Um questionamento tão simples,
porém de difícil resposta. Por um
simples motivo, que fica presente nestes dias confusos e tumultuados da
história da existência humana. Há uma densa névoa confundindo os radares
internos. Deixamos de distinguir as pessoas interessantes em meio ao rol comum
das pessoas rasas que se multiplicam de forma assustadora. Descobri-las é uma tarefa penosa de execução,
porém extremamente prazerosa quando se obtém sucesso ao encontrar tamanhos tesouros
perdidos.
O círculo de certezas e egos
inflados espalhados pelos cantos deste mundo globalizado e conectado, não
comportam e tão pouco se adaptam a simplicidade. Portanto, pessoas
interessantes se tornaram um item raro, são deixadas de lado, tal quais os
melhores dicionários, o básico do básico. Logicamente que necessitamos de olhos
extremamente treinados e a mente afiada para perceber as sutilezas deixadas
pelo caminho. Aqui abro rapidamente um parêntese, nem todo aquele que é
interessante para mim, o é para você. Parece complexo como uma lição de física,
mas garanto ser mais fácil que girar uma maçaneta.
Despretensiosamente enquanto
percorria intensamente o caminho que liga dois pontos distantes, esbarrei em um
destes quase extintos e mitológicos seres. A necessidade de falar do corpo não
se faz presente. Seria como chover no molhado e aqui, novamente encaramos a
subjetividade. Beleza é igualmente um ponto de vista, somatório de
características que aprazem a uns e distanciam outros. O estado físico é
passageiro e está mais para condutor que destino.
Interesso-me pelo que não é
mostrado, busco desnudar a alma, retirar lentamente as camadas de verniz
protetor, descobrir ali a vida, da mesma forma que Davi nasceu de um bloco de
mármore. Quando você se propõe a encarar as pessoas desta forma, em uma análise
não profissional ou acadêmica, os ganhos são imensuráveis. Portanto, o que
acaba sendo importante é a individualidade, que me encanta com os pequenos
detalhes. Exemplos? Como ela
delicadamente separa as roupas para lavar, misturando lençóis e panos de prato
e não enxágua a lingerie no banho. Fico perplexo ao constatar que existe
naquele ser, uma força infinita para agüentar pauladas da vida e energia para
se requebrar nas noites de sábado. Comungo das certezas e incertezas e da forma
de encarar o invisível enquanto clama a proteção de Thor, Mercúrio, Atena,
Posseidon e Zeus.
Pessoas que se permitem
conhecer desta forma são interessantes ao extremo. Trazem para este mundo de provações,
uma lamparina para ser ponto de referência, mostrando que na simplicidade moram
grandes e admiráveis oportunidades. Acaso você encontre alguém interessante,
tente sê-lo igualmente para ela, pelo máximo de tempo possível, para que se
dispam e se toquem onde os olhos físicos não percebem. Garanto que os ganhos
serão imensos e a satisfação inexplicável. Vale à pena e como já ensinou
Fernando Pessoa, tudo sempre vale quando a alma não é pequena
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