqueles que existem apenas nos comerciais de refrigerante.
É isso ai, honra para conduzir as tradições, paz para discernir a hora de revoltar-se, força para seguir em frente e inteligência para derrubar todas as máscaras e preconceitos.
Viva o politicamente incorreto, um viva a todos nós!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Estarei ao seu lado

Escutei minha razão, sem explicações
deixei para trás toda uma ,
sem dar chance para recomeços.
Trouxe na bagagem as boas lembranças,
deixando as promessas de novo amanhecer,
mas é impossivel negar,
Estarei ao seu lado
nos momentos tristes, onde não há saida,
serei a fagulha que te acenderá,
quando faltar coragem, serei o sopro
a te incentivar, falando baixinho;
não desista nunca, por nada e ninguém.
se perdida estiver e com a lua falar,
lá me farei presente na luz mais forte,
conduzindo teu andar.
Para sempre estarei ao seu lado
mesmo quando o respirar não for importante
e uma vida for brincadeira de criança,
somente você e eu, sem fronteiras,
crenças e amarras, vivos nas fotos da parede,
intrusos e incompletos como cada respirar.

Festa na Praça

Soam as gaitas,
esperando a noite de Setembro,
teimosas soltam as melodias no ar,
balançando os corpos na praça.
Fecho os olhos, vejo tuas mãos,
aproxima-se rápida,
cantos faceiros fazem corpos dançar
no ritmo das cidades do interior.

Novos amores

Outro dia, um novo amor,
um bater diferente, paixão corrente
Está tudo ok!
Em meu ponto espero o chamado,
para sempre será minha menina.
Não há porque desesperar,
as luzes dos prédios teimam em afirmar
Está tudo ok!
Acredite em cada palavra,
nelas guardo um pouco de razão,
tesouro único, escondido, enterrado
onde os sons não chegam,
em algum lugar perdido entre você e eu!

Corrente

Vida de sangue,
se podes ver, fale algo
ao contrário mil amores
não irão impedir a partida
Memórias interrompidas
pelo justo fechar de portas,
sem dizer: preciso de ti.
Se pudesse sentir,
perceber os estragos que fez,
mas corações cinzas não possuem vida
são esboços daquilo que foram,
uma vida cheia de sangue.

Amanhã, agora ou nunca

Minha adorável vida, eterno respirar
mal entendidos quebram corações,
sem ter como remenda-los,
não adianta chorar, é em vão
Amanhã, agora ou nunca,
vamos respirar, aprofundar nossa dor,
neste jeito louco, incompreensivel, todos atordoar.
Minha adorável vida, eterno respirar
prenda-se a mim, sorria, liberte teu espírito
corra, pise na grama, grite, chame a atenção.
Amanhã, agora ou nunca,
perca-se nos encontros, desabe,
reconstrua o castelo, viva feliz,
sem a ninguém contar,
Minha adorável vida, eterno respirar
Amanhã, agora ou nunca.

Espelhos

No espelho, reflexos de aparições,
tão furtivas quanto os beijos espalhados,
nos caminhos exposotos pelos sonhos teus.
Somente nos trigais, escondo o que te roubei,
asas ligeiras, levam-me de norte a sul,
ensinando a decifrar os sinais
escancarados no livro da vida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Round do destino

Pouco tempo para lutar,
rápido, ligeiro, este será
o derradeiro embate,
perder os sentidos,
respirar fundo para mergulhar,
na superfície nada há,
continue a se debater,
não aceite arqueado,
aquele destino que não é seu.

To Hell

O silêncio já não satisfaz,
necessita dos gritos da noite,
a lembrar do que somos feitos,
é preciso pegar a areia do chão,
correr para atira-la nos quartos da casa.
Terriveis portais abrem-se
lembrando nas mentes desavisadas,
os miseráveis incapazes de sonhar,
batidas surdas no pátio dos fundos.
Nascemos para morrer,
por isso estamos aqui,
ainda rezamos orações ocas,
Corra pequeno garoto,
a cada esquina o perigo te espera,
solte, prenda, aprisione, liberte
na escuridão os movimentos são brandos
e a chegada uma surpresa,
não fale, não escute,
pare o necessário, ande até cansar,
o mundo é seu, do tamanho do grão de pó.

Morangos de São Sebastião

Soam os alarmes,
avisam sua chegada,
intempestiva,
perplexo fico ao perceber,
as consequencias dos nossos atos,
libertos nas paragens longe daqui;
não mantem-se a uniformidade
dos pedidos de beijos seus;
morangos espalhados,
lençóis rasgados,
quinta essência espalhada,
envolvendo meu ser,
fixo, imóvel, sem perceber
que tua fonte não beberei.

Brindar este encontro

Deixe ver por entre panos
tudo o que preservas
de olhos famintos iguais aos meus.
Cumpra as promessas sussurradas
nas madrugadas regadas de
sinceros sorrisos e cruéis enganos.
A felicidade da qual nos embriagamos
restam apenas gotas de lembrança
nas taças cristalizadas da tristeza

Encontros e partidas

Nas despedidas encontramos um pouco de tudo que já foi partido,
Partilhado pelos pares semelhantes a você e eu,
em instantes ligeiros, sem gosto e gozo.
Nos encontros perdemos tudo daqui que nunca foi nosso,
sai pela janela o pouco da alegria enlouquecedora,
morada de corações errantes.
Noites vazias, ligeiros canhões a bradar
em Navarone tua chegada refletida no cinzel das paixões,
implorando cuidado e proteção.
Segue impávida, desdenha das lagrimas apertadas,
por entre dedos uma ameaça surda,
promessa de tempos fúteis, lavando com rosas;
feridas imortais, chagas expostas na pele do pobre homem,
criador de Historia de amor que nunca amou!

Ethore Manoel

Meu avô dizia, está tudo certo, independente da arte, da travessura mais cabeluda; possuía uma serenidade que apenas os sábios adquirem com o passar dos anos. Ria até tossir com as mais puras inocências proferidas por seus anjos.
O colo sempre livre para servir de abrigo, de esconderijo quando se passava dos limites. A oportunidade perfeita para contar usas estórias de infância e juventude. Sim, aquele velhinho de cabeça branca já foi pequenino, esteve no meu lugar. Meus olhos vidrados tudo observavam, escutava tudo atentamente e hoje compreendo perfeitamente o que me dizia.
Obrigado vô!
Minha homenagem aos meus avôs, os quais mão tive o privilégio de conhecer, mas sei que seriam exatamente assim!

Tenha um bom dia!

Tenha um bom dia,
acorde cedo, tranque o despertador,
café, banho, noticias,
calor já castigando o corpo,
som urbano a lembrar
Tenha um bom dia!
Corra, engarrafamento na via,
acelera, freia, olha e grita
não esquente o dia começou.
Tenha um bom dia!
conta atrasada, falta de dinheiro,
camisa manchada,
sapato rasgado, calça poída,
gracinha do porteiro, lembre
Tenha um bom dia!
tarde modorrenta, reuniões chatas,
relatórios e satisfações,
cobranças, pedidos e ordens
se isto for suficiente, lembre
Tenha um bom dia!
Volta, som para relaxar,
ligação no celular,
não atenda, não acelere,
tarde demais uma multa recebeu.
Tenha um bom dia!
Acabou o gás, sem janta,
livro é a saida para meditar,
não, sem luz, sem ventilador,
casa abafada, só resta dormir
Amanhã, viva tudo novamente,
mas lembre-se sempre
Tenha um bom dia!