Era impossível ficar impassível a Aimeé. Se vivesse na França do Século XIX, com certeza não teria passado despercebida pelo escritor Honoré de Balzac. Com seus trinta e poucos anos, uma balzaquiana na essência das personagens descritas no romance francês que valorizava sua beleza, suas experiências, pensamentos, desejos, angústias, reivindicando apenas o direito dela ser feliz. Balzac escreveu que uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz. “A mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça”.
Aimeé era sem sombra de dúvidas esta mulher! Dona de traços finos, seu rosto harmônico lhe imprimia uma facilidade para o sorriso sincero, que se tornava uma espécie de cartão postal, ainda mais porque era emoldurado com seus lábios convidativos. Reza a lenda que não foram poucos os homens que enlouqueceram pela idéia de tocá-los em demorados beijos. Somado a isso tudo, uma essência única, não encontrada em qualquer corpo feminino lhe concedia a capacidade de se reinventar a cada amanhecer, era a Fênix moderna, que em seu fogo ressurgia pronta a alçar vôos mais longos, intensos e marcantes.
A primeira vez que Henry cruzou seu caminho, foi em uma tarde comum e despretensiosa. Envolto em seus pensamentos, com suas indagações e reconhecendo o vento sul que mansamente lhe beijava o rosto, fez pouco caso do telefone que tocava constantemente. Nestes lampejos, sacou o fone do gancho e ao dizer alô escutou do outro lado da linha uma voz rouca e marcante, que pedia mais detalhes de um projeto que estava sendo implantado por suas empresas. A forma como ele se sentiu impressionado pela força e espontaneidade que surgiam das vibrações telefônicas o conquistou. Foi como um grito em plena madrugada.
_ Oi, é o Henry? Olha só lindo, eu preciso receber os relatórios que elaborou e os contatos e entenda isso como os emails e telefones dos diretores da consultoria para encaminhar a minuta do contrato? Consegue pra mim?
Ele pensou – quem em sã consciência chama alguém de lindo pelo telefone? A resposta surgiria com o tempo, apenas uma mulher segura como Aimeé seria capaz disto! E ela era capaz de muito mais, conquistou sua confiança, o fez se mostrar de uma forma impensável, se tornou uma companhia constante, falava sério quando a situação era de descontração e mostrava uma suavidade e relaxamento quando o mundo ruía; e o desmoronou quando um dia lhe disse – sabe, quando você está próximo, tenho a certeza que tudo vai dar certo, é como se você fosse um anjo.
Naquele dia, Aimeé sem imaginar operou um milagre, devolveu ao tão combalido Henry a esperança de ser digno e ganhou o carinho e o amor sincero que ele ainda trazia guardado no coração!
Lindo!
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