Há o trecho de uma musica que diz mais ou menos assim - um dia frio, um bom lugar pra ler um livro, e o pensamento lá em você, eu sem você não vivo. Ah estas declarações escancaradas em letras musicais. Invejo quem consegue traduzir sentimento em palavras e estás em música. Invadem a vida das pessoas e as mudam de forma incontestável.
Porém, sou apenas um escritor ainda não descoberto pelas grandes editoras que publicam livros em centenas de idiomas. Chegará por certo minha vez, mas enquanto não, vou criando e reproduzindo meu mundo.
Retrato minhas personagens na esperança de chegar o dia fatídico e inadiável em que passarão a me indagar quem são elas. Serão pessoas de verdade? Alguma invenção estilo Frankstein?
Poderei responder de forma solene que aquele conto ou poema retratava uma paixão platônica, uma colega de banco escolar, um colega chato, um vizinho barulhento, uma companheira, algum parente pernóstico, uma amante inesquecível.
Ainda sonho com o dia que ao passar os olhos sobre as linhas mal traçadas, o jornalista conceituado que me entrevista pergunte de forma direta - e está aqui que aparece tantas vezes, qual a identidade dela?
Serão dois ou três segundos de pausa, o que para a tv ou rádio são uma eternidade até que eu limpe a garganta e diga...
"É interessante você perguntar justamente por ela. Uma amiga inspiradora, dizia que não sabia escrever direito mas derrubou com um agradecimento singelo, um belo soco de direita, sabe? Eu sempre suspeitei que naquela alma havia uma alma profundamente poética. Ela tinha uma presença forte, incomparável!"
Prosseguiria eu no rasgar de elogios e lembranças - "houve certa vez em que ela apareceu em minha frente, um vestido cinza de malha que salientava a perfeição do corpo bem proporcional. Fiquei embasbacado, sem saber o que dizer para não parecer mais tolo e tão pouco ficar mirando seu olhos amendoados repousados no rosto belo e pueril, só me restou pegar na mão enquanto ela sorria. Três beijos foram suficientes para ter a vontade de lhe transportar para uma ilha deserta. Me apresentou a amiga que não guardei o nome e tão pouco a fisionomia! Ah, aquela pequena era encantadora. Depois partiu com seu balançar, me deixando no peito uma vontade enorme de lhe acompanhar na noite da capital".
Fecho os olhos, me transporto para o banco de dados central. Resgato aquelas lembranças boas de ti, coisas que só eu tenho e me são caras. Sorrio, sem motivo claro, suspiro e fico feliz de você existir aqui, por esse encantamento que jogou, por ser inspiração e dentro dela se guarda tanto! E se um dia tivesse que definir em um única palavra o que representa, eu diria PRESENÇA!
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