quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Meu vovô!


Carta para meu vovô!

As pessoas podem pensar que o fato de ser pequeno me impossibilite ter uma boa memória. Não, não, não! Lembro muito bem de várias coisas. Sim, coisas, porque apesar de ter essa memória privilegiada não aprendi todos os nomes deste mundo.

Sei bem o nome do Velociraptor, do Tiranossauro Rex, do Batman, Homem-Aranha, Hulk, Super-Homem e principalmente que a Patrulha Canina salva o dia! O que não me interessa vou deixando pra depois. Assim deve ser a vida de uma criança, e assim é a minha!

Eu sou um garoto bem sortudo, sério, no duro! Olha, tenho papai e mamãe que me amam e cuidam bem de mim e também tenho um plus de cuidado e amor – Vovôs! Vocês sabem o que é ter vovôs? Pois então, eu tenho mais de um, tenho quatro! Sim, eu sei, não quero me aparecer, são muitos vovôs; dois que moram perto e dois que tenho que pegar avião para visitar. Todos eles são muito legais, mas já notei que minhas vovós falam mais que meus vovôs. Eles são mais quietos e um dia ainda vou descobrir por que. E o melhor, sei que eles me amam bastantão!

Tem um dos meus vovôs que eu fico bem ligado. Quando eu ainda estava no aconchego e proteção da barriga da mamãe eu escutava a voz dele e ficava imaginando como seria o dono daquela voz grave. Ele não falava muito e ria menos ainda e isso me deixava mais curioso. Porque sim, crianças são muito curiosas, querem, como dizem os adultos, dar fé logo no que está acontecendo. E eu não sou diferente no auge dos meus três anos de vida. Vou contar um segredo, faltam apenas dois para eu ficar grandão e ai sim, ninguém vai me segurar!

Voltando ao vovô, eu queria mesmo saber como ele era. Quando nasci, reconheci logo meu papai, ele estava todo bobo e acho que até chorou junto comigo quando as luzes desse mundo começaram a me incomodar. Quando ele me levou para conhecer o resto da família fiquei perplexo! Tinham quatro que podiam ser o vovô que ria pouco.

Olhei com os olhos meio fechados e vi que dois que não tinham cabelo não pareciam com vovôs, logo descartei eles. Os outros dois sim pareciam vovôs, mas estávamos separados por uma janela, meu ouvido não conseguia escutar nada do outro lado, então precisei esperar mais algumas horas para que minha expectativa se solucionasse.  Quando ele me pegou meio sem jeito no colo não tive mais dúvida. Era ele! E mais, descobri que até aquele dia ele não era vovô! Eu o fiz vovô! Fui o criador, refiz o trajeto natural da vida, através dele meu papai nasceu e eu cheguei aqui e agora eu retribuía, lhe dando o título de vovô.

Acho que até fui meio mágico, porque dizem que ele voltou a sorrir mais e a ficar bobo com as minhas tiradas inteligentes e rápidas. Gosto dele, muito mesmo, tanto que eu quero ficar sentado na cadeira dele que balança e aprendi a imitar o jeito dele andar com as mãozinhas para trás. Percebi que ele não lava a minha roupa como a vovó faz e nem cozinha bem iguala ela. Aprendi a dizer isso só para implicar com ele, não sei onde escutei que só implicamos com quem gostamos. A verdade é que da comida do vovô nunca provei, mas já comemos pão de mel juntos, que é quase a mesma coisa, né?

O vovô quando quer falar comigo me chama de lindo e eu fico olhando como se não soubesse direito, mas sei bem o que é ser lindo! Meus vovôs me lembram sempre disso. Sou o lindo do vovô e o lindinho da vovó! Isso não é pouco. Decididamente sou um garoto de muita sorte mesmo e sei disso, principalmente quando escuto o meu titio de nome estranho – Ando ou Anson, ah não sei – dizer que ele não sabe o que é ter vovô! Eu sei! Por isso peço para ir pra casa deles, peço pro meu pai os chamare para a minha casinha e não quero que ele vá embora quando me leva feijão, porque eu tenho sorte de ter vovôs que me chamam de lindo e principalmente porque nos fazemos felizes!

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