Uma amiga perguntou-me, por ser,
conforme ela um cara experiente no assunto de separação sobre as dificuldades que
enfrentei com as ex-companheiras no período pós-vida em comum. Talvez tenha
sido um cara privilegiado, porque não consigo lembrar-me de nenhum infortúnio
ou incomodo.
Existe muita lenda a respeito
disto. Li um post engraçado em uma rede social que geralmente os homens contam
as aventuras que nunca tiveram enquanto as mulheres tem aventuras que nunca
contaram. O pensamento pode ser completado com a frase com a qual costumo
quebrar o gelo – “não tive todas as mulheres que desejei, porém todas as que
desejaram me tiveram”. Frase que beira ao cretinismo e que não traduz a verdade.
A realidade é que sempre fui
seletivo e esta característica estimulou a relacionar-me com mulheres que possuíam
a ambição de conquistar objetivos pelo suor do trabalho e intelecto
diferenciado do que com um belo corpo malhado e uma cabeça oca. Este é o motivo
que me proporcionou a não ter nenhum tipo de problema com as mulheres que
passaram em minha vida. Muito ao contrário, cada uma delas foi importante e
possui sua dose de contribuição em cada obstáculo superado e batalha vencida.
As mulheres com o primeiro perfil
trazem qualidade aos relacionamentos, te auxiliam a estruturar melhor as
emoções, conseguem com maior facilidade curar as feridas geradas por palavras
mal colocadas o sentimento de egoísmo que ainda impera na mente e coração dos
seres humanos imperfeitos.
Já escrevi sobre o papel de
incompreendido que o (a) ex desempenha nesta sociedade totalmente rancorosa (clique aqui). Ainda comungo das idéias expostas no texto e penso que não se deve ficar
murmurando os ais de pena de si e tão pouco buscar a vingança que supostamente
aplicaria as dores da alma.
Todos sabem os motivos que fazem
os relacionamentos chegarem ao fim, seja a falta de cumplicidade, os caminhos
distintos, a infidelidade – embora um colega diga que só é traído quem tem curiosidade,
a falta de sonhos em comum, enfim, a lista beira ao infinito.
Entendo que o ser humano não
atingiu a um nível que lhe permita encarar sempre sem mágoas o final de uma
relação, independente como ele foi alicerçada, se é amorosa, profissional ou
amigável. É preciso entender que nem sempre a pessoa que te acompanhou até a
terceira base será a mesma que chegará com você na quarta base e talvez ela não
chegue à quinta.
Frieza? Talvez, não sei ao certo,
nunca parei para analisar com uma visão mais humanista, filosófica, psiquiátrica.
Entendo apenas que as pessoas foram criadas e concebidas para viver neste mundo
e se relacionar uma com as outras por determinado período de tempo,
independente de ser curto ou longo.
Então, não é crime quando alguém,
sem mais nem menos se ausenta de nossa vida sem uma explicação que nos soe
plausível ou sem deixar recado ou adeus. Contrariando o que a sabedoria popular
diz – a resposta para o “livrai-nos do mal”, este afastamento é a capacidade mágica
que a vida proporciona a cada um de se reinventar, preparar o próximo plano de
viagem e pegar a estrada certa rumo ao desconhecido.
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