A quem ler...
Fiquei pensando muito antes de poder te escrever. Sempre tive comigo que só devemos colocar no papel ou falar ao vento palavras que valham mais do que ouro. Não podemos e tã pouco devemos nos tornar apenas distribuidores de palavras sem sentido, tolas, bobas como também, não devemos ser portadores de maus presságios. Explicar o inexplicável é uma perda de tempo, é chover no molhado, queimar pólvora em chimango e outros tantos ditos populares.
Tentei relembrar quando foi que baixei minhas guardas, quando permiti-me olhar para o lado e não encontrei uma resposta plausível e por isso, resolvi te deixar com um pouco de mim. Este que vos escreve sempre prensou que o grande combustivel na vida do ser humano é o amor. Não concordo com aqueles que dizem de forma racional que a grande força motriz é a conquista de melhor colocação profissional, posição social, dinheiro ou felicidade. Não. O que nos move, o que nos impulsiona a querer ser sempre melhor, evoluir é o amor! O amor este sentimento que não pode e nem deve ser definido, porque cada um possui a sua definição. E pensando assim, sempre o busquei em todas as formas; nas minhas amizades, nos meus relacionamentos, na minha visão de mundo. Os ultimos cinco anos, tem sido os mais conturbados de minha vida, talvez por já ser "taludinho" e perceber a correria e a rotina com olhos mais críticos, talvez por tornar-me cada vez mais exigente, não sei. A única coisa da que sou possuidor de certeza é que preciso estar amando! Sempre, cada dia mais e mais! E por saber que o amor nos faz suspirar fundo e também nos machuca, acabo amando sem medidas, de forma intensa.
Quando mais jovem perguntava e questionava-me demais sobre as coisas do mundo, mas percebi que era perda de tempo. Os minutos passam rápidos demais, a felicidade esta eterna busca, são átimos de segundo, vivemos o hoje baseado no ontem e com um medo patalógico do futuro. Baseamos nossas decisões muito mais na crítica que a sociedade irá fazer do que propriamente em conceitos que formulamos e trazemos latentes em nosso "pensar". A grande realidade é que vivemos para os outros e assim vamos reprimindo nossas vontades, desejos, necessidades. É como se a escravidão não tivesse sido abolida em 1888. Hoje somos escravos dos outros, vivemos pelos outros, realizamos as fantasias dos outros, não falamos palavrão pra não chocar os outros, está certo? está errado? Não sei te dizer, cada um norteia sua vida da forma que acha mais condizente com os padrões emocionais e comportamentais.
Sei somente que a vida é curta, que não devemos viver uma existência morna, aquela coisa sem graça que não é fria e nem quente, que não queima e nem refresca. Sei que somos animais em pele de cordeiro, que ainda trazem inatos os desejos mais frivolos, mas fazer o que se nossa essência é esta? Nega-la é como negar a existência do ar, a existência da água e do fogo! A grande realidade é esta, somos seres "vadios". Nossos sentimentos são voláteis, mas não volúveis. São inconstantes. A mente humana faz com que alguns desejem morar em dois, tres, quatro corações ao mesmo tempo. Como é possível tal aberração? Seria esta, pergunto-te agora, uma aberração da natureza? Quem poderá nos dizer? ninguém!
Viver exige esforço, não é como uma receita de bolo que a pessoa simplesmente segue e o resultado apos 30 minutos de forno será um alimento douradinho. Não! Viver são encontros e desencontros, são tentações soltas no mundo, são certezas, dogmas, incertezas, verdades e mentiras, sonhos e pesadelos, chegadas e partidas, é feito de saudades e arrependimentos, de alegrias e tristezas. Viver é tão complexo quanto a arte de amar que falava no inicio.
Amar, é estar na constante busca daquele par de olhos, bocas e mãos que nos conduzirão ao Nirvana, a realização plena, embora ninguém possa faze-lo se não tiver em si esta tal semente chamada amor. Dia desses escutei que tudo o que há de bom e de mal reside dentro de nós, e é estranho perceber isso. Somo sim donos de nossos destinos, donos de nossas ações, podemos sim conquistar vastos territórios é só desejarmos, querermos, lutarmos, corrermos atrás, mas quando trata-se deste abominável, desprezivel e nojento amor, parodiando tangos e tragédias, ficamos tal crianças sem saber ao certo como agir, sem saber o que fazer, para onde ir, enfim, ficamos perdidos, soltos na ilha deserta, cercada de um mar de questionamentos munidos apenas de uma bússola que parecendo quebrada aponta na única direção que não enxergamos ou procuramos seguir, por medo de arrependimento, nossa razão.
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