Renato Russo no início da década de 80 cantava nos palcos do Planalto Central os refrões que incitam a juventude a pensar que País é este em que vivemos?Ah, se ele pudesse ver este mesmo Brasil anos depois!
Veria que o nosso País tem pessoas capazes de eleger, como o deputado federal mais votado da União, um comediante vestido de palhaço com o slogan “o que um deputado faz? Não sei me eleja que conto pra você”. Para nos alegrar mais ainda, ele contratou mais dois comediantes para serem seus assessores.
Saberia que o nosso País é capaz de receber uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, mas é incapaz de prover com saneamento básico todos os lares, que acaba obrigando as pessoas a construírem casas nas encostas dos morros, causando desmoronamento dos lares e soterramento de famílias inteiras, em tragédias que parecem não ter fim. Estas mesmas chuvas alagam as ruas Brasil a fora, porque as bocas de lobo estão entupidas de lixo e não exercem corretamente sua função.
Renato Russo ficaria muito feliz em saber, que o Presidente da maior potência do mundo, em visita as terras tupiniquins, disse com o sotaque carregado e a simpatia “obamica” que este não é mais o País do futuro, é o País do agora. Pularia de alegria ao saber que o poder aquisitivo da população aumentou e lotou as ruas esburacadas de carros, causando congestionamentos quilométricos, deixando paralisadas as grandes metrópoles.
Saberia que descobrimos uma imensa reserva de petróleo, nos tornando auto-suficientes, proprietários de uma das maiores reservas do combustível fóssil, mas que cobra um valor elevado para a gasolina, o GLP e seus derivados.
Teria um orgulho inigualável ao perceber que o acesso ao nível superior está ao alcance de todos, mas que vergonhosamente, mantemos cotas de ensino a outros irmãos iguais a nós, como se a cútis fosse capaz de interferir no intelecto, no mais claro exemplo de hipocrisia e preconceito velado.
Andaria pelas ruas com medo de ser vítima da violência diária, nesta quase guerra civil, onde o Exército precisa sair dos quartéis, subir os morros e repor ordem ao caos social causado pela inoperância do Estado. Perceberia que a juventude a quem tanto cantou, está cada vez mais perdida enquanto consome a pedra do crack, destruidora dos lares e da esperança.
Ficaria atônito ao perceber que as pessoas morrem nas filas do SUS, que geralmente quem não precisa é que se beneficia com os projetos de saúde, consegue afastamento de trabalho, remédio gratuito, auxilio isto e auxilio aquilo. Negaria insistentemente que perpetuamos a máxima de que apenas pobre vai preso, e ao sê-lo sai da cadeia mais escolado no crime. Se questionaria o porque recebemos bem ao turista mas não concedemos uma segunda chance a quem se regenera?
Receberia como resposta que nosso povo se esquece dos mártires e heróis anônimos, ridiculariza os professores e mestres, mas endeusa os participantes do BBB. Somos o povo que vira o rosto para a criança faminta e o idoso doente.
Perceberia que o Estado insiste em usar métodos paliativos para os problemas crônicos sejam de falta ou excesso d’água, que somos o País de um povo que ainda deseja levar vantagem sempre que possível; que troca etiquetas de preço, que come e bebe dentro dos supermercados e não paga pelo consumo. Somos o povo que não gosta de ler, que se compraz com futebol, praia, carnaval, cerveja e mulher; mas que beleza, em 2014 terá Copa do Mundo no Brasil! O único senão é que o Zé do sertão, o Antônio do morro, a Ana da periferia, não terão condições de apreciar tamanho espetáculo, estarão ocupados buscando a sobrevivência em empregos baratos enquanto alguns engravatados estarão comendo caviar, do que eles só ouviram falar, comprado com o dinheiro desviado de alguma licitação.
É meu caro Renato Russo se ainda estivesses de corpo aqui, faltaria musica para expressar tamanha indignação
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