Estava lendo um livro sobre a vida do príncipe Don João de Orléans e Bragança, herdeiro e chefe da família imperial brasileira e encontrei um pensamento de seu pai, que poderia ter sido D. Pedro III, bisneto de D. Pedro I, mostrando que invariavelmente a fruta não cai longe do pé.
"Vejam que tristeza! Perdemos, a cada hora, a
cada dia, adoráveis moças que estão nas ruas, nas lojas, nos bancos, nas
praças. Avistamos, por exemplo, uma garota alta, linda, esguia de pernas bem
torneadas, que vai passando apressadamente por uma rua de Copacabana em direção
ao Correio. Fica difícil abordá-la, perguntar quem é, pedir seu telefone, etc.
São práticas de garoto. Somos já taludos, não podemos nos transformar, de
repente, em don juans de esquina. Pega mal. Mas é uma pena... aquela beleza
toda vai passando por você, vai embora para sempre... viram que desperdício?
Sem uma palavra de aproximação, sem um gesto seu, ela desaparecerá como uma
nuvem. E nunca mais haverá outra oportunidade de vê-la, de ficar ao seu lado.
Enfim, você literalmente perde esta mulher a caminho do Correio em Copacabana.
Ela poderia ser sua, ou melhor, talvez ela até quisesse ser sua. Ou no mínimo,
ficar sua amiga, contar-lhe coisas ótimas, ser uma irmã para você. Mas não
adianta, já passou. Perdeu-se.
Esta impossibilidade de reaver as moças que se
perde a toda hora, é a própria angústia de viver".
Precisa dizer algo mais? Apenas os anos mudam, mas as práticas de flerte, enfim as tentativas e medos de conquistas, permanecem inalterados. Além de um poeta adormecido, D. Pedro III era um conquistador nato!
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