Lembranças não podem e nem devem ser mensuradas, os momentos que vivemos possuem uma grandeza enorme e ficam guardadas com carinho ou simplesmente deletadas da memória se não forem agradáveis. Tudo possui uma explicação e lógica.
Realizei meus estudos de primeiro grau em uma instituição religiosa de Porto Alegre, que prima pelos bons costumes e possuía certa rigidez no trato com seus alunos. Contrariando as possíveis evidências de algum rancor ou tristeza deste tempo, sempre recordei com muita nostalgia daqueles anos em que usei o uniforme preto e amarelo do Santo Antônio.
Realizei meus estudos de primeiro grau em uma instituição religiosa de Porto Alegre, que prima pelos bons costumes e possuía certa rigidez no trato com seus alunos. Contrariando as possíveis evidências de algum rancor ou tristeza deste tempo, sempre recordei com muita nostalgia daqueles anos em que usei o uniforme preto e amarelo do Santo Antônio.
Aproveitando as infinitas possibilidades das redes sociais, postei há cerca de um mês a foto de uma das turmas memoráveis daquela época. Somos 36 colegas, na casa dos seus treze, quatorze anos, que no auge de sua aborrescência tinham preocupações e urgências de vida. Todo dia testávamos e descobríamos os nossos limites, o de nossos pais, familiares, do colégio, tudo isso com a grande urgência de montar um time competitivo para ganhar o campeonato de futebol, estudar o suficiente para não chegar ao último bimestre calculando mirabolantemente quantos pontos faltavam para os 24 necessários para aprovação à próxima série.
Imaginem a equação rigidez do colégio, mais, adolescentes em ebulição. O resultado só poderia ser um - rebeldia. Fomos rebeldes em uma época em que o Brasil estava mudando. Fazia apenas cinco anos que o País saía de uma ditadura militar, a atmosfera era inegavelmente outra e mesmo sem entendermos o que aqueles primeiros anos significavam para a História, fizemos parte do processo.
Aprendemos a fazer aviõezinhos de papel capazes de servir a Pátria em caso de necessidade, porque conduziam sob suas asas, possantes rojões que estrondavam dentro das salas de aula ou em vôos rasantes sobre o lago dos padres construído atrás do prédio em que nos eram ministradas as aulas. Ao final do período de ensino, em quase todas as sextas-feiras, as classes magicamente assumiam o formato de pirâmides, apenas para se jogarem ao solo gerando um estrondo ensurdecedor que abafava o grito entusiasmado de não tão pequenos capetas que corriam pelos corredores largos daquele prédio. Perto das atuais gerações de alunos, poderíamos receber o título de beatos.
Um dos colegas com sua sagacidade e bom humor definiu que para ser Professor de nossa turma, a pessoa deveria ser um Mestre Jedi. Talvez não fosse para tanto, apesar de todas as peripécias ninguém foi expulso do colégio, morto ou preso. Enfim, bons tempos!
A foto postada no Facebook possibilitou que muitos se reencontrassem e passados mais de 20 anos pudemos interagir novamente, foram tantas estórias relembradas, dos trabalhos realizados, passando por nome de professores, os causos mais improváveis de ocorrem até chegarem às brincadeiras pelos cortes de cabelo que as meninas usavam na época – o famoso mullets e a conclusão que o tempo foi generoso com todos nós.
Com estes colegas e parceiros aprendi lições importantes que balizaram meu caminho, aprendi que honra lealdade e princípios não se compram na farmácia da esquina, não são ensinadas no currículo regular, mas são desenvolvidas e despertadas na sala de aula, no convívio diário, na mistura de pensamentos e experiências.
Ao final do 8º ano, o Colégio não agüentava mais nossas peripécias e o coordenador tomou a atitude de chamar grupos de quatro ou cinco alunos por vez, ameaçou, adulou em uma tática para que entregássemos quais eram os baderneiros da turma. O resultado foi um silêncio e uma proteção sem igual, em uma das provas mais sinceras e incríveis de parceria e união que presenciei em minha vida. Nunca mais vi algo parecido.
Infelizmente depois daquele ano deixei o colégio e perdi o contato com a maioria da turma, mas perceber como ele foi importante para nosso futuro não possui preço! Aprendemos muito uns com os outros e daquele grupo surgiram; professores, administradores, advogados, contadores, uma gama de profissionais responsáveis e de reconhecido valor. A quantidade de comentários e interação que surgiu é a certeza que aquela foi uma época especial para todos.
Abençoada seja a lendária turma 83. Vida longa e repleta de sucesso aos seus filhos, hoje respeitáveis senhoras e senhores na casa dos trinta e alguns anos!!!

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