O início do mês de Maio me causa uma tristeza profunda. Apesar de ser um mês onde se comemora muitos aniversários de minha família e o já tão consagrado dia das mães, nele está marcada uma grande perda, que ontem dia 04 de Maio completou 21 anos, certamente por isto fico mais reflexivo do que o comum e justamente neste dia, mais uma incrível “coincidência” para ficar marcada, fui informado da decisão de uma pessoa próxima. Não julgarei se foi correta ou não, isto fica a cargo dela.
Agora, o que posso expor é minha surpresa. À medida que o tempo vai passando o acumulo de experiência – nome dado aos nossos erros – me permite ter uma visão diferenciada, que para alguns pode beirar a fronteira da hipocrisia.
Observar as pessoas é uma das coisas que melhor faço, é difícil algo passar sem que eu note, e por isso percebo a quantidade enorme de pessoas que voluntariamente se tornam escravas do dinheiro. Ter dinheiro no bolso é bom, receber um salário digno que possibilite determinados confortos é gratificante, conseguir viajar nas férias é desestressante, poder realizar cursos de extensão é um up na carreira, enfim, o ser humano, em maior ou menor escala é vaidoso, possui suas necessidades e tenta supri-las. Perfeito! O problema é o preço que pagamos. Focamos tanto nas situações transitórias que perdemos o real foco do que importa na vida.
Engoli tanto sapo – como dizem por ai – agüentei colegas de caráter duvidoso, chefes prepotentes e arrogantes, tudo em nome do dinheiro, que hoje infelizmente me tornei um escravo dele. Por saber o quanto é terrível ficar de mãos atadas é que tenho uma frustração enorme ao ver outras pessoas percorrendo o mesmo caminho. Perdem sua saúde, sua paz, vendem a alma e o corpo, tornam-se insensíveis, frios e até mesmo estranhos, tudo em nome da necessidade do mais e mais!
A História mostra que sempre houve aquele escravo mais rebelde, e talvez, eu seja um deles, porque me considero uma minoria dentro deste contexto, um inconseqüente, por que ainda valorizo o eterno. Tenho ciência da transitoriedade da carreira, da efemeridade do emprego na firma e talvez por isso saiba que um dia abrirei mão do que recebo, porque não sou funcionário de uma grande empresa, eu estou!
E por isso não vejo problema algum em priorizar minha família, de ficar acordado até o silêncio tomar conta da noite, pensando em como fazer com o que as pessoas com que me importo sejam felizes, que conquistem tudo o que desejaram sem ter que pagar o mesmo preço que eu. Vejo que já fiz tanta burrada nestas três décadas e tenho certeza que continuarei fazendo pelos próximos anos, não por falta de comprometimento, termo que os pseudo-novos administradores amam utilizar, mas porque sou humano e não me esqueço disto, porque tenho coragem de dizer o que pessoas mais ponderadas pensariam três vezes para fazer o mesmo, porque não tenho medo de começar novamente quantas vezes forem necessárias, porque sei que não sou dono de ninguém e a recíproca é verdadeira, porque sei que a vida é arriscar, mas principalmente, porque tenho onde aportar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário