Calor insuportável na tarde de
sábado, um clima que te convida para estar apenas em dois locais – praia ou
onde o ar-condicionado esteja beirando a temperatura glacial. Sendo assim,
impossibilitado de ir ao litoral decidi ir para uma livraria. A maioria sabe
que sou viciado em livros, praticamente um rato de livraria e sebos, porém me
encantam as Mega Livrarias dos Shoppings, onde você encontra de tudo; além do
produto principal, há bons filmes, CDs, cafés, enfim, uma orgia cultural.
Porém tenho outro hábito quando
me permito o prazer de desvendar as estantes e prateleiras, é observar.
Observar como as pessoas comportam-se diante do novo, das descobertas e a forma
como interagem com os livros e o meio que os cercam. É praticamente um estudo que
geralmente proporciona uma reflexão ou crônica. Simples desta maneira.
Entrei em um dos corredores
buscando alguma publicação sobre História Mundial enquanto minha esposa procurava
livros de Moda e me deparo com um jovem casal revirando uma gôndola de livros.
Cena clássica, um mostra o livro e pergunta se o receberia de presente. A
resposta veio acompanhada de um carinho no pescoço. O suficiente para
desencadear uma reação desproporcional, ambos olharam para o lado para
certificarem-se que ninguém havia presenciado o “delito” e partiram deixando o
livro para trás
Você pode pensar que algum deles
sofra da Síndrome do Pânico, o que explicaria a repentina partida, mas não. O
motivo é o casal ser formado por pessoas que partilham da mesma preferência
sexual, o que para alguns seria classificado como casal não convencional.
Fugiram como se trouxessem gravados em suas testas algum tipo de sinal que os
condenariam por viverem de acordo com o que lhes proporciona realização e
felicidade. Agora diga, com toda sinceridade se existe convenção quando o amor
entra em cena. Nestes casos o convencional é não haver convenção, o amor deve
sempre superar qualquer tipo de barreira.
Porém, nem todos pensam desta
maneira, o que é realmente triste, principalmente por vivermos em pleno século
XXI e ainda de uma forma muito contundente convivermos com o preconceito e a
intolerância. Aqueles dois humanos já se condicionaram a sentir medo, estar
sempre alertas porque não conseguem prever quando uma agressão gratuita lhes
será imposta por “transgredirem a lei” que algum intolerante promulgou
mentalmente e os condenou a partir dela.
Fiquei imaginando como é viver em
uma sociedade em que você como minoria é julgado constantemente e condenado,
invariavelmente sem direito a defesa. Penso na crueldade que é esconder-se,
suprimir desejos e demonstrações de afeto ao ser amado porque existe sempre
alguém que levantará a bandeira da moralidade e intolerância.
A humanidade possui séculos de existência e
não se move em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. O homem foi
capaz de descobrir a menor partícula atômica e dividi-la, porém ainda falha na
tarefa de ser empático e justo. Exemplos não faltam para ilustrar este vírus da
imbecilidade; Apartheid, Holocausto, os estupros do Exército Vermelho, a
Escravidão, a Inquisição, Cruzadas e segue a lista.
Você pode não concordar e nem
aceitar, mas respeite. Guarde sua opinião discriminatória e imagine
como se sentiria sendo oprimido pela maioria. Difícil não?
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