terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Celular

Sinceramente hoje tive vontade de conhecer o inventor do celular.  Iria cumprimentá-lo com toda a pompa e cerimônia que a situação exigiria e lhe perguntaria o que ele tinha dentro da cachola quando resolveu inventar essa engenhoca!
É inegável que depois da de Graham Bell, o celular foi a primeira invenção que diminui ainda mais as distâncias entre as pessoas. Recordo dos primeiros aparelhos, semelhantes a tijolos de seis furos que conduzíamos orgulhosos na cintura. As exigências dos consumidores foram aumentando, enquanto o tamanho do aparelho diminuía vertiginosamente em semelhante proporção.  O problema é que junto com esta mudança, surgiram apêndices nos aparelhos, que, se inicialmente serviam apenas para realizar e receber ligações se transformaram em centrais multimídia. Começou com os jogos e torpedos, passando por radio, mp3, câmera, máquina digital e outras coisas, que nem sei para que servem e com isso o bom senso para utilização entrou em extinção.
Imagem da Internet
A maldição é que o acesso ficou tão fácil, que hoje você chuta uma moita e saem dela 50 celulares. É impressionante! Não falarei do binômio que envolve funk alto e usuário sem noção no ônibus lotado, é o verdadeiro inferno na Terra. Nada contra quem goste da poesia e melodia contidas no refrão: “chão, chão, chão”. Fazer o que?
Tudo isso é para dizer que hoje sai atrasado para o trabalho e o que aconteceu? Ônibus razoavelmente tomado de outros trabalhadores com, errou quem disse: um funkeiro.
Havia uma jovem mulher em colóquio que escutei ao entrar no coletivo. Isto é um fenômeno que deveria ser estudado, o telefone toca no ônibus e um silêncio impera no veículo, parece que o motor do carro entra em um processo sublime de deslizamento, fazendo com que toda a atenção esteja centrada na pessoa que diz: alô!
Pois então, a dita moça estava fazendo uma DR com o namorado dentro do coletivo; era um tal de você está sendo injusto Romualdinho, eu já faço tudo isso; não Romualdinho eu não olho para ninguém; Romualdinho eu to mudando do jeito que você pediu. A conversa ia acontecendo e eu torcendo para que a parada chegasse rapidamente, porque se demorasse um pouco mais eu pedira um aparte e mandaria o Romualdinho pesquisar no Google sobre as borboletas azuis do Afeganistão e ela sobre os carrapatos albinos da Mesopotâmia.
Pasmo com tudo aquilo recordei com uma nostalgia incontida os tempos em que as conversas telefônicas ficavam restritas entre os interlocutores, um no sul e outro no norte e no máximo, dependendo do timbre de voz aos vizinhos do prédio.

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