Acordou decidida, não passaria daquela manhã. Ainda deitada, vestindo o mínimo possível, sentia o toque do lençol em todo o corpo, os radares ligados, percepções a mil.
Olhou para o lado, duas garrafas de cerveja no criado mudo, que por sorte na falava nada do que escutava naquela casa. Havia mais uma garrafa jogada no chão, próxima do sutiã e da blusa.
Ergueu de leve, a cabeça doída, o show tinha sido espetacular, gostou das músicas, dos acordes e da companhia.
Dizia que ele a fazia bem. Talvez o fizesse mesmo. Ela contava e ele acreditava, queria escrever canções, poemas e preencher outdoors. Existia algo diferente, se completavam desinteressadamente. Incrível, diferente, raro.
Levantou finalmente, os cheiros se confundiram no ar. A cerveja choca, o suor nos cabelos e o azedo no pescoço. Decidiu, ia estrear o presente que ganhara.
Buscou na gaveta o sabonete novo e cheiroso. Cereja. Odor suave, leve e ao mesmo tempo marcante. Se perfumaria de fruta, ficaria mais doce, provocaria as imaginações férteis.
Entrou no box, tirou a última peça do corpo, branca, tamanho apropriado para seu corpo, ficará livre, bela, natural.
Abriu o registro, a água quente começou a jorrar e a experimentou com a ponta do pé. Perfeita! A temperatura e ela. Entrou sem medo e deixou que a água escorresse por todo o corpo.
Suspirou, a cerejeira se mudou para o quarto de banho. Começou a fazer raiz nela, enquanto do outro lado da cidade o despertador acordava os incautos...