Foi no dia Santo de 27 de Janeiro do ano da Graça do Senhor de 1.709, que sepultei minhas mais sinceras esperanças. Eu que havia permitido analisar o mundo e suas perspectivas sob novo prisma, elevando minha crença nos sublimes mistérios humanos, me vi obrigado a abdicar da campanha iniciada em busca de um tesouro único.
Não são jóias e nem propriedades que me prendem, estas coisas mundanas e passageiras não acorrentam minha alma e nem detem a jornada, mas são fatos tão diferentes e propósitos únicos de dificil compreensão que impossibilitam a plena percepção e do dominio do exposto aqui por pessoas que desconhecem os pormenores deste épico.
Falar através de metáforas é a forma mais rápida encontrada para deixar pelo caminho a tonelada de frustração carregada, tão enraizada em meu ser, levando a confundir o real e o imaginário, criando a densa neblina em meu norte. Perceber o quanto se perde em uma expedição fadada ao fracasso, mistura os tão organizados pensamentos, ruboriza e cobre com um manto de vergonha os princípios básicos do caráter inato.
Olhando assim, se percebe os sinais tão claros deixados nos mapas escondidos pelos vales, ao invés de me aproximarem do objeto de minha busca, cumpriam papel inverso. Descobri, sem antes penar, que já havia conquistado o mais belo tesouro. A ganância empurrou-me a uma armadilha de dificil salvação e tão severo no julgamento constatei em mim o que Pessoa já havia dito; e eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco e tantas vezes vil, percebi na certeza da ilusão a oportunidade de esquecer e recomeçar!
Nenhum comentário:
Postar um comentário