Quando você é novo em algum
lugar, uma das primeiras atitudes a serem tomadas é observar o ambiente e as
pessoas, era assim que Henry procedia. Naquela noite não poderia ser diferente.
Chegou cedo, procurando um bom posto de observação. Sentou no fundo da sala, no
encontro entre duas paredes, deixando suas costas a salvo e todo o resto do
ambiente passível de conferência.
Devidamente instalado, nenhum
detalhe lhe escapava, atento como fora treinado aproveitava os instantes para
realizar suas análises e mentalmente traçava o perfil de cada um que aparecia. Tudo
se encaminhava perfeitamente, até que sua atenção foi totalmente seqüestrada por
ela!
Alicia devia estar na casa dos
trinta anos – imaginava ele – idade perfeita, onde rompem a fronteira das
meninas e se transformam em verdadeiras mulheres; destemidas, tomadas de
desejos e principalmente força para serem felizes. Ela vestia o uniforme da
empresa na qual trabalha, blusa branca, rabo de cavalo prendendo seus cabelos
negros e junto ao colo uma pasta transparente com detalhes vermelhos. Na face
havia um sorriso radiante emoldurando seus lábios. Henry ficou tomado de
perplexidade e curiosidade. Há algum tempo não via mulher tão bela naquele
prédio.
Começou a prestar atenção a cada
movimento de Alicia, como uma tentativa desesperada de descobrir se suas primeiras
impressões estavam corretas. Desejava cruzar seus olhos com os dela, porém na
menor possibilidade, desviava-os. Por alguns parecia ter descoberto uma pitada
de tristeza naquele olhar, teve vontade de abraçar-lhe dizer que aquilo
passaria, de fazer carinho em seu rosto e apertar sua mão, mas era novo ali e
não poderia causar uma má impressão. O que dizer? Como proceder? Estava velho para esse tipo de abordagem, se
sentia assim, restou-lhe apenas sonhar...
Que danada essa Alicia 😁
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