Marcamos de nos encontrar naquele café que nunca frequentamos, na rua calma e serena desconhecida, mas que sabíamos como chegar.
Você ligou, disse que já estava lá, sentada no mesmo lugar em que havia pego em sua mão. O ambiente continuava o mesmo, nada mudara, os mesmos seis atendentes para as trinta mesas.
Cheguei e nada de ti. Pedi o chocolate frio e um pedaço de pizza de pão. Enquanto aprontavam, circulei pelo salão. Algumas mesas ocupadas por famílias de crianças ruidosas, outras tinham senhorinhas tomando o chá de camomila ou menta.
Vejo uma porta ao fundo do café. Estilo clássica, de um marrom vivo, a maçaneta prateada recebe o abraço de minha mão. Abro e se descortina um infinito de corredores e livros.
Estupefado, não percebo que você chega. Trás o sorriso lindo de sempre no rosto e com um toque de timidez fala - então, estou aqui, eu te disse que... Não deixo a frase acabar.
Rápido, aproveitando o sonho misturado com a realidade, te junto ao meu corpo, mão direita encaixa em tua nuca, os fios de cabelo pretos escapam por entre os dedos e te beijo.
Aquele beijo esperado, desejado que só em sonhos acontece. Uma oposição de sensações, leve e intenso, vagaroso mas rápido, interminável porém finito.
Digo para sairmos dali. Quero apenas olhar para teu rosto sem nenhum tipo de distração. Pergunta sobre nosso pedido no café que a esta hora já deve estar pronto. Que o preparem para viagem.
Proponho que façamos uma pequena viagem até a Serra. Existe aquele parque das flores prateadas que só florescem quando por elas as pessoas passam. É lindo! Procuro tua mão e ela está fria, diz que é normal ao sentir nervosismo.
Vamos para o carro e alarme desperta. Acordo indesejadamente com vontade de voltar aos domínios de Morfeu onde te deixei escutando Bee Gees no momento exato que iria confirmar. O que? Eu não sei!
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