quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Spagnola

Próxima a você,
minha mente tão contundente 
e cheia de pequenos corredores misteriosos, 
torna-se campo aberto 
pronta a receber tuas enebriantes vibrações mentais, 
que desfraldam um pouco mais tua alma cristalina, 
recoberta de aura de mistério, 
sedenta a ser entendida, compreendida e aceita 
em um mundo de contradições 
que insistem em travar uma batalha desigual 
evocando os princípios básicos da existência humana...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Um pouco de História

Tenho um amigo de quase três décadas que praticamente ganhou na loteria sem ter jogado. Graças ao trabalho ferrenho dele e da esposa, o Toninho desfruta dos louros deste seu esforço e todo ano parte em viagem junto com sua amada Janier para desbravar novos locais, absorvendo cultura e História em todos os cantos do mundo. Agora eles estão em uma temporada européia, conhecendo entre outros locais a Escandinávia e a Polônia e nesta última, mais especificamente Varsóvia.

Para os não iniciados em História e Geografia, ela é a capital polonesa. Centro político, industrial e maior cidade do País, contava em 2012 com mais de 1,8 milhão de habitantes, número grandioso para uma cidade que no inicio de 1939 contava com 1,3 milhão de pessoas e ao final de 1945 com apenas 422 mil pessoas.

Estes números representam os efeitos destrutivos sofridos por um dos países mais atacados e dilacerados pela Alemanha Nazista de Hitler. É sabido o terror imposto aos judeus poloneses e a desumanidade afligida a eles. São de domínio público e históricos fatos ocorridos no famigerado Gueto de Varsóvia, em que durante os quase três anos de existência, a fome, as más condições de higiene e saúde, além das constantes deportações aos campos de concentração, principalmente ao de Treblinka. Para que se possa ter idéia da crueldade imposta, a população de 380 mil habitantes que foram enviados a ele, representava 30% da população de Varsóvia e ficaram enclausurados em uma área estimada a 2,4% do território da cidade.


Graças ao advento das redes sociais, o Toninho e a Janier, vão presenteando seus amigos com as imagens de uma cidade viva. Observá-las me instiga a tecer um paralelo com a forma que tratamos a nossa História. Os poloneses mantiveram intactos algumas construções de Auschwitz, entre elas o famoso portão em que se lê – “o trabalho liberta”, não como forma de permanente tortura mental, mas sim como lembrança escancarada da falta de limites para a imbecilidade humana. Em Varsóvia existem estátuas que registram em pedra os momentos de puro terrorismo a que indiscriminadamente toda a população foi submetida, mas também serve como indicação que apesar das situações adversas, eles resistiram, é como se as feridas e cicatrizes embora cicatrizadas ainda doam, e elas não são escondidas, ficam sempre à mostra, com um orgulho de terem vencido o mal.

Aqui em nosso Paraíso Tropical, essa belíssima República das Bananas, Terra abençoada de Vera Cruz, este país Tupiniquim bonito por natureza, onde não falta água, comida, moradia, saúde e segurança, os políticos brasileiros, mais especificamente os vereadores da capital gaúcha, votaram e aprovaram uma lei que altera o nome de todos os logradouros da cidade que façam referência a qualquer um dos autores do período ditatorial militar. Este mesmo movimento ocorre em outras cidades brasileiras, com projetos de lei e até mesmo alteração do nome de ruas, praças, escolas, ginásios entre outros. Parece-me que os legisladores brasileiros acreditam que extirpar o nome de obras, vá simplesmente suprimir um período Histórico. Essa não é uma discussão sobre a necessidade de reconhecer os acertos e erros do sistema de exceção que durou de 1964 até 1985.

O problema maior é varrer para baixo do tapete o que existiu, por mais que se tente, é impossível reescrever a História. É possível reescrever estórias, dessas que se escreve com um enredo bem definido, com começo, meio e fim e se possível com a mocinha sendo salva no final. Agora, se existe este movimento de exorcismo, não compreendo porque Getúlio Vargas não entra nesta leva de limpeza moral e ética da sociedade brasileira. Antes de ser o pai dos pobres e o velhinho simpático que ceifou a própria vida com um tiro, dentro das dependências do Catete, o caudilho de São Borja, foi um ditador implacável, comandou o golpe civil de 1930, fechou o congresso, rasgou a Constituição, perseguiu seus detratores e conduziu com mãos de ferro o destino nacional por 15 anos.

Sim, antes de tomar uma enquadrada de Roosevelt, e da ameaça do Pentágono em invadir o Nordeste brasileiro para instalação de bases militares para proteger o Atlântico Sul dos alemães que já estavam na África, Getúlio Vargas nutria apreço pelos ditadores europeus Hitler, Mussolini, Salazar, Franco e seus sistemas ditatoriais da primeira metade do século XX

O Ministro do Trabalho do Governo João Goulart, Almino Afonso, declarou em 2014 para a Agência Brasil que o período ditatorial deixou lembranças dolorosas e marcou a era de Vargas. “Podemos dizer que isso era uma projeção do que se passava no mundo. Basta lembrar Hitler, Franco e Mussolini, mas não justifica algo que foi um período doloroso”.

Fazendo uma pequena pesquisa, descobre-se que o Brasil possuía fortes relações comerciais com as forças européias do Eixo, inclusive firmando em 1936 acordo com a Itália para aquisição de submarinos que seriam pagos com algodão e outros produtos nacionais, além da importação de armamentos da Alemanha Nazista. A colaboração ou aproximação mais estreita com os Nazi se deu no caso da deportação de Olga Benário, esposa do líder comunista Luis Carlos Prestes.

A ignorância é uma benção, embora somente o conhecimento possa libertar. Um povo que conhece sua História e não se envergonha dela, ao contrário, reconhece seus exageros e percebe claramente os caminhos percorridos por seus antepassados, é detentor do combustível primordial – o saber - que domina de forma única, as nuances e fatos que lhe impulsionam a seguir em frente. A Nação que sabe, compreende, entende e lida bem com o que lhe ocorreu, possui chances menores de cometer os mesmos erros, torna-se livre e jamais se curvará a tiranos.


Crédito das fotos - Imagens retiradas da Internet, com exceção das fotos de Varsóvia, registros do casal Toninho e Janier.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Alicia, sempre, Alicia

Um amigo me chamou uma tarde dessas para contar o que lhe havia acontecido. Começou seu relato de forma simples:

“Não imagina o que me aconteceu há uns dois meses. Subi para pegar o carro, já devia ser umas 20 horas e dividi o elevador com uma colega. Percebi que ela não estava muito bem e comecei a puxar conversa na expectativa que ela dissesse o que lhe estava incomodando. Ela me contou suas razões e ao final fiquei com desejo de abraçar, beijá-la. Nada fiz e nos despedimos, cada um foi pra sua casa. Cara, desde então nunca mais parei de pensar nela, no que deixei de fazer, sempre tive uma queda por ela. Poderia ter dado um beijo daqueles ou simplesmente ter convidado pra sair. Poderia ter conquistado uma linda mulher ou ter levado um fora de cinema. Talvez nada seja como penso ou queira, ela só está sendo bacana e não me dando mole, ou será que não? Essa dúvida me mata!”

Pensei que tortura vive esse amigo. A constante dúvida entre a certeza do não ou a dúvida do sim. Que lhe vale mais, um sonho desfeito ou castelos de ilusão? Poderia viver mais feliz ou em constante sobressalto, mas como disse Blaise Pascal, filósofo Frances falecido em 1662, o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Gostar gostando

Como é gostoso gostar de alguém, o gostar sinônimo do amor. 

Uma transferência de carinho, a idealização de uma metade perfeita, adaptável a toda imperfeição que nossa carcaça condoída apresenta.  

Ah esse gostar romântico que assola os corações desavisados, as mentes devoradoras de revistas com romances baratos.

Fico afeiçoado realmente a estes incautos sabedores de quase nada e de quase tudo

Sério. Aprecio suas presenças e teorias arcaicas. 

Não há necessidade de inteligência fora de medida para perceber friamente que teoria e pratica são opostos que não se completam. 

V - 2015

Geralmente as indefinições, incertezas ou respostas sem questionamentos surgem em instantes de desleixo mental. 
São os chamados da natureza para que se permaneça em constante estado de atenção.

Cálculos descomplicados

O bom de ser um contador de estórias é exatamente isso, 
contar, sem a preocupação de prova real. 
Transformar o invisível em palpável, 
plantar a semente da dúvida e do
sonho sobre a veracidade dos atores e fatos. 
É residir em quem nos lê, 
sem a pretensão de fazer longa moradia 
e sem nada cobrar. 
Escrever é perpetuar sua alma!

Minha verdade escondida

Existe uma frase que gosto de repetir igual a mantra 
– na vida, tudo pode ser dito, feito e realizado; 
é apenas uma questão de como, quando e onde. - 
Entre as minhas incertas certezas, 
não sei se a criei em algum período de ócio criativo,
se a li em alguma publicação e a incorporei como minha.
Façamos um trato, isso não importa nem um pouco, 
o significativo aqui é a essência guardada nela, 
afinal, para que servem grandes debates 
acerca de pequenos detalhes?

Sabedoria diária

Sempre gostei de versar sobre as dualidades que encontramos na vida. Tudo apresenta dois lados para escolha e bastaria estender as mãos ao lado mais conveniente para que a palavra da salvação se faça presente em nossa coleção de sucessos. Tão simples quanto encontrar um diamante no centro de São Paulo.

Você sempre é responsável por suas escolhas, independente se boas ou más; porém o fator determinante para uma tomada de decisão é a capacidade de conviver com ela. Você poderá se eximir de denunciar os pais de uma criança que sofre maus tratos, afinal, ela não é sua filha. Agora, conseguirá repousar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos, sabendo que naquele momento um ser pequeno está sendo torturado? Claro, se for um psicopata sua resposta será sim.

Logicamente existem escolhas infinitamente mais fáceis e difíceis que a exemplificada, como diria algum filósofo do caos ou pensador moderno, cada caso é um caso. Um dos ensinamentos mais significativos a que fui apresentado sobre o poder da escolha é o de um rapaz autista, filho de importante apresentador televisivo. 

Contou o apresentador que havia levado o filho a uma livraria e que o deixara livre para escolher os livros que quisesse. Apresentou-lhe uma pilha de publicações, ao que o pai ordenou que levasse apenas metade deles. A reação do rapaz foi instantânea, não levaria nenhum. O pai achando que se tratava de birra e já se irritando perguntou por que ele fazia aquilo e eis que surgiu a sabedoria plena. Ele preferia não levar livro algum a escolher aqueles que ficariam para trás. 

Por que quando há necessidade de escolha, já se está perdendo.

IV - 2015

Toda a decisão possui o mesmo percentual de mostrar-se correta ou falha. O inconveniente nesta equação é a necessidade de prever caminhos e atalhos a serem traçados se surgir o erro. É muito oneroso reprogramar uma viagem a cada estrada obstruída.

III - 2015

Ele já existe, espera apenas a oportunidade de estrear, repousar suas idéias compostas e complexas nas folhas de papel. Que ilusão é esta que se vive, em que os textos não encontram-se originalmente em papel. A certeza de que as estórias devem surgir, independente do meio que as recebam é a uma daquelas esmagadoras situações em que o progresso trava batalha com o erudito e a tradição, sem importar-se com a vida perene e serena da vida.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O Ser

Lidar com o ser humano é uma ciência das mais difíceis. Não é fácil tentar compreender alguém de carne e osso, sem arriscar sua sanidade.
Por melhor que seja sua intenção, e comentam que no inferno há milhares bem intencionados, você será visto de forma difusa se desejar conhecer alguém, essa é a realidade que nos envolve.
Somos treinados a julgar sem conhecer, negar sem saber todos os pormenores, dizer não sem escutar, e pior, as situações vão piorando conforme "sua configuração".
Se é casado, a maioria das mulheres corre; se é casada, a maioria dos homens "caem matando". Homem pegando todas é garanhão, mulher fazendo o mesmo, como galinha é descrita. Se é baixo; pintor de rodapé, alto; vira poste. Homem que gosta de homem é fruta, mulher que gosta de mulher é sapata. Magros são paus-de-virar tripa, gordos rolhas de poço e por ai vai...
O ser humano (humano?) é perito nesse tipo de julgamento. Creiam que ainda pode piorar, porque muitas vezes há a indiferença das pessoas, a suspeita que uns se aproximam dos outros, sempre com aquela sensação de segundas intenções, sejam financeiras, tráfico de influência ou desejos sexuais.
Enfim, vamos parar de filosofar e ir trabalhar, porque as contas do mês estão aterrizando na caixa de correio e se possível veja as pessoas de forma diferente do que fomos ensinados, o que deve nos diferenciar é apenas nosso caráter...
Vamos em frente, fazer vento, porque o mundo é grande!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Bulhufas te espera

Tenho um amigo, que foi eleito Presidento de um pequeno Reino-Republicano-Ditatorial-Parlamentarista-de-centro-direita-esquerda-e-em-cima-do-muro, chamado Bulhufas. 

É um primor de lugar! Acreditem!

Alicerçado por um slogan forte - "Vote Motta, o político que entende Bulhufas", a campanha foi suja, com opositores denegrindo a imagem do candidato a torto e a direito. Estórias do tempo do arirri-pistola vieram à tona. Logicamente que todas rechaçadas de forma contundente, não passaram de boatos infundados que tentavam manchar uma carreira ilibada!

O período eleitoral não foi fácil, afinal como candidato único ao cargo máximo do Executivo-Inoperante-Bulhufense, teve que superar a desconfiança de seus eleitores com promessas fundamentadas nos achismos-modismos-machismos-e-feminismos tão recorrentes no mundo político. O primeiro turno foi de uma ferocidade única e os votos brancos e nulos venceram por ampla maioria estatística, obrigando a população não recenseada de Bulhufas a retornar às cédulas de papel. 

Seguindo a velha teoria do que realmente importa em eleições não são os votos e sim os escrutinadores o nobre candidato foi eleito magistralmente com mais de 100% dos papelinhos depositados.

Algum desavisado pode pensar que um governo assim eleito, não teria apoio do legislativo. Ledo engano; partindo do pensamento maquiavélico que os fins justificam os meios, os nobres deputados Bulhufenses fazem jus ao robusto salário e legislam em causa própria, na mais santa paz, presenciada apenas em mosteiros medievais.

Contando com uma profissional e capacitada equipe ministerial que não para de crescer - na última reunião, compareceram 69 ministros - os projetos de melhoria de vida da população assalariada são encaminhados para o Registro Geral de "Arquivência", para uma análise mais detalhada e posterior rejeição.

Acreditem, não existe lugar mais organizado, correto, sério e seguro para viver. Nunca antes na estória desse encantado País a população foi tão bem conduzida. O Presidento dá água e pão aos seus comensais, brioches são distribuídos aos borbotões, o banco estatal financia qualquer obra particular do mandatário supremo, o futebol e a bolita de gude são os esportes nacionais, com torneios e campeonatos transmitidos 24 horas por dia e na falta do carnaval, há um fantástico recital de trovinhas sacanas que envolve toda a população.

É lindo de se ver!!!

Tudo é magistral!!! 

E inspirado no poema escrito pelo nobre brasileiro Manuel Bandeira "Vou-me embora para Passárgada, lá sou amigo do rei,lá tenho a mulher que eu quero. Na cama que escolherei...", nada mais correto a fazer que bradar a plenos pulmões me vou para Bulhufas, lá sou amigo do dono, terei a vida que quero do jeito que me der na telha... e se bobear, quem sabe não sobra um ministério???