O som reproduz o disco de Paulo Miklos, cada música é um convite para refletir sobre as relações humanas, pelo menos penso isso. Entre uma canção e outra, olho pra rua e vejo um casal discutindo a relação.
O cara é do tipo bombadão, aqueles seres que se amam de forma intensa, cultuam o corpo e provavelmente deve se sentir o centro da vida. A garota faz o estilo normal, cabelos presos, bermuda curta, blusa colorida e dona de uma tranquilidade avassaladora.
Enquanto o rapaz gesticula freneticamente, direciona o dedo em riste para a face da interlocutora e também senta no cordão da calçada, ela permanece impassível. Não altera sua postura uma única vez!
Uma coisa que você aprende ao longo dos anos e principalmente quando escreve, é observar. Essa é uma arte que requer calma e tempo para colher os frutos maduros. Baseado nisso e com uma boa pitada de especulação, posso apostar sem medo de perder que ela estava descascando ele.
A mocinha, como disse, estava impassível, calma demais para quem tivesse culpa no cartório. O rapagão em sua argumentação atabalhoada e corroborada pelos sinais do corpo estava perdendo o pouco de razão que tinha.
Fiquei pensando como as pessoas se perdem em momentos em que existe uma tensão no ar. Chegamos a uma fase em que o término de uma relação é registrado por quem desejar, comprovando a falta de auto-estima e amor próprio
Impressionante como funciona a mente criativa de um escritor imerso em ócio. O cenário criado por mim, o plano de fundo da estória foi o término de uma relação, embora talvez ele estivesse cobrando uma dívida, encenando uma peça teatral ou apenas contando um causo. Talvez ele não se considere o centro do universo, apenas mais um cara simples e comum que curte academia e ela nem seja tão calma assim.
Vivemos neste mundo de aparências e julgamentos rápidos, onde dois mais dois nem sempre é quatro, em que explicações e verdades nada mais valem que centavos.
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