sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Poema sem poesia e métrica

A moça para a minha frente e me inquere
És tu o poeta?
Meio a contragosto, maneio a cabeça que sim.
Então me faça um poema, sei que o faz pra tantos, é chegada a minha hora.
Tento explicar, poemas não são feitos, 
Eles são gerados com afinco na alma de meu alter ego.
Não adianta, ela é surda a explicações.
Quero o poema agora, já!
Contrariado, o poeta surge.
Pede que ela sorria.
Não sorrio - responde - tenho muitas preocupações na vida.
Então façamos o seguinte, toda manhã me dê um bom dia, 
assim me acostumo contigo.
Você só pode estar brincando, não posso perder tempo com bom dias, 
meu tempo é escasso e corrido.
Moça, assim fica difícil encontrar o fio da meada. 
Quem sabe me acene quando passar por esta janela?
Maneira alguma disso acontecer, o que dirão de mim, 
que sou uma desfrutável que não se dá o respeito.
Naquele instante percebi, é tão estéril poetizar 
onde não reside um pingo de poesia, 
reforçando que toda mulher é um belo poema, 
com métrica e prosa, embora nem toda faça por merecer receber um.

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