quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Somente Sonhos...

E o poeta entre um rabisco e outro,
Mostrando sagacidade ou não,
Desejava nada menos que aquele coração,
Fincar bandeira, estabelecer moradia.
Suas investidas, às vezes boas outras más,
Deixavam inquieta a menina nórdica,
Que entre um suspirar e outro,
Dizia com sinceridade,
És meu Poeta Preferido!
Pensava ele, entre o céu e a terra,
Não há apenas mais coisas sem explicação,
Há a vida que se mostra cheia de reentradas,
E na impossibilidade momentanea de ser mais,
Contenta-se com este Título Nobre,
Pois até mesmo para se chegar a Duque,
Precisa-se antes ser Visconde.
O Poeta satisfeito teve seu peito estufado de orgulho,
Esperançoso de ser mais, porque a cada amanhecer,
A vida pode de uma forma ou de outra, surpreender!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Felicidade

Quem não deseja ser feliz em sua plenitude?
Todos o querem, mas apenas os loucos conseguem,
porque estes, imersos em sua loucura,
não enxergam o mundo de forma cinza e destoante,
o fazem com os olhos da alma
e donos de seu mundo particular
São felizes em sua plenitude!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Henry e seus Cães!


Henry nunca perdera nada de importante em sua vida. Talvez algum livro em uma de suas constantes mudanças ou peças de louça. Em sua visão de mundo, só considerava seu o que comprara com o suor de seu rosto; e por este motivo fica tão impressionado quando escutava alguém dizer que perdera a amizade de uma pessoa.
Os sentimentos, com raras exceções não são comprados. Eles são uma conquista de meses, anos e táticas mais ou menos arriscadas de aproximação e merecimento.  Eles são outorgados de forma espontânea, sem nenhum tipo de cobrança, e tão pouco aviso formal. Quando menos se espera, percebe-se a responsabilidade assumida frente a quem nos julga merecedores de tal distinção.
Impressionava o fato de Henry saber e principalmente ser consciente no escroque em que havia se transformado, é como ele estivesse de alguma forma provocando a si mesmo, desafiando a si mesmo em descer um pouco mais fundo a cada dia. Nessa luta auto-infligida, lembrou de uma antiga história contada pelo mestre Takashi, em uma de suas sessões de judô.
Lembre-se que dentro de cada um, vivem dois cães em eterna luta. Um simboliza o bem, as boas vibrações e todas as virtudes que possui, o outro é exatamente o contrário, é a antítese do primeiro. O aprendiz não refletiu no ensinamento e perguntou qual dos dois cães vencia a luta, a resposta desconcertante na época, até hoje possui o mesmo efeito – Vence caro aluno, aquele a quem decidires alimentar mais!
Henry suspirou fundo e lembrou, devia urgentemente parar de alimentar o segundo cão e voltar seus cuidados ao parceiro de outros tempos. O mal já estava feito, vergonha sentia, mas só podia observar e colher os ensinamentos escancarados. Estava na hora de crescer e voltar a ser adulto.

O Palhaço

Sentando frente ao espelho, o palhaço se encara,
Final de espetáculo, o falar de vozes se esvanece,
Inicia o conhecido ritual de perder sua identidade;
Aos poucos suas feições normais surgem,
Os olhos que brilhavam, tornam-se úmidos,
Reflexo de seus pensamentos, ligeiros e maldosos:
“Faço todos rirem, mas quem é capaz de me fazer sorrir?”

Memória


Como considerar aquele que recai em erros e falhas,
Mesmo sabendo que a verdade inexplorada,
É o tesouro libertador, o elixir da boa aventurança.
Seja um tolo ou erudito, o homem que se perde,
Ao tentar saciar os seus desejos mais profanos,
Acaba por tornar-se animal bestial,
Porque permite de uma forma inexplicável,
Que sua razão seja preterida aos instintos.
A dura pena que segue não é vista com chance real,
É encarada apenas como um castigo indevido.
Poucos são os que se permitem realmente conviver,
Com a angústia dos erros e a serenidade dos acertos,
Tão naturais como o ato de respirar e hidratar,
Inflar a alma de esperança renovadora,
Percebendo em cada amanhecer a oportunidade,
Não de tentar refazer a vida e nem gritar loucamente,
Os atos perenes que esperam de si, mas ser,
Um viajante que mesmo perdido, sabe onde atracar.

Chaves


 A porta está trancada, mas tens as chaves;
O carro está parado, mas tens as chaves;
Tua boca não se fecha, mas tens as chaves;
Tente ao menos uma vez usá-las!

Canastra Real


Pouco importa se no amor, as cartas forem marcadas,
Sem querer, ao final, todo o blefe é permitido,
No bailar da mesa, as ávidas mãos buscam,
No monte, completar suas sequencias,
E se ao final da jornada, não houver conquista,
Sempre é possível recomeçar!

Cartas Perdidas


Cada palavra poderia traduzir,
O que sentia naquela noite,
Mas reinou o silencio,
Rasgando as cartas,
Sem ao menos interessar,
Se nas poucas linhas,
Haveria ao certo algum sinal,
Um pedido de resgate,
A trégua esperada,
O aceno, o acerto,
O Adeus e o erro!

Baile de Máscaras


Triste sina transmitida pelos caminhos do tempo,
Transformando os cegos, mudos e surdos,
Em observadores, palestrantes e ouvintes.
As máscaras usadas nos bailes da vida,
Perdem o brilho e beleza, ao se resguardarem,
No fundo dos salões de mármore.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O que pode acontecer?

O Poeta em meio a Praça de Madrid, começa a proferir, de forma continua e perene tudo que lhe brotava no peito. Dizia com voz solene "Há mais sombra do que luz em minha alma atormentada de poeta, e por assim, se nada de bom ou alegre posso falar, é melhor calar! Porque nada mais deprimente existe neste mundo do que alguém desejar aquilo que já é incapaz de sentir"...

Atordoada a platéia, em uníssono grita - "Não te percebemos assim, há em ti Poeta tanta luz que invade nossa vida, transborda esperança e amor, fazendo-te tão único, não penses assim, continua tua obra, não a deixe esquecida em algum fundo de gaveta ou nas empoeiradas estantes do tempo".

"Só me percebes assim, povo de meu viver, porque ao longe não se distingue na face, o sorriso ou o murchar de lábios. Viver no estágio de melancolia, ao contrário do que pensam os eruditos, não é motivo de desespero ou crônica doença, é a forma que a alma utiliza, para em silêncio, perpetuar uma revolução, dar fim ao período de tirania do que não serve mais e abrir espaço pra um poder moderador!"

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Trêmulas mãos de Luigi

E Luigi com a mão trêmula, escreveu à amada;
te amei porque tu és uma mulher que desperta amor...
desperta admiração, respeito e fascinio...
tu és mulher na concepção plena da palavra...
e por ser assim, só poderia entregar meu coração,
mesmo de papelão em tuas mãos,
para que na caixa vermelha o depositasse,
e com a chave perdida, lá ficará, até que alguém o liberte!





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Menina da Getúlio


Existe em minha cidade uma menina,
Tão linda e tão bela, que me acelera o pulso,
Me faz imaginar que possuo valentia
Para chegar próximo a ela e dizer baixinho,
Que preciso eu, pra receber em meus lábios um beijo teu?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Diferenças

Se continuar assim, me apaixonarei por ti,
mas como fazê-lo, se tão diferentes somos,
enquanto eu prefiro a noite, te delicias com o dia,
me completa a lua e te enamoras pelo sol.
Até nos cuidados do jardim há divergência,
pois enquanto cultivas cravos, me encanta o jasmim.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

(A's)³

Aquela seria apenas mais uma das tantas noites em que o vazio de sua alma abrigaria tortuosas inquietações, mas em cada respirar encontrava uma surpresa, como a solapar as certezas construídas sobre alicerces de fragilidade desconhecida.
Apenas esqueceu-se de avisar para a Linda Mulher, que resguardada em seu castelo fora capaz de transformar, tal alquimista o frio em cálida esperança, modificar as ordens naturais e observando com seus olhos amendoados, perceber uma distinção naquele que sempre se julgou inferior.
Acalentou de forma cândida e desinteressada a tempestade que se criava e ao longo daquela noite, foi capaz de conquistar a atenção e os pensamentos dele, convencendo-o ser possível recomeçar das colinas do Por que.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Para quem possa interessar


Certa vez desejei possuir a capacidade de encantar as pessos com meus pensamentos,
Esqueci que somos eternos responsáveis por cada semente plantada nos corações e mentes;
Falando sempre demais, tentei viver de minha maneira as situações que foram proporcionadas pela vida.
Assim sendo, me encantei, me apaixonei, sofri por amor e revivi em cada lembrança.
Hoje, quando noto que nem tudo fluiu da forma como desejei, uma onda de frustração me invade;

Porque nesta minha inesgotável sede de amor, entrei em terreno escorregadio,
alguém disse nesta andança, ter se apaixonado e eu tão vil e mesquinho me fiz de desentendido, negando o que estava escancarado à minha frente,
Apenas furtivamente me permitia o encontro em madrugadas longas,
em horários tão distintos que descobri qual era o momento em que a lua mais beijava a Terra,
desvendei mistérios, desnudei-a de roupas e temores.

Tolo diria meu avô se me visse hoje,
porque tudo isto era minha plantação, na hora da colheita, este amor tão doce e intenso,
tornou-se frio e distante, e hoje perdido nestes momentos de tormenta,
em que desejo mais do que nunca voltar a ser completo,
só a tenho em sonhos tão rápidos que as vezes me deixam em dúvida,
se realmente um dia a tive junto a mim.