quarta-feira, 30 de junho de 2010

V

Imagine, é fácil. Só precisa cerrar levemente os olhos e permitir que os sons vindos do silêncio tragam mais uma carta, que tão diferente das anteriores não traduz em letras e versos o amor que outrora existiu.
Tantas madrugadas insones, na esperança insensata de ouvir passos pela casa, campainha do telefone a gritar ou algum pequeno sinal, uma demonstração de existência nos vãos deixados, atirados nos quatro cantos da cidade.
Esta indefinição tão definido, o saber das situações como são, como existir e respirar, torna tão humana este degradante momento, zerar os contadores do tempo não identifica a verdadeira raiz do problema.
Vielas esburacadas só refletem o dissabor do vento, insatisfação ao escalar morros em busca de paisagens verdejantes. Complicado é possuir milhares de pensamentos prontos para criarem vida, mas igualmente possuir a inata incapacidade de organiza-los e a coragem para dizer Adeus!

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