quinta-feira, 31 de março de 2011

A Pequena Manami


Todos os escritores, sejam eles profissionais e conceituados ou amadores e desconhecidos iguais a mim, possuem formas diferentes de criação. Busco minha inspiração geralmente na música, sou um dos poucos que conseguem escrever sobre amor e plenitude escutando AC/DC, Iron Maiden ou Ozzy Osbourne. Nestes últimos dias, tenho variado, busco imagens e fotos que possam expressar mais do que a mensagem contida em uma legenda. Hoje em meio a esta busca, fui surpreendido com uma matéria veiculada no site da Globo sobre o terremoto seguido por tsunami ocorrido no inicio de março no Japão, na verdade são duas fotos que merecem total admiração e reflexão.

A fotografia de Yomiuri Shimbun / AP mostra uma japonesinha de 04 anos, Manami Kon, que usando caracteres “hiragana” que acabara de aprender escreve uma carta para a mãe desaparecida após a tragédia do dia 11 de Março; “Querida mãe. Espero que você esteja viva. Você está bem?”, diz a mensagem.

A inocência da pequena, apesar de todo o trauma sofrido ainda não foi perdida. Olhei por minutos aquele pedaço de História imortalizado na foto, a mãozinha gordinha de uma criança segurando o lápis com determinação, os lábios recostados sobre a outra mão, um olhar compenetrado analisando cada caractere desenhado, na forma que ela possui para se comunicar com o anjo que Deus a confiou.

Na segunda foto, a menina está sentada numa pedra, olhando o mar, com toda a região onde vivia servindo como plano de fundo e logicamente, devastada.

A mãe voltará? Para os céticos que não crêem em milagres a resposta é não. A lógica diz que os pais e o restante da família desta pequena não vivem mais; em contra partida, todos os que acreditam tem certeza que é uma questão de tempo para que esta família volte a estar unida, reconstruindo a vida. Confesso que em uma hora dessas não sei no que pensar.

Fiquei imaginando o que se passa na cabecinha de Manami, como ela se sente estando sozinha neste mundo que já está se mostrando injusto. Que maldade esta pequena criaturinha pode ter feito neste curto período para ter que enfrentar tal dificuldade?

Ah meus amigos, por mais que eu venha escrever, não conseguirei expressar a dor, o aperto no coração que sinto tudo o que imagino e desejo para esta pequena, por isso paro aqui, palavras se tornaram insuficientes.



terça-feira, 29 de março de 2011

Escreva cartas ridículas

Hoje não estou me importando com nada, mesmo com as primeiras noites de outono solapando minha paz, portanto irei furtar as emoções de outrem, para fazer de palavras tão bem elaboradas as minhas.

O Poeta luso, que nada possuía de bobo, Fernando Pessoa já disse que ”toda carta de amor é ridícula e não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor – prossegue – como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas. Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas... A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas”.

Tantas manhãs, tardes e noites em que fui ridículo! Entreguei meu coração para moradia independente do tempo que pretendiam nele residir. Fui ridículo na medida certa, nem mais e nem menos. Apenas o fui, sem temores, sem porquês. Em mim sempre residiu esse tenebroso vírus chamado paixão, que desencadeia uma doença sem cura, devastadora chamada Amor. Nunca fiz questão de buscar tratamento que aliviasse os sintomas, melhor viver a intensidade de uma tempestade do que a mesmice de uma garoa incessante! Certo que não tive todas as mulheres que amei, mas todas que me amaram verdadeiramente, estas me tiveram, me desvendaram e traduziram, souberam lapidar e tirar o que havia de melhor.

Assim, igual a Vinicius de Moraes – “eu amei, eu amei, ai de mim, muito mais do que devia amar, e chorei ao sentir que iria sofrer e me desesperar. Foi então que da minha infinita tristeza, aconteceu você. Encontrei em você a razão de viver, e de amar em paz e não sofrer mais, nunca mais, porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.

Em uma noite de outono semelhante a esta, em que arrumava a moradia há pouco tempo abandonada, ela apareceu e tal acontecera com Vinicius, encontrei novamente o caminho a ser trilhado e jurei não esquecer um instante sequer o sorriso das onze horas noturnas, e decidi, depois de tanto refletir, voltar a ser ridículo. Declarar sem medo de interpretações o amor que nascia! E percebi, mesmo a contragosto que apesar de infectado há tanto tempo, por espécies diferentes de vírus, nada entendia daquele amor que se apresentava.

Foi assim, que nas andanças solitárias nas ruas desta Capital, tentando encontrar em meu intimo algo que esclarecesse, escutei uma canção capaz de ampliar minha percepção. A melodia acompanhada daqueles acordes dizia “essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos, traduzidos em palavras, pra que você possa entender, o que eu também não entendo. Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém, é poder ser você mesmo e não precisar fingir, é tentar esquecer e não conseguir fugir... sei que nunca fui perfeito, mas por você eu posso ser até eu mesmo que você vai entender... se isso não é amor, o que mais pode ser, to aprendendo também”.

Meu íntimo já sabia a resposta, era necessário saltar sem pára-quedas. Arejar minha moradia, buscar a pena e as folhas, voltar a escrever ridículas cartas de amor, ligar ao amanhecer, receber ligações na madrugada, beijar e sonhar, amar e acordar e naquele momento, naquela exata fração de segundo lembrei Jobim & Moraes

“Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar, a cada despedida eu vou te amar, desesperadamente eu sei que vou te amar e cada verso meu será pra te dizer, que eu sei que vou te amar por toda a minha vida. Eu sei que vou chorar, a cada ausência tua eu vou chorar, mas cada volta tua há de apagar o que essa tua ausência me causou. Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver à espera de viver ao lado teu por toda a minha vida”.

Assim é o amor, uma doce doença sem fim, da qual, infectado por ti, não busco e nem cogito me livrar.

Meu Inesquecível Luar, Eu Necessito Amar-te

quarta-feira, 23 de março de 2011

Putas quem são? O que fazem? Onde encontrá-las?

Em uma das tantas noites em que flerto com meus pensamentos acompanhado de uma taça de vinho pensei sobre a descriminação que determinadas mulheres sofrem, as chamadas putas. Para os mais desinformados, de acordo com Arnóbio de Sica, orador latino morto em 330 d.C, na mitologia romana Puta era uma deusa menor da agricultura que presidia a poda das árvores. Algumas versões afirmam que etimologicamente o seu nome viria do latim e significaria literalmente “poda”. Os romanos realizavam festivais por toda e qualquer situação e não haveria de ser diferente com esta deusa. Os festivais celebravam a poda das árvores e durante estes dias, as sacerdotisas manifestavam todo seu agrado em um bacanal sagrado, o que explicaria o significado do termo puta e suas variações nos países de origem latina.

Hoje, podemos dizer que as putas são mulheres que exercem a prostituição, profissão considerada como uma das mais antigas da Humanidade, extremamente respeitada na cultura Greco-Romana e inclusive gozando da amizade pura e sincera de Jesus Cristo na pessoa de Maria de Magdala. Alguns afirmam que essas mulheres fazem favores sexuais em troca de dinheiro. O Wikipedia diz que a prostituição é a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afetivos ou prazer, consistida geralmente como uma relação onde a troca exclusiva entre sexo e dinheiro não seja regra, porque os favores sexuais podem ser trocados por favorecimento profissional, bens materiais, por informação, completando que, a prostituição é reprovada em diversas sociedades por ser contra a moral dominante, disseminação de DST, por causa do adultério e pelo impacto negativo que poderá causar nas estruturas familiares, embora nem todos os clientes sejam casados.

Fácil, não? Acho que não.

Tenho uma visão muito própria, discordo quando dizem ser esta uma forma fácil de ganhar dinheiro, a menina fica ali disponível por determinado período de tempo e recebe uma bela remuneração, que pode variar de uma centena de Reais até uma quantidade “x”. Algumas realmente gostam do oficio, mas outras o fazem porque precisam sustentar filhos, porque estão pagando seus estudos e no futuro terão carreiras brilhantes e respeitáveis pela sociedade e apagarão este período de suas vidas. Agüentam clientes agressivos, sujos, ignorantes, enfim, é uma roleta viva de seres humanos, não saber quem são e nem como encontrarão seus clientes. Não considero, portanto que seja fácil, alguém dar liberdade a um estranho de forma natural. Acho que vivi na Roma Antiga e por crer em reencarnação traga em mim um respeito e admiração a estas fortes mulheres.

Tantos são os que viram o rosto à elas, olham com desdenhem e comentam instintivamente pelas suas costas, mas me digam, qual a diferença entre elas e as mulheres casadas que se deitam com outros homens? Qual a diferença entre elas e as mulheres solteiras que se entregam a um homem diferente a cada dia? Acaso não lemos que a prostituição é causadora do adultério e pelo impacto negativo que causará no núcleo familiar? E a disseminação das DST pelas relações casuais a cada ciclo de 24 ou 48 horas? Há alguma diferença?

Para ilustrar meu pensamento, divido com vocês estes exemplos:

Conheci uma mulher casada, acima de qualquer suspeita que fazia questão de mostrar a grossa aliança de ouro no dedo anelar esquerdo, fotos do devotado esposo, que fechava o cenho quando escutava qualquer brincadeira ou elogio, que bradava o quanto amava o marido, que não gostava de ser vista na companhia de outros homens, que os classificava como tarados e devassos, mas que após o horário de trabalho se enroscava em sua sala com o estagiário do escritório.

Outra moça, filha de uma família de classe A era conhecida por realizar práticas sexuais pouco usuais e consideradas tabu, inclusive em sua despedida de solteira – sim ela fez um bacanal igual aos romanos, porque fizera jogo duro com o pobre noivo que a considerava imaculada e intocada, e assim ela queria que pensasse até a noite de núpcias.

Uma ex-vizinha, respeitada profissional do mercado financeiro era uma devoradora de homens. Em seus vibrantes vinte e poucos anos, foi capaz de causar inveja a Dama das Camélias, tamanha a rotatividade noturna em sua cama de ferro, que insistia em deixar os parafusos frouxos, para que na madrugada houvesse um ranger insistente que me deixava várias noites insone.

Creio que não exista diferença. Todas são mulheres que buscam a satisfação de seus desejos e instintos sexuais, independente como. A sociedade está mais liberal ou libertina, não sei, o que importa é que algumas unem o útil ao agradável na equação sexo = dinheiro, outras não se importam se poderão machucar emocionalmente terceiras, outro grupo está se lixando para a possibilidade de infectar e se infectar. E antes que alguma leitora mais exalta que tenha experimentado e aprovado o chapéu queira me esfolar, não estou fazendo nenhum tipo de apologia, apenas sugiro que antes de apontarmos o dedo para classificar alguém, façamos uma análise critica, não faremos as mesmas coisas e encontraremos desculpas para nossos atos?

O Oceano é Infinito

Porque devo te procurar a cada amanhecer, se todas as vezes que me enamorei, em que busquei em teu seio amor, escutei o vazio da noite sibilando ao longe sons imperceptíveis que nada me faziam lembrar de ti? Acaso devería chorar por sonhos plantados em terreno infértil, cultivados com sombras e destempero? Acompanhado da letargia dos minutos que escorrem por dedos marcados com sinais da vida, permaneço na ansiedade nunca antes vista, sem saber qual bússula utilizar a correta onde me afasto ou a quebrada, infeliz recordação que me arrasta ao fundo do oceano, lugar onde jaz o amor que um dia julguei sentir.

Tarde

Muitas vezes em tardes monótonas como esta, a única coisa certa a fazer é se desligar do mundo. Criar uma espécie de redoma, onde ninguem possa te ver ou contrariar, mas que te possibilite ter dominio pleno de tudo ao redor. São tardes iguais a esta, que portam noticiais incômodas, constatações tão antigas, apresentam novas verdades modificando de forma permanente o pensamento antes tão adequado. Nestes momentos, o que muitos desejam é ter um par de braços para se atirar, olhos para lhe enfeitiçar, um colo pra deitar, uma boca pra beijar, ouvidos pra escutar, um corpo e uma alma para amar. Não que todos sejam iguais ou que todos sejam diferentes em buscar semelhante saciar de desejos, classifico como únicos. Importantes, imponentes, consistentes e fortes, mas de que adianta julgar assim aos outros, se em nós, estes termos fazem eco? Isso que esperei encontrar, mas, ao contrário, nesta monótona tarde descobri bem debaixo de meu nariz o quanto me perdi....

Záz Tráz

Ali se encontrava uma mulher sem medo de viver,
Não poderiam dizer algo diferente dela – pensava assim!
Dia após dia, intercalando os sonhos com a realidade,
Rezava com toda a suavidade de sua alma,
Esperando que as palavras fossem capazes,
Inclusive de mostrar-lhe o que jurava ter perdido.
Almejava coisas tão simples, valorosas em seu viver;

Gostava desde menina de observar as nuvens
Olhando os gigantes pedaços de algodão viajando
No céu infinito, com o fundo azul de tela,
Záz Traz – gritava alto, e surgia nele o que pensava.
Apareciam coelhos e flores, palhaços a brincar.
Listava cada imagem em sua cadernetinha vermelha.
Escrevendo junto os sonhos próprios de infância.
Záz Traz – essas sempre foram suas palavras mágicas!

Naquela noite, algo lhe fizera lembra-las,
Unicamente por sentir-se feliz igual à menininha,
Não sabia onde desembarcaria de seu sonho,
E até aquele momento fazia-se o menos importante;
Záz Traz – era a esperança que havia reencontrado!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Coisas da Idade

Uma das vantagens de se ir aumentando a contagem dos anos, é perceber de uma forma muito peculiar o mundo. Cada etapa da existência nos presenteia lentes próprias, da ingenuidade das tenras idades, passando pela malícia e sonhos até o momento em que deseja-se voltar a ter a ingenuidade da infância como companheira e guia.

Jaqueline


foto site da Globo

Quatro homens reunidos em uma mesa, só podem estar falando sobre dois assuntos; futebol e mulheres, não necessariamente nesta ordem e grau de importância. Podem até surgir pequenas variações, mas o modus operandi dos machos alfas soltos na cidade é este. Não citarei nomes, até para preservar a identidade dos amigos de arma, mas um dos comentários surgidos foi muito interessante e é lógico que se tornará polêmico, ou pelo menos, tentarei torna-lo aqui.
O Brasil inteiro tem parado e acompanhado de uma forma ou outra o BBB que apesar das criticas continua como líder de audiência. Uma parcela da população que acompanha o programa deve necessariamente ter prestado a atenção nos atributos físicos das “sisters” que estão em quarentena dentro do programa e não poderíamos nos furtar de trocar impressões sobre estas meninas que alegram os marmanjos nestes últimos tempos. Casualmente o site da Globo postou uma foto da ultima eliminada, a dançarina carioca Jaqueline como uma prévia do ensaio sensual do Paparazzo.
Observei por alguns minutos a plasticidade da foto, a luz que incidia sobre o copo de champagne repousado na pia que serve como suporte a uma peça de roupa intima preta com detalhes dourados, no reflexo da fotografa no fundo da imagem, o que provavelmente será apagado com o uso de photoshop e lógico, na fotografada. Não serei hipócrita, ela é uma mulher linda, corpo bem desenhado, malhado, cor do pecado, que faz o trânsito parar, inegavelmente desejada, agora pelos quatro cantos do Pais, etc, etc e etc. Comentei que não entendia como uma mulher daquelas havia passado incólume pela casa, que nenhum dos marmanjos havia chegado junto. A resposta que poderia ter sido baseada na dúvida sobre a sexualidade de alguns ou como estratégia do chamado jogo, surgiu como uma bomba inesperada. Um dos amigos fulminou:
“Não chegaram junto porque ela é negra cara. Se ela fosse loirinha e patricinha, os caras tinham brigado pra ficar com ela”.
Fiquei pensando, será que ainda somos tão cretinos a este ponto? Nossa sociedade por mais que se diga moderna e Cult ainda guarda resquícios de uma época que não deveria ter existido em nossa História. Quando passaremos a perceber as pessoas por sua índole e não pela quantidade de melanina que possuem ou pela opção sexual? Custou a cair a ficha e até agora torço para que a justificativa esteja equivoca, tomara que se descubra que os caros participantes eram míopes órfãos de seus óculos de grau 10, mas se não forem, que eles um dia consigam se perdoar por sua ignorância monumental.

Pimenta

Pimenta. Hoje falarei sobre elas. Para quem não sabe ou nunca se interessou em pesquisar, as pimentas e os pimentões pertencem à família Solanácea e ao gênero Capscium. A substância química que concede à pimenta a característica marcante de seu ardor chama-se capsaicina e possui propriedades medicinais comprovadas, sendo utilizada na cicatrização de ferimentos, antioxidante, controlando o colesterol entre outros benefícios clínicos, como liberação de endorfinas. Isso mesmo, as responsáveis pela sensação de bem-estar extremamente agradável e elevação do humor.
O consumo de pimenta, conforme sugere a introdução, é benéfica para a saúde de todos. Então porque geralmente as mulheres olham os homens nas mesas dos bares e entre um gole e outro os fulminam com seus olhares inquisidores dizendo entre dentes: “tem certeza que deseja me conhecer? Sou ardida igual pimenta. Um chocolate com pimenta. Muitas vezes minha mãe costuma dizer que sou ardida igual às pimentas malaguetas”.
Porque tentam nos afugentar comparando-se a um fruto que tantos benefícios trazem a vida do homem? Qual, responda-me, qual cidadão em pleno domínio de suas atividades mentais irá levantar da mesa e correrá pelos corredores do bar dizendo que na mesa 6 está sentada uma mulher-pimenta a se declarar desta forma a ele? Nenhum! Pelo menos por parte dos inteligentes. Estes olharão dentro daqueles olhos castanhos e deixarão o tempo correr.
Mulheres pimenta trazem em si uma mescla de sensações que nos possibilitam vivências bem particulares. Quando ela se compara a um chocolate com pimenta, devemos lembrar o sabor que nossas papilas gustativas percebem ao deixar um pedaço do doce desmanchar na língua. Essa lembrança fala por si. Aconselho a fazer o teste, será surpreendente!

Armando e suas dúvidas

Armando demorava a tomar atitudes drásticas, ponderava entre prós e contras, analisando cada cenário de uma situação, captava sinais quase sempre escancarados, mas que passavam despercebidos aos demais. Sempre se regozijava desta qualidade; era como se houvesse nascido para ser um observador e isto lhe proporcionava um prazer incomparável.
Sentado naquele banco sujo de uma praça mais vagabunda ainda, tentava encontrar em que ponto seu julgamento fora prejudicado. Por mais que tentasse, não descobria como fora envolvido em uma teia como aquela, a única certeza é que fizera muito bem em pular daquela situação para locais mais serenos.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Devaneios de Quinta-feira

Embora pareça um pensamento totalmente desconexo, a necessidade sistêmica busca encontrar alternativas que possibilitem a compreensão total do meio. A observação das personagens principais, expondo suas fraquezas mascaradas como fortalezas, permite concluir sobre a necessidade do aumento de timbre vocal, evocando um passado já distante, igualando-se a pré-história arcadiana, onde os homens escondiam-se sob sombras das cavernas, preocupados unicamente com a sobrevivência, não muito diferente dos dias atuais.

A Menina de Mármore

A Menina do Teto Solar resolveu partir. Conduzirá seus ais interrogatórios em outros ares, mais rarefeitos e de resultados desconhecidos. Não deixou substituta, era sabedora da impossibilidade de encontrar alguém a sua altura para serem capazes de desempenhar o mesmo papel na vida ladeada de vidros.
Talvez, ocorra da Menina-Mulher de Mármore que percorre os mesmos corredores, com uma altivez poucas vezes constatada aproximar-se dela, mas são remotas estas chances. Apesar de seu olhar a alguns ludibriar, a mim não consegue. Tão acostumado às coisas guardadas e escondidas, demonstra uma vontade de alçar vôos, deseja voltar ao tempo em que era apenas a menina dispensada de tomar decisões mais sérias. Perdida em um mundo com vários Senhores, alguns nos Céus e outros na Terra, desfila do alto dos seus saltos, achando-se imune as tristezas da vida. Carente por natureza, incompreendida ao querer desfrutar uma vida sem comentários maldosos e ao pensar que a devoro com meu olhar, equivoca-se uma vez mais, porque só tento ler as mensagens que teimosamente emite aos quatro cantos e ao não encontrar guarida em olhos menos treinados que os meus capazes justamente de admirar quem os julga desprovidos da confiança para estender-lhe a mão!

Diferenças

Somos todos assim.
Um pouco doces,
em medida incapaz de causar diabetes em alguém,
ardidos como pimenta,
afim de deixar registrada nossa marca,
suaves como brisas, intensos como ventanias,
consistentes como pedras,
surpreendentes e instáveis,
tal água dos oceanos,
É isto menina que nos difere!

761

Querendo um pouco mais de ti
nesta minha ânsia ineficaz
de possuir um pedaço maior
a cada dia que passa....
triste sonho, triste ilusão,
alicerçada com os pilares
de devaneios tão próprios de mim!!!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dona Tatiana

Atualmente artigo raro de ser encontrado é a educação. O chamado traquejo social, a utilização e o emprego correto de substantivos, verbos e principalmente de pronomes de tratamento ensinados em um passado remoto, dependendo da idade do ser em questão. Inegavelmente, Rosário Macieira era um destes exemplares raros, utilizava-os com uma maestria e desenvoltura que causavam admiração profunda, um impacto de crescente espanto ainda mais quando se tomava conhecimento de sua tenra idade. Fazia pouco tempo que jurara à Bandeira e ganhara o mundo com ânsia poucas vezes vista, mas sem esquecer principalmente dos famigerados pronomes de tratamento aprendidos na terceira série primária!
Lenda ou não, alguns afirmavam ter feito uma estatística e a cada cinco palavras de Rosário Macieira, duas eram um Senhor, Senhora, Seu, Senhorita, Dona Sinhô, Sinhá. Os desavisados teriam certeza de tratar-se de um lorde escocês em terras tupiniquins, sobre isto não havia dúvidas. Incapaz de proferir uma palavra de baixo calão sem corar, lavava a boca com sabão e se penitenciava quando isto ocorria. Gritava aos quatro cantos que aquela não era a sua educação, que aprendera a respeitar os outros e pedia milhões de desculpas.
Tudo se encaminhava na mais pura normalidade dos fatos; envolto por monitores, teclados, hd's e demais periféricos, Rosário não percebeu quando aquela morena fantástica parou em frente a seu balcão.
_ Oi - disse com voz lânguida - vou trabalhar na loja ao lado e queria me apresentar, sabe como é, política da boa vizinhança!
Rosário olhou por sobre seus óculos. Não podia acreditar no que via seus olhos o estavam traindo. Uma morena de 1,70 cm farto colo, lábios carnudos, semblante bonito e expressivo, dona de cintura fina e um largo quadril, era uma pintura! E estava ali, parada em sua frente, precisava ser rápido e inteligente, não podia fazer feio e balbuciou:
_ Ah... Rosário Macieira, seu eterno criado... Dona?
Dona? Ele falou Dona? Ela não acreditava naquilo! Ela devia ser no máximo cinco anos mais velha do que aquele rapaz e ele tinha o disparate de lhe chamar de Dona, com misto de surpresa e admiração completou a frase.
_ Tatiana
_ Dona Tatiana. Bem vinda!
_ Só Tatiana, por favor,
_ Ah, perdão Dona Tatiana, mas fui educado assim.
_ Tudo bem, mas é Tatiana.
_ Certo Dona Tatiana.
Sabendo que a conversa não iria desenrolar-se sem que perdesse a compostura, ela se despediu e se quedou a fumar frente à loja de Rosário. Ele já havia esquecido do computador e a observava da cabeça aos pés e dos pés à cabeça. Aquela tarde mudaria profundamente sua vida. Desde então, toda manhã, antes de abrir a loja ele passava em frente da vitrine do trabalho de Tatiana, batia no vidro, acenava e dizia a pleno pulmões:
_ Bom dia Dona Tatiana!
Ela respondia com um meio sorriso e isso o deixava louco! Começou a imaginar se ela aceitaria sair para assistir alguma película, comer um "dogão” e quem sabe esticar a noite em sua casa. Planejara mentalmente todo o encontro, a levaria para seu quarto emoldurado por pôsteres de rock e filmes de animação e pediria com a súplica própria de quem deseja um prato de comida:
_ Dona Tatiana, posso tirar-lhe o sapato?
_ Sim.
_ Dona Tatiana, permita-me abrir-lhe a blusa?
_ Sim. Sim.
_ Dona Tatiana, seria atrevimento retirar-lhe a saia?
_ Não. Não. Não. Anda logo com isso!
Tomou coragem. Levantou da cadeira estofada e adentrou a loja da vizinha. A tensão estava no ar! O momento do sim ou não! Estufou o peito e rapidamente despejou:
_Dona Tatiana, muito refleti e ansiosamente esperei pelo momento mais oportuno e não posso mais furtar-me de lhe convidar para um alegre encontro, se possível nesta semana.
_ Que meigo que fofo! Um amor, mas eu não posso aceitar querido. Sou tão imperfeita, arroto, encho a cara de bebida, falo alto, gargalho até chorar que iria ficar longe de suprir tuas expectativas, mas saiba que se não fosse por isso gracinha, quem sabe, né?
Rosário baixou a cabeça. Havia sido derrotado, esmagado em suas mais profundas ansiedades e só havia uma pessoa a culpar, olhou o horizonte e com uma raiva poucas vezes vista pensou:
_ Maldita Professora Mariquita!