terça-feira, 5 de junho de 2012

Alícia


Quando você é novo em algum lugar, uma das primeiras atitudes a serem tomadas é observar o ambiente e as pessoas, era assim que Henry procedia. Naquela noite não poderia ser diferente. Chegou cedo, procurando um bom posto de observação. Sentou no fundo da sala, no encontro entre duas paredes, deixando suas costas a salvo e todo o resto do ambiente passível de conferência.

Devidamente instalado, nenhum detalhe lhe escapava, atento como fora treinado aproveitava os instantes para realizar suas análises e mentalmente traçava o perfil de cada um que aparecia. Tudo se encaminhava perfeitamente, até que sua atenção foi totalmente seqüestrada por ela!

Alicia devia estar na casa dos trinta anos – imaginava ele – idade perfeita, onde rompem a fronteira das meninas e se transformam em verdadeiras mulheres; destemidas, tomadas de desejos e principalmente força para serem felizes. Ela vestia o uniforme da empresa na qual trabalha, blusa branca, rabo de cavalo prendendo seus cabelos negros e junto ao colo uma pasta transparente com detalhes vermelhos. Na face havia um sorriso radiante emoldurando seus lábios. Henry ficou tomado de perplexidade e curiosidade. Há algum tempo não via mulher tão bela naquele prédio.

Começou a prestar atenção a cada movimento de Alicia, como uma tentativa desesperada de descobrir se suas primeiras impressões estavam corretas. Desejava cruzar seus olhos com os dela, porém na menor possibilidade, desviava-os. Por alguns parecia ter descoberto uma pitada de tristeza naquele olhar, teve vontade de abraçar-lhe dizer que aquilo passaria, de fazer carinho em seu rosto e apertar sua mão, mas era novo ali e não poderia causar uma má impressão. O que dizer? Como proceder?  Estava velho para esse tipo de abordagem, se sentia assim, restou-lhe apenas sonhar...

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