Chega mais perto, não tenha medo. Há tanto pra falar e nem sei por onde começar. Em que estação do trem meu caminho foi desviado. No piscar dos olhos, podemos conduzir uma cadeira de rodas em outro deitar na varanda da casa de praia. É tão rápido; o tempo corre deixando extremamente sem graça, sem ter as respostas certas, para as perguntas erradas, enquanto o amor dá seus últimos suspiros noturnos.
E apesar da polca que toca no radio, não movo os pés nos salões da vida; o soluço abafado entre os arfares é a segunda voz da canção triste, enquanto o frio bate na porta pesada. Subir rápido os degraus não me impede de continuar escutando a sinfonia estranha, metal contra o chão, sonhos deixados no balanço do jardim.
Gira a cabeça e as memórias já não se restringem aos espaços apertados, trancafiadas em jarros de ouro espalhados pela cidade que insistem em não dormir. Esticam-se com seus braços repletos de ventosas, instalando em cada poro um pouco de si, vírus que invade, percorre cada lembrança tua em mim.
Vidros quebrados, espelhos partidos, reflexos invertidos nas fronteiras de teus braços, por mais que viaje pelos campos infinitos, sempre é em ti que me encontro, nos “recuerdos” e na contagem dos anos que insistem em voar rumo ao infinito.
Tão pequeno, repleto d’alegria juvenil, independente do sol que se esconde por entre morros, beijando cada veio, esculturando as fontes límpidas que correm para desaguar no mar. Navego sem medo, sem compassos ou bussolas, sem partilhas, sem batidas soltas nas viagens do passado, sinais de tempo bom, gaivotas no horizonte, pedidos de beijos e sonhos perdidos nas primeiras manhãs de abril.
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