domingo, 9 de agosto de 2009

Diavagações Insanas

Seria eu um anjo se apenas de bons pensamentos alimentasse meu pensar?
Se procede essa definição, o que seria eu quando olho em tua direção
desejando despir-te no meio da rua e entregar-me aos desejos da carne?
Ou seria eu diabo quando espraguejo contra quem em meu pé pisa?

Engraçado - diria o Barão se a ele fosse concedido o dom da fala -
Como se apegam a detalhes infundados os pensadores de hoje
Se até mesmo as abelhas possuem consciência do papel na sociedade estabelecida,
Porque perdemos tempo na vã tentativa de encontrar definições e verdades?

Admirável é o novo mundo que se descerra frente a nós,
Onde existem muitas verdades e apenas uma mentira.
O local imaculado e profano onde os Deuses brincam com seus bonecos prediletos,
Mostrando que sempre, invariavelmente, existem três formas de executarmos o que desejam:
A maneira certa, a errada e a do jeito deles!

Peculiar entretenimento, gado novo, cordeiros de Deus,
Imolados, não para pagamento dos pecados, mas pela necessidade instintiva e animal
De impor com força o que as palavras inutilmente tentaram, tentam e tentarão por séculos!

Quando as flores brotam do solo fértil, nos regozijamos em alegria,
Damos a elas o tratamento dispensado às realezas, mas, sem em nossa porta bate
Alguém com a mão estendida, rosto marcado pedindo o pão, o escárnio toma nossas feições.
Enxotamos o coitado, independente de sua cor, credo, sexo, da forma que expulsamos moscas.

Crer em que - perguntam-se os andarilhos e mendigos, se a ele passamos a idéia
de não serem mais do que estorvo e lixo nas vias das selvas de pedra.
Entregues ao destino cruel, entre um gole e outro de aguardente,
Contam os dias que tentam adivinhar, na busca e esperança de algum momento,
Abraçados pelo consolador eterno, sejam elevados a condição de fiés escudeiros da bondade.

Serão - disse certa vez um cabeludo, considerado pelos seus como louco e perturbador -
as vozes dos oprimidos escutadas com muita paciência e atenção pelo grande Pai.
Temo que não tenhamos tempo suficiente para ajudar a tantos irmãos,
Alimentar tantas bocas e abraçar tantas mães aflitas que choram pela sorte de seus filhos,
perdidos entre os becos escuros, fétidos, repletos de pragas,
Drogados e prostituídos pelas mazelas soltas no pátio do mundo.

Deixo a ti, leitor meu
Decidir o que esse pobre que vos escreve é
Não cabe a mim ser juiz dos pensamentos,
Tão poucos seus, como meus!

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