quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Reino de Patavinas

O lado bom da internet é que você consegue “viajar” sem precisar se chapar, basta apenas encontrar uma pessoa com o mesmo grau de (in)sanidade e permitir que a imaginação corra solta.  Tenho uma amiga que por questões profissionais está residindo de outro lado do Planeta e quando dispomos de algum tempo e o fuso horário permite, conversamos e criamos as mais fantásticas teses e cenários.

Não me recordo ao certo o motivo pelo qual começamos seriamente a falar sobre sistemas de governo. Apenas para relembrar os esquecidos das aulas do Ensino Médio, há três sistemas – o presidencialista, o parlamentarista e por fim a monarquia. Pois bem, traçávamos algum tipo de comparativo em função da corrupção genética de nossas lideranças legislativas até que ela confessou sua simpatia pela monarquia, reforçada agora, por viver em um País governado por um Rei.  Como um historiador amador, formado pelos livros e pesquisas pessoais também sempre nutri curiosidade e  admiração pelos monarquistas.

Claro, todo assunto sério, em determinado momento será enveredado para uma suave abstração e demência e questionamos como seria se vivêssemos em algum torrão de terra monárquico. Provoquei dizendo que poderia ser Dom Anderson I, o modesto, Imperador de Patavinas, País que faz fronteira com Bulhufas, uma República Democrática comandada pelo meu amigo e Presidente Paulo, do Partido do Cachorro Quente, eleito com o slogan – “O político que conhece Bulhufas como ninguém.”

Logicamente que em Patavinas os títulos nobiliárquicos seriam concedidos em troca de uma modesta contribuição financeira, nada muito diferente do que foi realizado nesta terra brasilis na época dos reinados de João VI e dos Pedros I e II. Sério, durante os anos que a família imperial portuguesa esteve no Brasil, exilada por Napoleão, ela fez mais nobres do que durante toda a História de Portugal. Era simples, pagou, levou! O caixa da Colônia recém elevada a sede Imperial estava combalido e de algum lugar deveria ser provido os gostos da Corte.

Esta amiga ficaria extremamente realizada em ser baronesa, condessa ou marquesa. Desejei conceder-lhe o título de Condessa do Porto dos Casais, mas ela julgou que a alcunha remetia as tias solteironas que de uma hora para a outra desaparecem da estória e declinou, portanto ainda estamos negociando a concessão do Título e as atribuições do cargo. Provavelmente venha a ser Marquesa de Ouro Fino, afinal de contas, mulheres e ouro formam parcerias imbatíveis ou pensando no bem da nação e no seu conhecimento internacional ela possa ser nomeada a primeira Embaixadora de Patavinas. Mostrar para os seres espalhados pelos quatro cantos do mundo a importância de se viver em Reino em que entender Patavinas te faz respeitado e poderoso.

Parece brincadeira não? E é, porém tente visualizar um lado sério nesta questão. Quantas pessoas você conhece que agem exatamente desta forma, buscando o reconhecimento de títulos honoríficos como se fossem nobres medievais, repletos de prepotência, rotulando a torto e a direito os demais. É o sujeito que não cumprimenta o porteiro do prédio, que destrata a “tia” do cafezinho, que não agradece ao motorista do ônibus por esperar na parada enquanto ele calmamente anda em direção ao coletivo, que não dá bom dia ao cobrador, que não olha para o rosto do gari, porque simplesmente ele se julga melhor.

Melhor por quê? Acaso desloca-se na multidão algum tipo de ser eterno que não padecerá dos mesmos males dos reles mortais? Não sofrerá por amor, dor de dente, a perda de dinheiro, não adoecerá ou ao chegar a hora derradeira da partida será acolhido diretamente por um séquito de anjos tocadores de trombetas vindos sem escalas dos mais distantes planetas evoluídos do universo?

Situações como esta ocorrem porque embora o País desfrute de considerável estabilidade econômica, acesso razoável a educação (ainda de forma deficitária), as questões humanas são relegadas a terceiro plano, primeiro é o ter, segundo o gozar prazeroso, depois se ainda houver forças observa-se a pessoa ao lado.

Triste é que ao olhar o próximo não enxergam-se iguais, porque para alguns há dois tipos de pessoas; aquelas que podem lhes servir e as que não servem nem para isto. Esta era suprimiu a razão humanística, é necessário resgatar a reflexão, compreensão e empatia com uma urgência enlouquecedora!

Porém, nada disto passa de mera utopia e filosofia barata para os descrentes  o que me remete a apenas duas alternativas – estar certo ou profundamente equivocado, afinal de contas, um Imperador que entende somente Patavinas não pode nem de perto compreender a eloqüência difusa e doente de uma sociedade tupiniquim.

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