Neste feriado, aproveitei para
exercer minha percepção e cheguei à conclusão que sou preconceituoso. Sim,
tristemente me percebi desta forma. Não adianta, por mais que tentem me
convencer, ainda vejo com muita resistência o fato das pessoas irem comprar ou
desfilar no shopping usando havaianas.
Sou antigo, daquele tempo em
que a propaganda delas era feita pelo mestre do humor Chico Anysio, com o bom e
tradicional slogan – “as legítimas, não deforma, não tem cheiro e não solta as
tiras”.
Antes de receber total
condenação por minha observação, as gerações mais atuais devem saber que
durante mais de 30 anos, “as legítimas” foram consumidas por uma classe
financeiramente desfavorecida, que comprava o chinelo em mercados de bairro por
um valor bem interessante. Quase todos se lembram dos primeiros modelos brancos
com tiras e laterais azuis, depois preto, amarelo, vermelho, etc.
Este cenário começou a ser
modificado a partir do inicio dos anos 90, quando a empresa realizou o
lançamento de outro modelo, um pouco mais sofisticado e contando em seus
reclames com diversos atores globais.
Apesar disto tudo, minha mente
não consegue desvincular a idéia preconceituosa que o calçado destoa plenamente
do local em que é utilizado. Recordo que em minha infância, ir ao shopping não
era algo tão banal, como o é atualmente, vestíamos roupas novas, o “guides” e estava
pronto o passeio de final de semana. Detalhe, lojas abertas no domingo? Era uma
utopia, um devaneio, as compras eram feitas até o sábado, o máximo que haveria
de disponível era a padaria da esquina e olhe lá!
Os tempos mudam e as
realidades tornam-se outras, havaianas não é mais chinelo de pobre, agora
chamam de sandália, as lojas abrem aos domingos e os mercados de bairro
ficam abertos até a noite. A única coisa que não muda, é a capacidade do ser
humano de permanecer com idéias tolas e pré-concebidas. Eis o mea-culpa.
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