quarta-feira, 25 de maio de 2011

Suicídio Digital

            Nestes dias estava no ônibus e presenciei o diálogo entre duas jovens que chamou a atenção dos passageiros do coletivo.
            _Você viu que a Pati cometeu suicido?
           _ Menina, vi! Também, ela tava sem tempo pra nada, era o TCC, o trabalho, o namorado incomodando com aquele ciúme bobo, foi a decisão mais correta!
           Pensei, como tirar a vida é a decisão mais correta? Em que ponto da vida se decide que as pressões, preocupações e tantos outros “ões” tornam-se suficientes para atentar contra um bem precioso?  Imaginei a dor da família, o desespero da mãe ao encontrar a filha inanimada. Como ela surrupiou a vida, foi com a ingestão de medicamentos? Jogou-se de alguma janela?
Voltei a prestar atenção, quando a outra completou.
_ Pois é, ela estava em dúvida logo no início, mas no final foi bem decidida, gostei de ver, quisera ter a mesma decisão sabe? São pessoas assim que me inspiram!
_ Arrã
_ O único problema disso tudo é que agora não a temos mais próxima né?
_ É sim, mas nada que um telefonema não resolva, a Pati ainda ta com telefone né?
Surpresa! Como, me digam, como uma pessoa que atentou contra a própria vida ainda utiliza o telefone? Já estava inclinado a confessar que as meninas estavam sob efeito de algum alucinógeno, caso de psiquiatria ou algo do tipo.
_ Claro né? Mas era mais fácil saber da vida dela no Orkut, mas resolveu se suicidar lá, agora ela vai ficar meio isolada, fazer o que!
Percebi que realmente esta geração está à frente do meu tempo. É o reflexo da geração digital, onde tudo é assimilado, em que tudo é possível, inclusive fazer um movimento e tentar ser novamente humano.

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