Ontem constatei que minha relação com fechaduras anda extremamente desgastada. É sério! Nada conseguirá explicar de forma plausível os fatos que ocorreram. Chego a acreditar em minha mania de conspiração universal que as chaves e fechaduras desenvolveram um plano diabólico para atacar-me.
Foi a chave do carro que enredou-se em uma costura do bolso da calça arrebentando a corrente do chaveiro, sequencialmente, o porta malas que recusou-se a abrir, fosse com o acionamento elétrico ou com a chave.
Breve visita ao Chaveiro de confiança, problema constatado, parecer emitido, momentaneamente resolvido e gasto futuro no horizonte. O ponto positivo foi a não cobrança do serviço. Pensei que a sorte voltava a me visitar, desejei que ela fizesse uma demorada estadia, porém, não esqueçam, existe o complô das fechaduras!
Cheguei em casa após enfrentar uma tarde do calor escaldante de Porto Alegre, desejando apenas duas coisas - ducha e água, ambas geladas. E o que aconteceu? Exatamente isso, a chave não entrou de maneira alguma na fechadura. Tentei um rápido exorcismo na porta sem obter sucesso, depois verifiquei que havia necessidade de água beatificada e eu só possuía o suor oriundo de glândulas sudoríficas.
Resultado, depois de desabafar e xingar dez gerações da fechadura, liguei para o Chaveiro que havia resolvido o problema do carro horas antes. É fantástico observar a facilidade como o profissional consegue destrancar uma porta que estava chaveada em questão de pouco mais de dois minutos. Inseri uma chave fina, depois uma mais grossa, volta pra fina, outra fina e está lá, mais uma porta aberta!
Trabalho rápido que custou a minha carteira mais de meia dúzia de Reais. Alguém pode pensar que o valor é exorbitante. Poderia até ser pelo tempo do trabalho executado, mas extremamente barato pela simples fato dele saber de forma cirúrgica como realizá-lo. Independente, não entrarei no mérito da relação valor do serviço versus tempo de execução. Para minhas necessidades daquele momento o valor foi uma bagatela.
Fiquei pensando naqueles devaneios que surgem somente em dias quentes - imaginem se fosse o responsável pelas chaves do Paraíso e as fechaduras celestiais inventassem de travar. Aquela longa fila de seres angelicais desejando pisar nas nuvens de algodão e encontrar os amigos de infância, ficando cada vez mais impaciente com a incapacidade de escancarar os portões divinos. Talvez ocorresse uma nova revolução angelical, mais anjos caídos, uma super população invadindo os domínios de Hades por blasfemar contra a manutenção dispensada a entrada do Jardim do Éden.
Analisando friamente, cheguei a rir, petulância a minha achar que minha alma ao final de sua jornada terrena vai ao Paraíso, pegará o Trans-Infernal direto para locais mais frescos que Porto Alegre no verão, onde encontrei quase a totalidade de meus amigos. Não porque sejamos maus, mas porque somos simplesmente humanos perfeitamente imperfeitos que são expostos as mais diversas provações, igual a mim, no terrível plano das fechaduras.
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