Minha humilde, mas sincera homenagem a estas inesquecíveis e únicas pessoas em minha vida!
Bate de forma escandalosa o despertador
Está na hora de acordar, lavar-se e tomar café
No dia anterior não havia se sentido bem,
Teve tonturas, dor de cabela e enjôo
Olha pela janela da cozinha
Já vê os primeiros raios de sol
Aumentando ainda mais a sua ansiedade
Lamenta apenas não ter tido mais tempo no domingo,
Viajou para o interior, para visitar os tios que não via há tempos,
Aqueles mesmos que o paparicavam com doces
Moravam em uma cidadezinha distante, daquelas que
Ainda podia-se ouvir o canto dos sabiás e bem-te-vis
Relutou muito em aceitar o convite dos "velhos". Mas
Insistiram e pediram tanto a sua companhia, que
Assim, resolveu ir, afinal de contas, o ar do interior, sabia ele
Deveria lhe fazer algum bem. Todos sempre proferiram
As melhores palavras sobre os benefícios daquelas paragens.
Sabia-se um homem da cidade grande, e sendo assim
Gravara alguns poucos nomes, mas lembrava-se dos
Riachos que lhe serviram tantas vezes de banheira,
As pescarias com os outros moleques, das
Caçadas de pombinhas rolas, que ele, experiente,
Assava no fogo de chão, as laranjas e tangerinas
Surrupiadas dos pomares espalhados pela região.
Mas tudo ficou guardado ou perdido, não sabia, em
Algum lugar entre os seus áureos anos
Restam apenas as lembranças. Hoje é um homem da cidade grande!
Irritado, estressado, angustiado, separado e pai de três filhas:
Ana tem 10 anos e faz ballet, Carolina tem 15 e gosta de poesia,
Danielle com seus 17 anos é a mais parecida com ele.
Está agora, sozinho dentro do carro que corta rápido as vias,
Lembra, enquanto seus olhos passeiam entre as plantações e pastos,
O doce de figo que a tia fazia. Horam em frente do
Unico fogão de lenha que tinha visto em sua vida,
Ri um sorriso bobo, quando vem a sua memória as expedições com os primos
Dentro do pequeno bosque em busca d elenha! Chega ao seu destino,
Essa é a casa, tinha certeza disso. Estava desbotada, mas
Sim, era ela! As paredes com o mesmo azul e o marrom das aberturas.
Meteu a mão no portão, não podia acreditar, estava tudo como antes,
As mesmas rosas, as mesmas árvores e se não fosse impossível, o mesmo
Ruído do balanço no fundo daquele pátio! Estava de volta!
Insistiu em esfregar os olhos, aquele cusco seria o "lerdo"? Não era.
Aquele era outro, mas veio até ele com o mesmo jeito do antigo cão.
Da soleira da porta, chamou-o seu tio, a mesma cabeça branca,
Olhos fundos e grandes "Tonho, meu filho, que bom que veio"
Carregava em seu peito uma sensação que estava enterrada,
As lágrimas começaram a correr e molhar a terra seca,
Resistira tanto em fazer aquela viagem e agora sentia-se
Muito vivo, aquelas horas, pedia que fossem eternas, tinha encontrado
Outra vez seu caminho. Abraçou os tios e viu em cima da mesa o doce de figo!
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