Uma revista de circulação nacional trás como uma de suas chamadas de capa a informação que já somos mais de Sete bilhões de humanos espalhados em ¼ de espaço físico da Terra. Chamou a atenção da forma explosiva que estamos nos procriando, uma progressão desse tipo nunca foi constatada na História do homem.
Lembrei imediatamente de algumas questões extremas e que talvez não chamem a atenção da coletividade mais interessada em seguir a risca o crescei e multiplicai-vos; mas é pertinente pararmos alguns minutos e refletirmos sobre as conseqüências e principalmente a responsabilidade que cada um possui nesta viagem, ainda mais neste mundo globalizado, onde um espirro nas Filipinas influencia a política de saúde pública do País Basco.
Ao chegarmos a esta quantidade de iguais, devemos nos preocupar com as ocupações desenfreadas das áreas de proteção ambiental, com a destruição das zonas de plantio, com a diminuição proporcional de Hospitais por pessoas, a incapacidade dos Estados em lidar com um número de pessoas dependentes de suas políticas sociais, com a geração de energia, seja limpa ou suja, com a elevação do consumo de veículos de transporte e consequentemente maior demanda por combustíveis fósseis acarretando maior emissão de gases na atmosfera, e principalmente na produção de alimentos.
Nesta última, a equação é muito simples. Quanto mais humanos, maior a necessidade de alimentação, quanto maior ela for mais os preços estarão elevados. Em economia se diz que, quanto maior a demanda, maior o preço, ou seja, bem vindos à época da comida cara! Já sentimos este efeito quando vamos ao supermercado e nossas compras diminuem na medida em que gastamos o mesmo. Aliada a demanda por alimentos, esta a questão de áreas disponíveis para a produção de grãos e pecuária.
Obviamente com o aumento da população, faz-se necessária a descoberta de espaços físicos capazes de suportar todas as obras de Engenharia solicitadas para nos proporcionar comodidade e tranqüilidade, e onde encontrá-las a não ser invadindo as áreas verdes remanescentes e posteriormente zonas de plantio? Ao tomarmos estas medidas, há uma questão crucial, a geração de energia; para tanto, são construídas usinas hidrelétricas que nos cobram um preço absurdo, devastando ecossistemas, causando o desaparecimento de centenas e às vezes milhares de espécies animais e vegetais; outros optam pela produção de energia a partir de usinas atômicas e os resultados muitas vezes são trágicos como nos casos de Chernobyl e Fukushima, para ficarmos em apenas dois casos que a radiação nuclear causou estragos na coletividade, destruindo sonhos e afetando milhares de pessoas. Energia eólica ainda é uma utopia.
Vivemos na era que será conhecida como Era do Desequilíbrio, onde os problemas que causamos poderiam ser comparados com equações matemáticas bem simples; existem mais pessoas circulando pelo mundo, com suas necessidades básicas de conforto e sobrevivência, demandando alimento e moradia, desejando seu carro na garagem que os leve para todo canto, aumentando a concentração de dióxido de carbono na atmosfera e para atender esse consumo há necessidade de estradas, onde haverá a derrubada de árvores liberando mais carbono e a utilização de piche na pavimentação das mesmas, logicamente, maior busca por combustíveis fósseis, finalizando no aumento da temperatura global, ante-sala da Extinção.
Um pesquisador concedeu entrevista ao Programa do Jô, revelando que existe um estudo que considera benéfica a ingestão de insetos como dieta alimentar, por entender que daqui 50 anos não haverá comida em quantidade suficiente e aceitável para todos. A idéia parece assustadora, mas esqueceram apenas um detalhe; se continuarmos a proceder da mesma forma, nem insetos nos restarão. Reservas de água doce valerão mais que petróleo. Sistematicamente procedemos com descaso, consumindo em excesso, jogando em arroios, córregos e rios os mais absurdos dejetos. Porto Alegre é abastecida por aquele que já foi rio, estuário e lago, conhecido como Guaíba; pois bem, se houver alguma tragédia ambiental envolvendo-o, a cidade só poderia contar com o abastecimento vindo do arroio Dilúvio, imaginou que linda água marrom e mal cheirosa iríamos apreciar? Pobre Aqüífero Guarani, não sabe o futuro que lhe aguarda!
Não sei se a frase é realmente do físico Albert Einstein, mas a cito como tal, disse ele certa vez que “não sabia como seria travada a Terceira Grande Guerra, mas que a Quarta seria com paus e pedras”. O homem em sua magnífica capacidade intelectual extrapolou todos os limites aceitáveis, o gás de mostarda utilizado nas trincheiras francesas em 1919 parece inofensivo frente à imensurável quantidade de armas químicas existentes hoje no Globo.
Ainda há tempo de revertermos estes quadros, mas não podemos simplesmente ficarmos aguardando a atitude do Estado, devemos fazer nossa parte, com educação, com a capacidade criativa que herdamos de nossos ancestrais. Depende desta geração a continuidade de nossa espécie ou se igual o que ocorreu com os grandes répteis, seremos encontrados como fósseis por cientistas de alguma espécie dominadora dos destroços do Planeta, com a ressalva que os primeiros desapareceram como conseqüência de um choque de asteróide e nós por nossas ações desmedidas.