Carta para meu vovô!
As pessoas podem pensar que o
fato de ser pequeno me impossibilite ter uma boa memória. Não, não, não! Lembro
muito bem de várias coisas. Sim, coisas, porque apesar de ter essa memória
privilegiada não aprendi todos os nomes deste mundo.
Sei bem o nome do
Velociraptor, do Tiranossauro Rex, do Batman, Homem-Aranha, Hulk, Super-Homem e
principalmente que a Patrulha Canina salva o dia! O que não me interessa vou
deixando pra depois. Assim deve ser a vida de uma criança, e assim é a minha!
Eu sou um garoto bem sortudo,
sério, no duro! Olha, tenho papai e mamãe que me amam e cuidam bem de mim e
também tenho um plus de cuidado e amor – Vovôs! Vocês sabem o que é ter vovôs?
Pois então, eu tenho mais de um, tenho quatro! Sim, eu sei, não quero me
aparecer, são muitos vovôs; dois que moram perto e dois que tenho que pegar
avião para visitar. Todos eles são muito legais, mas já notei que minhas vovós
falam mais que meus vovôs. Eles são mais quietos e um dia ainda vou descobrir por
que. E o melhor, sei que eles me amam bastantão!
Tem um dos meus vovôs que eu
fico bem ligado. Quando eu ainda estava no aconchego e proteção da barriga da
mamãe eu escutava a voz dele e ficava imaginando como seria o dono daquela voz
grave. Ele não falava muito e ria menos ainda e isso me deixava mais curioso.
Porque sim, crianças são muito curiosas, querem, como dizem os adultos, dar fé
logo no que está acontecendo. E eu não sou diferente no auge dos meus três anos
de vida. Vou contar um segredo, faltam apenas dois para eu ficar grandão e ai
sim, ninguém vai me segurar!
Voltando ao vovô, eu queria
mesmo saber como ele era. Quando nasci, reconheci logo meu papai, ele estava
todo bobo e acho que até chorou junto comigo quando as luzes desse mundo
começaram a me incomodar. Quando ele me levou para conhecer o resto da família fiquei
perplexo! Tinham quatro que podiam ser o vovô que ria pouco.
Olhei com os olhos meio
fechados e vi que dois que não tinham cabelo não pareciam com vovôs, logo
descartei eles. Os outros dois sim pareciam vovôs, mas estávamos separados por
uma janela, meu ouvido não conseguia escutar nada do outro lado, então precisei
esperar mais algumas horas para que minha expectativa se solucionasse. Quando ele me pegou meio sem jeito no colo não
tive mais dúvida. Era ele! E mais, descobri que até aquele dia ele não era
vovô! Eu o fiz vovô! Fui o criador, refiz o trajeto natural da vida, através
dele meu papai nasceu e eu cheguei aqui e agora eu retribuía, lhe dando o
título de vovô.
Acho que até fui meio mágico,
porque dizem que ele voltou a sorrir mais e a ficar bobo com as minhas tiradas
inteligentes e rápidas. Gosto dele, muito mesmo, tanto que eu quero ficar
sentado na cadeira dele que balança e aprendi a imitar o jeito dele andar com
as mãozinhas para trás. Percebi que ele não lava a minha roupa como a vovó faz
e nem cozinha bem iguala ela. Aprendi a dizer isso só para implicar com ele,
não sei onde escutei que só implicamos com quem gostamos. A verdade é que da comida
do vovô nunca provei, mas já comemos pão de mel juntos, que é quase a mesma
coisa, né?
O vovô quando quer falar
comigo me chama de lindo e eu fico olhando como se não soubesse direito, mas
sei bem o que é ser lindo! Meus vovôs me lembram sempre disso. Sou o lindo do
vovô e o lindinho da vovó! Isso não é pouco. Decididamente sou um garoto de
muita sorte mesmo e sei disso, principalmente quando escuto o meu titio de nome
estranho – Ando ou Anson, ah não sei – dizer que ele não sabe o que é ter vovô!
Eu sei! Por isso peço para ir pra casa deles, peço pro meu pai os chamare para a minha casinha e não quero que ele vá embora quando me leva feijão,
porque eu tenho sorte de ter vovôs que me chamam de lindo e principalmente
porque nos fazemos felizes!
Lindo texto!!! Com certeza este é um garoto de sorte e muito amado.
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