sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Henry e seus Cães!


Henry nunca perdera nada de importante em sua vida. Talvez algum livro em uma de suas constantes mudanças ou peças de louça. Em sua visão de mundo, só considerava seu o que comprara com o suor de seu rosto; e por este motivo fica tão impressionado quando escutava alguém dizer que perdera a amizade de uma pessoa.
Os sentimentos, com raras exceções não são comprados. Eles são uma conquista de meses, anos e táticas mais ou menos arriscadas de aproximação e merecimento.  Eles são outorgados de forma espontânea, sem nenhum tipo de cobrança, e tão pouco aviso formal. Quando menos se espera, percebe-se a responsabilidade assumida frente a quem nos julga merecedores de tal distinção.
Impressionava o fato de Henry saber e principalmente ser consciente no escroque em que havia se transformado, é como ele estivesse de alguma forma provocando a si mesmo, desafiando a si mesmo em descer um pouco mais fundo a cada dia. Nessa luta auto-infligida, lembrou de uma antiga história contada pelo mestre Takashi, em uma de suas sessões de judô.
Lembre-se que dentro de cada um, vivem dois cães em eterna luta. Um simboliza o bem, as boas vibrações e todas as virtudes que possui, o outro é exatamente o contrário, é a antítese do primeiro. O aprendiz não refletiu no ensinamento e perguntou qual dos dois cães vencia a luta, a resposta desconcertante na época, até hoje possui o mesmo efeito – Vence caro aluno, aquele a quem decidires alimentar mais!
Henry suspirou fundo e lembrou, devia urgentemente parar de alimentar o segundo cão e voltar seus cuidados ao parceiro de outros tempos. O mal já estava feito, vergonha sentia, mas só podia observar e colher os ensinamentos escancarados. Estava na hora de crescer e voltar a ser adulto.

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