Como são belos os ensinamentos e as frases com os quais costumamos ser presenteados nesta não tão longa caminhada, chamada vida. É tão comum escutar um Deus quis assim, Seja o que Deus quiser, Deus sabe o que faz. Sério, mesmo você sendo um cético de carteirinha, em algum momento desta existência materialista ou científica, acabou sendo brindado com uma destas frases, principalmente após a ocorrência de alguma frustração, fatalismo, doença, pé na bunda, perda de emprego.
Havendo fatalismo as pessoas tendem a acionar o disque-Deus, linha direta com o Éden e depositar na conta do venerando Criador toda a culpa ou desculpa para aquilo que não sai conforme seus planos mundanos. Pense bem, existe algo mais cômodo que colocar o consumo na comanda de outra pessoa? Claro que não!
É na verdade um álibi muito bem estruturado, como se houvesse uma forma de proteger-se dos reveses da vida, um truque muito simples e comodo. Pensando bem, as pessoas que aceitam e principalmente utilizam este subterfúgio derrubam de forma violenta a estória que o homem possui livre arbítrio para decidir fazer o que bem entender.
A linha de raciocínio é bem clara, se a pessoa possui a capacidade de escolher os caminhos que deseja seguir e tomar decisões que o tempo mostrará acertadas ou não, escolhidas através da capacidade analítica dos fatos, baseadas em ponderações filosóficas e sociais, as consequências destas atos igualmente devem ser creditadas a ela. A mesa recebe e paga, esta deve ser a regra do jogo.
Pensar de forma contrária é conceber que uma força revelada pela Bíblia como onisciente, onipresente e onipotente, ou seja, que tudo sabe, está em todos os lugares e tudo pode é incapaz de respeitar o principio básico da escolha livre da qual ele dotou cada ser humano, que se bem me lembro das aulas de catequese, foi feito a sua imagem e semelhança. Traçando um paralelo polêmico é aceitar que a humanidade reside em um universo nada mais nada menos do que ditatorial em que cada individualidade finge possuir a capacidade de dar as cartas na mesa.
O exercício é simples; a pessoa bebe meia garrafa de vinho, pega o carro, atropela e mata três pessoas. Livre arbítrio, Deus não se intromete na decisão do ébrio motorista que deve sim ser responsabilizado por seus crimes. Lógica bacana e correta se ela fosse seguida no exemplo da menina que busca o primeiro emprego e não é aprovada. A tia carola tentando conforta-la diz que Deus sabe o que faz, que Ele reserva algo melhor em sua vida. Como assim produção?
Somente eu percebo que existe um certo ponto discordante aqui? Dependendo do caso e geralmente é quando alguém faz uma "M", Deus permite que o livre arbítrio seja exercido e a culpa é do elemento irresponsável. Agora quando a falha é nossa ou de alguém próximo, Ele sabe o que faz.
Realmente nunca consegui compreender e aceitar esta lógica completamente cega e guiada por dogmas milenares. Em verdade, quem sou eu para compreender algo, quanto mais se aceita sem indagação, melhor. É como digo, o conhecimento é um fardo pesado demais para ser conduzido por mentes despreparadas.
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