Seja bem vindo, aqui compartilho um pouco de "minha Obra", meus pensamentos, os personagens reais e imaginários tomados de dúvidas, crônicas, poemas banais e a forma como enxergo o mundo.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Poema da Despedida - II
Não são jóias e nem propriedades que me prendem, estas coisas mundanas e passageiras não acorrentam minha alma e nem detem a jornada, mas são fatos tão diferentes e propósitos únicos de dificil compreensão que impossibilitam a plena percepção e do dominio do exposto aqui por pessoas que desconhecem os pormenores deste épico.
Falar através de metáforas é a forma mais rápida encontrada para deixar pelo caminho a tonelada de frustração carregada, tão enraizada em meu ser, levando a confundir o real e o imaginário, criando a densa neblina em meu norte. Perceber o quanto se perde em uma expedição fadada ao fracasso, mistura os tão organizados pensamentos, ruboriza e cobre com um manto de vergonha os princípios básicos do caráter inato.
Olhando assim, se percebe os sinais tão claros deixados nos mapas escondidos pelos vales, ao invés de me aproximarem do objeto de minha busca, cumpriam papel inverso. Descobri, sem antes penar, que já havia conquistado o mais belo tesouro. A ganância empurrou-me a uma armadilha de dificil salvação e tão severo no julgamento constatei em mim o que Pessoa já havia dito; e eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco e tantas vezes vil, percebi na certeza da ilusão a oportunidade de esquecer e recomeçar!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Uma História bem Familiar
Anderson Ribeiro Cerva
Nasci e fui criado no bairro Santana no final de 76, pouco mais de dois anos após a inauguração do Zaffari Ipiranga, então posso dizer que minha vida se confunde um pouco com essa loja. Meus pais sempre faziam os tradicionais 'ranchos' na loja Ipiranga, e desde tenra idade, os acompanhava e ficava maravilhado, dentro da ingenuidade própria das crianças, com aquele Esquilinho Vermelho dono de 'um montão de coisas'.
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| Foto da Internet |
O Zaffari para mim é uma tradição que nossa Família incorporou; a confiança e segurança que sentimos não pode ser mensurada. Passados quase 34 anos, continuo frequentando a mesma loja, sentindo como se estivesse dentro de minha casa, olhando para os corredores e lembrando daqueles momentos de minha infância.
Acho que o melhor exemplo para finalizar essa narrativa ocorreu quando comecei a namorar minha esposa. Ela é natural de Bagé e residia lá. Quando ela veio pela primeira vez para Porto Alegre, disse que lhe mostraria o melhor pão da cidade. Fui direto para o 'Ipirangão' e a fornada recém havia sido retirada. Acredito que aquele pão auxiliou em muito na conquista! É por esse e tantos outros motivos que o Zaffari
passa de pai para filho, geração após geração, como uma das melhores heranças de nossa terra.
Perfume de Mulher
Sendo assim, com toda esta introdução, imaginar o que um perfume diz é praticamente construir em pensamento a tese de um mestrado. O perfume que repousa na pele macia da mulher, é tal beijo do amante, afago na derme, é infinitamente superior a um simples ato de higine ou de cuidado pessoal.
Homens que preocupam-se ou demonstram interesse pelo todo; ao sentirem o doce aroma no ar, invariavelmente se indagam: estará ela toda perfumada? Quais serão os perfumes que estão espalhados por seu corpo? Sonham como desbravadores medievais em percorrer os centimetros mais expostos afim de sorver todo bálsamo; viajam pelas mãos, subindo por braços, encontrando guarida em pescoços convidativos, onde retem-se por tempo indeterminado, para após continuar sua expedição através do colo, abdome e por ai se vai. A imaginação masculina é prodigiosa quando relacionada com o objeto de desejo da maioria dos homens.
Outros irão construir de forma tridimensional, uma projeção feminia no exato momento em que tal ritutal ocorre. Sim, a aplicação do perfume é um ritual que pode ser realizado em diversos ambientes, com inumeras personagens e suas vestimentas traduzem-se em uma gama incontável de combinações. Minha imaginação que acostumou-se a correr solta, geralmente a percebe recém saída do banho, com íntimas roupas brancas, onde suas mãos treinadas, delicadas e ágeis massageiam a pele de todo o corpo com cremes que servem de preliminar para o momento do climax. Conforme a ocasião, seu corpo receberá mais peças de vestuário ou será despido das duas peças alvas que nele repousam. Aqui, seguirei pelo caminho em que está preparando-se para compromissos fora de casa, onde tem incio um processo de transformação, o perfume vem fazer companhia ao odor natural da pele, que entre nós já é afrodisíaco. Ele repousará atrás das orelhas, no pescoço, estrategicamente depositado no colo e por fim nos pulsos para que, a cada movimento das mãos, torne-se mais marcante sua presença. Para finalizar, com a maestria encontrada apenas nas mulheres de verdade, há a presença da maquiagem que a favorece, destacando os pontos positvos de seu rosto e disfarçando as imperfeições que a faz tão humana e real.
Perceber tudo isso, captar o perfume feminino no ar, antes de mais nada é um convite para uma aproximação saudável e respeitosa, se tua investida for recebida com um sorriso é a senha que ela deseja se fazer conhecer melhor e por fim, se não fores afoito e teu convite para leva-la a qualquer lugar em que possa faze-la o teu centro de atenção for avalizada com um sim, podes ter a certeza de que novos momentos de indisfarçavel realização aproximam-se.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Tatuagem
tal tatuagem que não é apagada,
lembra a cada instante dos sonhos
e promessas veladas feitas
nas noites insones da eternidade...
Cada instante em que as indefinições se avolumam,
somadas as certezas dos fatos escancarados,
deixa transparecer que neste jogo
só há um perdedor, pois os jogadores em seus blefes
e artimanhas, mantem presos suas presas
A certeza de ter próximo alguém capaz
de suprir suas carências
como forma de bonificação
pela dedicação louca e sem fim...
A Menina do Teto Solar III
imersa em um mundo distante,
impedindo minha entrada em seus ares,
deixou um rastro intenso de saudades,
que aplaca-se aos poucos,
a cada instante que me brinda com seu olhar.
A Menina, conserva beleza tão própria,
seus cachos cuidadosamente tratados,
reforçam a suavidade de sua face e
contrastam com o gestual que lhe acompanha.
Parece que a longa espera está proxima do fim,
A Menina já respira mais calmamente,
voltou a ter aquele jeito moleca que encanta,
embora faça um esforço para ser mulher madura,
balança as tranças nos rodopios da vida,
onde cada volta é um recomeço!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Poema em linha reta Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Vento contra é pra gente voar...
Você já viu uma Pipa voar a favor do vento ?
Claro que não.
Frágil que seja, de papel de seda e taquara, nenhuma se dá ao exercício fácil de voar, levada suavemente pelas mãos de alguma corrente.
Nunca.
Elas metem a cara.
Vão em frente.
Têm dessa vaidade de abrir mão de brisa e preferir a tempestade.
Como se crescer e subir fosse descobrir em cada vento contrário uma oportunidade.
Como se viver e brilhar fosse ter a sabedoria de ver uma lição em cada dificuldade.
No fundo, no fundo, todo mundo deveria aprender na escola a empinar pipas, pandorgas ou raias.
Para entender desde cedo, que Deus só lhes dá um céu imenso porque elas têm condições de o alcançar.
Assim como nos dá sonhos, projetos e desejos, quando possuímos os meios de os realizar.
De tempos em tempos, voltaríamos às salas de aula das tardes claras só para vê-las, feito bandeiras, salpicando o azul.
Assim compreenderíamos, de uma vez por todas, que pipas são como pessoas e empresas bem sucedidas: usam a adversidade para subir às alturas.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Tua Lua
exercendo magnetismo e encantamento próprio
encontrado apenas na alcova dos amantes.
Nestes insistentes flertes onde o tempo não existe,
a solução para honrar o muito que ela concedeu,
é entregar de boa vontade as defesas da cidadela,
aguardando que a invasão do desconhecido,
tome conta de você!
???
nem sabe para onde ir,
repare na inquietação,
dos saberes sem definição.
Ao deparar-se com respostas impossíveis
volte ao princípio e refaça o questionamento.
Andarilho
Senhas
Enquanto dia após dia,sem exceção, todos te esperaram,
e ao decidir-se pelo silêncio,
esta atitude de evasão deixou teu adeus,
assinado pela imaturidade própria de teu ser!
Você sabe onde encontrar as setas do desconhecido
percorre a noite,
mostra apenas uma face;
infinitamente idêntica,
como fora no princípio e agora ao fim.
Canto Menor - IV
no cortante desencontro dos corações unidos,
permanecerei sonhando com as proibições,
e sendo assim, este amor que tanto acalentei,
transformou-se em fulgas lembrança,
e deixa claro a temeridade dela!
Frágil, a nada sobreviveu e sem testá-lo
parece ser apenas uma enrolação,
um truque dos deuses menores;
tão sedentos por testemunhos da derrota
daqueles que verdadeiramente amaram!
Mais um...
Perguntava-se porque é mais fácil fingir do que amar! Mas o que são nossos dias, além de uma necessidade desesperadora de sobreviver, usando de todos os recursos que estão disponíveis e escancarados em nosso redor?
Sendo assim, buscando sem a utilização de filtros, vamos descobrindo e trazendo para bem próximo, pessoas que não são tão merecedoras desta oportunidade. Por isso temos a constante impressão que somos enganados, mas não, nossa exigência de querermos pessoas do mesmo calibre que o nosso faz com que tenhamos esta ilusão...
Ao analisar de forma bem madura e realista, o azar é deles, que não sabem honrar o prêmio que ofertamos. Deixar-se conhecer por quem quer que seja (apesar de não soar bonito - é verdadeiro), é uma prova incontestável de boa vontade e de confiança. Ninguem abre sua vida, suas sensações e seus sentimentos a toa, é sempre uma consequencia maior, que alguns classificam como amizade; outros como carinho e um pequeno grupo o conhece como amor!
domingo, 14 de novembro de 2010
A Morte Não é Nada
"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como
sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora de suas visitas?
Eu não estou longe, apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que ai ficou, siga em frente,
A vida continua linda e bela como sempre foi"
Who Am I?
Meu lugar está reservado novamente há milhas daqui.
Realmente passam-se os anos e a eternidade não apavora,
Mostra sua face limpa, no convite extremado
Em escutar as mudanças anunciadas.
Os corações antes descompassados,
Aproximam-se a sinfonias inacabadas, que aguardam o maestro tolo.
Aonde se vá os questionamentos estampam os muros,
Paredes sem ornamentos, testemunhos mudos do ontem,
Frias definições dos sonhos sensoriais,
Escorrendo por entre meus dedos as amarras do destino.
Se foi
Independente da tua necessidade de paz ou de amor, nas noites que tiveres a impressão de vivermos como antes, lembra dos mares revoltos atravessados e diga com toda a força constante em teu seio, peça para o tempo parar, não existem chaves na porta e o dom da premonição é uma das virtudes inexistentes em teu ser!
Vento... Ventania... Tempestade
A oportunidade de reflexão, lembrar o quanto, independente dos acordes do violão, a vida não é composta sempre com as melhores melodias; muitas vezes há necessidade do som metalizado dos pratos ou o abafamento dos tambores, refinados junto ao sopro de flautas.
São medidas sem fim, encontrado em cada perímetro, o modelo exato da plenitude cega e estática que permite sermos exatamente quem desejamos.
Direito de Viver
Junto, será permitido sonhar os sonhos mais loucos, delirar de paixão e rir descontroladamente ao se deparar com piadas infames e toscas, sem o risco de profundos e intensos julgamentos dos seus iguais.
Será permitido a todo humano, sentar-se na soleira de casa e sorver da beleza das tardes de primavera conjuntamente com a tangerina que lhe perfuma as mãos. Será obrigatório a partir de então, apresentar a carteira de identificação humana, que é encontrada na forma de sorrisos e lágrimas aquecidos nos corações saltitantes e repletos de esperança.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Volta e meia
se acaso ousar falar algo, teria que valer mais que ouro, uma vez que o silencio, em dias como estes, onde não se ve no horizonte nada alem do que o anil, parecem telas pintadas em momentos de contemplação das almas puras e juvenis perdidas nos mares da existencia
sem poder chegar a uma conclusão obvia, que alivie o fardo que se carrega, elucidando as divagações surgidas durante a noite e extinguindo de uma vez por todas a imensa saudade que em meu peito tem guarida!
Indagação...
Ah menina...se todos soubessem amar, que graça haveria de ser encontrada na sensação constante das indefinições e nas vontades que se perdem entre os instantes de razão extrema e insanidade perene? O amor apresenta-se de tantas formas que são poucos os que realmente conseguem vive-lo em plenitude; tirando dele todo o combustivel para continuar sonhando, assim, aos nossos olhos parece ser mais facil fingir que amar....
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Oriundo das Ferias
Almejava apenas escutar um alô desinteressado em suas manhãs de segunda. Fazia-lhe tanta falta um entendimento pleno das intenções dele. Chorava de saudade como de vergonha. Aquele amor que ela conduzira como precioso estandarte havia reduzido-se a pó; uma pequena e quase imperceptível lembrança trazia os momentos plenos e jaziam todos os desacertos. Mesmo insistindo, eles assemelhavam-se a mentiras espalhadas pelo vento. Desejava apenas um pouco de atenção. Queria sentir uma força a lhe impulsionar, esquecer que um dia seu coração fora solo fértil, servira de abrigo a quem nunca o merecera.
Tomou coragem; sentou-se, olhando friamente para o espelho não reconhecia seu reflexo, sua essência desaparecera. Apaixonada por línguas gritou: enought, è finito! Enxugou suas lágrimas. Respirou fundo e antes de tomar qualquer decisão, cerrou as pálpebras, lembrava das palavras ecoadas em seu pensamento: “encontrarás alguém que te ame com uma plenitude única, ele será capaz de transformar teus mais nublosos dias em tardes de primavera, te levará aos céus com um simples toque de lábios e assim, serás livre dessa criminosa paixão”.
Forçou o cenho, uma careta se fez notar; porque ao tentar trazê-lo para o papel deste homem, percebeu o quanto a resposta de suas inquietantes indagações estava a sua frente. Ele não se enquadrava mais naquele cenário; era um fantasma a atormentar sua existência, chegara o momento do exorcismo. Não podia mais recusar! Abriu os olhos e finalmente saiu do quarto, caminhou apressada pelo corredor ganhando o jardim. A pulsação traduzia o estado de seu coração, e tal ano atrás, encarou aquele paciente conquistador e sem perder tempo o flecha com seu sonho real: “onde você estava? Há um mundo inteiro para descobrirmos!”
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
São Sebastião
tire de meu peito toda a paixão,
se por bem não podes intervir
deixe ir para longe aquela a quem quis,
O Santo, pobre coitado, minhas súplicas
entendeu errado, pois que ao sair,
encontro-a com uma rosa na mão,
o rosto corado e um cartão,
nele escrito lia-se "te amo coração"
A Menina Dourada
A Menina Dourada, imaginava ele, estava distante. Separados por mundos de ilusão, onde as flores nasciam nos telhados das casas e o sol brilhava a noite, não haveria possibilidade de seus caminhos cruzarem. Ainda imaginava se aquela pessoa deitada em sua cama, tapada com fino lençol de seda seria ela. Não possuía certeza de mais nada e tão pouco lhe fazia questão de tal, lhe importava o respirar profundo, lavando a alma, abrindo caminho para a expedição que disposto iniciara.
Já era tempo, no relógio da cabeceira mostrava-se 7 horas, os primeiros raios de sol lambiam as paredes do quarto de paredes clara, e mais bela era a cena, possível de imaginar apenas nas telas dos mais célebres pintores. Estava exausto da espera, a expectativa inundara sua mente, olhava incessante o ponteiro do contador de tempo e eis que minutos após sua ultima divagação a menina retoma as rédeas do ser, abre os olhos repetindo todo o ritual diurno e ao fita-lo, com voz beirando a sensualidade fatal e o autoritarismo radical, lhe diz; “me trás o café?”.
sábado, 7 de agosto de 2010
Pai
Te Amo Velho!!!
Pai
Fábio Jr.
Composição: Fábio Jr.
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
Quem sabe isso quer dizer amor
Milton Nascimento
Composição: Márcio Borges e Lô Borges
Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
terça-feira, 27 de julho de 2010
It's only words...
Vovô e sua sabedoria
Redescobertas
A Musa do Jornal
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Vento Branco
Corro porque há muito campo para semear, janelas a bater e cachoeiras para visitar. E quando, a necessidade de locomover-me depressa se extinguir, nada mais serei. Talvez lembrança perdida pelos papéis que li. Um sopro - dirão - poderá me devolver a vida, mas tão disperso, terei forças para novamente te perseguir?
Fragmentos...
Joshua Cooke
Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.
Victor Hugo
Que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros...
Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez... e não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!
Não despreze o mistério do homem em você sentindo pena de si mesmo ou tentando racionalizá-lo. Despreze a estupidez do homem em você, compreendendo-a. Mas não se desculpe por nenhum dos dois, ambos são necessários.
Carlos Castañeda
Um desejo
Sexo é mais do que isso, é envolvimento, entrega, carinho e prazer, a fim de transformar aqueles instantes em momentos de eterno relembrar, deitar proximos enquanto o arfar dos corpos se acalma, olhos colados um no outro, toques, susurros, comprometimento, iniciando mais um encontro, onde corpos se unem, vibram juntos e se desejam como se fosse o último instante de vida, como se extinguisse uma chama e em seu lugar surgisse uma fogueira.
Minha Versão
pois todo homem apaixonado é bobo,
És um eterno apaixonado,
pela vida e pelas mulheres,
Eu o sei, e assim sendo,
viverás eternamente bobo,
Eternamente vivo!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
V
Tantas madrugadas insones, na esperança insensata de ouvir passos pela casa, campainha do telefone a gritar ou algum pequeno sinal, uma demonstração de existência nos vãos deixados, atirados nos quatro cantos da cidade.
Esta indefinição tão definido, o saber das situações como são, como existir e respirar, torna tão humana este degradante momento, zerar os contadores do tempo não identifica a verdadeira raiz do problema.
Vielas esburacadas só refletem o dissabor do vento, insatisfação ao escalar morros em busca de paisagens verdejantes. Complicado é possuir milhares de pensamentos prontos para criarem vida, mas igualmente possuir a inata incapacidade de organiza-los e a coragem para dizer Adeus!
Estação Perdida
parti para voltar logo;
sem destino segui,
possuindo meu nome como carta,
recomendação para a solidão.
Um minuto de contemplação
na brisa profunda,
nos sinos abafados,
descrédito absoluto do show de palhaços
dizem não parem, nem feche os olhos,
o trilho segue montanha abaixo
e lá existe vida!
Eu quero um amor
em que seja impossivel
viver nos diferentes lugares,
mesmo que sintam-se únicos,
são todos iguais.
Eu quero um amor diferente,
apenas um que leve meu abraço longe
tão repleto de pequenas nuances
sem romance,
apenas toques ligeiros,
que me traga irresponsabilidade.
Eu quero um amor frio,
para nada sentir,
apenas o queimar da pele,
sem beijos, sem despedidas.
Eu quero sim um amor,
que me torne tolo,
me arrebate, derrube e levante,
de forma equivocada,
em instantes completamente diferentes!
sábado, 26 de junho de 2010
Serrana
Realmente não conseguia lembrar,
Ainda que desejasse havia uma cortina
Noturna a impedir que cantasse.
Continuava com aquela melodia viva,
Intensa, a lembrar cores fortes
Estampadas em cada horizonte,
Luzes das estrelas refletindo
Em cada janela o brilho de seus olhos.
Sentia que tudo lhe era permitido,
Inquieta, esperava ser resgatada,
Livre das amarras bronzeadas,
Viajaria ao seu jardim de Quimeras
Aonde suas flores azuis a esperavam;
Demonstraria sua nova capacidade,
E tomando as rédeas de sua vida,
Faria promessa a todos os Santos,
Respondendo a qualquer chamado.
Estaria atenta a cada novo dia no
Impulso primeiro de buscar
Toda felicidade guardada
Através dos segredos espalhados do
Singelo amor transformado em desejo.
IV
III
II
É preciso fechar os olhos do corpo,
Enxergar com a alma a proposta da vida
Que dia é hoje? Não conto mais,
Deixei de me importar com coisas pequenas,
Quero saber dos encontros proibidos
Das cartas escritas e soltar por ai,
As recordações perdidas nas manhãs de domingo,
Porque aprendi que o amor é um cego errante
Tateando cada força ingênua que lhe apresenta,
Como se bastasse apenas palavras repetidas
Para assentar um viajante indômito.
I
Canções distantes que não me recordo mais,
Palavras mentirosas que me fizeram perder tudo,
E que amores finitos são estes,
Canções surdas que fazem força para serem escutadas
Em um tempo que não volta mais
Na época em que tudo foi mais fácil,
Sozinho as distâncias pareciam nulas,
Na proximidade os abismos surgem.
Quando me falavas de amor e me fazias sonhar,
A nostalgia de nossos encontros era constante,
Hoje sem nenhum senso, qualquer porto me acolhe
Todas as palavras soltas no azul nada dizem
Porque eras tu que me fazias sonhar
Palavras ao Mar
Perdoe todo o tolo que infantilmente pensa na transferência de suas carências para aqueles que julga serem aptos a receber seus mais sinceros e belos sentimentos de bem querer. Nesta submersão de pensamentos, revolução que surge em cada amanhecer, esconde a chave mestra, responsável por destravar todas as portas, transformando areia em ouro, água em vinho e assim, nestes estranhos momentos, em que palavras e atos não podem traduzir os verdadeiros significados que surgem em cada tomada de decisão
Foi com uma flecha embebida no éter mais forte – o da paixão – que minha alma foi atingida. Talvez sejam apenas devaneios tolos a me perturbar refletidos em você, perdida na multidão, a escolhida entre tantas que passaram nos reinos que ergui pelas entradas da vida, edificando meu inquebrantável castelo.
As atitudes afugentam, oprimem e furtam o chão por onde se pisa e nos salões em que se baila, a ansiedade te procura, de forma tola, boba, quase infantil, sem saber que a verdade tão escancarada à minha frente, transforma todo o resto em profunda inverdade, afirmando categoricamente que nem hoje e ontem, nem no amanha e pelos dias da eternidade, será descoberto um pequeno espaço para se viver o desejo. Tão diferentes, necessidades inequívocas, sentimentos tão contrastados como sol e lua, reflexos escondidos e tão transparentes.
É assim, cada ato e som, partida e chegada, será guardada na garrafa atirada ao mar, levará a esmo tudo o que um dia senti, sinto e sentirei, matando aquele que muito pensa em ti, deixando viver o resto, que inflado de remorso, chora toda noite, sem ter fim por unicamente não estar junto a ti!
sábado, 12 de junho de 2010
Invictus
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
GPS
A estrada parece mais longa, talvez nestes caminhos de entradas e retornos, um casal tenha redesenhado o trajeto. Seriam apenas boas recordações o querer misterioso, as músicas cantadas em tom baixo, que fazem moradia em lugares que nunca poderá se explicar. Você ainda estaria retratada na melodia mais suave e mesmo sem poder acompanhar, um pedaço do sol mostraria nosso destino.
Reter
Ela chegou e retirou um pedaço do coração do pobre infeliz, agora na despedida, levará de soslaio um caminhão de paixão e a eterna fotografia, enraizada no fértil terreno da saudade.
Mare del Nord
Os olhos brilham, enquanto surge, vagarosamente a vida sobre os campos.
Milagre da eternidade, é só observar a face complacente para tudo compreender.
Antigas casas, milhares de estórias determinando que os sonhos voem.
É a verdade perturbadora, retira tudo dos bolsos e atira homens ao mar do Norte.
Noites Infinitas
Quando conheci o livro dourado do saber, não me interessei pelo conteúdo. Acreditava não existirem mudanças profundas dentro do ser, que todas as estradas poderiam ser de sonhos, e em cada pegada deixada pelo caminho construíamos um pouco de nosso legado.
E se assim fosse, qual a vantagem de possuir o conhecimento contido em páginas emboloradas? Esqueci que ao meu lado só contaria com o gelado coração; em lutas maiores onde a lua escondia-se por entre nuvens escuras, fazia-me falta.
As escolhas forjadas pelo aço quente da espada pesam tanto, são companhia nestes tempos de viagens longas, onde o bater de palmas e a perturbadora unanimidade que flui de lábios pelo caminho são cantos líricos que não cesso de escutar.
Uma travessa qualquer
Estes lugares tão semelhantes entre si, com flores caídas e portas desenhadas, lembram um tanto do lugar de onde vim. As venezianas abertas, com matronas debruçadas que com olhar opaco observam tudo a sua volta, parecem tiradas das telas daquele pintor desconhecido.
Leningrado
Sem vingança, atravessa o mar de lama, pergunta-se o que faz ali. As sensações desaparecem com a mesma intensidade que surgem, idênticas as canções entoadas no meio da madrugada, salões vermelhos, intensidade única, ecos profundos vindos dos vales, consumindo os sonhos livres que encontram sempre iguais, na pequena prece erguida por entre tanques e metal.
Pedaços no Jardim
As mesmas árvores estão sob o céu azul e dia após dia nada adianta, as lágrimas não molham mais a terra seca. O mundo gira em sua mão e por mais esperto, sempre comete os mesmos equívocos. Bate nas mesmas portas, buscando a carta encerrada na garrafa.
Imagina como uma sentença de prisão pode livrar uma vida, se as danças e os sorrisos são vistos através da cortina do tempo, sem pressa, sem vida, sem morte!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
3x4
Chega mais perto, não tenha medo. Há tanto pra falar e nem sei por onde começar. Em que estação do trem meu caminho foi desviado. No piscar dos olhos, podemos conduzir uma cadeira de rodas em outro deitar na varanda da casa de praia. É tão rápido; o tempo corre deixando extremamente sem graça, sem ter as respostas certas, para as perguntas erradas, enquanto o amor dá seus últimos suspiros noturnos.
E apesar da polca que toca no radio, não movo os pés nos salões da vida; o soluço abafado entre os arfares é a segunda voz da canção triste, enquanto o frio bate na porta pesada. Subir rápido os degraus não me impede de continuar escutando a sinfonia estranha, metal contra o chão, sonhos deixados no balanço do jardim.
Gira a cabeça e as memórias já não se restringem aos espaços apertados, trancafiadas em jarros de ouro espalhados pela cidade que insistem em não dormir. Esticam-se com seus braços repletos de ventosas, instalando em cada poro um pouco de si, vírus que invade, percorre cada lembrança tua em mim.
Vidros quebrados, espelhos partidos, reflexos invertidos nas fronteiras de teus braços, por mais que viaje pelos campos infinitos, sempre é em ti que me encontro, nos “recuerdos” e na contagem dos anos que insistem em voar rumo ao infinito.
Tão pequeno, repleto d’alegria juvenil, independente do sol que se esconde por entre morros, beijando cada veio, esculturando as fontes límpidas que correm para desaguar no mar. Navego sem medo, sem compassos ou bussolas, sem partilhas, sem batidas soltas nas viagens do passado, sinais de tempo bom, gaivotas no horizonte, pedidos de beijos e sonhos perdidos nas primeiras manhãs de abril.
Words
Poema do Descobrimento
Tarde de Outono
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Os Off-lines
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Canto Ligeiro (03 partes)
Flexo Reflexo
Sonoridade
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Sedução
sexta-feira, 2 de abril de 2010
BBB e o Politicamente Incorreto
O lutador ao flatular na sala de cada brasileiro (não quis usar "peidar" seria Dourado demais), arrotar, escarrar, falar o que lhe vinha a cabeça, chorar por estar sentindo-se descriminado e isolado, além de toda terça-feira no paredão gritar "carvalho" nos devolveu o direito a viver o politicamente incorreto, abriu as portas da prisão da hipocrisia em que fomos obrigados a viver.
Não entrarei no mérito se a vitória no jogo foi justa ou não, mas a transformação do lutador perdedor em novo milionário, tal Rock Balboa, cérebre personagem do folclórico Silvester Stallone, que começava apanhando sempre em suas lutas para no final dar a volta por cima, fez perceber que tanto o telespectador/povo e a midia já andavam enjoados dos mocinhos imaculados, aqueles que existem apenas nos comerciais de refrigerante.
É isso ai, honra para conduzir as tradições, paz para discernir a hora de revoltar-se, força para seguir em frente e inteligência para derrubar todas as máscaras e preconceitos.
Viva o politicamente incorreto, um viva a todos nós!
