Argumentar qualquer idéia
política nestes tempos turvos é a certeza de dissabor e estresse, salvo quando
este exercício de cidadania ocorre entre pessoas que comungam da mesma vertente
ideológica e balancem cores iguais nas ruas. Hoje o quadro é pintado com nuances
nebulosas, sem que haja um real crescimento e desenvolvimento de questões
primordiais, pois somente um insano desejará encontrar um motivo para dor de
cabeça.
Não posso cravar uma resposta
adequada para a responsabilidade deste cenário, porém, creio que haja um pouco
de responsabilidade da família, que não discute e ensina sobre política e tão
pouco incentiva os mais jovens a buscar informações confiáveis e ao
desinteresse dos projetos educacionais que sabotam a História e Filosofia,
matérias fundamentais para o desenvolvimento cidadão. Desta forma, a mão
invisível que tudo balança, atinge êxito em seu propósito de dividir para
comandar, semeando ainda mais o desinteresse da sociedade desorganizada.
O cidadão não percebe que faz
parte do jogo desenvolvido nestes grandes salões. Ele não deixa de ser uma peça
sem importância estratégica neste nada sutil tabuleiro político. A regra do
jogo é cada vez mais clara e o portador de registro eleitoral recebe atenção em
ciclos bianuais, um período de euforia e ufanismo em que lhe são proporcionados
abraços, adesivos para carros, camisetas, bandeirolas, canetas e bonés e uma
enxurrada ideológica capaz de causar inveja em quem não a obtém.
A grande verdade, esta
redutora e ao mesmo tempo redentora de biografias, é que o brasileiro médio,
onde eu me incluo, desconhece em nacos gigantescos o que realmente é decidido
nos corredores noturnos da Capital Federal. O antigo toma lá, dá cá, combatido
nos discursos politicamente corretos é um motivo de indisfarçável comemoração
entre iguais.
Somente o brasileiro raiz,
alienado pelo discurso de “nós contra eles”, da “mídia golpista”, dos
“direitosos que desejam entregar o País ao capital estrangeiro” e os
“esquerdistas que buscam transformar o rincão verde-amarelo em uma república
bolivariana”, acredita que conseguirá emprego, moradia, saúde, educação e
segurança, agindo dessa forma acusatória, egoísta, apaixonada e doentia de
encarar o destino de uma Nação.
Busco em meu arquivo mental e
não encontro nenhum outro período de nossa História em que o País enfrentou uma
crise moral tão profunda como esta. Presenciamos a escrita de páginas com cores
fortes que não se apagarão jamais e mesmo assim não percebemos que este navio
está à deriva. Sem norte, rumo, porto, apenas com uma tripulação bufônica.
Questão de dias haverá eleição
presidencial e as alternativas que se apresentam para escolha pertencem a
grupos ao mesmo tempo antagônicos e homogênicos, alguns exercendo papel de inquisidores
e outros de vítimas destas circunstâncias políticas. Existem aqueles que se
apresentam como o único oásis do deserto, os que caminharam junto dos últimos
mandatários, sendo que alguns desejam se desconectar do passado, ainda há os
que fazem vista grossa a corrupção e os detentores de fórmulas mágicas para
solucionar os graves problemas sociais e não o fazem.
Entre estes descritos acima,
cada um com suas virtudes e defeitos, sairá quem executivamente sentará na
cabine de comando deste quase continente. Desconheço quem será, porém desejaria
que ele fosse escolhido com consciência, tomada da capacidade de reflexão
analítica e fria, despida de paixões ideológicas que favorecem somente os
membros da alta direção, que deixam sempre os interesses do povo de lado, e a
ele esquecido no fundo da gaveta.
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