sábado, 31 de março de 2012

A Lendária Turma 83

Lembranças não podem e nem devem ser mensuradas, os momentos que vivemos possuem uma grandeza enorme e ficam guardadas com carinho ou simplesmente deletadas da memória se não forem agradáveis. Tudo possui uma explicação e lógica.


Realizei meus estudos de primeiro grau em uma instituição religiosa de Porto Alegre, que prima pelos bons costumes e possuía certa rigidez no trato com seus alunos. Contrariando as possíveis evidências de algum rancor ou tristeza deste tempo, sempre recordei com muita nostalgia daqueles anos em que usei o uniforme preto e amarelo do Santo Antônio. 

Aproveitando as infinitas possibilidades das redes sociais, postei há cerca de um mês a foto de uma das turmas memoráveis daquela época. Somos 36 colegas, na casa dos seus treze, quatorze anos, que no auge de sua aborrescência tinham preocupações e urgências de vida. Todo dia testávamos e descobríamos os nossos limites, o de nossos pais, familiares, do colégio, tudo isso com a grande urgência de montar um time competitivo para ganhar o campeonato de futebol, estudar o suficiente para não chegar ao último bimestre calculando mirabolantemente quantos pontos faltavam para os 24 necessários para aprovação à próxima série.

Imaginem a equação rigidez do colégio, mais, adolescentes em ebulição. O resultado só poderia ser um - rebeldia. Fomos rebeldes em uma época em que o Brasil estava mudando. Fazia apenas cinco anos que o País saía de uma ditadura militar, a atmosfera era inegavelmente outra e mesmo sem entendermos o que aqueles primeiros anos significavam para a História, fizemos parte do processo.

Aprendemos a fazer aviõezinhos de papel capazes de servir a Pátria em caso de necessidade, porque conduziam sob suas asas, possantes rojões que estrondavam dentro das salas de aula ou em vôos rasantes sobre o lago dos padres construído atrás do prédio em que nos eram ministradas as aulas. Ao final do período de ensino, em quase todas as sextas-feiras, as classes magicamente assumiam o formato de pirâmides, apenas para se jogarem ao solo gerando um estrondo ensurdecedor que abafava o grito entusiasmado de não tão pequenos capetas que corriam pelos corredores largos daquele prédio. Perto das atuais gerações de alunos, poderíamos receber o título de beatos.


Um dos colegas com sua sagacidade e bom humor definiu que para ser Professor de nossa turma, a pessoa deveria ser um Mestre Jedi. Talvez não fosse para tanto, apesar de todas as peripécias ninguém foi expulso do colégio, morto ou preso.  Enfim, bons tempos!

A foto postada no Facebook possibilitou que muitos se reencontrassem e passados mais de 20 anos pudemos interagir novamente, foram tantas estórias relembradas, dos trabalhos realizados, passando por nome de professores, os causos mais improváveis de ocorrem até chegarem às brincadeiras pelos cortes de cabelo que as meninas usavam na época – o famoso mullets e a conclusão que o tempo foi generoso com todos nós.

Com estes colegas e parceiros aprendi lições importantes que balizaram meu caminho, aprendi que honra lealdade e princípios não se compram na farmácia da esquina, não são ensinadas no currículo regular, mas são desenvolvidas e despertadas na sala de aula, no convívio diário, na mistura de pensamentos e experiências.

Ao final do 8º ano, o Colégio não agüentava mais nossas peripécias e o coordenador tomou a atitude de chamar grupos de quatro ou cinco alunos por vez, ameaçou, adulou em uma tática para que entregássemos quais eram os baderneiros da turma. O resultado foi um silêncio e uma proteção sem igual, em uma das provas mais sinceras e incríveis de parceria e união que presenciei em minha vida. Nunca mais vi algo parecido.

Infelizmente depois daquele ano deixei o colégio e perdi o contato com a maioria da turma, mas perceber como ele foi importante para nosso futuro não possui preço! Aprendemos muito uns com os outros e daquele grupo surgiram; professores, administradores, advogados, contadores, uma gama de profissionais responsáveis e de reconhecido valor.  A quantidade de comentários e interação que surgiu é a certeza que aquela foi uma época especial para todos.


Abençoada seja a lendária turma 83. Vida longa e repleta de sucesso aos seus filhos, hoje respeitáveis senhoras e senhores na casa dos trinta e alguns anos!!!

O ESTRANHO!!! - Desconheço o autor

O ESTRANHO!!!

Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador
personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.

O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.

Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Meus pais eram instrutores complementares:

Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.

Mas o estranho era nosso narrador.

Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.

Fazia-me rir, e me fazia chorar.

O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.

Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).

Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.

As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.

Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos. Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.

Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.

Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.

Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

Seu nome?

Nós o chamamos Televisor...

XVI

Imagino a facilidade que Alexandre Dumas provaria se em sua época existissem a hoje arcaica máquina de escrever ou o moderno computador.
Laudas e mais laudas preenchidas com velocidade impar, contrastando com o processo artesanal e romântico de molhar a pena e escrever sob a luz de velas suntuosas.
Teria ele, se assim o fizesse, destruído toda a magia de sua produção literária.
Graças às fantasias, a roupa limpa da suposição, que nos faz crer nesta infinita soberba, ser sempre – em todos os tempos – nossa época a melhor.

XV

O ideal seria deixar de pensar naquilo que poderia ser e focar no concreto. Muita aula de engenharia e construção não teve fim, exatamente por este descuido quase imperceptível.
Desejar aquilo que não se encontra em seu caminho, pode determinar uma mudança de rota, um caminhar mais longo ou vida longeva, não importa ao certo, pois as grandes verdades da vida só estão disponíveis para quem não tem medo de arriscar.

A crença em Deus

Esta semana soube do caso ocorrido em uma clinica de saúde em que um pastor evangélico tentou entregar uma oração de sua igreja para uma idosa. A cena de ignorância e destempero da senhora não será descrita, mas ela pode ser classificada de ignóbil.
Confesso que nunca entendi qual o significado de algumas pessoas perderem tempo a debater a crença religiosa dos outros. Crer ou não, na existência de outra vida ou de um Ser Superior nunca deveria ser motivo de discussão e álibi para guerras no decorrer da História.
Imagem da Internet
Não consigo conceber o que se ganha ao tentar convencer o próximo que a verdade dele não corresponde com a verdade de seu interlocutor. Qual a importância, dele chamar Deus de Alá, Jeová, Javé, Elohim, Brahma, Guaraci, Oxalá, Papai do Céu ou Todo-Poderoso?
Fazendo uma comparação bem esdrúxula, seria o mesmo que tentar convencer a todos que a obra massificada por Henry Ford não deve ser chamada de car pelos ingleses, coche pelos espanhóis, auto pelos alemães, macchina pelos italianos ou automobil pelos croatas e sim carro como fazem todos os nativos da língua portuguesa.
Vale lembrar, cada cultura possui uma forma de cultuar sua Entidade Superior, basta respeitar as diferenças e viver em harmonia. Extremamente simples, e por isto o motivo de tanta estranheza e intolerância.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Porto Alegre - 240 anos

Fotografia de Carolina Jaeger
Minha Porto Alegre possui recantos mil,
Onde o seu povo é mais feliz;
Em nenhum lugar você encontrará,
gente tão hospitaleira como lá.

O seu céu é mais azul, 
Sua música mais harmônica e
Nos parques tomados de flores e Ipês,
Se encontra vida a esperar,
O amor eterno dos amantes a cada amanhecer.

Ao final de tarde, em observar o Guaíba,
Recebendo o sol que nele se esconde;
Mais alegria sinto em minh’alma,
Na Porto Alegre que me acolhe.

Esta terra que possui encantos infinitos,
aromas e sabores, cores e matizes
Pintando em telas os caminhos
do Gasômetro ao Mercado;
passando pela Catedral e Igreja das Dores
Nestes lugares de encontros e chegadas;
Minha cidade Mui Leal e Valorosa,
Abre seus braços para os filhos seus.

Resta apenas pedir ao bom Deus,

Vida longa ao Porto dos Casais;
Cidade dos meus encantos e amores
Luz que não se encontra em outros ares;
Minha Porto Alegre de hoje e sempre,
Onde o povo é mais feliz!  

terça-feira, 20 de março de 2012

Cartas de Amor - Fernando Pessoa

    Todas as cartas de amor são Ridículas. 
    Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. 
    Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
    Como as outras, Ridículas. 
    As cartas de amor, se há amor,
     Têm de ser Ridículas. 
    Mas, afinal, 
    Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor
    É que são Ridículas. 
    Quem me dera no tempo em que escrevia 
    Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. 
    A verdade é que hoje 
    As minhas memórias 
    Dessas cartas de amor 
    É que são Ridículas. 
    (Todas as palavras esdrúxulas, 
    Como os sentimentos esdrúxulos, 
    São naturalmente Ridículas.)
    Álvaro de Campos, 21-10-1935

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher - 08 de Março

Acredito que a maioria das pessoas saiba o motivo pelo qual o dia 08 de Março foi definido como a data em homenagem ao “sexo-forte”, mas caso haja algum desconhecimento segue um breve histórico introdutório.

Neste mesmo dia no ano de 1857, cerca de 130 operárias têxteis da fábrica de tecidos Cotton de Nova Iorque decidiram paralisar suas atividades como forma de protesto, na reivindicação para a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas diárias. Vale comentar que as mulheres recebiam naquela oportunidade um terço dos que os homens para desempenharem as mesmas atividades. Esta foi a primeira greve norte-americana totalmente conduzida por mulheres. Chamada para reprimir a greve, a polícia arbitrariamente dissolveu de forma violenta a manifestação fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa protegidos pela polícia trancaram as operárias e atearam foco à fábrica, levando ao óbito todas as operárias.

Imagem da Internet
Esta foi uma data que se tornou um marco na História dos movimentos feministas na busca de maior dignidade para as mulheres e transformarem as sociedades para um patamar mais justo e igualitário.  Durante a II Conferência Internacional das Mulheres, realizada na Dinamarca em 1910, foi proposta e aceita a proposta para que fosse declarado o dia 08 de Março como o Dia Internacional da Mulher em homenagem às 130 operárias americanas brutalmente assassinadas em 1857.

Exposto isto, poderia ficar descrevendo durante outros tantos parágrafos a respeito da necessidade igualitária e respeito às mulheres, mas não o farei. Creio que o mais importante é poder reconhecer o quanto são significativas as presenças femininas na vida de cada um. Nossa vida já inicia dentro do conforto e da segurança do ventre materno, com raras exceções, durante toda nossa vida não encontraremos ser mais dedicado e abnegado.

Nestes últimos cento e tantos anos as mudanças não foram tão significativas; as mulheres receberam a permissão para definir seu futuro através do voto, em algumas sociedades foram criadas leis que as protegem, mas os abusos ainda são grandes. Mulheres ainda recebem menos que os homens desempenhando as mesmas atividades profissionais, ainda sofrem abusos sexuais e físicos, em algumas sociedades valem menos que uma cabra. O preconceito ainda é latente, mas a grande mudança deve ocorrer dentro do lar de cada um. Ensinar aos pequenos que há sim necessidade de igualdade entre os seres humanos, independente de sexo, orientação política, religiosa e tez.  

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Para nossa felicidade, encontraremos outros exemplos – a mulher solteira por opção, a mulher dedicada profissionalmente, a estudiosa, há aquela que se tornou mãe solteira e assumiu às vezes de pai e mãe, a sonhadora, a intransigente, a que casou e separou, a que se deliciou muito e todas as noites com os prazeres carnais, a que possuiu muitos parceiros, as que continuam castas. Seremos apresentados à que lê muito, aquela que não leva nenhum desaforo para casa, a que se entrega “vestindo” apenas brincos e pulseira, a que acorda cedo para atravessar a cidade para trabalhar e chega tarde à noite por causa da faculdade, a mãe que briga com os filhos, mas chora de saudade quando estão distantes, existe aquela que caiu e se levantou com toda a força. Encontraremos as mulheres que se tornarão apaixonantes com seus olhares, as que falarão bobagens como se fossem mestres na capacidade de tornar um ambiente mais leve, haverá as mulheres musas, as que beberão parelho, as que esqueceremos aquelas que sempre serão lembradas, as que serão nossas parceiras e companheiras de caminhada, enfim, sempre existirá uma ou várias mulheres únicas na vida de cada um!

Recordo uma peça publicitária sobre o Dia Internacional das Mulheres, escrito com uma linguagem bem descontraída declarava; “Que se dane o Dia da Mulher, eu quero a minha parte em grana, e não adianta vir com florzinha e nem bombom, muito menos champagne e dia no SPA. A essa altura do campeonato, a mulher já provou o que tinha que provar, agora é hora de aproveitar: mesmos direitos, mesmo tratamento, mesmo salário, mesmas oportunidades no trabalho e muito mais ajuda em casa. Ou então, vamos propor um dia só para eles fazerem depilação, unha, a lição de casa com as crianças, a comida, o supermercado, cuidar do cachorro, e no final do dia, a gente dá um botão de rosa de lembrança. Inesquecível”.

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Concluo que tive realmente muita sorte, porque sempre conheci mulheres ímpares, com as qualidades descritas anteriormente e com tantas outras que não caberiam aqui. Logicamente que nelas também residem defeitos, afinal, como seria perfeita uma mulher sem eles? Porque ser mulher é viver com todas as perguntas e respostas misturadas, conter doçura e firmeza em seu ser, andar de salto alto com postura de rainha e não reclamar de seus pés machucados! Einstein em sua infinita sabedoria, se chamado para definir a mulher com suas fórmulas concluiria que definitivamente não existe lógica ou matemática que desvende o seu segredo.

Hoje só me resta prestar esta pequena homenagem, observar com respeitosa admiração suas existências e deixar meu beijo respeitoso em suas mãos! Parabéns, hoje e sempre!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Serenata

O seresteiro inconsolável, triste continuava a cantar;
ah, se você acreditasse em minhas verdades de amar,
mas que adiantaria dizer, gritar, brandar e tentar provar, 
do amor que existe ou possa adormecido estar, 
se este coração que tento conquistar,
por outro melhor que o meu vive a suspirar?

Só rezando!!!

Existem pessoas que possuem a capacidade de não nos permitir ser bons seres humanos. O mundo está repleto de imbecis travestidos de sábios e quando se encontra com algum exemplar desses deve-se pedir paciência, porque se pedir força ninguém sabe o que pode acontecer!