terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Shiva te abençoe



Explorar – este sempre foi um dos verbos que gostara de conjugar na escola, porém
riam demasiado dela quando declarava para quem desejasse escutar
iria ganhar o mundo e pousar em tantos aeroportos que perderia a conta.
na certa era o sonho de menina que vivia com a cabeça cheia de idéias dos livros,
em algum momento a cruel realidade da vida se apresentaria – diziam os descrentes.
Porém, acreditava que nada se conquista nesta vida sem a capacidade de renovação,
e sem empregar a energia interior na busca do sonho maior, independente de onde está.
repetia este mantra que não existem limites para quem se dedica, esforça e trabalha.
enquanto fechava seus amendoados olhos, sua mente se desprendia do corpo,
instantaneamente via-se no palco, bailando e enfeitiçando com seus quadris, 
recebia os aplausos efusivos da platéia que fascinados não desviavam o olhar,
amava aquela sensação de sentir todos aos seus pés, uma deusa a ser venerada.
Sob o céu estrelado, com a lua de única testemunha, uma lágrima corria em sua face,
afastava-a sem permitir que finalizasse sua caminhada até os lábios antes sorridentes.
negava-se abrir os olhos, lhe agradava o sonho, o som das cordas a ditar o ritmo da dança e
toda a noite era igual, as mesmas sensações e visitas que desejavam lhe conhecer,
ora dizendo palavras doces, em outras seduzindo com elogios vagos ou com amor
sem o qual, não enxergariam a dançarina que teimava em ser, somente feliz!

Das filosofias baratas de fim de ano

A vida pode ser considerada como um campeonato de futebol, aqueles longos onde há turno e returno, e cada acontecimento encarado como partidas emocionantes outras enfadonhas.

Existirão momentos em que você patrolará, entrará em campo totalmente motivado, goleará o adversário e sairá com a certeza da conquista do "caneco", em outras partidas estará tão disperso, pensando lá na frente que nem se dará conta da surra que vai levar, uma derrota estrondosa, mas também haverá oportunidades em que irá pressionar os 90 minutos e não vai mexer no marcador.

Exatamente o que acontece no cotidiano. É a entrevista para o novo emprego, aquela tentativa de conquistar um novo amor, a vaga para a universidade, as crises financeiras, as alegrias por receber boas novas, porém o que determinará a sua capacidade de superação é justamente o foco e a força mental adequada. Lembre sempre que o corpo sempre segue a mente e se ela estiver bem preparada, a certeza de lutar por posições na frente da tabela é infinitamente maior do que brigar para não ser rebaixado.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Previsões para 2014


Estamos chegando ao fim de mais um ano do calendário gregoriano e logicamente quase todos os meios de comunicação buscam entreter seus consumidores com as previsões para o próximo ano. O mais impressionante é que qualquer pessoa pode exercer seus poderes advinhatórios e prever os principais acontecimentos que veremos em 2014

Haverá uma grave crise econômica no hemisfério norte e os índices de desemprego se elevarão;
A Copa do Mundo será conquistada por uma seleção contestada em seu País;
Um grave acidente aéreo ocorrera no primeiro semestre do próximo ano;
Os valores de serviços e produtos sofrerão elevação no Brasil entre Maio e Julho;
Você enfrentará momentos de aperto financeiro e um gasto inesperado ocorrerá no segundo semestre;
Os astros mostram que você terá uma decepção grande com uma pessoa próxima à você;
Fortes chuvas ocorrerão no inverno na região sul causando alagações. Igualmente haverá uma forte seca no nordeste;
O Papa pedirá a Paz Mundial em suas orações;
O Custo de vida continuará elevado nas principais capitais do País;
Um candidato de expressão nacional se elegerá Presidente da República;
Políticos tradicionais se reelegerão;
Os índices de criminalidade terão elevação nas zonas periféricas das grandes cidades;
O dólar terá forte elevação impactando na bolsa de valor e nas exportações e importações;
Os Estados Unidos continuarão exercendo sua influência no Mundo;
Israelenses e Palestinos manterão as animosidades milenares nos próximos 365 dias;


Você continuará lendo textos e afins no Vendetta Literária...


É isso ai galera, não se guiem por previsões que qualquer falso profeta pode fazer, foquem no que desejam para o próximo ano e sejam felizes!!!

sábado, 28 de dezembro de 2013

O Grande Ditador - Charles Chaplin

Assisti nesta noite O Grande Ditador, primeiro filme falado de Charles Chaplin, rodado em 1940 época em que os Estados Unidos ainda não haviam entrado na Grande Guerra. Como a maioria sabe, o filme é uma mistura de sátira crítica e comédia dramática, que satiriza de forma profunda o nazismo e o fascismo e seus principais expoentes. Quem puder e quiser, assista, vale muito à pena.

Ao final do filme, Chaplin realiza um discurso que vale por todo o filme, foca os direitos humanos na época em que o mundo estava mergulhado. Reproduzo-o para nossa constante reflexão, porque mesmo passados 60 anos de sua filmagem, o filme continua extremamente atual, característica encontrada somente nas obras primas da humanidade...

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver pela felicidade dos outros, não pela miséria dos outros. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! ( segue o estrondoso aplauso da multidão ).

Então, dirige-se a Hannah :

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!."

A arrogância segundo os medíocres

Por Carmen Guerreiro - original em ansiamente.wordpress.com

“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.

“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.

Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.

Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).

Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.

Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.

Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.

Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!

Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.

O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:

1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.

2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.

3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha))

4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.

Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Humildade II - O exemplo de um Pontífice

Escrevi nesta semana sobre humildade e refleti um pouco mais sobre o assunto, e fiquei impressionado ao constatar as formas que a vida escolhe para nos ensinar sobre suas verdades. Fico muito à vontade de escrever sobre Francisco e suas lições, apesar de ter nascido em uma família católica, ter estudado em colégio de padres sou espírita, então o faço não com a visão de quem enxerga aquele homem de branco como o representante de Deus na Terra.
 
Recordei que durante o período do carnaval, a maior festa pagã do mundo, a imensa população mundial de católicos surpreendeu-se com a re núncia do Papa Bento XVI, maior autoridade da Igreja do Carpinteiro de Nazaré, ele abdicava do trono de Pedro, algo que não era presenciado há séculos. A conseqüência deste ato é de conhecimento público, os cardeais reunidos em Roma, entronizaram o primeiro representante latino e para surpresa maior, ele é um argentino.

É conhecida a rivalidade entre Brasil e Argentina, algo que não se explica, parece que existe uma regra obrigando aos nascidos nos dois países de nutrirem uma antipatia mútua. Há uma piada brasileira que classifica o ego como aquele pequeno argentino que vive dentro de cada um, ou seja, argentinos por convenção popular são antipáticos, prepotentes, etc.

Contrariando as expectativas gerais, o Cardeal Bergoglio, teve atitudes totalmente inesperadas, a começar pelo nome escolhido para exercer seu mandato vitalício; Francisco I. A escolha foi comparada ao santo católico, fundador da ordem dos Franciscanos, que abdicou de uma vida de luxo para se dedicar ao culto de Cristo, conduzindo o estandarte da extrema pobreza.

Uma contradição e tanto se considerarmos as riquezas acumuladas com o passar dos séculos; de uma seita nascida no oriente médio por carpinteiros e pescadores, passando pelos nobres da casa dos Bórgias, até chegar aos dias atuais, em uma história repleta de luxuria, avareza, conspirações, assassinatos e assemelhados, a Igreja se tornou um braço forte, determinando os destinos de nações, morte de reis, fogueiras e guerras “santas e impuras”.

Francisco desde o início transpareceu a fragilidade e humilde na pequenez que requer seu cargo; o verdadeiro pastor de almas que buscam consolo em alguma religião que as façam melhores. Ele abriu mão do anel de ouro, utiliza o mesmo crucifixo do tempo de bispo, ambos de prata, usa sapatos pretos comuns e não os mocassins carmins, fala a língua do povo e mostra que apesar dos grandes dogmas da Igreja está aberto as transformações que a sociedade impõe.

Outros exemplos de sua simplicidade puderam ser constatados no fato de ir pessoalmente pagar as despesas de sua hospedagem durante o Conclave que o elegeu, ter telefonado de Roma para o jornaleiro que fazia a entrega diária dos jornais de Buenos Aires na Cúria, porque ele, Bergoglio não estaria lá para lê-los. Humildade, este é o maior legado que nos deixa.

Porém, talvez o maior exemplo, foi concedido na entrevista coletiva realizada no avião que conduzia o Sumo Pontífice de volta ao Vaticano, após a Jornada da Juventude realizada no Brasil. Questionado por uma jornalista brasileira como ele via o lobby gay (palavras dela), a resposta foi um tanto quanto desconcertante. O Papa com a simplicidade de um avô, disse que se a pessoa buscava Deus, possui predicados morais e deseja se melhorar, quem era ele para negar esse acolhimento?

Em outra entrevista, o Papa voltou a surpreender ao solicitar que as pessoas cuidassem das crianças e dos idosos, que matassem a fome das pessoas, independente quem o faria, se era protestante, judeu, islâmico, católico. A busca pelo diálogo e a aceitação pelas diferenças foi uma presente desde seu primeiro dia.

É inegável a comparação com outros Pontífices entre eles João Paulo II, João XXIII, João Paulo I, Paulo VI; cada qual em sua época, com o tempo e as ferramentas disponíveis exerceram um papel importante na história do catolicismo. Igualmente a comparação com seu antecessor é constantemente realizada.  Bento XVI foi um Papa aristocrático, pomposo que primou seu pontificado da forma medieval, onde apenas na religião católica havia salvação além de esbanjar ouro em vestes e nos móveis do Vaticano.

Presenciar a simplicidade de Francisco I, mesmo a distância, é uma bela experiência. O discurso fácil, verdadeiro capta a atenção do ouvinte, do fiel e do adversário, prova maior é que a Presidente argentina curvou-se ele.  O sorriso sempre presente é um convite a ser bem recebido, é a figura de bom avô que te recebe de braços abertos em casa que a maioria guarda no coração.

O Papa Francisco encarna o melhor espírito contido na Oração da Paz, também conhecida como Oração do Santo de Assis. Este verdadeiro poema-canção-oração, foi escrito no início do século XX e continua tão atual e tocante que deveria ser lido diariamente em todo o lar.

Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
É morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém


E se assim o fizermos, conseguir colocar em prática os ensinamentos dela, misturado aos exemplos do representante maior da Igreja Católica e com os exemplos e crenças que trazemos de nosso Lar, meus amigos, este mundo, com certeza será um lugar mais belo para viver.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Humildade

Hoje me questionaram o quem vem ser uma pessoa humilde. É tão enriquecedor quando nos deparamos com indagações simples, porém capazes de proporcionar uma reflexão profunda. Refleti, ponderei, cheguei a algumas conclusões que me deixaram inquieto.

Ser humilde não possui ligação alguma com as posses materiais, conheci pessoas paupérrimas que possuíam uma empáfia e prepotência enorme e  outras com muito dinheiro que parecem ter vivido toda a vida na periferia de uma grande cidade.

Acredito que se comece a trilhar o caminho da humildade quando você nota o outro como seu igual, não tenta rebaixá-lo por sua condição social, sexual e religiosa, quando aceita de forma ponderada e reflexiva as críticas que fazem a seu respeito. Aqui abre-se parêntese - estas críticas devem ser originadas de pessoas que realmente se importem com você, e não por aqueles incapazes de sucesso que tentam te nivelar no mesmo patamar de mediocridade a que estão acostumados a conviver.

Sim, ser humilde não é sinônimo de total aceitação e anulação de sua personalidade, mas tentar ao máximo fazer com que as pessoas sintam-se a vontade na sua companhia, é você conseguir de uma forma ou de outra exercer a empatia no seu dia-a-dia. Sendo assim, para alguns sou totalmente humilde, para outros um grande sacana pedante e petulante. Tenho certeza que estou no meio destas duas definições.

A verdade é que não me preocupo com isso, sempre aparecerá alguém que não te considerará o melhor exemplo de ser humano, mesmo que você seja a cópia de um grande pacifista oriental, mas esta é uma das regras da vida, você não pode contentar todas as pessoas, se consegue isso, ah meu amigo,com certeza você está fazendo algo de muito errado.

Então, de uma forma ou de outra, eficaz ou nem tanto, com muitas virgulas e pontos, refletir a cada anoitecer sobre o que pode ser feito para uma melhoria contínua, também conhecida como evolução, prestar atenção aos sinais diários e não repetir os mesmos erros, somente assim teremos a certeza que conquistamos a tão sonhada paz de espírito, a cereja do bolo chamado humildade.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Mulheres - como anda a depilação?

O bom verão se aproxima, trazendo com ele temperaturas elevadas, abafamento, chuvas com fortes rajadas de vento e principalmente, mulheres com pouco tecido sobre o corpo. Nesta cidade em que a estação nos coloca dentro de uma panela de pressão, esta é uma realidade esperada todo o ano. É tão certo como há sol e lua, goiabada e queijo, tina e papel.

Consequentemente, as mulheres utilizam suas menores e melhores roupas em busca do refrescamento possível nestas ruas de tão longo caminhar e deixam à mostra suas pernas, braços e demais partes do corpo, que são observados com respeitoso ou cobiçador olhar.

Sempre quis escrever sobre o ato de extirpar os pelos femininos, mas nunca tive tempo ou me senti confortável o suficiente para fazê-lo. Falar sobre os hábitos das pessoas é sempre uma tarefa delicada. O escritor entra em um terreno desconhecido, inóspito em que o menor escorregão pode ocasionar uma hecatombe, porém, se você policia seus textos está falhando com a literatura, com o leitor e principalmente está sabotando sua arte.

Há cerca de duas semanas, uma adorável representante do sexo feminino agarrava-se ao pega-mão do ônibus, mostrando para quem quisesse ver sob suas axilas os indefectíveis cabelos negros em fase de crescimento, proporcionando aquele tão conhecido efeito de barba cerrada do cafajeste. O espetáculo mais horrendo do mundo para iniciar bem a segunda-feira.

Disse inicialmente que entramos na estação do ano em que as temperaturas são elevadas, trazendo uma amostra grátis do que deve ser o território de Lúcifer, portanto tal desleixo com a aparência feminina é um sacrilégio condenável pelo mais brando tribunal inquisitório. Está certo que este é o pensamento originário de uma mente masculina, às vezes machista do moderno homem dos trópicos tupiniquins e pode destoar do conhecimento coletivo do universo feminino.

Homens são visuais, não adianta desmistificar algo sabido e repetido à exaustão. É fato e provavelmente por saber disto, a mulher, este Ser perspicaz e astuto submeta-se as sessões de depilação com cera quente nas pernas, pés, braços, axilas, buço e em locais que todos sabem bem.  Fico admirado da forma como as mulheres passam a espátula com cera em alta temperatura sobre suas pernas. Um ritual assemelhado a passar manteiga no pão, tal a delicadeza que o faz e acabam arrancando aquela tira sem emitir um mínimo “ai”.

A sabedoria popular diz que com mulher de bigode nem o diabo pode! Saibam leitoras que não existe nada mais atemorizador para um homem que flertar com a mulher e descobrir que ela possui um bigode no canto dos lábios. Prestem a atenção, se tudo começa pelo beijo, repousarmos nossa boca em outra com pelos assemelhados a mustaches é a certeza da noite acabar mal. Portanto, por favor, dediquem alguns instantes de atenção a esta área.

Não só isso; confesso que me sinto extremamente desconfortável quando me deparo com mulheres que cultivam uma mata amazônica no braço, uma quantidade de pelos por centímetro quadrado que faz o Tony Ramos sentir inveja da capilaridade de sua proprietária. Por favor, aparem, cortem, extraiam, clareiem ao máximo, mas nunca, nunca os deixem pretos ou castanhos. Isto está fora da negociação!

Falar sobre pernas? Pernas lisas, sim, e mais uma vez, por favor, pernas lisas, que permitam as mãos sacanas e ávidas por descobertas percorrem-nas com tranqüilidade, encontrando nelas somente aqueles sinais femininos que vocês tanto odeiam. Toda mulher que se preza deve apresentar uma pequena marquinha no corpo, é a assinatura do criador em sua criação, portanto sem neuroses. Mulheres podem e devem ter alguma celulite e estria. Estrias e celulites possuírem mulheres, isto sim é inadmissível.

Agora existe uma área do corpo feminino que sim, pelos são necessários e até mesmo exigidos.  É a identidade, o RG que demonstra que ela rompeu a barreira que separa as fases do crescimento humano.  Claro, igual a tudo na vida, há de se ter coerência e bom senso, que não esteja para as florestas virgens da Ásia e nem para a terra devastada dos desertos Africanos. O ideal é que seja igual as florestas extrativistas certificadas pelos órgãos ambientais, no tamanho correto, com o correto manejo, sem deixar que haja discordância nestes aspectos. 


Lembrem do que escrevi, os homens são visuais, convites desta forma para explorar seu território conhecido vulgarmente como corpo, é encontrar pontos prazerosos, a certeza de satisfação plena, muito mais sua do que nossa. Sim, eu sei, toda regra possui exceção, talvez o desbravador seja um ogro travestido de príncipe, mas não se apegue a matemática e nem pense que será a sorteada com ela e antes de qualquer coisa, este é o ponto de vista masculino, tenha o seu, seja livre e faça apenas com os seus pelos o que lhe faz feliz!


Todas imagens retiradas da internet

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Então, mais uma vez é Natal

Jingle bells, o Bom Velhinho está em seu trenó voando pelos céus do mundo, levando alegria, presentes para todas as crianças e adultos que se comportaram bem durante o ano. Por incrível que pareça, mais um ano se passa e continuo sendo indigno de receber sua visita.

Neste ano não me comportei muito bem, tive pensamentos impuros, fui respondão, perdi a paciência com pessoas que amo, me estressei, xinguei no trânsito, tive vontade como bom cristão de esfregar a face de algumas pessoas no asfalto quente. O que, cristãos não fazem isso? Então estou mais encrencado ainda!

Sério, acho injusto fazer aqueles exercícios retrospectivos, nossa mente seletiva tende a focar somente nos bons momentos e esquece que foram os difíceis e encrespados os responsáveis por existirem tantos bons para relembrar. Cada ano que finaliza deixa plantado uma semente de esperança por novos e melhores 365 dias.

Esquecemos que de nada adianta boa semente se o terreno não estiver devidamente preparado. É preciso desejar e trabalhar arduamente para criar uma nova realidade, quebrar o paradigma de fazer diariamente e repetidamente as mesmas ações na esperança de obter um resultado diferente. Perda de tempo!

Por isso não vou desejar a você um abençoado Natal um Novo Ano com frases batidas e repetidas, nada disso. Quero apenas que tenhas a capacidade de se olhar sem a flecha acusatória e nem a benevolência celestial, mas de forma sincera. Descobrir o que precisa ser modificado e deixado pelo caminho para reciclagem, quem deve continuar viajando no mesmo vagão, quem descerá na próxima estação, o que falta para realizar o grande sonho de sua vida e que no final de 2014 você possa dizer: "Poxa, este ano foi sensacional!"

Deus quis assim e suas variações

Como são belos os ensinamentos e as frases com os quais costumamos ser presenteados nesta não tão longa caminhada, chamada vida. É tão comum escutar um Deus quis assim, Seja o que Deus quiser, Deus sabe o que faz. Sério, mesmo você sendo um cético de carteirinha, em algum momento desta existência materialista ou científica, acabou sendo brindado com uma destas frases, principalmente após a ocorrência de alguma frustração, fatalismo, doença, pé na bunda, perda de emprego.

Havendo fatalismo as pessoas tendem a acionar o disque-Deus, linha direta com o Éden e depositar na conta do venerando Criador toda a culpa ou desculpa para aquilo que não sai conforme seus planos mundanos. Pense bem, existe algo mais cômodo que colocar o consumo na comanda de outra pessoa? Claro que não! 

É na verdade um álibi muito bem estruturado, como se houvesse uma forma de proteger-se dos reveses da vida, um truque muito simples e comodo. Pensando bem, as pessoas que aceitam e principalmente utilizam este subterfúgio derrubam de forma violenta a estória que o homem possui livre arbítrio para decidir fazer o que bem entender.

A linha de raciocínio é bem clara, se a pessoa possui a capacidade de escolher os caminhos que deseja seguir e tomar decisões que o tempo mostrará acertadas ou não, escolhidas através da capacidade analítica dos fatos, baseadas em ponderações filosóficas e sociais, as consequências destas atos igualmente devem ser creditadas a ela. A mesa recebe e paga, esta deve ser a regra do jogo.

Pensar de forma contrária é conceber que uma força  revelada pela Bíblia como onisciente, onipresente e onipotente, ou seja, que tudo sabe, está em todos os lugares e tudo pode é incapaz de respeitar o principio básico da escolha livre da qual ele dotou cada ser humano, que se bem me lembro das aulas de catequese, foi feito a sua imagem e semelhança. Traçando um paralelo polêmico é aceitar que a humanidade reside em um universo nada mais nada menos do que ditatorial em que cada individualidade finge possuir a capacidade de dar as cartas na mesa.

O exercício é simples; a pessoa bebe meia garrafa de vinho, pega o carro, atropela e mata três pessoas. Livre arbítrio, Deus não se intromete na decisão do ébrio motorista que deve sim ser responsabilizado por seus crimes. Lógica bacana e correta se ela fosse seguida no exemplo da menina que busca o primeiro emprego e não é aprovada. A tia carola tentando conforta-la diz que Deus sabe o que faz, que Ele reserva algo melhor em sua vida. Como assim produção?

Somente eu percebo que existe um certo ponto discordante aqui? Dependendo do caso e geralmente é quando alguém faz uma "M", Deus permite que o livre arbítrio seja exercido e a culpa é do elemento irresponsável. Agora quando a falha é nossa ou de alguém próximo, Ele sabe o que faz.

Realmente nunca consegui compreender e aceitar esta lógica completamente cega e guiada por dogmas milenares. Em verdade, quem sou eu para compreender algo, quanto mais se aceita sem indagação, melhor. É como digo, o conhecimento é um fardo pesado demais para ser conduzido por mentes despreparadas.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Mais do mesmo

Há tanto para ser dito e tão pouco tempo,
quando percebe-se o relógio da vida nos manda dormir, 
adormecer em camas que não desejamos, 
despertar do lado errado da cama, 
simplesmente porque é limitada nossa capacidade 
para assimilar as novidades e desvendar os sinais.
A existência fica comprometida quando,
os olhos da alma percebem outras almas iguais as nossas,
sedentas de amor, de paixão, do combustível 
que eleva a ilusão à perfeição viva na imperfeição....

Para Sempre - Carlos Drummond de Andrade


Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Presságio - Fernando Pessoa


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Autopsicografia - Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

O Mapa - Mário Quintana

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

Sobre o aquilo que não se entende!


O que digo?
Uma palavra, uma única frase,
solicitação de sorriso ou algo parecido,
apenas uma única manifestação.

O que digo?
Algo que aplaque e diminua a distância,
faça com que a ausência sem explicação
tenha sentido neste olhar que ser perde.

O que digo?
Espalhar pelos quatro cantos do mundo,
que naqueles lábios reside um sorriso cigano,
feiticeiro que permite encontrar muito além de sonhos.

O que digo?
Que estes meus pensamentos se transformam,
ganham corpo em forma de desejo, e na oração
há súplica de encontrá-la.

E no fim, que me resta, além de dizer
"És uma brisa que se tornou tempestade,
chegando sem avisar".

sábado, 14 de dezembro de 2013

Intolerância até quando?

Calor insuportável na tarde de sábado, um clima que te convida para estar apenas em dois locais – praia ou onde o ar-condicionado esteja beirando a temperatura glacial. Sendo assim, impossibilitado de ir ao litoral decidi ir para uma livraria. A maioria sabe que sou viciado em livros, praticamente um rato de livraria e sebos, porém me encantam as Mega Livrarias dos Shoppings, onde você encontra de tudo; além do produto principal, há bons filmes, CDs, cafés, enfim, uma orgia cultural.

Porém tenho outro hábito quando me permito o prazer de desvendar as estantes e prateleiras, é observar. Observar como as pessoas comportam-se diante do novo, das descobertas e a forma como interagem com os livros e o meio que os cercam. É praticamente um estudo que geralmente proporciona uma reflexão ou crônica. Simples desta maneira.

Entrei em um dos corredores buscando alguma publicação sobre História Mundial enquanto minha esposa procurava livros de Moda e me deparo com um jovem casal revirando uma gôndola de livros. Cena clássica, um mostra o livro e pergunta se o receberia de presente. A resposta veio acompanhada de um carinho no pescoço. O suficiente para desencadear uma reação desproporcional, ambos olharam para o lado para certificarem-se que ninguém havia presenciado o “delito” e partiram deixando o livro para trás

Você pode pensar que algum deles sofra da Síndrome do Pânico, o que explicaria a repentina partida, mas não. O motivo é o casal ser formado por pessoas que partilham da mesma preferência sexual, o que para alguns seria classificado como casal não convencional. Fugiram como se trouxessem gravados em suas testas algum tipo de sinal que os condenariam por viverem de acordo com o que lhes proporciona realização e felicidade. Agora diga, com toda sinceridade se existe convenção quando o amor entra em cena. Nestes casos o convencional é não haver convenção, o amor deve sempre superar qualquer tipo de barreira.

Porém, nem todos pensam desta maneira, o que é realmente triste, principalmente por vivermos em pleno século XXI e ainda de uma forma muito contundente convivermos com o preconceito e a intolerância. Aqueles dois humanos já se condicionaram a sentir medo, estar sempre alertas porque não conseguem prever quando uma agressão gratuita lhes será imposta por “transgredirem a lei” que algum intolerante promulgou mentalmente e os condenou a partir dela.

Fiquei imaginando como é viver em uma sociedade em que você como minoria é julgado constantemente e condenado, invariavelmente sem direito a defesa. Penso na crueldade que é esconder-se, suprimir desejos e demonstrações de afeto ao ser amado porque existe sempre alguém que levantará a bandeira da moralidade e intolerância.

 A humanidade possui séculos de existência e não se move em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. O homem foi capaz de descobrir a menor partícula atômica e dividi-la, porém ainda falha na tarefa de ser empático e justo. Exemplos não faltam para ilustrar este vírus da imbecilidade; Apartheid, Holocausto, os estupros do Exército Vermelho, a Escravidão, a Inquisição, Cruzadas e segue a lista.

Você pode não concordar e nem aceitar, mas respeite. Guarde sua opinião discriminatória e imagine como se sentiria sendo oprimido pela maioria. Difícil não?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Homenagem a Poetisa Anônima!

Recebi este poema há alguns anos...

Quanto mais sozinha eu fico, mais eu me dou conta que:
Logo, é segunda de novo. Nova semana. Novo mês.
Metade do ano já se foi (há tempo) O que fiz? Por onde andei?
Tenho a sensação de que apenas existi, sem mel, sem fel, sem dor.
Que história afinal eu quero escrever?
Lá se vão mais de trinta anos. Final do primeiro tempo. É preciso decidir.
Decidir o que eu quero e para onde vou.
Eu me perco, me acho, me faço, invento.
Me desfaço. Paraliso. Ando em círculos.
Avanço e recuo, tenho medo (ahh como eu tenho medo)
Afinal, o que quero de mim? O que eu quero de ti? O que eu quero da vida?
Sou confusão. Sou louca. Sou paixão e ao mesmo tempo frustração.
Ahh como crescer dá trabalho.
Faço e sinto que não fiz.
Mudo e me mudo de mim. Volto.
Me quero, me deixo, me abandono.
De longe, me olho e de novo. Volto.
E para onde vou?
Sabe... eu ando me olhando, e me olhando e não ando gostando.
Quem é essa que chora, que ri, que confunde, que se arrepende,
que diz o que não deveria ter sido dito, que faz ou não faz, que vai ou não vai??

Quando vejo decido ir com o vento. Mas na maioria - decido ficar!
Eu só sei que vou parar e recomeçar quantas vezes precisar...

O Professor Remi

Inegavelmente o dito popular que propaga o fato de ninguém passar em nossas vidas sem deixar uma marca é verdadeiro. Nestes dias encontrei nos corredores de um supermercado da capital o Professor Remi. Para aqueles que não sabem, o Professor Remi foi meu Mestre no distante ano de 1984, ou seja, é uma história ocorrida há quase 30 anos e neste tempo seguidamente nos encontramos.

A forma como ele ministrava as aulas, se trazida para os dias atuais, lhe proporcionaria boas dores de cabeça. Pode-se dizer, sem medo de engano que ele possuía uma forma pouco ortodoxa para tratar com a baderna e bagunça de encapetados alunos na faixa entre 7 e 8 anos. Você poderia conversar na última classe da aula que giz lhe acertaria a cabeça ou o apagador repousaria sobre sua classe, isto tudo arremessado da frente sala com uma precisão cirúrgica, era a forma de chamar a atenção para o que realmente importava, o conteúdo, a aula ministrada.

Crianças nesta faixa etária possuem uma capacidade imensurável de perder o foco e logo surgia algum desavisado que começava a brincar com réguas e canetas formando aviões ou tentava trocar figurinhas de futebol na aula. Pronto, as figuras eram confiscadas para o armário de aço com a promessa de serem entregues somente no último dia de aula ou se os pais fossem retirá-la. Não me recordo de alguém ter pedido para os pais resgatarem os cromos, mas vai saber! Quanto as réguas, bem, elas realmente criavam asas e eram incentivadas a voar pela janela.  Justiça seja feita, no intervalo da aula ou no dia seguinte elas sempre nos eram devolvidas.

Por favor, não pensem que o Professor Remi era um sádico, pois não era. Posso classificá-lo como um Mestre severo, porém justo e talvez esta característica sobressai-se principalmente por sua aparência física. Para aquela turma de pequenos humanos ele era um gigante com seu quase 1,75 m e sua barba ao melhor estilo D. Pedro II, com a única diferença da coloração. Hoje pouco se alterou em sua aparência, com exceção do grisalho que vai repousando sobre seus cabelos e barba.

Esqueci de comentar que tive aula com ele na 2ª série primária e nesta época um novo mistério da matemática seria apresentado; a multiplicação! Agora neste momento é surge a genialidade de um verdadeiro Mestre. Como fazer para os alunos sentirem interesse ou aprendessem de forma permanente as multiplicações que iam da tabuada do 1 ao 6?

O Professor Remi possuía a fórmula, ele criara a “Olimpíada da Tabuada”, que consistia em nada mais nada menos que cada aluno declamar as operações de multiplicação sequencialmente, sem gaguejar ou demorar a responder e tão pouco contar nos dedos. Iniciava do 1 vezes 1 até o 6 vezes 10 e como resultado o aluno que completasse corretamente a sequência era premiado com uma medalha prateada, gravada com “Tabuada – 1984”.

Costumo contar esta história para as pessoas mais próximas e em um destes encontros inesperados que tive com o Professor, comentei que guardava a medalha e como ele havia sido severo conosco. A resposta que recebi foi fantástica e até mesmo desconcertante, como as que só recebemos dos Mestres: “mas garanto que depois tu nunca tiveste dificuldade para encontrar o resultado de 6 vezes 7”.


Há quase 30 anos o Professor já incutia em nossas mentes o que fomos apresentados durante o restante de nossa formação acadêmica e profissional: a repetição à exaustão proporciona a excelência, é importante haver concentração para alcançar os objetivos estabelecidos e assimilar conhecimento, a certeza da recompensa faz com que as pessoas se esforcem mais, existe algo chamado hierarquia e ela deve ser respeitada, e principalmente, que ser severo não implica em ser injusto. 

É fato, o Professor Remi faz parte do rol cada vez mais raro de Mestres, aqueles que transmitem conhecimento e ensinam mais do que os conteúdos dos livros e tornam-se eternos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Dos Poemas Perdidos

Um poema não escrito no exato momento de sua concepção, 
gera a mesma consequência do sexo não realizado quando há desejo. 
Ele está irremediavelmente perdido no recôndito d'alma.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Reino de Patavinas

O lado bom da internet é que você consegue “viajar” sem precisar se chapar, basta apenas encontrar uma pessoa com o mesmo grau de (in)sanidade e permitir que a imaginação corra solta.  Tenho uma amiga que por questões profissionais está residindo de outro lado do Planeta e quando dispomos de algum tempo e o fuso horário permite, conversamos e criamos as mais fantásticas teses e cenários.

Não me recordo ao certo o motivo pelo qual começamos seriamente a falar sobre sistemas de governo. Apenas para relembrar os esquecidos das aulas do Ensino Médio, há três sistemas – o presidencialista, o parlamentarista e por fim a monarquia. Pois bem, traçávamos algum tipo de comparativo em função da corrupção genética de nossas lideranças legislativas até que ela confessou sua simpatia pela monarquia, reforçada agora, por viver em um País governado por um Rei.  Como um historiador amador, formado pelos livros e pesquisas pessoais também sempre nutri curiosidade e  admiração pelos monarquistas.

Claro, todo assunto sério, em determinado momento será enveredado para uma suave abstração e demência e questionamos como seria se vivêssemos em algum torrão de terra monárquico. Provoquei dizendo que poderia ser Dom Anderson I, o modesto, Imperador de Patavinas, País que faz fronteira com Bulhufas, uma República Democrática comandada pelo meu amigo e Presidente Paulo, do Partido do Cachorro Quente, eleito com o slogan – “O político que conhece Bulhufas como ninguém.”

Logicamente que em Patavinas os títulos nobiliárquicos seriam concedidos em troca de uma modesta contribuição financeira, nada muito diferente do que foi realizado nesta terra brasilis na época dos reinados de João VI e dos Pedros I e II. Sério, durante os anos que a família imperial portuguesa esteve no Brasil, exilada por Napoleão, ela fez mais nobres do que durante toda a História de Portugal. Era simples, pagou, levou! O caixa da Colônia recém elevada a sede Imperial estava combalido e de algum lugar deveria ser provido os gostos da Corte.

Esta amiga ficaria extremamente realizada em ser baronesa, condessa ou marquesa. Desejei conceder-lhe o título de Condessa do Porto dos Casais, mas ela julgou que a alcunha remetia as tias solteironas que de uma hora para a outra desaparecem da estória e declinou, portanto ainda estamos negociando a concessão do Título e as atribuições do cargo. Provavelmente venha a ser Marquesa de Ouro Fino, afinal de contas, mulheres e ouro formam parcerias imbatíveis ou pensando no bem da nação e no seu conhecimento internacional ela possa ser nomeada a primeira Embaixadora de Patavinas. Mostrar para os seres espalhados pelos quatro cantos do mundo a importância de se viver em Reino em que entender Patavinas te faz respeitado e poderoso.

Parece brincadeira não? E é, porém tente visualizar um lado sério nesta questão. Quantas pessoas você conhece que agem exatamente desta forma, buscando o reconhecimento de títulos honoríficos como se fossem nobres medievais, repletos de prepotência, rotulando a torto e a direito os demais. É o sujeito que não cumprimenta o porteiro do prédio, que destrata a “tia” do cafezinho, que não agradece ao motorista do ônibus por esperar na parada enquanto ele calmamente anda em direção ao coletivo, que não dá bom dia ao cobrador, que não olha para o rosto do gari, porque simplesmente ele se julga melhor.

Melhor por quê? Acaso desloca-se na multidão algum tipo de ser eterno que não padecerá dos mesmos males dos reles mortais? Não sofrerá por amor, dor de dente, a perda de dinheiro, não adoecerá ou ao chegar a hora derradeira da partida será acolhido diretamente por um séquito de anjos tocadores de trombetas vindos sem escalas dos mais distantes planetas evoluídos do universo?

Situações como esta ocorrem porque embora o País desfrute de considerável estabilidade econômica, acesso razoável a educação (ainda de forma deficitária), as questões humanas são relegadas a terceiro plano, primeiro é o ter, segundo o gozar prazeroso, depois se ainda houver forças observa-se a pessoa ao lado.

Triste é que ao olhar o próximo não enxergam-se iguais, porque para alguns há dois tipos de pessoas; aquelas que podem lhes servir e as que não servem nem para isto. Esta era suprimiu a razão humanística, é necessário resgatar a reflexão, compreensão e empatia com uma urgência enlouquecedora!

Porém, nada disto passa de mera utopia e filosofia barata para os descrentes  o que me remete a apenas duas alternativas – estar certo ou profundamente equivocado, afinal de contas, um Imperador que entende somente Patavinas não pode nem de perto compreender a eloqüência difusa e doente de uma sociedade tupiniquim.

Dos Vícios

Pobre vicio..... não sabe ele o azar que carrega, 
não enxerga teus olhos castanhos
que buscam incessantes uma centelha 
guardada em cada amanhecer.....

A dançarina

A dança que nela transpira em cada poro, 
é para mim, um convite,
repouso meus olhos no corpo que se move, 
lento, intenso, rápido, suave, 
me levando para um nivel de admiração
que reside apenas no Eden...

Do Contágio

Felicidade este vírus contagioso que invade
o mais duro ser e devolve sorriso aos lábios contaminados.
Seja sempre contagiada com ele...

domingo, 8 de dezembro de 2013

Carta - Mário Quintana - Caderno H

Meu caro Poeta,

Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola traçada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração somente o tempo o dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano.

Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos, aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende  os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: "eu vos trago a Verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, limita-se a dizer a cada um: "eu vos trago a minha verdade". E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!

Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as digressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me coloca na insustentável situação em que me vejo quando esses meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazem pesquisas com perguntas assim: "O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escreve seus poemas?" A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.

A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de idéias, associações de imagens; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) 

Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma benção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com um cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.

Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em uma luta com um anjo e lhe diz: "Eu não te largarei até que me abençoes". Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técnica dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem que descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.

Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho garfológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico.

Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe  a sua forma; uns, as canções, já vem dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que lá vai seguindo com os seus detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.

Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, uma vez de tua a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.

Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?