sábado, 29 de dezembro de 2012

Flores

"Meu amigo, não reclame,
até as flores possuem sorte,
enquanto umas nasceram para
alegrar a vida outras o fizeram
para enfeitar a morte".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Meu Aniversário

Na noite que passou dormi e acordei com 36 anos, consequencia desta minha teimosa mania de entregar meus sonhos a Morfeu depois de avançada hora da madrugada. Por mais que possam me questionar, nenhuma mudança aparente ocorreu com a contabilização completa de mais um período de 12 meses na matemática imperfeita de minha vida.

Para alguns continuo sendo o mesmo Ser; altruísta e bom ouvinte, parceiro para várias horas, o famoso P.P.O (pau para toda obra), o "ex" bacana e compreensivo, aquele cara confiável, boa praça e de elevado senso de humor. Outros me percebem como aquele sujeito ranzinza e mal educado, grosseiro e estressado, camaradinha pouco confiável e intragável, aquele "ex" safado merecedor de um vudu haitiano.

O contar de idade nos transforma, e jogando o olhar para o ontem acho engraçado como me importava com estas questões. Hoje estou muito zen a este respeito, deixei em septuagésimo sexto plano meu interesse a respeito do que dizem ou pensam a meu respeito. Esqueci estes pormenores jogados na poeira da estrada em algum ano do século passado. Reflexo de uma frase que me agradou - "eu teria sérios problemas se todas as pessoas gostassem de mim".

Então quem seria eu? Sou exatamente o que sou. O caminho do meio, nem a visão dos que me acham supimpa e tão pouco o quadro cinza pintado pelos distratores. Um cara com uma relação de defeitos e outra de virtudes, que troca os pés pelas mãos e ainda não aprendeu a usar corretamente a razão e a emoção.

Esta é uma das grandes vantagens de aniversariar, pois além de receber uma enxurrada de vibrações positivas, telefonemas, abraços, mensagens, sms de pessoas que realmente se importam e são importantes, eu ganhei um vale-reflexão!

Ele poderia e foi usado justamente hoje, por se tratar de data importante desta existência, o dia que estreei neste planeta e como não acredito em coincidências, é o mesmo dia que minha avó fez sua estréia há 106 anos. Realizei a mais profunda reflexão possível, programei os próximos 365 dias na ampulheta, verifiquei os pontos que merecem minha atenção, o que deve ser burilado, as ações merecedoras de persistências e as enviadas para o exílio, porém não entrarei na vala comum dos "jargões reflexivos".

Aproveitei igualmente para receber o carinho de cada um dos meus amigos, os de perto os que estão longe, os de ontem e os recém chegados, foram tantas vibrações recebidas que seria um pecado iniciar uma lista de todos que gastarem hoje, parte de seu tempo comigo e acabar esquecendo alguém.

Este aniversariar foi uma maravilhosa resposta, um sinal que bem ou mal estou no caminho certo!
Obrigado a todos vocês!!!






domingo, 23 de dezembro de 2012

Então é Natal e o que você fez?

Amigos,


A cada ano que passa, nossa percepção do tempo ser contado parece estar mais rápida, e ontem que parecia ser um Novo Ano, já está findando e o Natal está batendo em nossas portas! Junto a ele, aparece aquele desejo de presentear, de estar junto à quem se ama, abraçar cada afeto sincero, distribuir um pouco da centelha de esperança que volta a surgir em nossa vida.
Natal é a época do nascimento - e não direi que é de Jesus Cristo, porque existe uma imensidade de pessoas que não compartilham a mesma crença religiosa – mas daquela força que nos possibilita crer que o próximo ano será melhor, é o começo de um novo livro de 365 páginas!
Gostaria muito de poder pessoalmente abraçar a cada um de vocês na noite do dia 24, mas fisicamente isso é impossível, mas em pensamento tudo se torna possível. Tenho muito a agradecer, pelas pessoas espetaculares que continuam me aturando e desejando que faça parte de suas vidas, por ter encontrado outras que tem se mostrado tão especiais e bondosas. Com cada um aprendi muito mais do que possam imaginar!!!
Enfim, Natal é época em que ficamos mais conectados às “coisas” da alma, realizamos auto-reflexão, praticamos pequenos atos que reforçam o verdadeiro espírito natalino, por isso, deixo a cada um de vocês os meus mais sinceros votos; que este Natal traga para cada um muito mais que presentes materiais, recebam as respostas que procuram, percebam o amor em suas voltas e compartilhem esses momentos com seus sinceros afetos!
Abraço para quem é de abraço e logicamente beijo pra quem é de beijo!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um dia desses


Qualquer hora dessas,
entre um café e outro,
uma espiada aqui e acolá, 
s
urja a oportunidade de olhar fundo e dizer,
eis os motivos, as determinações
que conduzem nosso caminhar,
para longe e perto de onde desejamos estar!

Me encante - Pablo Neruda


Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!!!

(Pablo Neruda)

domingo, 18 de novembro de 2012

Desejos de Domingo


"Desejo fazer amor contigo, 
mas não esse amor devasso 
em que os corpos possuem linguagem própria.
Quero amar de forma lenta, 
desnudando cada pedaço teu, 
encontrando um pouco de magia, 
de ilusão e tormento.
Descobrir em teus olhos 
o que as palavras teimosamente escondem,
almas se tornam mais que amantes,
se transformam em cúmplices eternas".

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ponto

"Há neste vazio o ruidoso som de teus passos,
um caminho de meia viagem,
sem corridas e locais de descanso,
em uma estrada distante dos lábios teus".

domingo, 30 de setembro de 2012

Amanhã será um novo dia

Nesta época de amores virtuais e masturbações mentais,
valorize seu amor, seja ele como for,
Porque triste não é a dor de perder um grande amor,
mas sim, a incapacidade de acreditar em um novo amanhã.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Meu Pai, Meu Herói.

Existe algo melhor a ser feito em tardes chuvosas de inverno do que viajar no mundo das lembranças? Não conseguiria explicar bem porque, mas hoje me permiti desfrutar esta viagem. o destino é a Porto Alegre de 30 anos atrás, época que com meus cerca de cinco ou seis anos de idade, costumava durante alguns dias das férias escolares, acompanhar meu Pai no serviço.

Meu Pai fez toda sua carreira profissional na Companhia Riograndense de Telecomunicações, exercendo as mais diversas funções, quase sempre ligado à área de manutenção dos telefones públicos, vulgo orelhões. Naquela época os celulares não passavam de ficção científica, então se entende a importância de encontrar disponível em cada esquina um telefone pronto para ser utilizado. O procedimento era fácil, bastava retirar do bolso algumas fichas e colocar o aparelho, geralmente vermelho, em uso. Simples assim.

Esta era a função e responsabilidade de meu Pai, permitir que as pessoas encontrassem aparelhos em plenas condições de uso, pois ele realizava diariamente a manutenção dos aparelhos espalhados pela cidade e recolhia os cofres com as centenas de fichas utilizadas. Algumas vezes eu ia na companhia dele e do motorista da empresa nesta empreitada, todos acomodados "confortavelmente" no lendário FIAT 147 branco com a sigla CRT pintada de azul em  suas portas.

Gostava e torcia secretamente para que a época das férias chegasse de uma vez, era a chance de dormir até mais tarde, de não ter que ir a escola, mas principalmente era a época em que "trabalhava" com meu Pai. Era o nosso momento de cumplicidade, em que o observava no exercício correto de sua profissão e ele ensinando a importância do trabalho na vida do cidadão ordeiro e chefe de família.

Exatamente por isso, é tão verdadeira a frase que diz - o exemplo ensina muito mais do que as palavras. O tempo foi passando, algumas vezes os papéis se inverteram, mas a semente daqueles dias ainda germina em mim, continuo tentando  de alguma maneira dar sequencia a seu legado, o que não é fácil.

Os tempos saudosos existem exatamente para isso, serem relembrados, exatamente desta forma: ele com seu vasto bigode e mochila verde a tira-colo, o barulho do motor de 04 marchas, as curvas dos morros, as estradas de chão batido, os refrigerantes em garrafas de vidro, o sol que sempre se fazia presente. É a nostalgia de uma época mágica em que imaginava meu Pai sendo um Herói; os anos passaram, pintaram de branco seus cabelos, me privaram dos meus e me deram uma certeza, sim ele o é! Herói de um quase quarentão, o meu Herói!

sábado, 8 de setembro de 2012

Chatice..

Ser chato não é pecado,
pior do que ser chato,
é saber-se chato.

O tormento, não só para ele,
mas para os que o conhecem
é a insistente necessidade de 
confissão da sua chatice!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Declaração de Culpa

Sou um escritor e isso me credencia a ser um apaixonado.
Igual a todos que estão nesta situação, me percebo um exagerado;
porque a paixão em si só, já é uma declaração culposa,
de todo Ser que assim vive, sem a medida exata da realidade
neste caminho intenso chamado amor.

domingo, 26 de agosto de 2012

Ipês-roxos


Imagem da Internet
Um amigo-escritor publicou em sua página pessoal um pensamento nascido de toda sua eloquência, observação e capacidade criativa - o que são os nossos problemas se comparados com o choro dos Ipês pelas ruas e esquinas de Porto Alegre?

Coincidências a parte, nestes dias ao circular pelas ruas do bairro, presenciei uma calçada tomada de flores dos Ipês roxos e pensei na bela imagem, que poema da natureza nos é ofertado a cada manhã.

Basta perceber que as flores jogadas formam um lindo tapete colorido a contrastar com o cinza das calçadas, uma trilha tracejada com a delicadeza dos grandes artesãos a conduzir nossos passos apressados. 

É a certeza que presentes inesquecíveis, necessariamente não custam grandes somas, basta apenas termos olhos de ver, alma de sentir e a sensibilidade dos grandes sonhadores.


Homens choram?

Quem disse que homens não choram?
Sim, homens choram - por mais indesejado.
Não querem mostrar suas "fraquezas".
Preferem o sofrimento em segredo,
não deixam transparecer suas emoções,
sufocando em seu peito as amarguras e dores,
as frustrações dos amores desfeitos.
Homens choram e o fazem desesperadamente,
porque tardiamente se descobrem enganados,
no senso comum de serem fortes e "machos"
esquecem - os brutos também amam,
deixando esquecidas as angústias que o fazem Humano.

Como não ser tristemente forte agindo assim?

Renato Russo desejava descobrir porque é mais forte quem sabe mentir. Tão simples! 

As pessoas que sabem mentir se tornam mestres na arte de dissimular, agradam indiscriminadamente a todos, porque sempre possuem as palavras exatas para qualquer situação.


Rain...

Nesta arte torta, sem eiras e beiras, traço o caminho,
ingrime ao iniciar e plano em seu decorrer, sem pressa.
Já a certeza perene da juventude traduzida em letras e verbos,
deixa transparecer que a fumaça esconde sonhos!
Encantar-se na possibilidade de caminhar e sonhar no mesmo tempo,
mais que constatação plausível é a certeza de estar vivo!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Imperdoável - Metallica




Sangue novo junta-se a esta terra
E rapidamente ele é subjugado
Pela constante e dolorosa desgraça
O jovem aprende as regras deles

Com o tempo a criança é enganada
Este rapaz massacrado age errado
Privado de todos os seus pensamentos
O jovem homem aguenta e aguenta, ele sabe
Uma promessa a si mesmo
Que nunca a partir deste dia
Sua vontade lhe tirariam

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca ser
Nunca ver
Não posso ver o que poderia ter sido

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-o o Imperdoável

Eles dedicam suas vidas
Para tirar tudo dele
Ele tenta agradar a todos
Este homem amargo que ele se torna

Por toda a sua vida o mesmo
Ele batalhou constantemente
Esta luta que ele não pode vencer
Um homem cansado eles veem não se importa mais
O velho homem então se prepara
Para morrer cheio de arrependimentos
Aquele velho homem, aqui, sou eu

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca ser
Nunca ver
Não posso ver o que poderia ter sido

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-o o Imperdoável

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca ser
Nunca ver
Não posso ver o que poderia ter sido

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-o o Imperdoável

Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-o o Imperdoável

Vocês me rotularam
Eu rotularei vocês
Então eu nomeio-o o Imperdoável

Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-te Imperdoável

Vocês me rotularam
Eu rotularei vocês
Então eu nomeio-o o Imperdoável

domingo, 19 de agosto de 2012

Sem mais

Existe um tempo em que as maiores preocupações humanas são apenas a coloração do lápis a ser usado no trabalho escolar, passa rápido, torna-se uma lembrança longínqua, uma doce recordação de épocas mais felizes!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Basta de Coronéis Jesuínos!

Deite que vou lhe usar - fala brutalmente o Coronel Jesuíno. A esposa já sabe o que lhe espera, um sexo seco e sem envolvimento, onde o prazer não passa de uma utopia! Ela fica ali, entregue, vestido erguido, com o peso do corpo do marido fazendo força sobre o seu, o arfar animalesco enquanto ele se satisfaz!

Toda a vida foi assim, subserviente ao marido, servindo aos seus  interesses carnais, não passando de um objeto a ser utilizado noite sim, noite não. Pouco importava se ela estava indisposta, com dores pelo corpo causadas pelos afazeres domésticos. Ele não deixava nada faltar em casa, esse era o preço que ela devia pagar por ter uma vida repleta de comodidade.

Viver sem o amor - essa era a sua sina. Não que sua alma fosse inabitada por ele, ao contrário, o tinha em abundância para compartilhar, mas ela não recebia nenhum sinal de afeição de seu marido, isso lhe fazia menos mulher, não a permitia ser completa. Essa situação lhe fez odiar o não; a negação de sentimentos, ela decidiu quebrar as convenções sociais da época. Entregou-se para um amor mais jovem e a consequência foi o homicídio dos dois pelo marido traído. A época exigia que os crimes de honra fossem lavados com sangue!

Esse pequeno esboço não é apenas um retrato da sociedade do início do século XX, brilhantemente registrado por Jorge Amado. Ainda encontram-se perdidos diversos Coronéis espalhados em todas as cidades do País - para nos mantermos em nossa sociedade - em todos os níveis sociais, independente de idade, sexo, credo e orientação sexual.

Não são raros os casos de homens que submetem suas namoradas, esposas ou amantes ao pior tratamento possível; o aniquilamento da autoconfiança. Impõe um forma terrível de terrorismo - as convencem que não precisam ser tratadas afetivamente, com respeito moral, que qualquer coisa deve lhes servir, satisfazerem-se com sobras e se darem por satisfeitas, afinal, nada seriam se não estivessem sob o julgo opressor do macho alfa.

Abram os olhos! Novos tempos surgem no horizonte e neles as mulheres desejam um pacote completo - amor, paixão, sexo e tesão. Nele o homem não será menos macho se perguntar para sua parceira como foi o dia, quais os problemas que a incomodam, se ele pode auxiliá-la, emprestar-lhe ouvidos e colo! Nós homens, precisamos urgentemente fazer uma reciclagem, quebrar os paradigmas, aprender a valorizar de verdade quem está ao nosso lado, pois há uma certeza secular: o homem que não dá assistência, perde a preferência e acaba abrindo concorrência! Que o diga o Coronel Jesuíno!!!

domingo, 22 de julho de 2012

Sala vazia

Matei a aula, meu primeiro ato de rebeldia!
Que me importa saber as equações matemáticas,
as ligações químicas
e a velocidade que os corpos se deslocam pelo espaço?
Porque devo compreender os motivos da expansão dos antigos impérios,
dizer que o livro se encontra sobre a mesa em língua diversa
e quando iniciam solstícios e equinócios
se nem em sonhos consigo compreender
como é capaz de um verbo se transformar em carne?

Dicionário

Existem palavras de todos os tipos; as que merecem insistentemente ser repetidas - precisam criar raízes no coração e na mente das pessoas - e aquelas que devem ser riscadas imediatamente do dicionário. Por uma destas inexplicáveis razões, os homens geralmente andam de mãos dadas com as últimas e enxotam as importantes, esquecem haver sempre um átimo em que se deve dizer: sim, não ou talvez!

"Y"

A mente ativa jamais nega o confronto, ela ao contrário, o busca a cada instante do dia. Ela deseja ser transformar no diferencial em meio a outras tão iguais incapazes de atravessar as fronteiras da banalidade.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sem você!

O apartamento de bom tamanho era a única testemunha daquela despedida. Os móveis se pudessem, ruborizados se esconderiam na sala e deixariam o quarto totalmente disponível para os dois.

Últimos abraços, ele a envolveu em seus braços, o dia frio não impediu que ele abrisse o casaco longo que ela vestia e a descobrisse usando uma fina blusa branca de renda, que valorizava seu corpo. Respirou fundo, buscando guardar em seu intimo o perfume daquela mulher.

Porém nada de roupas pelo chão, de lascividade e sexo selvagem, apenas desejos negados, beijos perdidos na soleira da porta e o amor esquecido em algum quarto, esperando o sol para aquecer e trazer a coragem para se viver sem o julgo da solidão!


Ensinamento do Tio Aurélio

O ato de criticar em si pode ser prejudicial ou ofensivo para aquele que o sofre; porém, quem seríamos se não houvesse uma força menor a nos provocar uma reação; aquela comprovação real de que sempre há algo a ser modificado?

Estes pensamentos dispersos, podem ser de grande valia ou até mesmo vistos como tragicômicos, basta apenas classificar como melhor aprouver. Independente da forma, o mais importante é cultivar algo chamado empatia; se não conhece, nunca viu e nem ouviu falar, o "tio Aurélio" poderá apresentar!

O Homem Despedaçado

Quando mais precisamos, somos presentados com agradáveis surpresas. Esta noite ao acessar a "rede mundial de computadores" fui verificar o bom e agradável Facebook e ela estava lá! Espreitando meus movimentos, desejando que eu entrasse e a visse. Sim, a surpresa desta noite estava em forma de post!

O autor, meu amigo e escritor Gustavo Czekster, pai do livro O Homem Despedaçado e do blog de mesmo nome. Sempre que seu blog ultrapassa a barreira dos milhares, ele realiza uma uma análise estatística e agora ao alcançar o expressivo acesso de número 3 mil, me presenteou com a citação do Plena Poesia de uma forma generosa e a mim com palavras que não me julgo merecedor. 

Conheço o Gustavo há um bom par de anos, passamos parte de nossa infância adolescência estudando juntos, fizemos parte da Lendária Turma 83 (tema de crônica neste blog), porém por uma destas inexplicáveis situações da vida,  os caminhos da vida nos conduziram para diferentes destinos até que os avanços tecnológicos e a paixão em comum pela literatura voltaram a nos proporcionar pela mesma trilha.

Dito isto, convido a todos para visitarem o www.ohomemdespedaçado.wordpress.com  é um espaço com textos reflexivos de excelente qualidade, filosofia e a constante provocação dos bons escritores nos instigando a realizar essa viagem louca e viciante pelo mundo das letras!!!



domingo, 15 de julho de 2012

(in)conexão

Diga adeus às antigas crenças,
e reserve espaço para novas alegrias,
alegorias distintas surgidas em você.

Não seja surda ao chamado,
pois de uma simples alternativa,
torna-se saída para novas paragens!

Percepções

... Quantas vezes desejou aliviar-se da imprópria conduta de sua família, porém fizera um juramento de confiabilidade e silêncio. Naquela época não percebia o sentido daquela atitude, agora ela se mostrava extremamente útil. Tudo o que descobrisse de podridão deveria ser ignorado, aceito como a verdade mais pura; uma prova cabal da boa vontade de homens e mulheres de índole duvidosa.

Havia ficado furiosa com as observações da avó a respeito do que significava viver em uma corte conhecida pelos fuxicos e conspirações. Sua fé inabalável na possibilidade de converter qualquer alma desvirtuada era seu principal argumento.

Nenhum escândalo por maior que se apresentasse era capaz de abalar sua confiança, mesmo o mundo provando a fragilidade dos argumentos por aqueles atos.

Tardiamente percebeu estar perdida, havia apenas um alternativa e ela parecia surreal, extremada demais, mesmo para um membro da  corte napolitana...

Movimentos

Ah doce pensamento sem limites e fronteiras,
corre em direção daquela que vive em sonhos,
talvez ninfa, fada, brisa quente de verão ou
poesia de Shakespeare em noites de inverno!

Me deito e indago - onde estarás?
Quais são os olhos que te perseguem,
as mãos que desejam te tocar?

Podem ser as minhas que vejo em delírio,
alisar teu cabelo, puxar teu corpo,
em movimentos de puro frenesi?

Não descubro as respostas,
desconheço o brilho de teus olhos negros,
o hálito de anis e a maciez de teus lábios,
sei apenas que não desejo despertar!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Surdos

Crescemos escutando - não vá desejar o que é dos outros
e não queira mais do que possa carregar em teus braços.
Palavras sem eco nos ouvidos surdos espalhados no campo da vida.


domingo, 8 de julho de 2012

= 27 =

Existem escolhas difíceis de serem enfrentadas,
outras de tão simples, parecem banais.
Então, buscar na soleira dos pensamentos
as formas adequadas de agir nestas situações,
É a possibilidade mais plausível de enxergar
as verdades explicitas e criteriosas da sanidade.

Domingo

Te amo, te amo, te amo tanto;
mas de que adianta esse amor
se continuas surda aos meus cantos,
cega as cores de meus mundos.

Então, se este amo não deve existir,
porque me fizestes provar teu néctar,
se havia nesse cálice somente
o sabor amargo da ilusão?

sábado, 7 de julho de 2012

Preferências

"Prefiro viver cercado com as certezas da incerteza,
que ser bajulado com as incertezas de tua certeza"

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Amores de sete semanas

Dizem que o principal combustível dos escritores, poetas e pseudo-poetas - onde me incluo - é o amor. Pode ser aquele que transforma a vida em uma tortura romana quando está distante ou que transforma os caminhos cinzas da cidade na estrada de tijolos do Mágico de Oz. Acredito que independente de quem somos, o amor é o motivo pelo qual continuamos vivos, esperançosos e confiantes.

Ultimamente ando fascinado em tentar compreender, de forma singela, a eternidade dos amores de sete semanas. Sete semanas multiplicados pelos sete dias, compreendem um período de 49 dias, espaço de tempo em que as declarações de amor eterno já tornaram-se totalmente rotineiras! Cada um conhece pessoas que viveram estes efêmeros amores, não de carnaval, mas o de dúzias de dias, de algumas parcas semanas e inéditos meses. Ah, já ia me esquecendo, existem alguns exemplares que perfazem horas - mais ou menos o tempo de uma balada, uma passada no motel e um desejum.

Tem sido tão fácil amar e não existe um culpado específico por este fato, nem tente colocar esta culpa na mídia ou no comércio que deturpa todas as datas de comemoração espiritual, cívica e afins. Pensando bem, talvez a culpa seja do MEC, já que precisamos aprender a conjugar os verbos de 1ª, 2ª e 3ª conjugações e qual o mais fácil para as ávidas crianças que o verbo amar? Devíamos sim, nas aulas de português ser seriamente alertados da importância do verbo Amar, que ele não pode ser usado de qualquer maneira tal vírgula ou ponto final de orações.

Acaba-se assimilando de forma tão simplista que amar é o ato de gostar de alguém. Pronto! Errado! Gostar é totalmente diferente de amar. Gostamos de bala de menta, de noites enluaradas, de manhãs de sol e caminhadas no parque, amar é aceitar o outro com seus defeitos e mesmo assim desejar adormecer e amanhecer ao seu lado, é segurar a barra de não ter grana e continuar acreditando, é enxergar além, se mostrar como se é, sem subterfúgios, sem disfarces, é permitir que o sentimento fale, que se amadureça e envelheça juntos. Amar é permitir muito mais do que uma simples transada, um café da manhã e um adeus, para ter isso você pode e deve usar sim um eu te gosto!

Portanto, o amor pode ser comparado aos melhores vinhos repousados nas adegas francesas, ele vai amadurecendo e ganha corpo e qualidade. Você "experimenta" ao longo da vida diversos amores, o primeiro geralmente platônico, o da adolescência quase sempre temperado com muito ciúme, o da fase mais madura em que os pares nem sempre estão na mesma frequência, mas logo se é apresentado ao verdadeiro amor, o maduro, aquele que deve ser apreciado em momentos especiais. Independente de que fase você se encontre, lembre-se o mais importante não é a quantidade e sim a qualidade do amor vivido.

E ele pode acabar? Sim, pode. Somos humanos, animais geralmente racionais e por este básico motivo podem deixar de amar, e assim sendo, transformar uma declaração sincera na maior de todas as mentiras; vou te amar para sempre. Caso isso aconteça com você, comigo ou até mesmo com o vizinho da esquina, o importante é saber ser possível recomeçar e ficar preparado para o próximo amor. Relaxe e deixe acontecer, só por favor, faça a distinção do que é gostar e o que é amar.

"A gente conhece milhares de pessoas, e nenhuma delas te toca realmente. Então, conhece uma pessoa e sua vida muda, para sempre!"

domingo, 10 de junho de 2012

XXX

Aos poucos as luzes dos apartamentos se apagam,
Creio que neste momento seus moradores se entregam,
Travesseiros prontos para receber pensamentos e anseios,
prontos para se transformarem em realidade,
Iluminando as almas em cada despertar!

Tua Máscara

Máscaras! Pensei em como iniciar esse post; digitei umas dez vezes seu início e em cada uma delas encontrei alguma imperfeição, algumas meloso demais, enfeitado, suave, quando ele é uma constatação encontrada em uma tarde de outono.

Apenas não consigo continuar, porque a repulsa que senti foi responsável por matar a admiração e o respeito que trazia em mim. O que adianta - me peguei a perguntar - ela ser tão dócil e amável para os outros, se na verdade, reside beleza somente em sua face?

Sim, máscaras servem exatamente para isto; guardar a identidade e deixar na sombra e na escuridão os traços imperfeitos, a metade de maldade, um tanto de insanidade, um punhado de irrealidade em um átimo de sinceridade.


XXIX

Perde-se tanto pela boca,
motivo de prazer e de dor,
a partida do falar,
nesta reflexão difusa,
deixada no quarto.

XXXI

Liberdade... liberdade,
O encanto findou e livre estou,
Grita o palhaço equilibrista,
ao ver no chão, a flor que ela deixou!


Sopros

Inicio e fim, sempre no mesmo sopro,
intenso, majestoso, luxúria e desejos.
Na simplicidade de teus olhos,
o convite para meu sonho!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alícia


Quando você é novo em algum lugar, uma das primeiras atitudes a serem tomadas é observar o ambiente e as pessoas, era assim que Henry procedia. Naquela noite não poderia ser diferente. Chegou cedo, procurando um bom posto de observação. Sentou no fundo da sala, no encontro entre duas paredes, deixando suas costas a salvo e todo o resto do ambiente passível de conferência.

Devidamente instalado, nenhum detalhe lhe escapava, atento como fora treinado aproveitava os instantes para realizar suas análises e mentalmente traçava o perfil de cada um que aparecia. Tudo se encaminhava perfeitamente, até que sua atenção foi totalmente seqüestrada por ela!

Alicia devia estar na casa dos trinta anos – imaginava ele – idade perfeita, onde rompem a fronteira das meninas e se transformam em verdadeiras mulheres; destemidas, tomadas de desejos e principalmente força para serem felizes. Ela vestia o uniforme da empresa na qual trabalha, blusa branca, rabo de cavalo prendendo seus cabelos negros e junto ao colo uma pasta transparente com detalhes vermelhos. Na face havia um sorriso radiante emoldurando seus lábios. Henry ficou tomado de perplexidade e curiosidade. Há algum tempo não via mulher tão bela naquele prédio.

Começou a prestar atenção a cada movimento de Alicia, como uma tentativa desesperada de descobrir se suas primeiras impressões estavam corretas. Desejava cruzar seus olhos com os dela, porém na menor possibilidade, desviava-os. Por alguns parecia ter descoberto uma pitada de tristeza naquele olhar, teve vontade de abraçar-lhe dizer que aquilo passaria, de fazer carinho em seu rosto e apertar sua mão, mas era novo ali e não poderia causar uma má impressão. O que dizer? Como proceder?  Estava velho para esse tipo de abordagem, se sentia assim, restou-lhe apenas sonhar...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Descubra a Poesia em sua rotina...


É um consenso que a rotina possui um efeito devastador. As pessoas lutam ardentemente para que suas vidas nunca sejam tomadas por esta exterminadora de chances e esperanças, é uma vilã que não merece perdão. Pequenos detalhes, antes tão importantes passam despercebidos, os trajetos se assemelham, as atividades profissionais tornam-se repetitivas, a monotonia arma acampamento e toma um pedaço considerável do dia para si. Consequentemente, quando se percebe quadro igual ao exposto, as pessoas consideram o momento exato de realizar a quebra de paradigma, mudar o caminho e seguir para os lugares onde nunca tiveram coragem de pisar.

Li no MSN de uma amiga, a frase desafiadora: “Descubra a poesia em sua rotina”. Pare e pense junto comigo por alguns instantes, há possibilidade de encontrar algo poético numa rotina? Se tua resposta foi não, meu respeito, porém, se dissestes sim, mereces parabéns! O fato de todos os dias seguir passos pré-determinados, não significa uma sentença condenatória. Ele pode ser considerado uma nova chance de aliviar a existência, perceber que encontrar poesia em uma situação tão famigerada é um simples ponto de vista. Basta apenas desejar!

Há sim possibilidade de encontrar poesia em qualquer situação da vida e claro, na rotina.  O pai que busca seus filhos todos os dias na escola e é abraçado efusivamente por seus pequenos, está em contato com um poema de amor. Os filhos, que todo dia comem algo preparado por suas mães, estão presenciando um poema de doação.  Quando você se desloca pelo mesmo caminho todas as manhãs e presta atenção em um pássaro, nas árvores, em uma flor no meio do jardim, está tendo contato com um poema de vida.  Quando vemos uma mão auxiliando à outra desconhecida é um poema de esperança que nos é presenteado.

Existe sim muita poesia escondida na rotina, para desfrutar tudo que gratuitamente é distribuído, você só precisa, por um átimo de instante, crer – estar pronto para vivenciar o que de melhor é produzido, respirar, viver e sentir a equação perfeita, ser leitor e escritor de sua própria poesia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um Beijo


O relógio desperta, mesmo horário durante seis dias na semana. Automaticamente o corpo começa a se mover; primeiro a mão direita que trava o despertador, a mão esquerda levanta as cobertas, os pés tocam o piso ao mesmo tempo. Levanta, sai do quarto, segue direto para o banho, precisa realizar o último movimento daquele ritual. Sempre fora assim.

Estranhamente, nos últimos meses existia um novo ingrediente na receita. Sabia que havia mais um corpo repousando sobre a cama, quente, cheio de vida e de curvas generosas.  A cabeça doía, ainda estava cansado – desejava dormir mais umas quatro horas, mas não podia – reunião de projetos logo no inicio da manhã é sempre um porre – pensou.

Charlotte dormia profundamente seu sono santo. Nua sob os lençóis brancos, lhe causava um misto de contentamento e certeza. Há muito não conseguia ser quem desejava, passou noites em claro aprisionado às lembranças maldosas, buscando nas canções e nos livros de análise as explicações para sua atitude dependente de um tempo extinto.

Agora tinha certeza que no quarto repousava a resposta de suas angústias. Devia a ela toda a sorte, a possibilidade de viver em plenitude, sabendo-se ainda capaz de amar, de cultivar algo mais importante que cactos nas janelas do banheiro. Fazia mais de ano que decidira deixar Monique seguir seu caminho e desde então desejava viver exatamente daquela forma.

Conhecera-a casualmente; designado a palestrar na Universidade de Berlin a respeito do projeto de preservação da fauna do Delta do Nilo; se encantara com a estudante loira de olhos azuis da primeira fila que lhe dispensava sorrisos espontâneos. Confessou-lhe mais tarde, enquanto tomavam um café no centro da cidade que fora mais difícil concentrar-se no que havia programado expor, depois que seus olhos se encontraram. Daquele encontro até morarem juntos passaram-se dois meses.

Apenas um detalhe impedia sua total dedicação, as lembranças de Monique. Ele não queria esquecer, embora soubesse da urgência de fazê-lo. Dentro dele não havia espaço para duas pessoas. Nunca confessara essa divisão consciente que trazia em si e embora as lembranças ainda fossem vivas, a cada novo dia elas ficavam mais distantes e dolorosas, sabia que não poderia e nem devia se apegar a elas se desejasse seguir em frente.

Começou a preparar o café, três conchas de café colombiano, a quantidade exata de água para que ele não ficasse fraco assemelhando-se a água suja e nem forte tal tintura; enquanto isso abria a janela e via os raios do sol beijar os prédios, aquecendo o dia. Contemplou aquele pequeno espetáculo e deixou a mente vagar. Neste vagar tentou se castigar, buscando no recôndito de si as ferinas lembranças, quis reviver o gosto da boca de Monique, a forma como beijava, como suas línguas se encontravam e a maciez de seus lábios, porém nada encontrava nenhuma referência. Lembrava apenas destes detalhes com Charlotte.

Arregalou os olhos, compreendia bem o que estava acontecendo.  Correu em direção ao quarto, saltou sobre a cama acordando sua parceira sem nenhuma cerimônia. A olhava como os desbravadores de um novo mundo, não surgiam palavras e nem eram necessárias. Apenas um beijo – a salvação de um condenado, a chance de recomeçar, sempre e sempre, quantas vezes forem necessárias.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Amizade Literária

Hoje a noite estava conversando com a Sandra, uma amizade feita no jornal mas que se desenvolveu de forma extremamente positiva  fora dele. É uma daquelas provas que existe realmente amizade entre os sexos opostos sem a necessidade impositiva de algum interesse carnal. Falávamos sobre uma paixão que temos em comum, a literatura em geral, escritores e livros que temos em nossas bibliotecas.

Ela possui edições que remontam a década de 40 do século passado - tais como O Guarani e o Morro dos Ventos Uivantes e os cuida com afinco, toma conta destas relíquias como os tesouros merecem ser tratados. Confesso que em minha coleção tenho dois livros que trato igualmente como raridades, um com e outro com quase um século de publicação; ambos escritos em italiano. O primeiro versa sobre a Doutrina Espirita, publicado em Milão em 1901 e o outro é a peça de teatro La Passione d'Italia de 1918.

Sandra é responsável direta por ter me apresentado a alguns excelentes escritores, principalmente os de origem portuguesa. Ultimamente temos falado sobre os russos, Tchaikovsky e Dostoiéviski, este último escritor do livro Os Irmãos Karamazov, obra com a qual ele vem despertando minha curiosidade a respeito do autor, uma vez que é considerada por pensadores como Nietzsche e  Freud como a maior obra da literatura mundial já escrita.

Não me recordo de ter comentado em algum post, mas a Sandra também é responsável direta pela criação deste espaço, uma incentivadora da primeira hora para que eu escrevesse quase sem parar e sempre que possível me cutuca perguntando quando nasce o primeiro livro; somente em afetos sinceros surgem devaneios iguais a estes!!

Para finalizar, através de nossas entregas ao mundo literário, surgiu uma definição sobre o que vem ser o livro; livro é sempre livro, parece óbvio, mas veja, ele trás muito mais que pensamentos rabiscados em suas folhas, carrega um desejo, uma vontade, a conexão entre várias almas e a capacidade inata de possibilitar a quem o tem em mãos a reflexão! Simples! Assim como a vida e as amizades que não se perdem no tempo!

domingo, 20 de maio de 2012

Aula


Sábios afirmam que as pessoas aprendem de três formas; pelo amor, pela dor e pelo exemplo. O amor limpa as feridas, acalenta, transforma momentos de tensão em paraísos na Terra; já a dor permite valorizar o que se possuía e perceber o quanto as decisões equivocadas repercutem no presente. O exemplo seria o mesmo que uma teoria sem a prática.

Para alguns, a dor é a professora mais eficaz, não discordo; porém valorizo em muito os ensinamentos do exemplo. Nestes dias tenho aliviado minha mente, as férias tão esperadas e necessárias permitem que minha atenção seja direcionada exatamente para o que acontece ao redor, por isso aconselho todos, a praticarem esta técnica sempre que for possível. Os resultados são incríveis!

Livrai-nos do mal!!!


Visualizar o passado ou buscar no presente as respostas para os questionamentos de outrora é possível e tem como resultado uma devastadora surpresa. Por mais que tente, ainda me surpreendo com as palavras ditas em conversas informais; não consigo compreender se as pessoas simplesmente abrem a boca e os pensamentos fluem tal qual o ar expelido pelos pulmões ou apesar de refletirem sobre determinado assunto, não se importam com as conseqüências de seus atos. Caldo de galinha, coberta quente e capacidade reflexiva, não fazem mal a ninguém!

A Vingança do Espelho - Zezé Macedo


"Voltei, um dia, à casa onde nasci.
Parei junto ao umbral,
Tentando ver, na tela da memória,
A história dos meus dias distantes.
O meu piano negro, onde eu dedilhava,
O quarto de mamãe, uma estante,
A janela por onde Fifinho dizia-me bom dia,
O meu gato,
As minhas bonecas,
Nada mais existe do que existiu outrora.
Outros nomes,
Outra gente.
Mas, de repente, vi um espelho pendurado na parede.
Aquele mesmo espelho onde eu, faceira,
Por uma tarde inteira, mirava o próprio rosto, fascinada.
Os meus cabelos negrejando, azulados ao sol,
No riso que plantava em minha boca.
Pela hora do arrebol, tentei aproximar-me, assim, do espelho,
Porém, diante dele, vi um vulto estranho de mulher.
Aonde foi que vi aquele rosto?
Aonde foi que notei a mim mesma?
Aquele olhar sem brilho,
Aquela boca pálida...
Esperei que a intrusa se afastasse,
mas... ai, sempre lá estava, como uma maldição,
A figura tão trágica, lembrando uma decepção.
Súbito, recuei num grito,
E, num grito de pavor e de horror,
Vi que a mulher que o espelho refletia
Era eu, era eu mesma...
Os meus cabelos negros se apagaram,
A minha silhueta gentil se transformou,
Ah, como ainda sinto brilhar dentro de mim a primavera!
Se a minha vida inteira eu vivi à espera de um bem que não chegou,
Esses lábios trêmulos, marcados por beijos tão fatais,
Essas mãos que embalaram um filho pequeno,
Apertado, ainda, contra o peito,
Querem conter um temporal desfeito...
Ah, morre, coração...
Maldito coração que só sofreu,
E jamais esqueceu...
Baionetas de luz varam agora o espelho,
No reflexo roxo do poente,
Irreverente,
A repetir, alucinadamente:
Não, não, não! É mentira! É mentira!
Joguei o espelho ao chão.
O espelho estilhacei,
E sangrei os dedos...
E, como uma canção de cristal que eu parti,
Vi minha própria imagem refletida,
Multiplicada,
Escarnecida,
Ali, então,
Nos cacos que rolaram pelo chão..."

terça-feira, 8 de maio de 2012

Deixaria Tudo - de Lucas Robles e Estefano Salgado

Trecho de uma canção, para inspirar aos corações apaixonados, espalhados pelos infinitos cantos... um lembrete, um grito, o desabafo tardio...



Por isso eu juro que...
Eu deixaria tudo se você ficasse
Meus sonhos, meu passado, minha religião
Depois de tudo está fugindo dos meus braços
Deixando o silêncio dessa solidão
Não sei mais o que eu faria com desejos, loucuras, todas fantasias
Nada tenho a perder, diz pra mim o que mais você quer da minha vida

domingo, 6 de maio de 2012

O Casamento de meu Irmão


Esta não é uma das minhas simples e modestas crônicas; ela possui um motivo muito forte para ser escrita e dividida. Nesta semana meu irmão oficialmente entra para o time dos casados.  Entre nós, ele já assinou o contrato com este time há cerca de cinco anos, mais ou menos o tempo em que ele conheceu a namorada, posterior noiva e dentro de alguns dias; esposa.

Aprendemos que toda boa história de amor possui um enredo típico de novela com encontros e desencontros, decisões difíceis e a certeza que no final o casal acaba unido. Logicamente com eles foi idêntico. Caminhos diferentes em alguns momentos, mas no final a certeza que o amor, aquele sentimento tão intenso vale a pena, é grandioso para ser desperdiçado. Creio ter sido este exato momento que tomaram a decisão – é chegada a hora de compartilhar a vida!

Um radialista de Porto Alegre possui uma definição muito bem humorada do amor, ele costuma dizer que ele fere, machuca e dói, mas é tão gostoso! Ela é correta, pois se analisarmos imparcialmente, sem levarmos em conta nossas experiências percebe-se, ser ele o verdadeiro combustível de nossas vidas, apesar de toda dor que possa causar.

Além de perceber que aquele pequeno ser chegado em uma madrugada de Maio cresceu e se tornou capaz de fazer as escolhas certas, avalizado pelos exemplos de respeito e admiração que presenciou é possuir a indisfarçável certeza que ele se tornou um homem de bem. Não bastasse isso, ainda fui convidado para apadrinhar este momento importante e único em sua vida.

Todos os que passaram por esta experiência única chamada de casamento, sabem que ele não é simples e nem fácil. Há um consenso que casamento feliz é sinônimo de quantidade elevada de anos em comum, mas neste ponto concordo com Chico Anysio que afirmava ser um dos grandes conhecedores a respeito do tema, uma vez que fora casado mais de meia dúzia de vezes, completava dizendo que, aquele que fica muito tempo casado com a Dona Maria não entende de casamento, entende sim da Dona Maria.

Viver grandes amores é muito fácil. Você pode se apaixonar diversas vezes por corpos diversos, por estórias incomuns, este é o fato. Agora viver um casamento é diferente. Um casamento é muito mais do que deitar e acordar com a mesma pessoa; isso até sexo casual proporciona. Ele é o ponto de partida para algo maior – família!  

Casamento é você pegar dois mundos, duas criações, duas formas distintas de ver a vida e colocá-los unidos em um universo que cabe dentro da casca de uma noz. A certeza do sucesso do casamento ocorre quando se percebe que mesmo com estas infinitas diferenças a relação perdura, cresce, amadurece se torna um dos bens mais preciosos que carregam.

Por tudo isso meu irmão, desejo a ti a tua esposa, não apenas dias bons, de plena paz e de total compreensão. Se fizesse simplesmente estes votos; não seria eu! Igualmente desejo que vocês tenham contratempos para poderem superar juntos, pitadas de ciúmes, discussões banais e momentos de dúvidas. Sabem por quê?

Porque são estes momentos que reforçam o amor – ao contrário que muitos dizem. Quando vocês forem rever as fotos de viagens, de festas, dos aniversários, perceberão que foram aqueles momentos que os fizeram cúmplices, próximos, amantes, enfim, um casal, duas almas juntas! Ah, claro, ia esquecendo, não durmam sem se beijarem, sem perdoarem pequenos deslizes e manias e principalmente agradeçam porque amores de verdade devem ser vividos em toda sua intensidade!

sábado, 5 de maio de 2012

Foto, para que, foto?


Hoje acessei a net e constatei que a maioria dos sites de noticias vinculava um artigo a respeito das fotos divulgadas de uma atriz global da forma que veio ao mundo.  O problema maior é que as imagens foram roubadas de seu computador e após uma chantagem de alguns Reais acabaram sendo liberadas na rede de computadores.

Nestes momentos percebe-se que não há mais nenhum tipo de privacidade; pois os cliques devem ter sido realizados para elevar a auto-estima ou até mesmo para presentear o marido, foram surrupiadas e transformaram-se em objeto de peregrinação de pessoas desconhecidas nos quatro cantos do mundo.

Então as mulheres não podem mais fazer uma surpresa para seu amado com fotos ousadas? Talvez esteja ficando cada vez mais quadrado, mas penso que há uma enorme diferença entre fotos sensuais e/ou ousadas e as de nu artístico e/ou explicito.  As sensuais são um convite, a forma sedutora de demonstrar que ela pensa em sua cara metade, mandando uma mensagem subliminar que para descobrir o que ela esconde sob seus tecidos poderá ser desvendado juntos.

O nu mais explicito mexe diretamente com os instintos animalescos do ser humano, é uma mensagem clara, objetiva, direta. Pegue uma revista masculina, qualquer uma, e se encontrará dúzias de fotos surreais. Talvez esteja com pouca imaginação, mas não consigo acreditar, por exemplo, que existam mulheres que façam brigadeiro sentado no armário da cozinha, nua e com a panela entre suas coxas. Creio que estas estão muito mais para a erotização e realização da imaginação do que para qualquer outra coisa.

Mulheres, maior exemplo de que você é importante ou eterna na vida de um homem, é perceber que ele lhe deseja como és não precisa de fotos para lembrar cada centímetro de seu corpo nu. Basta a ele fechar os olhos e lembrar cada pêlo, da textura de sua pele, da maciez de seus lábios, o gosto da boca e ao aspirar profundamente, sentir no ar o perfume exalado de seu corpo.

Foto alguma possui este poder que existe em você, pense nisto antes de encarar qualquer sessão fotográfica mais íntima!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mulheres de verdade..

Estou ficando velho - é um constatação irrefutável! Minhas estórias já possuem mais de uma década, gosto de cantores que já morreram, bandas que se desfizeram, leio autores antigos e não me enquadro em nenhum dos modernos esterótipos. Apenas observo.

Esta mania de treinar meus olhos com tudo aquilo que está ao redor, me deixa admirado com o que tenho notado. Não é um falso moralismo, muito pelo contrário, sou apreciador de corpos femininos curvilíneos, de olhos desenhados e bocas convidativas, mas a apelação atual, nivela muito por baixo algumas mulheres.

Para comprovar, basta acessar algum site que traga o misto noticias mais esporte mais entretenimento. É tiro e queda, você encontrará alguma menina em trajes sumários, mostrando mais que coxas e colo, transmitindo uma mensagem que basta ser "gostosa" e ter um par de seios siliconados para obter sucesso.

Mulheres de verdade são feitas de imperfeições e me torno repetitivo quando afirmo que estas imperfeições a fazem perfeitas. Perdi as contas das vezes que teci loas à elas; mas a verdade é esta. As mulheres que obtém sucesso são aquelas que se viram pra conquistar o que almejam, não se permitem parar de sonhar e principalmente não se classificam apenas como pedaços de carne expostos nas ruas das cidades e metrópoles.

A realidade nua e crua é esta, uma sociedade condicionada a valorizar uma minoria; treinada a esquecer que, boa parte das Mulheres de verdade - independente da idade estão ao nosso lado. Sentada no ônibus, dividindo a sala da faculdade, trabalhando igualmente em algum projeto da empresa. Estão nos laboratórios científicos buscando a cura para alguma enfermidade, estão carregando em seu ventre novas vidas. Mulheres de verdade, muitas vezes usam óculos de lentes grossas, cabelos desgrenhados e rosto lavado, mas guardam um intelecto e uma capacidade mental, sentimental e atitudes sem igual.

Estas deviam ser mais valorizadas, se não por uma mídia acostumada a vender matéria, que o seja por todos nós, nosso mundo precisa ser composto por Mulheres de verdade, não por mulheres que se defendem com seus grandes e admiráveis glúteos. A beleza chama a atenção, mas a inteligência, ah! A inteligência de uma Mulher de verdade é afrodisíaca!!!




Cerebralmente Imaginativo

As melhores narrativas geralmente surgem naqueles momentos de total despreparo. Pode ocorrer naquele instante em que o crânio encontra o travesseiro e a preguiça crônica impede o corpo de levantar. Existem casos mais crônicos, ela surge no caminho para o trabalho, quando despretensiosamente você olha para o lado, seja ao volante, dentro do ônibus, a pé ou pedalando.


O cérebro não escolhe a hora de demonstrar toda sua capacidade criativa, apenas exige que o ócio não lhe seja hóspede. Imaginação todos têm, capacidade intelectual idem, só reside em porções diferentes em cada um aquilo a que chamamos de comodismo!

O que encontrei

Viajo no tempo,
nem importa a razão,
busco em tom de moda,
a flor tomada,
amarela e estaqueada.
Porém existe na capa do livro,
ao lado da lombada,
acima do título,
o nome dela!

XXIV

Existem pensamentos que podem ganhar corpo e se transformarem em palavras escritas, outros, devem ficar guardados em um banco. Podem se avolumar ou simplesmente ficarem esquecidos, deixados no fundo de um baú enferrujado.

Tenho observado muito a reação das pessoas, a capacidade quase profética em julgarem e as atitudes tomadas quando se defrontam com mudanças. Isso tudo apenas corrobora os ensinamentos das aulas de Gestão, pois é traumática a saída da zona de conforto, aquela segurança irracional a que nos submetemos.

Cheguei a um ponto da vida, que não compro mais brigas, as deixo passar por meu caminho e às vezes, quando a vontade é grande demais, fico com raiva e vergonha. O mais incrível é que não as sinto em função de minhas atitudes, mas as faço pelo papel sem fundamento e maturidade apresentado pelos brigões de plantão.

Há momentos imprescindíveis, pessoas inesquecíveis, lugares memoráveis e principalmente ocasiões em que o mais importante é demonstrar uma certa demência, abstrair o malefício e rir, aquele sorriso largo, confirmando, que um sábio se faz de tolo frente ao tolo que se julga sábio.

sábado, 14 de abril de 2012

Através dos Anos

Estava lendo um livro sobre a vida do príncipe Don João de Orléans e Bragança, herdeiro e chefe da família imperial brasileira e encontrei um pensamento de seu pai, que poderia ter sido D. Pedro III, bisneto de D. Pedro I, mostrando que invariavelmente a fruta não cai longe do pé.


"Vejam que tristeza! Perdemos, a cada hora, a cada dia, adoráveis moças que estão nas ruas, nas lojas, nos bancos, nas praças. Avistamos, por exemplo, uma garota alta, linda, esguia de pernas bem torneadas, que vai passando apressadamente por uma rua de Copacabana em direção ao Correio. Fica difícil abordá-la, perguntar quem é, pedir seu telefone, etc. São práticas de garoto. Somos já taludos, não podemos nos transformar, de repente, em don juans de esquina. Pega mal. Mas é uma pena... aquela beleza toda vai passando por você, vai embora para sempre... viram que desperdício? Sem uma palavra de aproximação, sem um gesto seu, ela desaparecerá como uma nuvem. E nunca mais haverá outra oportunidade de vê-la, de ficar ao seu lado. Enfim, você literalmente perde esta mulher a caminho do Correio em Copacabana. Ela poderia ser sua, ou melhor, talvez ela até quisesse ser sua. Ou no mínimo, ficar sua amiga, contar-lhe coisas ótimas, ser uma irmã para você. Mas não adianta, já passou. Perdeu-se.
Esta impossibilidade de reaver as moças que se perde a toda hora, é a própria angústia de viver".

Precisa dizer algo mais? Apenas os anos mudam, mas as práticas de flerte, enfim as tentativas e medos de conquistas, permanecem inalterados. Além de um poeta adormecido, D. Pedro III era um conquistador nato!



Saudade


A dor que dói mais - Martha Medeiros

Em alguma outra vida devemos ter feito algo de muito grave para sentirmos tanta saudade. Trancar o dedo um uma porta dói, bater com o queixo no chão  dói, torcer o tornozelo dói . Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder  a língua, cólica dói, cárie e pedra no rim também dói, mas o que mais dói é  a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe, saudade de uma cachoeira da  infância, saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais, saudade do  amigo imaginário que nunca existiu, saudade de uma cidade, saudade...Da  gente mesmo, o tempo não perdoa.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama, saudade da pele, do  cheiro, dos beijos, saudade da presença e até da ausência consentida. Você  pode ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você  poderia ir para o Dentista e ela para Faculdade, mas sabiam-se onde. Você  podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Com tudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, no outro sobra uma  saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num  ambiente mais frio, não saber se ele continua sem fazer a barba por causa  daquela alergia, se aprendeu a entrar na internet e encontrar a página da  Diário Oficial, se aprendeu a estacionar entre dois carros, se continua  preferindo Skol ou se continua sorrindo com aqueles olhinhos abertos. Será  que ela continua cantando tão bem e se continua adorando Mc´Donnalds? Será  que ele continua amando os livros e se continua gostando de dar longas  caminhadas? Será que ela continua a chorar até nas comédias? Será que ele  continua lendo os livros que já leu um tempo atrás?

Saudade, é não saber mesmo. Não saber o que fazer com os dias que ficaram  mais compridos. Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o  pensamento. Não saber como ferir as lágrimas diante de uma música. Não saber  como vencer a dor de um silencio que nada preenche. Saudade é não querer  saber se ela está com outro e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se  ele está feliz e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso.

É não  querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca  mais saber de quem se ama e ainda assim doer.

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo, e o que você  provavelmente está sentindo agora depois que acabou de ler.
saudade... sete letras que choram....


sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Saga da depilação Feminina

Existem textos que causam inveja pela forma descontraída que foram escritos, este é um daqueles que expressa com muito humor todo o sacrifício que as mulheres fazem para ficarem atraentes para nós e lindas para elas... Infelizmente desconheço a autoria.

A saga da depilação na virilha

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve, mas acho que pentelho não pesa tanto assim.

Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.

Eu imaginava que ia doer porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?

- Virilha.

- Normal ou cavada?

Parei aí.

Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.

- Amanhã, às.... Deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.

Assim que cheguei, Penélope estava esperando.

Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor.

De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha.

Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo.

De repente, ela vem com um barbante na mão.

Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?

- É... é, isso.

Penélope, então, deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco, senão vai doer mais ainda.

- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia p-o-r-r-a nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.

De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.

- Assim?

- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.

- Ar-re-ga-nha-da, né?

Ela riu. Que situação.

E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal.

Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto.

Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.

Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todas porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se f#der mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.

Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pen-te-lhi-nho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali.

Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blá-blá-blás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida.

E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?

- Hein?

- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci a Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?

- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o "olho que nada vê". Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista.

Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o c# de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil c#s por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos?

E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha mais pra contar a história.

Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. Por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A bruaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?

- Dói nada.

- Tá, passa essa merd#...

- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Sem nem um beijinho?

Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao c#. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar... namorar... eu estava com sede de vingança.

Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada e matar o primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada!!!

Não fiz nada disso... Um mês depois...

- Normal ou cavada?

Coisas de perereca, vai entender...