Perdoem-me a falta de precisão
em meu relato, confesso que hoje, falar nela me transporta para um nível de consciência
em que dispenso os detalhes maiores para poder me concentrar ao que realmente
importa. A conheci em um dia incerto de um mês desconhecido em um ano não
registrado e disso tudo, a única certeza é que nosso encontro aconteceu em uma época
inconsequente, onde minha preocupação com a contagem do tempo rivalizaria com a
atenção que dispensaria para a reprodução de uma planária.
Ela se mostrava, desde os
primeiros momentos, sem filtros e rodeios. Sempre direta, deixava claro que não
era o tipo de menina que levava desaforo para casa. Não senhor! Dona de uma
personalidade forte e ao mesmo tempo romântica, Monica sempre soube muito bem o
que desejava, de uma forma positiva, exigindo e impondo respeito com sua
maneira peculiar de enxergar a vida.
Tenho certeza que seu pai não
imaginou o impacto que as ações da pequena Monica representariam e a importância
e influência que exerceria sobre gerações de garotas e garotos que tiveram
contato com ela quando trouxe a vida e a registrou no distante 1963. Mauricio
de Sousa foi extremamente feliz e sem perceber, mudaria a partir dali, principalmente
a forma como as meninas se enxergariam através da personagem de vestido
vermelho.
Monica mostrou, ao contrário do
que alguns desejam fazer crer que o mundo é das mulheres e ela tem cumprido seu
papel de embaixadora informal dessa bandeira de forma exemplar, sendo essencial
ao reforçar essa mensagem. Mulheres fortes uni-vos, vocês podem tudo! Sempre e
cada vez mais! Quando você começa a observar as que estão a sua volta, encontrará
muitos exemplos que corroboram esse argumento.
Uma verdadeira Monica larga
tudo para viver um romance em outra cidade, Estado ou País se esse for o seu
desejo. Ela foca e planeja sua carreira sem a menor preocupação com os comentários
de terceiros. A Monica raiz percebe que não precisa dos velhos modelos de
relacionamento para se sentir completa, pode constituir uma família, viver
sozinha, ser mãe solteira e até mesmo não aceitar o papel de reprodutora como
meta de vida, sem medo algum das maledicentes tias. Uma Monica de carne e osso
não aceita um não com a passividade de outrora, cobra respeito da sociedade,
acorda cedo e dorme tarde correndo atrás de seu sonho. Esta Monica moderna é
criativa, empreendedora e não quer depender de ninguém que não seja ela
própria. A Monica do século XXI é justa e mal agradecida, doida e sã, pecadora
e sacra. Sabe bem o que deseja e como se realizar.
Sabendo disso, cresci e me
tornei um homem observador, dedicado a encontrar o máximo de Monicas em minha
existência, para permanentemente aprender com elas a me tornar um elemento mais
flexível, um ser humano decente e despido das visões arcaicas eternizadas por
discursos vazios. Assim fui encontrando uma série de Monicas disfarçadas de
Anas, Márcias, Adrianas, Fernandas, Marias, Robertas, Andreias, Vanessas, Sandras,
Helenas, Milenas, Jussaras, entre tantas que me presentearam com seus exemplos
e conquistaram minha eterna admiração.
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