O lado bom da internet é que você
consegue “viajar” sem precisar se chapar, basta apenas encontrar uma pessoa com
o mesmo grau de (in)sanidade e permitir que a imaginação corra solta. Tenho uma amiga que por questões profissionais
está residindo de outro lado do Planeta e quando dispomos de algum tempo e o
fuso horário permite, conversamos e criamos as mais fantásticas teses e
cenários.
Não me recordo ao certo o motivo
pelo qual começamos seriamente a falar sobre sistemas de governo. Apenas para
relembrar os esquecidos das aulas do Ensino Médio, há três sistemas – o presidencialista, o parlamentarista e por fim a
monarquia. Pois bem, traçávamos algum tipo de comparativo em função da
corrupção genética de nossas lideranças legislativas até que ela confessou sua
simpatia pela monarquia, reforçada agora, por viver em um País governado por um
Rei. Como um historiador amador, formado
pelos livros e pesquisas pessoais também sempre nutri curiosidade e admiração pelos monarquistas.
Claro, todo assunto sério, em
determinado momento será enveredado para uma suave abstração e demência e questionamos
como seria se vivêssemos em algum torrão de terra monárquico. Provoquei dizendo
que poderia ser Dom Anderson I, o modesto, Imperador de Patavinas, País que faz
fronteira com Bulhufas, uma República Democrática comandada pelo meu amigo e Presidente
Paulo, do Partido do Cachorro Quente, eleito com o slogan – “O político que conhece
Bulhufas como ninguém.”
Logicamente que em Patavinas os
títulos nobiliárquicos seriam concedidos em troca de uma modesta contribuição
financeira, nada muito diferente do que foi realizado nesta terra brasilis na
época dos reinados de João VI e dos Pedros I e II. Sério, durante os anos que a
família imperial portuguesa esteve no Brasil, exilada por Napoleão, ela fez
mais nobres do que durante toda a História de Portugal. Era simples, pagou,
levou! O caixa da Colônia recém elevada a sede Imperial estava combalido e de
algum lugar deveria ser provido os gostos da Corte.
Esta amiga ficaria extremamente
realizada em ser baronesa, condessa ou marquesa. Desejei conceder-lhe o título
de Condessa do Porto dos Casais, mas ela julgou que a alcunha remetia as tias
solteironas que de uma hora para a outra desaparecem da estória e declinou,
portanto ainda estamos negociando a concessão do Título e as atribuições do
cargo. Provavelmente venha a ser Marquesa de Ouro Fino, afinal de contas, mulheres
e ouro formam parcerias imbatíveis ou pensando no bem da nação e no seu
conhecimento internacional ela possa ser nomeada a primeira Embaixadora de
Patavinas. Mostrar para os seres espalhados pelos quatro cantos do mundo a
importância de se viver em Reino em que entender Patavinas te faz respeitado e
poderoso.
Parece brincadeira não? E é,
porém tente visualizar um lado sério nesta questão. Quantas pessoas você
conhece que agem exatamente desta forma, buscando o reconhecimento de títulos
honoríficos como se fossem nobres medievais, repletos de prepotência, rotulando
a torto e a direito os demais. É o sujeito que não cumprimenta o porteiro do
prédio, que destrata a “tia” do cafezinho, que não agradece ao motorista do
ônibus por esperar na parada enquanto ele calmamente anda em direção ao
coletivo, que não dá bom dia ao cobrador, que não olha para o rosto do gari,
porque simplesmente ele se julga melhor.
Melhor por quê? Acaso desloca-se
na multidão algum tipo de ser eterno que não padecerá dos mesmos males dos
reles mortais? Não sofrerá por amor, dor de dente, a perda de dinheiro, não
adoecerá ou ao chegar a hora derradeira da partida será acolhido diretamente
por um séquito de anjos tocadores de trombetas vindos sem escalas dos mais
distantes planetas evoluídos do universo?
Situações como esta ocorrem
porque embora o País desfrute de considerável estabilidade econômica, acesso razoável
a educação (ainda de forma deficitária), as questões humanas são relegadas a
terceiro plano, primeiro é o ter, segundo o gozar prazeroso, depois se ainda
houver forças observa-se a pessoa ao lado.
Porém,
nada disto passa de mera utopia e filosofia barata para os descrentes o que me remete a apenas duas alternativas –
estar certo ou profundamente equivocado, afinal de contas, um Imperador que
entende somente Patavinas não pode nem de perto compreender a eloqüência difusa
e doente de uma sociedade tupiniquim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário