Nas típicas tardes de outono, nos é permitido revisistar o passado. É olhando pela janela; que se abre o portal inacessível das experiências de quase vida.
Enquanto o olhar se perde no horizonte, vai-se ordenando os pensamentos, colocando cada sensação em seu devido lugar e traça-se uma insegura e tênua linha cronológica, onde nada é pontuado pelo dissabor do tempo e sim pela sólida presença de fatos e atos!
Talvez aquela fosse apenas mais uma longa noite de domingo, antessala da semana; mas o vento que impulsionava as nuvens servia como breve aviso: nada voltaria a ser como antes. Tradicionais jogos são armas perigosas quando utilizados por mentes prodigiosas ou conduzidos por treinados observadores.
São nestes sinuosos corredores do não saber humano que ficam pelo chão migalhas e farelos do nosso interior. Assim, palavras soltas tornam-se aladas, voando incessantes ao encontro de guarida nos desatentos ouvidos das praças. Eis o grande mistério, o omega e o alfa, o tudo e o nada, o positivo e o negativo.
Seguem-se os dias, sedentos por aquele combustivel essencial para os corações manterem-se fortes. Alguns o oferecem sem nada pedir em troca, outros tão confiantes de si, desdenham de tal presente. Esquecem, desavisados quem são, que nunca é demais possuir grande cota de paixão!
Enquanto as folhas caem e tentam nos trazer novamente a razão, outras portas são escancaradas, permitindo a profunda exploração. Vão se desnudando de sentimentos e panos, com mentiras inocentes, verdades inconstantes, fugas cinematrográficas e desculpas imperiais.
Loucura é como poderia ser classificado este estranho fluxo de informações, torrente que lava a'lma, chama que Camões, diz não queimar, mas que aquece e enriquece.
No estranho bailar de corpos, o magnetismo exerce sua força, bocas se beijam, braços se procuram e mãos se tocam. O que fazer quando se aprisiona o olhar? Apenas aceitar o feitiço; permitir o enlace, deixar acontecer naturalmente tudo já vivido na solidão dos pensamentos noturnos.
Tantas são as estradas que conduzem ao mesmo destino; e dois pares vão se perdendo, pelas escolhas equivocadas, por palavras mal empregadas e pela teimosia tão presente no estilo de vida. Como juntar o sol e a lua? A águia e o lobo? Norte e Sul? Nestes caminhos diários, onde há em cada abrir de olhos uma decisão, observam-se de longe, aproximam-se, cruzam-se tal trens pagadores pela vida do outro, tatuando de forma indelével sua marca, a presença que nenhuma tarde de outono consegue apagar.
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