Deite que vou lhe usar - fala brutalmente o Coronel Jesuíno. A esposa já sabe o que lhe espera, um sexo seco e sem envolvimento, onde o prazer não passa de uma utopia! Ela fica ali, entregue, vestido erguido, com o peso do corpo do marido fazendo força sobre o seu, o arfar animalesco enquanto ele se satisfaz!
Toda a vida foi assim, subserviente ao marido, servindo aos seus interesses carnais, não passando de um objeto a ser utilizado noite sim, noite não. Pouco importava se ela estava indisposta, com dores pelo corpo causadas pelos afazeres domésticos. Ele não deixava nada faltar em casa, esse era o preço que ela devia pagar por ter uma vida repleta de comodidade.
Viver sem o amor - essa era a sua sina. Não que sua alma fosse inabitada por ele, ao contrário, o tinha em abundância para compartilhar, mas ela não recebia nenhum sinal de afeição de seu marido, isso lhe fazia menos mulher, não a permitia ser completa. Essa situação lhe fez odiar o não; a negação de sentimentos, ela decidiu quebrar as convenções sociais da época. Entregou-se para um amor mais jovem e a consequência foi o homicídio dos dois pelo marido traído. A época exigia que os crimes de honra fossem lavados com sangue!
Esse pequeno esboço não é apenas um retrato da sociedade do início do século XX, brilhantemente registrado por Jorge Amado. Ainda encontram-se perdidos diversos Coronéis espalhados em todas as cidades do País - para nos mantermos em nossa sociedade - em todos os níveis sociais, independente de idade, sexo, credo e orientação sexual.
Não são raros os casos de homens que submetem suas namoradas, esposas ou amantes ao pior tratamento possível; o aniquilamento da autoconfiança. Impõe um forma terrível de terrorismo - as convencem que não precisam ser tratadas afetivamente, com respeito moral, que qualquer coisa deve lhes servir, satisfazerem-se com sobras e se darem por satisfeitas, afinal, nada seriam se não estivessem sob o julgo opressor do macho alfa.
Abram os olhos! Novos tempos surgem no horizonte e neles as mulheres desejam um pacote completo - amor, paixão, sexo e tesão. Nele o homem não será menos macho se perguntar para sua parceira como foi o dia, quais os problemas que a incomodam, se ele pode auxiliá-la, emprestar-lhe ouvidos e colo! Nós homens, precisamos urgentemente fazer uma reciclagem, quebrar os paradigmas, aprender a valorizar de verdade quem está ao nosso lado, pois há uma certeza secular: o homem que não dá assistência, perde a preferência e acaba abrindo concorrência! Que o diga o Coronel Jesuíno!!!
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