sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Humildade II - O exemplo de um Pontífice

Escrevi nesta semana sobre humildade e refleti um pouco mais sobre o assunto, e fiquei impressionado ao constatar as formas que a vida escolhe para nos ensinar sobre suas verdades. Fico muito à vontade de escrever sobre Francisco e suas lições, apesar de ter nascido em uma família católica, ter estudado em colégio de padres sou espírita, então o faço não com a visão de quem enxerga aquele homem de branco como o representante de Deus na Terra.
 
Recordei que durante o período do carnaval, a maior festa pagã do mundo, a imensa população mundial de católicos surpreendeu-se com a re núncia do Papa Bento XVI, maior autoridade da Igreja do Carpinteiro de Nazaré, ele abdicava do trono de Pedro, algo que não era presenciado há séculos. A conseqüência deste ato é de conhecimento público, os cardeais reunidos em Roma, entronizaram o primeiro representante latino e para surpresa maior, ele é um argentino.

É conhecida a rivalidade entre Brasil e Argentina, algo que não se explica, parece que existe uma regra obrigando aos nascidos nos dois países de nutrirem uma antipatia mútua. Há uma piada brasileira que classifica o ego como aquele pequeno argentino que vive dentro de cada um, ou seja, argentinos por convenção popular são antipáticos, prepotentes, etc.

Contrariando as expectativas gerais, o Cardeal Bergoglio, teve atitudes totalmente inesperadas, a começar pelo nome escolhido para exercer seu mandato vitalício; Francisco I. A escolha foi comparada ao santo católico, fundador da ordem dos Franciscanos, que abdicou de uma vida de luxo para se dedicar ao culto de Cristo, conduzindo o estandarte da extrema pobreza.

Uma contradição e tanto se considerarmos as riquezas acumuladas com o passar dos séculos; de uma seita nascida no oriente médio por carpinteiros e pescadores, passando pelos nobres da casa dos Bórgias, até chegar aos dias atuais, em uma história repleta de luxuria, avareza, conspirações, assassinatos e assemelhados, a Igreja se tornou um braço forte, determinando os destinos de nações, morte de reis, fogueiras e guerras “santas e impuras”.

Francisco desde o início transpareceu a fragilidade e humilde na pequenez que requer seu cargo; o verdadeiro pastor de almas que buscam consolo em alguma religião que as façam melhores. Ele abriu mão do anel de ouro, utiliza o mesmo crucifixo do tempo de bispo, ambos de prata, usa sapatos pretos comuns e não os mocassins carmins, fala a língua do povo e mostra que apesar dos grandes dogmas da Igreja está aberto as transformações que a sociedade impõe.

Outros exemplos de sua simplicidade puderam ser constatados no fato de ir pessoalmente pagar as despesas de sua hospedagem durante o Conclave que o elegeu, ter telefonado de Roma para o jornaleiro que fazia a entrega diária dos jornais de Buenos Aires na Cúria, porque ele, Bergoglio não estaria lá para lê-los. Humildade, este é o maior legado que nos deixa.

Porém, talvez o maior exemplo, foi concedido na entrevista coletiva realizada no avião que conduzia o Sumo Pontífice de volta ao Vaticano, após a Jornada da Juventude realizada no Brasil. Questionado por uma jornalista brasileira como ele via o lobby gay (palavras dela), a resposta foi um tanto quanto desconcertante. O Papa com a simplicidade de um avô, disse que se a pessoa buscava Deus, possui predicados morais e deseja se melhorar, quem era ele para negar esse acolhimento?

Em outra entrevista, o Papa voltou a surpreender ao solicitar que as pessoas cuidassem das crianças e dos idosos, que matassem a fome das pessoas, independente quem o faria, se era protestante, judeu, islâmico, católico. A busca pelo diálogo e a aceitação pelas diferenças foi uma presente desde seu primeiro dia.

É inegável a comparação com outros Pontífices entre eles João Paulo II, João XXIII, João Paulo I, Paulo VI; cada qual em sua época, com o tempo e as ferramentas disponíveis exerceram um papel importante na história do catolicismo. Igualmente a comparação com seu antecessor é constantemente realizada.  Bento XVI foi um Papa aristocrático, pomposo que primou seu pontificado da forma medieval, onde apenas na religião católica havia salvação além de esbanjar ouro em vestes e nos móveis do Vaticano.

Presenciar a simplicidade de Francisco I, mesmo a distância, é uma bela experiência. O discurso fácil, verdadeiro capta a atenção do ouvinte, do fiel e do adversário, prova maior é que a Presidente argentina curvou-se ele.  O sorriso sempre presente é um convite a ser bem recebido, é a figura de bom avô que te recebe de braços abertos em casa que a maioria guarda no coração.

O Papa Francisco encarna o melhor espírito contido na Oração da Paz, também conhecida como Oração do Santo de Assis. Este verdadeiro poema-canção-oração, foi escrito no início do século XX e continua tão atual e tocante que deveria ser lido diariamente em todo o lar.

Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
É morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém


E se assim o fizermos, conseguir colocar em prática os ensinamentos dela, misturado aos exemplos do representante maior da Igreja Católica e com os exemplos e crenças que trazemos de nosso Lar, meus amigos, este mundo, com certeza será um lugar mais belo para viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário