sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Desejo Eleitoral


Argumentar qualquer idéia política nestes tempos turvos é a certeza de dissabor e estresse, salvo quando este exercício de cidadania ocorre entre pessoas que comungam da mesma vertente ideológica e balancem cores iguais nas ruas. Hoje o quadro é pintado com nuances nebulosas, sem que haja um real crescimento e desenvolvimento de questões primordiais, pois somente um insano desejará encontrar um motivo para dor de cabeça.

Não posso cravar uma resposta adequada para a responsabilidade deste cenário, porém, creio que haja um pouco de responsabilidade da família, que não discute e ensina sobre política e tão pouco incentiva os mais jovens a buscar informações confiáveis e ao desinteresse dos projetos educacionais que sabotam a História e Filosofia, matérias fundamentais para o desenvolvimento cidadão. Desta forma, a mão invisível que tudo balança, atinge êxito em seu propósito de dividir para comandar, semeando ainda mais o desinteresse da sociedade desorganizada.

O cidadão não percebe que faz parte do jogo desenvolvido nestes grandes salões. Ele não deixa de ser uma peça sem importância estratégica neste nada sutil tabuleiro político. A regra do jogo é cada vez mais clara e o portador de registro eleitoral recebe atenção em ciclos bianuais, um período de euforia e ufanismo em que lhe são proporcionados abraços, adesivos para carros, camisetas, bandeirolas, canetas e bonés e uma enxurrada ideológica capaz de causar inveja em quem não a obtém.

A grande verdade, esta redutora e ao mesmo tempo redentora de biografias, é que o brasileiro médio, onde eu me incluo, desconhece em nacos gigantescos o que realmente é decidido nos corredores noturnos da Capital Federal. O antigo toma lá, dá cá, combatido nos discursos politicamente corretos é um motivo de indisfarçável comemoração entre iguais.

Somente o brasileiro raiz, alienado pelo discurso de “nós contra eles”, da “mídia golpista”, dos “direitosos que desejam entregar o País ao capital estrangeiro” e os “esquerdistas que buscam transformar o rincão verde-amarelo em uma república bolivariana”, acredita que conseguirá emprego, moradia, saúde, educação e segurança, agindo dessa forma acusatória, egoísta, apaixonada e doentia de encarar o destino de uma Nação.

Busco em meu arquivo mental e não encontro nenhum outro período de nossa História em que o País enfrentou uma crise moral tão profunda como esta. Presenciamos a escrita de páginas com cores fortes que não se apagarão jamais e mesmo assim não percebemos que este navio está à deriva. Sem norte, rumo, porto, apenas com uma tripulação bufônica.

Questão de dias haverá eleição presidencial e as alternativas que se apresentam para escolha pertencem a grupos ao mesmo tempo antagônicos e homogênicos, alguns exercendo papel de inquisidores e outros de vítimas destas circunstâncias políticas. Existem aqueles que se apresentam como o único oásis do deserto, os que caminharam junto dos últimos mandatários, sendo que alguns desejam se desconectar do passado, ainda há os que fazem vista grossa a corrupção e os detentores de fórmulas mágicas para solucionar os graves problemas sociais e não o fazem.

Entre estes descritos acima, cada um com suas virtudes e defeitos, sairá quem executivamente sentará na cabine de comando deste quase continente. Desconheço quem será, porém desejaria que ele fosse escolhido com consciência, tomada da capacidade de reflexão analítica e fria, despida de paixões ideológicas que favorecem somente os membros da alta direção, que deixam sempre os interesses do povo de lado, e a ele esquecido no fundo da gaveta.

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