sábado, 14 de dezembro de 2013

Intolerância até quando?

Calor insuportável na tarde de sábado, um clima que te convida para estar apenas em dois locais – praia ou onde o ar-condicionado esteja beirando a temperatura glacial. Sendo assim, impossibilitado de ir ao litoral decidi ir para uma livraria. A maioria sabe que sou viciado em livros, praticamente um rato de livraria e sebos, porém me encantam as Mega Livrarias dos Shoppings, onde você encontra de tudo; além do produto principal, há bons filmes, CDs, cafés, enfim, uma orgia cultural.

Porém tenho outro hábito quando me permito o prazer de desvendar as estantes e prateleiras, é observar. Observar como as pessoas comportam-se diante do novo, das descobertas e a forma como interagem com os livros e o meio que os cercam. É praticamente um estudo que geralmente proporciona uma reflexão ou crônica. Simples desta maneira.

Entrei em um dos corredores buscando alguma publicação sobre História Mundial enquanto minha esposa procurava livros de Moda e me deparo com um jovem casal revirando uma gôndola de livros. Cena clássica, um mostra o livro e pergunta se o receberia de presente. A resposta veio acompanhada de um carinho no pescoço. O suficiente para desencadear uma reação desproporcional, ambos olharam para o lado para certificarem-se que ninguém havia presenciado o “delito” e partiram deixando o livro para trás

Você pode pensar que algum deles sofra da Síndrome do Pânico, o que explicaria a repentina partida, mas não. O motivo é o casal ser formado por pessoas que partilham da mesma preferência sexual, o que para alguns seria classificado como casal não convencional. Fugiram como se trouxessem gravados em suas testas algum tipo de sinal que os condenariam por viverem de acordo com o que lhes proporciona realização e felicidade. Agora diga, com toda sinceridade se existe convenção quando o amor entra em cena. Nestes casos o convencional é não haver convenção, o amor deve sempre superar qualquer tipo de barreira.

Porém, nem todos pensam desta maneira, o que é realmente triste, principalmente por vivermos em pleno século XXI e ainda de uma forma muito contundente convivermos com o preconceito e a intolerância. Aqueles dois humanos já se condicionaram a sentir medo, estar sempre alertas porque não conseguem prever quando uma agressão gratuita lhes será imposta por “transgredirem a lei” que algum intolerante promulgou mentalmente e os condenou a partir dela.

Fiquei imaginando como é viver em uma sociedade em que você como minoria é julgado constantemente e condenado, invariavelmente sem direito a defesa. Penso na crueldade que é esconder-se, suprimir desejos e demonstrações de afeto ao ser amado porque existe sempre alguém que levantará a bandeira da moralidade e intolerância.

 A humanidade possui séculos de existência e não se move em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. O homem foi capaz de descobrir a menor partícula atômica e dividi-la, porém ainda falha na tarefa de ser empático e justo. Exemplos não faltam para ilustrar este vírus da imbecilidade; Apartheid, Holocausto, os estupros do Exército Vermelho, a Escravidão, a Inquisição, Cruzadas e segue a lista.

Você pode não concordar e nem aceitar, mas respeite. Guarde sua opinião discriminatória e imagine como se sentiria sendo oprimido pela maioria. Difícil não?

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