Escrevi nesta semana sobre
humildade e refleti um pouco mais sobre o assunto, e fiquei impressionado ao
constatar as formas que a vida escolhe para nos ensinar sobre suas verdades. Fico
muito à vontade de escrever sobre Francisco e suas lições, apesar de ter
nascido em uma família católica, ter estudado em colégio de padres sou espírita,
então o faço não com a visão de quem enxerga aquele homem de branco como o
representante de Deus na Terra.
Recordei que durante o período do
carnaval, a maior festa pagã do mundo, a imensa população mundial de católicos
surpreendeu-se com a re núncia do Papa Bento XVI, maior autoridade da Igreja do
Carpinteiro de Nazaré, ele abdicava do trono de Pedro, algo que não era
presenciado há séculos. A conseqüência deste ato é de conhecimento público, os
cardeais reunidos em Roma, entronizaram o primeiro representante latino e para
surpresa maior, ele é um argentino.
É conhecida a rivalidade entre
Brasil e Argentina, algo que não se explica, parece que existe uma regra
obrigando aos nascidos nos dois países de nutrirem uma antipatia mútua. Há uma
piada brasileira que classifica o ego como aquele pequeno argentino que vive
dentro de cada um, ou seja, argentinos por convenção popular são antipáticos,
prepotentes, etc.
Contrariando as expectativas
gerais, o Cardeal Bergoglio, teve atitudes totalmente inesperadas, a começar
pelo nome escolhido para exercer seu mandato vitalício; Francisco I. A escolha
foi comparada ao santo católico, fundador da ordem dos Franciscanos, que
abdicou de uma vida de luxo para se dedicar ao culto de Cristo, conduzindo o
estandarte da extrema pobreza.
Uma contradição e tanto se
considerarmos as riquezas acumuladas com o passar dos séculos; de uma seita
nascida no oriente médio por carpinteiros e pescadores, passando pelos nobres
da casa dos Bórgias, até chegar aos dias atuais, em uma história repleta de
luxuria, avareza, conspirações, assassinatos e assemelhados, a Igreja se tornou
um braço forte, determinando os destinos de nações, morte de reis, fogueiras e
guerras “santas e impuras”.
Francisco desde o início
transpareceu a fragilidade e humilde na pequenez que requer seu cargo; o
verdadeiro pastor de almas que buscam consolo em alguma religião que as façam melhores.
Ele abriu mão do anel de ouro, utiliza o mesmo crucifixo do tempo de bispo,
ambos de prata, usa sapatos pretos comuns e não os mocassins carmins, fala a língua
do povo e mostra que apesar dos grandes dogmas da Igreja está aberto as transformações
que a sociedade impõe.
Outros exemplos de sua
simplicidade puderam ser constatados no fato de ir pessoalmente pagar as
despesas de sua hospedagem durante o Conclave que o elegeu, ter telefonado de
Roma para o jornaleiro que fazia a entrega diária dos jornais de Buenos Aires
na Cúria, porque ele, Bergoglio não estaria lá para lê-los. Humildade, este é o
maior legado que nos deixa.
Porém, talvez o maior exemplo,
foi concedido na entrevista coletiva realizada no avião que conduzia o Sumo Pontífice
de volta ao Vaticano, após a Jornada da Juventude realizada no Brasil.
Questionado por uma jornalista brasileira como ele via o lobby gay (palavras
dela), a resposta foi um tanto quanto desconcertante. O Papa com a simplicidade
de um avô, disse que se a pessoa buscava Deus, possui predicados morais e
deseja se melhorar, quem era ele para negar esse acolhimento?
Em outra entrevista, o Papa
voltou a surpreender ao solicitar que as pessoas cuidassem das crianças e dos
idosos, que matassem a fome das pessoas, independente quem o faria, se era
protestante, judeu, islâmico, católico. A busca pelo diálogo e a aceitação
pelas diferenças foi uma presente desde seu primeiro dia.
É inegável a comparação com
outros Pontífices entre eles João Paulo II, João XXIII, João Paulo I, Paulo VI;
cada qual em sua época, com o tempo e as ferramentas disponíveis exerceram um
papel importante na história do catolicismo. Igualmente a comparação com seu
antecessor é constantemente realizada.
Bento XVI foi um Papa aristocrático, pomposo que primou seu pontificado
da forma medieval, onde apenas na religião católica havia salvação além de
esbanjar ouro em vestes e nos móveis do Vaticano.
Presenciar a simplicidade de
Francisco I, mesmo a distância, é uma bela experiência. O discurso fácil,
verdadeiro capta a atenção do ouvinte, do fiel e do adversário, prova maior é
que a Presidente argentina curvou-se ele.
O sorriso sempre presente é um convite a ser bem recebido, é a figura de
bom avô que te recebe de braços abertos em casa que a maioria guarda no
coração.
O Papa Francisco encarna o melhor
espírito contido na Oração da Paz, também conhecida como Oração do Santo de
Assis. Este verdadeiro poema-canção-oração, foi escrito no início do século XX
e continua tão atual e tocante que deveria ser lido diariamente em todo o lar.
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Perdoando, que se é perdoado e
É morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém
E se assim o fizermos, conseguir
colocar em prática os ensinamentos dela, misturado aos exemplos do
representante maior da Igreja Católica e com os exemplos e crenças que trazemos
de nosso Lar, meus amigos, este mundo, com certeza será um lugar mais belo para
viver.



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