O sol iluminava a sala sóbria da casa de meus avós. Naqueles metros quadrados não foram poucas as vezes que nos encontramos para escutar as teclas do piano serem dedilhadas por Cecília.
Dona de seus encantos e de pele bronzeada na exata medida entre a santidade e a luxúria, movia os dedos com maestria infinita, permitindo nascer em cada ser, a reação pertinente aos estados de espírito.
Invariavelmente fechava meus olhos enquanto balançava o cálice com Malbec e imaginava Fernanda, com seus cabelos negros e desalinhados, dançando com a jovialidade de quem apenas se preocupa com a marcação da música, acompanhada de olhar faminto de vida que trás em seu rosto.
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