Fui castigado pelos Deuses,
Quando começo a te esquecer,
Escuto nossa musica,
Pelo menos imagino que a tenhamos,
Cláudia relembra tudo,
E não é fácil conseguir mentir,
Disfarçar e negar,
Percorrer essa maratona eterna,
Enxergar o fim de uma linha
E perceber que as certezas não existem,
que talvez o errado seja certo,
Mas tolo que sou,
Para mim não existe certo ou errado,
Apenas certezas incertas
Abro o portão da casa,
Ignoro os avisos para me afastar,
Eu sei que não consigo voar,
Chegar até aí, pousar e cantar,
Te acordar em cada amanhecer,
Espiar teu espreguiçar
e admirar a nudez de tua alma
Sou apenas um homem,
Combatido, que trás você dentro de mim,
Tatuada, gravada, simbiose imperfeita
Não posso mais mentir,
Preciso partir, mas não quero,
Há enorme diferença entre o querer e o poder.
Sinto ainda o teu último beijo, teu cheiro de jasmim,
Vejo teu olhar nas paredes brancas a procurar o meu,
Tuas rosas brotando no quintal e teu cuidado.
E não são apenas quintas,
Todos os dias o café espera por ti,
Neste eclipse especial,
Que trás luz à escuridão,
Me visto de quem não sou,
Escolho e meço as palavras.
Pensei por um segundo,
Ter escutado tua voz,
Engano, não está mais aqui.
Agora é feliz como sempre quis,
Encontrou um caminho,
Conselhos para seguir o rio,
Desembocar no oceano de existência,
Transformar morte em vida,
Feiúra em beleza,
Trivial em especial,
E se dentro de ti,
Restar uma centelha,
Fagulha quase extinta,
Daquele amor nosso,
Permita que o vento sopre,
Recupere a força e intensidade,
Mostre que aquele sonho não foi apenas uma quimera,
Deixe que tudo recomece,
Se reinvente, redescubra,
Renasça na estrada,
Seja Fênix de fogo,
Não diga apenas amo-te,
Mas sim, você venceu,
Eu te amo, sempre fui tua
E volte, enfim.
Seja bem vindo, aqui compartilho um pouco de "minha Obra", meus pensamentos, os personagens reais e imaginários tomados de dúvidas, crônicas, poemas banais e a forma como enxergo o mundo.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
A Partida
Definitivamente não tenho medo da morte, até por entender que este é o desfecho inevitável desta viagem chamada vida. Porém existem situações relacionadas a morte que me deixam temeroso.
A morte em si é a liberação das amarras deste corpo físico, permitindo que a alma encontre a vida eterna nos salões dos palácios distribuídos em várias dimensões do universo ou talvez, ainda, seja apenas o fim, nada além de escuridão e vazio.
Independente disso, o morrer me causa pânico. Não sei onde li que não existe decência em morrer. É verdade. Morrer entrevado em cima de uma cama após anos de vivacidade não é a melhor recompensa para receber.
Porém com o passar dos anos, nova reflexão começou a me acompanhar. Que terei eu construído de especial na passagem terrena? Qual a marca deixei no coração e na mente das pessoas com quem convivi? Principalmente naquelas em que não fui raso, que convidei para conhecer a minha desarrumada alma.
As pessoas geralmente são muito políticas, pensam infinitas vezes antes de dizer algo que venha causar alguma celeuma ou iniciar uma discussão. Sempre preferi o amargor da verdade, expor com a crueza da realidade o que realmente sentia.
Amigos, esta escolha em si possui bônus baixo, uma vez que você se sente bem consigo, mas acredite, só você considera e visualiza esse bônus e um ônus colossal, uma vez que, as pessoas passam a te considerar um grosso, insensível e estúpido.
Prefiro apesar disso, imaginar que no momento derradeiro, em que estiver deitado de forma imóvel em meu último ninho, não seja somente três pessoas a guardar o invólucro material, e sim que exista ao meu redor uma atmosfera leve, com muitas pessoas se despedindo; umas dizendo o quanto fui legal, algumas me xingando mentalmente e ainda por fim um grupo de três, duas ou uma pessoa afirmando - ele não era bom nem mau, era apenas ele mesmo!
Feedback da Morte
Quando crio algo, geralmente encaminho para primeira análise a um grupo de pessoas que me acompanha há algum tempo. Particularmente as nomeei minhas críticas literárias. Gosto de ver a reação delas, que geralmente é muito receptiva.
Porém entre estas, existe uma que é mais voraz e feroz em suas colocações. Não há meias palavras e floreios. Ela é direta e reta, igual um soco do Tyson no auge.
Hoje escrevi sobre a morte, o ato de morrer e principalmente a preocupação em deixar um pequeno legado e por fim e não menos importante, a despedida física.
E para minha surpresa essa crítica literária de minha elite de primeiros leitores, sem saber, me deu um dos maiores presentes que um pseudo-escritor pode receber.
Ela escreveu uma linha simples, a síntese do pensamento que me engrandeceu! Disse - instigante, esse texto me representa, diz tudo o que penso. Mesmo trabalhando muito, não vejo a hora de voltar para casa e aproveitar cada momento daqui.
Já escrevi crônicas de todos os tipos, escrevi poemas para uma quantidade qualificavel de musas que por educação, gentileza ou sinceridade sempre se sentiram lisonjeadas pelos versos e pensamentos. Agora, receber um feedback (administrador gosta destes termos americanizado) destes não tem preço!
Só posso agradecer Criatura por ter me proporcionado, pela primeira vez em muitos anos, o sentimento de ter produzido algo realmente especial, que tocou a alma de quem o leu. Esse é o principal motivo de escrever e a certeza que ando pelo caminho certo!
Ser Feliz
Existe vida fora da temporada brasileira de futebol, acreditem irmãos hereges! Durante este período, que por uma destas coincidências incríveis, coincide com parte do verão, há elevação no número de reuniões em meses de bar.
Encontrei, em função deste fenômeno, o Mascarenhas. Colega dos tempos de Julinho, em uma época que pintavamos os rostos e percorríamos as ruas da Capital pedindo a cabeça presidencial. Um primor de época democrática recém nascida.
Mascarenhas também está na casa dos "enta", membro da tradicional família brasileira, pai de duas gêmeas, casado há mais de quinze anos com a namorada dos tempos de faculdade, é o típico cidadão bem sucedidos. Saudável, casa na cidade e na praia, carro bacana na garagem e um profissional muito requisitado. Talvez por isso tenha me surpreendido quando ele me disse - Cerva, não sei o que acontece comigo, mas apesar disso tudo que a minha vida é, eu não consigo me sentir feliz.
Só consegui olhar com surpresa e largar um - como é? Não entendi.
Isso aí Cerva, não consigo me feliz. Sei que é muita ingratidão, mas esse é um pensamento que me corroi, dia após dia.
E ele continuou sua confidencia como se estivesse em um templo religioso.
Eu nunca fui santo e vou te dizer, durante muito tempo eu tive uma namorada fora do casamento. Ela me completava, era o melhor e o pior que aconteceu na minha vida e eu a deixei ir.
Consegui apenas dizer que não acreditava no que escutava.
É verdade Cerva, a mais pura verdade. Eu estava apaixonado, entrei em um espiral de amor e prazer, pensava do amanhecer ao adormecer nela. Ela estudava na mesma faculdade, tínhamos os mesmos interesses, mas eu a deixei partir.
Não tive tempo de dizer nada, porque ele continuou.
Fui covarde! Quando ela pediu para morarmos juntos, a Cláudia me disse que estava grávida. Como é que eu poderia deixar ela desse jeito? E tu sabe o que é pior? Nunca quis ter filhos com a Cláudia. Uma lástima de tempo perdido, porque hoje ela é muito bem casada, mora fora do Estado e eu só queria uma única chance de voltar no tempo e não ser esse covarde que hoje sou. Queria infinitamente um novo recomeço.
Mascarenhas, virou o copo de cerveja, o encheu novamente, tomou agora metade do líquido, me olhou e questionou.
E aí, tu lembra daquela vez que fomos parar no s.o.e. porque pegavamos no pé daquela colega de sobrenome Pinto?
A minha antenção não estava mais ligada nos assuntos vindouros, só pensava no que Mascarenhas havia dito. Quantos perdem a oportunidade encilhada de ter uma vida com mais motivos para ser feliz por simples medo ou por se manter fiel às convenções falidas de uma sociedade falsa.
Olhando ali para o amigo de juventude, hoje um sério e respeitável membro da sociedade médica, entregue a tristeza profunda por não ter seu amor ao lado e mesmo assim estar resignado, lembrei da frase que escutei em um filme da sessão da tarde - resolvi cuidar melhor do coração dela do que o meu.
Quando uma musa se vai
Existe uma canção que entre seus versos diz "quando um grande amor se faz, de tudo a gente pensa ser capaz, é uma ilusão querer, que a vida seja sempre linda..." algo semelhante acontece quando o ego de um escritor elege sua musa. Sim, escritores bem ou não sucedidos trazem em seus escritos e pensamentos um pouco ou muito de suas musas inspiradoras.
Dizem simplesmente que valeu a pena é flertar com a variação de humor da sensibilidade humana. Cada uma das musas que me acompanharam nestes mais de trinta anos, foram únicas, são partículas perfeitas de algo maior e incompreensível. Estiveram por livre vontade vivendo no imaginário do escritor malfadado, de uma maneira constante e permanente, tiveram a exclusividade que se dedica apenas ao mais puro ser de admiração.
Formaram uma plêiade, aqui estiveram e partiram, todas seguindo os ditames da existência, a seu tempo e bel prazer. Chegaram iguais tempestades, sem aviso, apenas com o estrondo dos trovões e partiram inesperadamente da mesma forma.
Monique, Aimeé, Alícia, uma má conduta aqui ou uma menina lá, outras sem nome, apenas rostos e sorrisos, almas que fazem jus a comparação entre belas mulheres e pimentas, ambas ardem, temperam e se tornam essenciais depois que nos acostumamos com suas peculiaridades.
Fiquem bem, a mim, só resta agradecer o tempo que aqui estiveram. Nos vemos por ai!
Série Fragmentos
Inspiração, tudo serve para este propósito - um olhar, tema, foto, alô ou olhar.
Tudo, sempre, sem exceção pode ser floreado, receber poesia
e transformar uma manhã chuvosa em esperança.
Tudo, sempre, sem exceção pode ser floreado, receber poesia
e transformar uma manhã chuvosa em esperança.
A menina borboleta
A menina que se fotografava
dizia em pensamento silencioso
quem tem amigo poeta
tem a vida coberta por
borboletas coloridas.
Então, o que acontece com aquela
que decide viver com um poeta?
E aquela que livremente
desnudou seu corpo e alma para ele?
Fecha-se na crisálida a espera
de uma mutação, transformação,
transmutação e liberdade para voar.
Quantos amores vividos assim,
Iniciam sua jornada iguais a lagarta,
findam como borboletas,
prontos para bater asas,
Enfeitarão e alegrarão não só seus jardins,
Ganharão os céus, alçarão vôos
Para pousar em outros campos,
que não sejam o do poeta,
Assim é a continuidade da vida,
sucessão infinita de chegadas e partidas,
encantamentos e desapontamentos,
paixões e amores fugazes,
lembranças que reacendem a luz do farol,
enquanto n'alma do poeta,
há apenas o desejo de a beijar.
dizia em pensamento silencioso
quem tem amigo poeta
tem a vida coberta por
borboletas coloridas.
Então, o que acontece com aquela
que decide viver com um poeta?
E aquela que livremente
desnudou seu corpo e alma para ele?
Fecha-se na crisálida a espera
de uma mutação, transformação,
transmutação e liberdade para voar.
Quantos amores vividos assim,
Iniciam sua jornada iguais a lagarta,
findam como borboletas,
prontos para bater asas,
Enfeitarão e alegrarão não só seus jardins,
Ganharão os céus, alçarão vôos
Para pousar em outros campos,
que não sejam o do poeta,
Assim é a continuidade da vida,
sucessão infinita de chegadas e partidas,
encantamentos e desapontamentos,
paixões e amores fugazes,
lembranças que reacendem a luz do farol,
enquanto n'alma do poeta,
há apenas o desejo de a beijar.
Roberta's Coffee
Creio que se algum instituto
sério realizar uma pesquisa isenta entre os brasileiros de bem sobre qual a
bebida que é preferência nacional, três rivalizarão pelo posto – café, cerveja
e caipirinha, não necessariamente nesta ordem, porém todas com a letra “c” de
seu nome em destaque. Uma bela trinca líquida! Aqui nos pagos as coisas seriam
um pouco diferentes, entraria na contenda o bom e velho chimarrão e assim
formariam um quarteto líquido imbatível! Vocês sabem, sou do contra, prefiro um
bom Malbec, cultivado com esmero e afinco em terras Argentinas, coisas de gente
esnobe, enfim.
Agora, se você conhece a
Roberta, bom, você saberia o que é o amor e devoção de uma pessoa por aquela
bebida negra e forte oriunda das terras da Etiópia. Tenho cá minhas dúvidas,
mas penso que se houvesse essa possibilidade, ela ergueria uma estátua em
homenagem ao sargento Francisco de Mello Palleta, responsável por ter trazido
para estes trópicos a primeira muda desta inigualável planta no já distante
1727.
Pensando bem, assim, no
silêncio deste inicio de madrugada, fico em dúvida sobre qual é o verdadeiro
objeto de maior veneração e dedicação, porque a danada é apaixonada por aquele
coroa meia boca chamado John Francis. Não conhece? Agora se eu disser John
BonJovi, não só saberá quem é, como começará a cantarolar “Always”.
Suspeito, embora ela nunca
tenha confessado que, essa paixão pelo gringo ianque foi a responsável por
incentivá-la a tornar-se vocalista de pop rock. Quando você para e escuta
aquela voz melódica e inconfundível de mezzo soprano, atesta que ela é capaz de
rivalizar com a diva Madonna, que em meus tempos adolescentes era o sonho
impossível de consumo!
É engraçado isso, porque
conheço a Roberta há quase vinte anos, nos encontramos ao acaso na vida. A
verdade é que ela foi trabalhar no lugar de uma destas santas mulheres que me
aturou por determinado período de tempo e nunca perguntei o que a levou a amar
o grisalho cantor. O melhor dessas amizades longas é a forma que vocês vão
encontrando para conviver com as peculiaridades do outro, as manias, a vibração
e a forma de encarar a vida.
Talvez por isso e somente por
isso que no segundo jogo da disputa continental entre o mitológico e imortal
Tricolor Gaúcho e um clube de menor monta da terra de los hermanos, ficava com
um olho na televisão e outro no celular para que ela, colorada, me aguentasse “aporrinhando”
a paciência nos noventa minutos de partida e o pós-jogo. Propus repetirmos a
ação no mundial, mas ela desligou o celular. Mesmo que ela venha a negar, sei
que fez isso, afinal, para que correr o risco de proporcionar ao rival uma nova
conquista? Coisas de rivalidade Gre-nal!
A paixão da Roberta pelo café
é de tal porte, que às vezes não são nove horas e ela me encaminha uma mensagem
– advinha, eu já estou na terceira caneca, e tu? Geralmente estou iniciando o
primeiro balde do dia, mania de gente estressada. Já imaginei por causa disso
um diálogo fantástico e todos sabem, quem conta um conto, invariavelmente
aumenta um ponto!
“Velho, tu nem sabe! Ontem sonhei
que estava na primeira fila do show do BonJovi. Ele cantava olhando direto pra
mim, incrível, parecia muito real. Eu sentia a vibração do som a todo o momento
e tu não vai acreditar, ele me chamou ao palco e começamos a cantar You Give
Love a Bad Name, foi demais! Quando eu percebi, já estava no camarim deles,
todos eles estavam elogiando minha potência vocal e interpretação. Diziam que
meu inglês era impecável e mais, me convidaram para participar da turnê deles,
dá pra acreditar? Mas tu sabe né, sonho é sonho e no fim deu errado. Que raiva
eu senti da audácia dele. O que pensa que eu sou?”
Eu perguntaria num misto de
curiosidade e surpresa o que de tão grave o ancião roqueiro fez.
“Ele disse que só havia uma
exigência para que eu pudesse acompanhar eles. Sério, o que ele pensa que sou?
Uma vendida? Uma qualquer? Jamais, em hipótese alguma, sob nenhuma
circunstância eu deixaria isso acontecer!”
Insistiria em saber e ela
completaria da forma mais indignada possível.
“Ele não queria mais que eu
tomasse café! Tu tem noção? Não né? Velho, jamais, em hipótese alguma eu
abandonaria meu pretinho básico, nem mesmo por aquele pedaço de mau caminho!”
Sei que riríamos muito da
situação, diria que ela não tem solução, é uma mocinha entregue ao mundo da
perdição do vicio da cafeína, ela contra argumentaria que estou cada vez mais
velho e ranzinza e por fim eu compreenderia que se dependesse apenas de sua
vontade o mundo seria repleto de máquinas de café em cada esquina, rock e pôsteres
do americano espalhados em todas as paredes.
27
Entre os infinitos números de
nosso sistema métrico, existem aqueles que tenho uma maior predileção. Não que
seja exotérico, ritualista, numerólogo ou supersticioso, mas alguns números são
iguais as pessoas, nos cativam sem uma explicação lógica.
Aprecio o dois, talvez em
função de me remeter ao par, à dupla, relembrando que a caminhada sempre é mais
agradável quando feita em companhia ou ainda por me remeter aos primeiros anos
escolares quando este era meu número na chamada. Partindo dele, salto para o
treze, este tão injustiçado membro da escala numérica, ligado ao azar
principalmente quando aparece acompanhado de uma sexta-feira qualquer. A
História explica sua fama.
Pegando o avião da imaginação,
pouso no setenta e seis. Este, por motivos intimamente ligados a minha
existência. Foi exatamente no septuagésimo sexto ano, da nona centena do
primeiro milhar que aterrissei neste mundo, o ano que representa a melhor safra
de humanos daquela década. Auto-estima nestes tempos de cólera significa muito!
Apesar disso, o número que tem
minha devoção é o vinte e sete. É sonoro, intenso e significativo! Foi em um
destes doze dias contidos no sagrado ano já mencionado que nasci. Para ser mais
exato, oh irmãos, nasci no mesmo dia e mês em que sete décadas antes nasceu
minha avó materna. Ah estas incríveis coincidências existenciais que não
existem!
O Universo quis que no mesmo
dia do calendário, porém em outro mês nascesse uma destas pessoas incríveis com
que nos deparamos despretensiosamente. Pensei com o que poderia lhe presentear
neste dia, algo que o tempo não apagasse com sua borracha inclemente. Então me digam
o que de melhor um escritor faz?
Estas homenagens escritas
ainda de forma clássica, sobre o papel são o resquício de uma época dourada em
que as pessoas se debruçavam para extrair de si, todo o sentimento guardado sob
sete chaves. Bonito, não?
Então, vamos começar!
Aniversariar é muito mais que uma simples contagem cronológica, é aquele
período que ficamos muito mais receptivos às boas vibrações, energias
positivas, que pensamos e escolhemos os próximos passos a seguir naquele
período de trezentos e sessenta e cinco dias que teremos pela frente.
Todavia, porém, contudo e não
menos obstante, esta criatura que aniversaria hoje é de uma grandeza impar.
Inspiradora, com ela aprendi a importância da reflexão, do pensar antes de
falar (embora não tenha aprendido bem estas lições), de valorizar o que de belo
e importante existe no mundo, de compreender que a distância é apenas uma
convenção física, que tudo o que nos cerca é energia e que tudo aquilo que
desejamos, alcançamos.
Já a vi rir e chorar, se
mostrar rocha e areia, rio calmo e oceano bravio, céu e terra, finita e
infinita e principalmente, se reinventar tantas vezes quantas forem
necessárias. Não tenho a audácia de lhe desejar dias belos e felizes, alegrias
sem fim, saúde, harmonia e tranqüilidade. Apenas, humilde como não sou, posso
querer e determinar que siga este caminho que trilha, não se apegando ao
trajeto e sim ao caminhar, porque é lá, na estrada da vida que é o seu lugar!
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Idades
Ah essas coisas de idade. É tão engraçado como nos prendemos a esta inclemente contagem do tempo e vamos alternando nosso humor e sinceridade com ela.
Quando novos, queremos aparentar mais idade do que temos. Parece uma falha grave ter onze anos quando a maioria da turma já tem doze ou treze. Após a passagem dos vinte, exultamos quando nos dão menos idade do que realmente temos.
Chega uma época que reduzimos a data de nascimento em nossas memórias. Elemento já está com trinta e cinco e diz ter apenas trinta.
O engraçado aconteceu com uma amiga milenar. Postou foto em uma destas redes sociais, afirmando que mulheres com quarenta anos podem gostar de bichos de pelúcia.
Chamei no inbox, pra cima de mim, não violão! Nisso sou um poço de candura, confrontar amavelmente as pessoas.
Criatura, me diz, não sei mais fazer contas? Não tens essa idade e sim menos! A mim tu não engana, és três anos mais nova que eu!!!
Fazemos parte da última boa e grande safra da segunda metade do século XX, filhos dos anos setenta, que viveram intensamente os oitenta, amadureceram nos noventa e vivem tentando enganar os dois mil!!!
Bons tempos seriam estes, que nossas preocupações fossem apenas a contagem simples e vagarosa do tempo
Observações de Domingo
O som reproduz o disco de Paulo Miklos, cada música é um convite para refletir sobre as relações humanas, pelo menos penso isso. Entre uma canção e outra, olho pra rua e vejo um casal discutindo a relação.
O cara é do tipo bombadão, aqueles seres que se amam de forma intensa, cultuam o corpo e provavelmente deve se sentir o centro da vida. A garota faz o estilo normal, cabelos presos, bermuda curta, blusa colorida e dona de uma tranquilidade avassaladora.
Enquanto o rapaz gesticula freneticamente, direciona o dedo em riste para a face da interlocutora e também senta no cordão da calçada, ela permanece impassível. Não altera sua postura uma única vez!
Uma coisa que você aprende ao longo dos anos e principalmente quando escreve, é observar. Essa é uma arte que requer calma e tempo para colher os frutos maduros. Baseado nisso e com uma boa pitada de especulação, posso apostar sem medo de perder que ela estava descascando ele.
A mocinha, como disse, estava impassível, calma demais para quem tivesse culpa no cartório. O rapagão em sua argumentação atabalhoada e corroborada pelos sinais do corpo estava perdendo o pouco de razão que tinha.
Fiquei pensando como as pessoas se perdem em momentos em que existe uma tensão no ar. Chegamos a uma fase em que o término de uma relação é registrado por quem desejar, comprovando a falta de auto-estima e amor próprio
Impressionante como funciona a mente criativa de um escritor imerso em ócio. O cenário criado por mim, o plano de fundo da estória foi o término de uma relação, embora talvez ele estivesse cobrando uma dívida, encenando uma peça teatral ou apenas contando um causo. Talvez ele não se considere o centro do universo, apenas mais um cara simples e comum que curte academia e ela nem seja tão calma assim.
Vivemos neste mundo de aparências e julgamentos rápidos, onde dois mais dois nem sempre é quatro, em que explicações e verdades nada mais valem que centavos.
Alma Tatuada
Alguns afirmam categoricamente que recordar é viver. Confesso que não sei até onde concordo com esta máxima da cultura popular, erudita e sem noção. O certo é que certa vez li em uma destas fantásticas redes sociais criadas para disseminar o amor e a harmonia entre as diversas tribos e povos sem noção que, mulheres tatuadas passam uma ideia errada.
Talvez minha capacidade intelectual esteja um tanto quanto prejudicada em função das besteiras com que somos brindados diariamente, porém, indago mesmo assim: que raios ó pa, pintura na pele tem a ver com índole? Espera, eu mesmo respondo, nada, neca de pitibiriba, nadinha, nem um pouco!
Ainda não compreendo, apesar de quatro décadas neste mundo, a razão que permite às pessoas tornarem-se protetoras da moral e dos bons costumes. Fosse apenas isso, até vá lá, porém o agravante é que o fazem por suas réguas e desejam enfiar goela abaixo de todos.
Conheço uma menina linda e interessante, engajada na luta pela preservação da vida animal (e quem gosta de bichos, boa pessoa é) que resolveu fazer de sua pele uma tela de arte.
Este seria motivo mais que suficiente para os guardiões de plantão a rotularem como uma pária da sociedade?
Confesso que fico encantado quando a encontro e posso observar com atenção cada desenho a mostra, elaborados com traços finos e sutis em colorido harmônico entre eles, que vão repousando em seus braços.
Esta é uma das características de todo escritor, independente de sua qualidade - a imaginação! E esta, quando aliada a observação cria uma dupla infalível, imbatível, invendável, inoxidável e imprestável!
Fico criando as mais fantásticas teorias e estórias para justificar cada um dos desenhos. O que a teria levado a eternizar uma boneca em seu braço esquerdo? E as rosas e coração espalhados? Qual a revelação que teve para desenhar uma caveira? Terá sido a de que somos eternos e abaixo desta roupagem de carne somos todos, absolutamente iguais? Nada nos distinguirá a não ser uma placa com nosso nome e o local de descanso?
Hoje, penso que marcar a pele não é um ato de rebeldia. É muito mais, é a expressão da alma de uma forma livre, sem as pesadas amarras e "pré-conceitos".
Anote aí, se um dia comum destes, você encontrar alguém que venha criticar este modo de viver, nada mais faça além de sorrir e escolher o próximo desenho.
The old man and bad conduct
Madrugada quente, me reviro de um lado para o outro na cama. O sono que deveria me acompanhar, simplesmente saltou pela janela, enquanto nada fazia o caminho inverso.
Fecho os olhos em uma tentativa vã de concentrar na contagem de carneiros, unicórnios e outros seres mágicos. Infrutífera ação, nada de receber o convite para o mundo de Morfeu.
Acendo a luminária e alcanço o livro na cabeceira; nele está guardado um fantástico tesouro. Tomado ao mesmo tempo de ansiedade e calma de quem descobre a grande revelação, o abro na página correta.
Está ali, rosto levemente inclinado, cabelos displicentemente arranjados e o sorriso que abre o paraíso a ser desvendado através de teus amendoados olhos.
Apaixono, suspiro profundo e demorado me leva a resgatar nos arquivos da alma, o instante indelével de nosso primeiro contato.
Lembro do timbre da voz, em perfeita harmonia entre agudos e graves, cantando algum sucesso de Bom Jovi ou na candura da repreensão, dizendo - chegou o velho!
Poderia dizer, mesmo correndo todos os riscos, que sou fiel admirador de sua morada no panteão das musas eternas, o que é verdade. Ainda poderia afirmar que existe amor, desejo ou paixão, mas seria um tolo.
O certo é confessar que a quero hoje mais do que ontem. Afirmar que a quero sempre e cada vez mais presente! Porque as pessoas se tornam especiais e imprescindíveis não por sua beleza física que o tempo inclemente há de devorar, e sim pelo bem que fazem ao desnudar sua alma e permitir moradia em seu espírito.
Assim mesmo, se houver necessidade de algum tipo de explicação, silencia a voz física e permita que o universo responda por ti.
Madrugada, acordo de sobressalto, sem discernir entre verdade e sonho. Acendo a luminária e alcanço o livro, ali está tua foto, teu olhar e sorriso.
Enfim, volto a sonhar!
Tua madrugada
Desnuda, sorri
Aquele sorriso convite,
Pleno e espontâneo,
Deixa a mostra o colo,
Tamanho perfeito,
que recebe a boca,
Se demora o necessário,
Incita, excita e exercita,
A imaginação aceita,
O que mais há,
Pêlos ou deserto,
loiros ou castanhos,
Longos ou curtos,
Presentes ou ausentes,
Outros sorrisos,
Aqueles que tudo sabem
mas se negam a revelar!
Ser, musa?
Como não ser uma musa, com tanta beleza simples e natural?
ah esses olhos cobiçosos destes novos moços,
não sabem o mar revolto que guardam estes olhos teus,
porta d'alma, moradia deste ser, que tão imerso em si,
transforma bom dia em poesia, flores em versos e vida em pura essência!!!
ah esses olhos cobiçosos destes novos moços,
não sabem o mar revolto que guardam estes olhos teus,
porta d'alma, moradia deste ser, que tão imerso em si,
transforma bom dia em poesia, flores em versos e vida em pura essência!!!
Poema sem poesia e métrica
A moça para a minha frente e me inquere
És tu o poeta?
Meio a contragosto, maneio a cabeça que sim.
Então me faça um poema, sei que o faz pra tantos, é chegada a minha hora.
Tento explicar, poemas não são feitos,
Eles são gerados com afinco na alma de meu alter ego.
Não adianta, ela é surda a explicações.
Quero o poema agora, já!
Contrariado, o poeta surge.
Pede que ela sorria.
Não sorrio - responde - tenho muitas preocupações na vida.
Então façamos o seguinte, toda manhã me dê um bom dia,
assim me acostumo contigo.
Você só pode estar brincando, não posso perder tempo com bom dias,
meu tempo é escasso e corrido.
Moça, assim fica difícil encontrar o fio da meada.
Quem sabe me acene quando passar por esta janela?
Maneira alguma disso acontecer, o que dirão de mim,
que sou uma desfrutável que não se dá o respeito.
Naquele instante percebi, é tão estéril poetizar
onde não reside um pingo de poesia,
reforçando que toda mulher é um belo poema,
com métrica e prosa, embora nem toda faça por merecer receber um.
Minha bela Flor!
Entre tantas flores que aprecio,
existe uma de rara beleza
e profundo encantamento.
O perfume que exala, fixa na pele,
deixa o ar enebriante e vicia a mente.
Observar sua textura, seu sorriso e bailar
é o prêmio àquele que sem pressa
ou ansiedade se deixa levar,
Não por promessas, palavras ou gestos
e sim pela alma que transcende as distâncias
e guarda moradia no peito, neste que agora
bate forte enquanto os olhos não se cansam de guarda-la
Pessoas Interessantes, onde estão?
Para todo aquele, igual a mim, que em muitos momentos se pega sendo e sentindo carência, viver em um mundo em que as pessoas são descartáveis e/ou deixam de ser interessantes é uma tortura homérica.
Por onde andarão as pessoas interessantes é que enchem nosso peito de alegria? Estarão elas nos bares da moda, nos parques descolados ou escondidas por detrás de telas de pequenas polegadas?
Eu não sei, infelizmente desconheço todas as respostas deste mundo, apesar de observar com olhos bem interessados o movimento humano.
Respondendo a uma provocação filosófica, qual a falta que você faria na vida das pessoas; muito provavelmente eu fizesse cócegas em tua existência, seria apenas o sino de bronze, acionado para fazer um barulho que se perderia no horizonte, enquanto, se fizesse o exercício contrário, permanecesse em mim um estranho descontentamento com a ausência tua.
Seria como se faltasse um pequeno fragmento de alma ou coração, talvez um pouco de consciência ou cérebro, enfim, a vida ficaria mais cinza sem a presença tua.
Acho que é isso, escrito num santo dia qualquer, de um mês perdido no esquecimento de um ano não vivido.
Pré Conquista Tricolor da América
A epopéia Gremista terá um novo capítulo escrito em algumas horas. Pela quinta vez em sua centenária história, o tricolor gaúcho enfrentará o adversário para conquistar novamente a América.
Talvez o nome de poucos torneios faça tanto sentido quanto o de Libertadores! Vai o Tricolor encarar este desafio e se tornar novamente libertador.
Libertará da garganta de sua imensa Nação, o grito de campeão. Sim este é o sonho, a busca incansável que transborda de esperança o peito sofrido do torcedor gremista.
É uma partida de futebol, mas é muito mais que apenas um jogo, é a auto-estima tão massacrada nos últimos anos posta a prova.
Neste confronto de rivalidade nacional, não vencerá o melhor e sim o mais competente, aquele que souber trazer na ponta da chuteira o coração, entregar a sua alma em campo e no final mostrar aos quatro cantos deste planeta que a América tem dono e merece respeito.
E que o grito final seja de Grêmio Tri legal tchê!!!
Condutas Estranhas
Durante a existência humana nestes pagos terrenos, chegará um dia que necessariamente você deve ser a detentora de homenagens.
Não depende de ti e tão pouco de quem mais julgar ser passível de culpa, escolha ou de responsabilidade, ser o autor do que te desnuda.
Nestes dias estranhos em que os opostos se repelem, os iguais não se amam e as diferenças não mais completam um quebra-cabeça, se descobrir amada ou desejada pode ser o clímax da existência.
O mundo de Morfeu, em que recebe a todos de braços abertos e pouso feito é o palco perfeito para que a timidez de lugar a ousadia.
Nele, percorro corredores estreitos tais quais as veias humanas ou largos como minhas ideias e memórias. Abro a primeira porta e não te vejo, passo para a segunda, terceira é assim sucessivamente em um frenesi que te busca incessantemente.
Quando a esperança começa a se despedir, a última porta do corredor se mostra interessante.
Passo a mão na maçaneta dourada, ela vagarosamente permite a entrada no quarto a meia luz.
Te encontro deitada, virada para a janela, o semblante que embala teus sonhos é suave e leve, tua mão direita sob o rosto o sustenta, enquanto a esquerda repousa sobre as cobertas.
Uma camaleoa, dourada, prateada, negra, dark and light, música cantada, estrofe escrita e música ensaiada.
Assim te recebo e tardiamente percebo, quão tolo os poetas e seus poemas podem ser, na ânsia de honrar tua alma, não percebi o óbvio.
Mergulhar na castanhes destes olhos é muito mais que um honra, é fundir entre o sonho e a realidade o que há de melhor em tua indômita alma.
Teus Fragmentos
E cercado por tanta gente,
ainda é possível experimentar
de uma solidão sufocante,
como se no peito houvesse
somente vontade de gritar
e dizer a quem desejasse ouvir,
quanto apenas um par de olhos
tudo pode mudar,
uma voz suave cadenciada
por goles de vinho transformam
a junção de letras em uma canção,
suave e bonita, igual ao rosto que agora me lê.
ainda é possível experimentar
de uma solidão sufocante,
como se no peito houvesse
somente vontade de gritar
e dizer a quem desejasse ouvir,
quanto apenas um par de olhos
tudo pode mudar,
uma voz suave cadenciada
por goles de vinho transformam
a junção de letras em uma canção,
suave e bonita, igual ao rosto que agora me lê.
O Bonfim
Fui ao lançamento do livro "Porto Alegre de todos os tempos" do amigo Paulo Pruss em uma padaria na Rua Felipe Camarão, no início ou fim do Bonfim, dependendo do ponto de vista.
Me dirigi para lá de carro e o deixei em um mercado da Fernandes Vieira e ali caiu a ficha. Lembrei de um tempo que a rua me trazia boas recordações, naquela época era um ser mais espiritualista acreditava um pouco mais no ser humano, assim, despretensiosamente.
Por estes encontros casuais da vida, foi através dela que conheci o Mestre Fernando Pessoa e sua obra tão vasta e tocante, foi um dos maiores presentes que recebi, o descortinamento de um novo mundo. Algo tão singelo e profundo para um garoto de vinte e poucos!
Assim fomos indo, indo, indo e indo, uma troca sincera que conduziu a todos de um lado para o outro, até que em uma tarde talvez de outono ou primavera ela me telefonou, de surpresa como toda a ligação deve ser. Não espera escutar naquele momento sua voz. Me disse sem muito rodeio que estava ligando para cinco pessoas que eram especiais.em sua vida, disse quem eram os outros quatro. Surgiu em mim um sentimento misto de embasbacamento e encantamento...
Deve continuar linda igual o nome, e manter pura sua alma vasta e indomável, imensurável pelos princípios ditos normais. Não sei bem por onde anda, assim como todos os seres humanos que entram e partem, perdemos infelizmente o contato, ficamos distantes, mas ela não imagina as marcas indeléveis que deixou em minha alma!
Luna
Luna...
luzes, cruzes e espectros,
emoldurada no negro firmamento,
brilha, inspira e conduz
do mais desatento até o sábio,
inspira, expira e transpira
de tudo um pouco,
refletindo sem mais ou menos,
o desejo humano de novamente lhe venerar.
luzes, cruzes e espectros,
emoldurada no negro firmamento,
brilha, inspira e conduz
do mais desatento até o sábio,
inspira, expira e transpira
de tudo um pouco,
refletindo sem mais ou menos,
o desejo humano de novamente lhe venerar.
Baile Lunar
E a lua desta noite lembrou muito de ti,
Grandiosa em brilho, intensa em sua aparição
Distante uma eternidade de onde estou
Assim emoldurada na tela negra do firmamento,
Gritava entre as estrelas distantes já mortas no cosmos
Que a conquista sempre vale a pena, por mais efêmera que pareça,
derramar sobre o corpo da amada, não apenas o desejo e a volúpia,
mas também a consistência da alma
é uma excelente oportunidade para escrever
no corpo nu as mais belas palavras de sacanagem e amor,
assim inadvertidamente, da mesma forma que se contempla
o baile lunar da janela da sala.
Final de Domingo
Hoje a noite foi quebrada,
Uma série de idas e vindas,
Adormecer e despertar,
E entre eles, sonhava com ela,
Mordia e sorvia sua língua
Sentia a maciez do seio alvo,
E assim com estes anseios
Acordava com o calor nababesco do concreto,
Olhava as paredes e nada além de sombras disformes,
Nascidas da luz que invadia o quarto,
Voltava ao mundo de Morfeu esperançoso,
A despia sem pressa,
E a mão que acena também acaricia, explora
Beijo da boca a ponta do pé,
Sem nenhum tipo de pudor,
Ouço os pedidos, os realizo.
Novo despertar, agora acompanhado de estampidos,
Ah essa vida moderna e insegura,
São três da manhã e ela dorme,
Alguma outra cama lhe recebe,
Martelo a ideia, venha até aqui,
Outro adormecer, o que esperar agora?
Meias 7/8 brancas, uma pulseira e brincos,
Vestida assim, abre a porta e me deixa entrar.
Sem pressa e angústia a verdade sempre surge,
Mesmo em noites longas e quentes,
Onde há nos sonhos o explícito
E acorda-se apenas do jeito esperado
Cansado!
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