Nada foi tão comentado nos últimos dias, que a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal do reconhecimento das uniões homo-afetivas. Convicto heterossexual, esta decisão nada modificou minha vida, tudo continua como era antes, mas, para outros tantos homens e mulheres antes marginalizados, a esperança de passar a ser tratados civilmente como qualquer ser humano normal!
Só que nesta noite, enquanto bisbilhotava as atualizações de meus amigos nas redes sociais, verifiquei que uma pessoa estava apoiando uma comunidade contra o casamento homossexual. Fiquei muito desiludido, primeiro por ela ser uma pessoa cristã, julguei erroneamente que o amor vivia em seu coração e, portanto, quem tem amor no coração compreende as razões que o próprio amor desconhece, sabe as loucuras que as pessoas cometem os excessos e exageros já cantados por Cazuza, notório poeta homossexual – exagerado, jogado aos teus pés eu sou mesmo exagerado, adoro um amor inventado! Segundo pela descrição da comunidade que dizia não ser contra os irmãos homossexuais, mas contra a união, porque presenciaríamos atos libidinosos em público seria uma ofensa a honra da família tradicional, uma ofensa à honra e aos bons costumes de uma sociedade de respeito.
Posicionar-se contra, é um direito, mas não seja ignorante e preconceituoso. Ambos nascem da falta de conhecimento. A História Mundial está repleta de exemplos de sociedades e grandes Impérios que aceitavam e estimulavam a homossexualidade, independente desta ser uma questão genética, alma de um sexo ligada a corpo de outro ou apenas preferência carnal. Creio, com toda minha ignorância na teologia, que Jesus, o exemplo de amor e bondade da humanidade, não compactuaria dessa opinião preconceituosa; bom, pelo menos o Jesus em que acredito esse Cara não os negaria em sua casa, mas a questão mais profunda é a forma como os setores mais radicais se posicionam.
Não sejamos hipócritas, é lógico que as pessoas ainda sentem um impacto negativo de ver um casal de mesmo sexo andando de mãos dadas nas ruas, nos corredores do shopping, mas convivem numa boa com eles nos escritórios, nas salas de aula, na família. Agora, como classificar a nossa sociedade de respeito, se os políticos desviam verba da merenda das escolas públicas? Se os envolvidos nos crimes de colarinho branco não vão presos, se as pessoas ainda morrem na fila do SUS? Acaso quem comete estes deslizes, declara sua orientação sexual? Eles não ofendem muito mais a honra da família tradicional brasileira?
Quando vemos jovens nas saídas das escolas praticamente mantendo intercurso carnal vestidos à luz do dia, quando estão realizando exames de endoscopia com suas línguas nas traquéias dos parceiros ou estão com as mãos enfiadas nos bolsos traseiros de seus parceiros em total “arreto”, não estão eles praticando atos libidinosos?
Meus amigos deixemos as pessoas decidirem seu futuro, o que é melhor para elas. Se o Adão quer amar o Paulão, que ame! Se a Eva deseja beijar toda noite a Ema que beije! O amor foi feito para ser vivido em sua plenitude e essência, independente em que frasco se apresente.
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