quarta-feira, 27 de abril de 2011

M

Este é um Post especial! É a minha forma de dividir com você que encontra alguns minutos, em meio ao caos moderno, para ler o que escrevo, o meu mais sincero e profundo agradecimento.

O blog que começou acanhado, em um processo muito simples de publicação de textos antigos, transformou-se em um projeto pessoal que me concede satisfação, desenvoltura e consequentemente, incentivo para continuar produzindo textos inéditos, sejam crônicas, pensamentos, poemas e divagações. Fazendo uma analogia futebolística, me sinto tão ansioso quanto Pelé em 1969 e Romário em 2007 ao marcarem os milésimos gols da carreira, é uma emoção que não pode ser mensurada!

Caindo na frase batida, seria injusto começar a citar nominalmente cada um que me incentivou nesta caminhada, porque há tantos! Desde a amiga que aprovou o nome do blog, passando por aquela que toda vez que falamos me incentiva a buscar uma oficina literária e que faz coro com tantos outros que me estimulam a escrever e publicar um livro, culminando em todas as pessoas que foram e são minhas inspirações e que ao serem retratadas, conseguem se visualizar nestas linhas.

Toda a regra tem sua exceção, e portanto, citarei apenas duas pessoas que sem sombra de dúvida alguma são responsáveis mais que diretos por este momento. A minha Jussára, que me carregou em seu ventre por nove meses e se tornou minha primeira alfabetizadora, execercendo sua vocação de ensinadora dentro do nosso lar, me apresentando ao mundo das letras e dos livros, e ao meu Mário, que se não possuia a mesma vocação, sempre foi capaz de nos ensinar que a vida vai muito além das paredes de uma escola, que devemos sempre procurar a correção, andando no caminho da honestidade, com a cabeça erguida, sem ter motivos para nos envergonhar.

Vocês são os responsáveis por eu estar quase me convencendo de possuir alguma vocação literária!

p.s.: Gostaria muito de saber quem foi o milésimo a me visitar, portanto se puder, deixe seu comentário no pé do post.... hehhehe

terça-feira, 26 de abril de 2011

Aimeé

Era impossível ficar impassível a Aimeé. Se vivesse na França do Século XIX, com certeza não teria passado despercebida pelo escritor Honoré de Balzac. Com seus trinta e poucos anos, uma balzaquiana na essência das personagens descritas no romance francês que valorizava sua beleza, suas experiências, pensamentos, desejos, angústias, reivindicando apenas o direito dela ser feliz. Balzac escreveu que uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz. “A mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça”.

Aimeé era sem sombra de dúvidas esta mulher! Dona de traços finos, seu rosto harmônico lhe imprimia uma facilidade para o sorriso sincero, que se tornava uma espécie de cartão postal, ainda mais porque era emoldurado com seus lábios convidativos. Reza a lenda que não foram poucos os homens que enlouqueceram pela idéia de tocá-los em demorados beijos. Somado a isso tudo, uma essência única, não encontrada em qualquer corpo feminino lhe concedia a capacidade de se reinventar a cada amanhecer, era a Fênix moderna, que em seu fogo ressurgia pronta a alçar vôos mais longos, intensos e marcantes.

A primeira vez que Henry cruzou seu caminho, foi em uma tarde comum e despretensiosa. Envolto em seus pensamentos, com suas indagações e reconhecendo o vento sul que mansamente lhe beijava o rosto, fez pouco caso do telefone que tocava constantemente. Nestes lampejos, sacou o fone do gancho e ao dizer alô escutou do outro lado da linha uma voz rouca e marcante, que pedia mais detalhes de um projeto que estava sendo implantado por suas empresas. A forma como ele se sentiu impressionado pela força e espontaneidade que surgiam das vibrações telefônicas o conquistou. Foi como um grito em plena madrugada.

_ Oi, é o Henry? Olha só lindo, eu preciso receber os relatórios que elaborou e os contatos e entenda isso como os emails e telefones dos diretores da consultoria para encaminhar a minuta do contrato? Consegue pra mim?

Ele pensou – quem em sã consciência chama alguém de lindo pelo telefone? A resposta surgiria com o tempo, apenas uma mulher segura como Aimeé seria capaz disto! E ela era capaz de muito mais, conquistou sua confiança, o fez se mostrar de uma forma impensável, se tornou uma companhia constante, falava sério quando a situação era de descontração e mostrava uma suavidade e relaxamento quando o mundo ruía; e o desmoronou quando um dia lhe disse – sabe, quando você está próximo, tenho a certeza que tudo vai dar certo, é como se você fosse um anjo.

Naquele dia, Aimeé sem imaginar operou um milagre, devolveu ao tão combalido Henry a esperança de ser digno e ganhou o carinho e o amor sincero que ele ainda trazia guardado no coração!

sábado, 23 de abril de 2011

Como é bom ser pobre!

Festa de pobre é muito animada, o consenso popular diz exatamente isto. Os encontros são regados de farta comida, panelas e mais panelas de arroz, feijão, carne, cerveja e animação contrastam com os pratos a La francesa, com doses minúsculas de uma comida sem graça e uma sobriedade inigualável.

Tudo é diferente se compararmos pobres e ricos. O pobre frente a qualquer injustiça, sai no braço, arma barraco, briga, quebra tudo e chama a policia. Os vizinhos nas janelas acompanham com interesse extremo o final do perrengue; já o rico pede para o advogado resolver os problemas com o fisco, com o vizinho que avançou a cerca para seu terreno, em um marasmo total.

O rico separando, divide os apartamentos, as lojas e os carros, tudo seguido do discurso batido do amor acabou, mas a amizade é eterna, nos desejamos um bem enorme, sem esclarecer o que significa esse “bem enorme”. O pobre já quer mais é que aquele que o deixou seja infeliz, que sofra para dar valor ao que perdeu, vai até o “dotor” para pedir pensão, marca a vida do ex de cima e ainda faz propaganda negativa!

Agora, nunca vi, em momentos de dificuldade extrema, encontrar povo mais solidário que o pobre! Ele divide o pouco de roupa, oferece abrigo, comida e proteção. Possui a certeza inabalável que Deus está lhe guardando algo melhor, crê no ser humano independente de onde estiver. Quero eu, conseguir ser pobre todos os dias do meu viver; ainda mais quando alguém de mim precisar!

Henry e seu dilema...

Henry refletira muito, pensava a cada toque na campainha ser o retorno da predadora que lhe roubara a alma. Pobre diabo era no que se transformara, perdido sem mapa algum a lhe guiar.

Túnel do Tempo

O fornecimento de energia da mui leal a valorosa cidade de Porto Alegre está incrível. Chove e falta luz, não sei se as culpadas são as condições das árvores que embelezam as calçadas ou as precárias condições dos fios e postes que são derrubados a cada lufada de vento! É uma experiência inigualável, para nós, humanidade moderna permanecer horas sem o abastecimento de energia, minha última vivência neste sentido perdurou 16 horas!

Aproveitei o tempo e resolvi escrever, utilizando a trinca, caneta esferográfica, papel e luz de velas, tirando o tipo de caneta, os demais componentes eram bem utilizados no século XVIII, foi praticamente uma viagem no tempo desde o século XXI.

Entre um rabiscar e outro, fiquei observando a chama da vela mover-se conforme o vento que entrava pela janela e a água descia dos céus. Foi um bailar, um pular tamanho que me fez imaginar se esta era a visão e a sensação que meu trisavô sentia quando realizava os escritos na sacristia da Igreja em que era zelador. É impressionante o quanto os fenômenos da natureza, aliados a inoperância da companhia elétrica, nos proporcionam um reencontro com a História.

Odiar ou não odiar? - Eis a questão!

Em uma tarde qualquer, destes dias perdidos no tempo e no espaço, me fizeram uma pergunta de forma tão direta e peculiar que me constrangeu e possibilitou uma reflexão sincera. Uma ex-namorada queria saber quanto tempo eu levara para deixar de sentir ódio dela. Respondi com toda a transparência, mas minhas ponderações parecem não a convenceram muito, mas o que fazer?

Não me recordo de ter sentido ódio de qualquer companheira. Primeiro porque ódio é uma palavra forte, que exprime um sentimento contrário ao amor, e como amei verdadeiramente toda mulher que comigo se envolveu me sinto impossibilitado de odiá-las. Posso sim, ter sentido mágoa, decepção, amargor, agora, ódio não. Sempre digo que não se pode odiar quem se viu adormecer ao nosso lado.

Agora, se você quiser saber o porquê desapareci por um tempo, divido contigo que um período de luto, geralmente de um ano, período no qual tento descobrir o mínimo possível da recente ex-companheira. É um tempo em que reflito sobre os meus acertos e erros na relação, enquanto vou conhecendo e me doando a uma nova parceira. É a forma que encontro de ainda demonstrar minha consideração a quem já não está mais ao meu lado e respeito extremo a quem está chegando, até porque não acredito na possibilidade de alguém ser tão evoluído ao ponto de encarar com naturalidade a presença física constante da ex na vida do namorado e vice-versa. Então para você que perguntou o tempo que levei para deixar de te odiar, fica minha resposta nestas linhas.

Que País é Este?


Renato Russo no início da década de 80 cantava nos palcos do Planalto Central os refrões que incitam a juventude a pensar que País é este em que vivemos?Ah, se ele pudesse ver este mesmo Brasil anos depois!

Veria que o nosso País tem pessoas capazes de eleger, como o deputado federal mais votado da União, um comediante vestido de palhaço com o slogan “o que um deputado faz? Não sei me eleja que conto pra você”. Para nos alegrar mais ainda, ele contratou mais dois comediantes para serem seus assessores.

Saberia que o nosso País é capaz de receber uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, mas é incapaz de prover com saneamento básico todos os lares, que acaba obrigando as pessoas a construírem casas nas encostas dos morros, causando desmoronamento dos lares e soterramento de famílias inteiras, em tragédias que parecem não ter fim. Estas mesmas chuvas alagam as ruas Brasil a fora, porque as bocas de lobo estão entupidas de lixo e não exercem corretamente sua função.

Renato Russo ficaria muito feliz em saber, que o Presidente da maior potência do mundo, em visita as terras tupiniquins, disse com o sotaque carregado e a simpatia “obamica” que este não é mais o País do futuro, é o País do agora. Pularia de alegria ao saber que o poder aquisitivo da população aumentou e lotou as ruas esburacadas de carros, causando congestionamentos quilométricos, deixando paralisadas as grandes metrópoles.

Saberia que descobrimos uma imensa reserva de petróleo, nos tornando auto-suficientes, proprietários de uma das maiores reservas do combustível fóssil, mas que cobra um valor elevado para a gasolina, o GLP e seus derivados.

Teria um orgulho inigualável ao perceber que o acesso ao nível superior está ao alcance de todos, mas que vergonhosamente, mantemos cotas de ensino a outros irmãos iguais a nós, como se a cútis fosse capaz de interferir no intelecto, no mais claro exemplo de hipocrisia e preconceito velado.

Andaria pelas ruas com medo de ser vítima da violência diária, nesta quase guerra civil, onde o Exército precisa sair dos quartéis, subir os morros e repor ordem ao caos social causado pela inoperância do Estado. Perceberia que a juventude a quem tanto cantou, está cada vez mais perdida enquanto consome a pedra do crack, destruidora dos lares e da esperança.

Ficaria atônito ao perceber que as pessoas morrem nas filas do SUS, que geralmente quem não precisa é que se beneficia com os projetos de saúde, consegue afastamento de trabalho, remédio gratuito, auxilio isto e auxilio aquilo. Negaria insistentemente que perpetuamos a máxima de que apenas pobre vai preso, e ao sê-lo sai da cadeia mais escolado no crime. Se questionaria o porque recebemos bem ao turista mas não concedemos uma segunda chance a quem se regenera?

Receberia como resposta que nosso povo se esquece dos mártires e heróis anônimos, ridiculariza os professores e mestres, mas endeusa os participantes do BBB. Somos o povo que vira o rosto para a criança faminta e o idoso doente.

Perceberia que o Estado insiste em usar métodos paliativos para os problemas crônicos sejam de falta ou excesso d’água, que somos o País de um povo que ainda deseja levar vantagem sempre que possível; que troca etiquetas de preço, que come e bebe dentro dos supermercados e não paga pelo consumo. Somos o povo que não gosta de ler, que se compraz com futebol, praia, carnaval, cerveja e mulher; mas que beleza, em 2014 terá Copa do Mundo no Brasil! O único senão é que o Zé do sertão, o Antônio do morro, a Ana da periferia, não terão condições de apreciar tamanho espetáculo, estarão ocupados buscando a sobrevivência em empregos baratos enquanto alguns engravatados estarão comendo caviar, do que eles só ouviram falar, comprado com o dinheiro desviado de alguma licitação.

É meu caro Renato Russo se ainda estivesses de corpo aqui, faltaria musica para expressar tamanha indignação

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Inclusão Digital – a maldição do email

Foi-se o tempo em que éramos sistematicamente bombardeados apenas por emails de correntes, embora ainda volte e meia apareça um destes regado de uma carga emocional capaz de acabar com as “trocentas” guerras que existem no Planeta. É o efeito da bendita inclusão digital. A informação circula por todos os pontos, somos atingidos a cada segundo por uma gama debites que modificam profundamente o jeito de ser, pensar e agir.

Nestes dias lembrei-me do fato ocorrido com um amigo há alguns anos. Manuel Claudiomiro tem nome de cantor de bolero, mas é um cara descolado; e obviamente antenado ao mundo digital, lançou mão de uma tática infalível. Ele não podia ver nenhuma mulher linda passando pelos corredores de seu trabalho que se sentava frente ao computador e dedilhava as teclas, unindo letras, palavras e frases no email, adicionava o nome da musa e tascava um galanteio monumental – “hoje tu ta lindona princesa”. O retorno positivo não era grandioso, digamos que de cada 100, apenas 01 era de alguma incauta que caíra em seu gracejo, 04 perguntavam quem ele era 10 sugeriam que ele procurasse algum familiar perdido nas ruas da cidade e os demais, silenciavam em respeito do desprezo absoluto da cantada.

Agora com a possibilidade dos smart fones, tudo ficou mais fácil, pelo menos para o Manuel e trágico para as suas vitimas em potencial, agora ele envia sms a torto e a direito, mas ai a culpa acaba sendo das operadoras de celular que o municiam.

Sabendo deste fraco do amigo, o provoco sempre que possível ao vermos alguma destas mulheres. O cutuco e digo com o meu já tão conhecido sarcasmo – e ai Manuel, ela ta pedindo um email, não ta? A resposta é quase sempre a mesma, acompanhada de um sorriso malicioso – oh se ta!

A idade feminina

Talvez não exista na humanidade, tabu maior do que perguntar a uma mulher a sua idade. Aquele que se arrisca a fazê-lo comete um sacrilégio! Se o Papa fosse uma Papisa, com certeza, boa parte dos homens estaria excomungada. Sim, cometemos de forma quase natural esta indiscrição, porque para nós, este é um assunto tão normal e sem importância (sempre existem exceções). Geralmente os homens perdem a linha quando questionados sobre o esquema tático do time do coração, e ai, demonstram as mesmas reações femininas.
As mulheres são mais solidárias. Sabem o quanto dói olhar no espelho e constatar que cabelos brancos começam a gritar pedindo atenção em meio à cabeleira negra, loira, ruiva, vermelha, verde, lilás... A aparência é tudo, é a mais potente arma de sedução, de poder e controle. Toda a apresentação diária é ricamente pensada e preparada; da cor da lingerie ao brinco, passando pelo detalhe do sapato que combina com o broche pendurado na alça da bolsa de couro, que é cuidadosamente guardada dentro de sacos de TNT e por ai perde-se na imensidão de possíveis variáveis.
Assim sendo, creio que todos já presenciaram, algum descuidado cometer o pecado mortal de indagar despretensiosamente a idade da menina do bar. Se ela for bem nova, não levará a mal, a não se que ela tenha 23 anos, aparente 25 anos e o pobre infeliz, chutar uns 28 anos. Pronto! É fisionomia fechada, sem sorrisos e café queimado toda a manhã. Agora se for ao contrário, ela tenha 28 anos e o iluminado marcar 23 anos, é o vencedor da loteria. É sério, faz bem para o ego feminino e consequentemente para o masculino.
É por isso que me chamou a atenção a coragem da proposta do blog 4.0 da jornalista Roberta Salinet. Ela irá dividir com todos os leitores e internautas as experiências e pensamentos enquanto se aproxima do momento de abrir sua quarta década. Para quem como ela e eu, é capricorniano, sabe o quanto é difícil expor sua intimidade e o quanto este momento acaba sendo gratificante. Hoje as mulheres estão totalmente independentes, trabalham, se sustentam, sabem dizer o basta sem medo do futuro, conquistaram o espaço que lhes é de direito e a conseqüência deste movimento é tratar com mais naturalidade de temas proibidos, e o bacana é que o blog acaba quebrando o paradigma que impede a aceitação e assimilação da idade feminina, ao mostrar uma mulher moderna falando com naturalidade do passar dos anos. Vale à pena conferir. O endereço do blog é http://wp.clicrbs.com.br/quatropontozero

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Sutil Diferença

Noite passada estava escutando a tradução do poema Filtro Solar, escrito por Tim Cox e Nigel Swanston, narrado brilhantemente pela inconfundível voz de Pedro Bial e uma parte dele me chamou a atenção – “aceite certas verdades inescapáveis: os preços vão subir. Os políticos vão saracotear. Você, também vai envelhecer. E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos”.
Minha infância e adolescência foram vividas em um País que lutava ferozmente contra o dragão da inflação, portanto não existiam preços razoáveis naquela época e os políticos continuam saracoteando cada vez mais (salvo exceções), portanto não poderei fantasiar sobre eles, mas a questão do respeito das crianças, esta é diferente.
Acredito que não há necessidade de ministrar uma aula de História para lembrar que durante 21 anos o Brasil viveu sob um regime militar, nostalgicamente imensurável para alguns e de uma aversão bíblica a outros, explicação mais do que plausível para que as pessoas se policiassem. A educação nas escolas era mais rígida, o controle do Estado e o gerenciamento da Igreja nas famílias Cristãs eram uma constante nos lares espalhados pelo território nacional. O surgimento do Movimento Diretas Já quebrou este paradigma, aliado ao fato dos militares desde o governo Geisel acenarem com o processo de abertura, inclusive, com o retorno de políticos, artistas e intelectuais enviados ao exílio.
E ao lembrar como éramos naqueles anos juvenis, realizei uma comparação com os jovens de agora. Conclui que existe um hiato comportamental enorme entre eles. Está havendo um equivoco enorme, porque, confunde-se sistematicamente liberdade com libertinagem. Liberdade é um substantivo feminino, que expressa à faculdade de cada um decidir ou agir segundo a própria determinação, ou ainda, o estado ou condição do homem livre; enquanto o adjetivo libertinagem remete aquele que não se prende às convenções sociais ou da moral, especialmente em relação ao comportamento sexual.
Meu ensino fundamental foi em um Colégio de padres. As turmas eram mistas e no aflorar da adolescência, resolvi convidar uma colega para matar aula, falta grave para os padrões dos religiosos, que se transformou em gravíssima ao levá-la para um canto bem escondido do ginásio esportivo. Lógico que a lei de Murphy entrou em ação e fomos descobertos por um dos funcionários do Colégio. O Morcegão – era assim que o chamávamos – nos pegou pelos braços e sem esboço de reação ou reclamação fomos conduzidos a sala da Coordenação, onde recebemos um “pito” de mais de meia hora. Os colegas da turma me acharam o “tal”, matar a aula e ainda por cima levar uma das meninas mais bonitas junto era o auge para nós, mesmo que nossa infantilidade não permitisse que nada acontecesse a não ser viajar nas bobagens adolescentes, porém a chamada de atenção por parte do Coordenador marcou indelevelmente. Ficou latente que tinha ultrapassado os limites de minha liberdade dentro daquela sociedade e que não seria mais permitida tal atitude.
Nestes dias, me dirigindo para o trabalho, passei por um casal de estudantes que se enroscavam com línguas, braços e pernas na parada de ônibus frente à porta de sua escola. Não se importavam com as outras pessoas que dividiam aquele espaço público com eles, azar se haviam pessoas com idade para serem seus avós ao lado, se pais conduziam crianças pequenas para a creche antes de começarem a trabalhar. Parecia que estavam protegidos por alguma espécie de campo que os tornava invisíveis ou ainda, bem resguardados pelas paredes de um quarto. Creio que eles deviam ter a mesma idade que eu possuía quando fui pego em flagrante delito.
Sempre que me deparo com situações semelhantes as que vivi, teço um comparativo, e naquela noite o fiz vendo da janela de meu apartamento o mesmo ginásio de décadas atrás e imaginei a fisionomia estarrecida que o saudoso Morcegão faria se tivesse nos pego em situação semelhante ao casal da parada. Creio que minha foto estaria até hoje no saguão do colégio com a legenda de anti-Cristo, nossos pais seriam chamados e as conseqüências daquele ato, entre outras, seria um valente castigo e possível expulsão, que naquela época soava como convite para deixar a comunidade escolar. Enfim, hoje, situações como a dos jovens são mais constantes do que podemos conceber. Os casos de vídeos postados na internet com adolescentes mantendo relação sexual em sala de aula ou em banheiros de escolas se multiplicam em uma clara demonstração de que a liberdade conquistada com sangue e sofrimento entre os anos 60 e 90 está sendo constantemente confundida com a libertinagem escancarada e estimulada; as conseqüências deste erro influenciarão as decisões da geração que herdará o País.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Vida como ela é...


Apesar do título, esta não é mais uma crônica de Nelson Rodrigues. Há alguns anos, me deparei com uma reportagem de um jorrnal da Serra Gaucha. A reportagem versava sobre os benefícios da boa alimentação, assunto deveras interessante para os outros, uma vez que sempre fui adepto da dieta regada a carboidratos. Sendo assim, o conteúdo da matéria jornalistica passava plenamente desapercebido, só me restava prestar a atenção na foto de Ricardo Wolffenbüttel, esta mesma que ilustra a postagem.

Uma das virtudes da qual me orgulho é a de ser um eximio observador e sendo assim, comecei minha análise da foto. Obviamente a jovem em questão, estava em excelente forma física, uma vez que em seu rosto não se encontrava nenhum detalhe de excesso de gordura, vaidosa o que se constata ao olhar o desenho das sobrancelhas e o batom suave repousado nos lábios. Ela esta num plano abaixo da pessoa que está a sua frente. Percebi ao analisar a sombra refletida na parte inferior de seu lábio e que se estende até o queixo aliado ao fato da inclinação do garfo que está lhe oferecendo a exótica mistura de uva-verde e cereja, a qual aguarda num misto de ansiedade e confiança, corroborado pelo fato de estar com as pálpebras levemente cerradas. Conclui que alguém estava cuidando daquela jovem, deixando clara a mensagem que sempre, por mais que se deseje negar, precisamos da atenção de alguém. Talvez por tudo isso sempre tenha gostado desta foto.

Os anos se passaram e a modelo da foto, veio trabalhar na mesma empresa que eu. Descobri que ela é mais do que um rosto bonito, é uma jovem ambiciosa, destemida, repleta de vida, com sonhos tão comuns e ao mesmo tempo grandiosos, uma moleca de riso fácil, colorada de quatro costados, que entende e discute futebol com uma desenvoltura rara em mulheres.

Esta mesma menina, está prestes a inaugurar uma nova etapa de sua vida. Ela entrará para o seleto grupo dos anjos da Terra, também conhecidos como Mães! Sim, na foto ela estava sendo cuidada, e em questão de meses passará a cuidar de um menininho chamado Otávio, que para seu desespero, digo que será um gremistinha. As mudanças que o pequeno já lhe vem causando são visíveis, a maior, para mim, é a suavidade e tranquilidade expressadas em seu olhar. É o seu grito para o mundo, nos lembrando de que a vida é cíclica, em um momento precisamos de esteio e quando nos achamos despreparados nos transformamos no porto seguro de uma nova alma...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Um grande homem

Recebi este texto e por ser tão autentico em essência, composto dos mais sublimes ensinamentos o posto.


Um grande homem
Nós homens nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora muitas vezes caiamos por debilidade.
Um dia, minha irmã chorava em sua casa... Com muita saudade, observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua tristeza.
Escutei-os conversando por horas, mas houve uma frase tão especial que meu pai disse naquela tarde, que até o dia de hoje ainda me recordo a cada manhã e que me enche de força.
Meu pai acariciou o rosto dela e disse: “Minha filha, apaixone-se por Um Grande Homem e nunca mais voltará a chorar".
Perguntei-me tantas vezes, qual era a fórmula exata para chegar a ser esse grande homem e não deixar-me vencer pelas coisas pequenas...
Com o passar dos anos, descobri que se tão somente todos nós homens lutássemos por ser grandes de espírito, grandes de alma e grandes de coração, O mundo seria completamente diferente!
Aprendi que um Grande Homem... Não é aquele que compra tudo o que deseja, porque muitos de nós compramos com presentes a afeição e o respeito daqueles que nos cercam.
Meu pai lhe dizia:
"Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se com você... Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las.
Não creia nas palavras de um homem quando seus atos dizem o oposto.
Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor. Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte de energia...
Fuja de um homem enfermo espiritual e emocionalmente, é como um câncer matará tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente)
"Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, que não queira lhe dar amor."
Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais.
Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que quer, porque não é capaz de se expressar abertamente.
Não se enamore de um homem que ao conhecê-lo, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para desfrutar”.
Não se apaixone por um homem que demonstre frieza, insensibilidade, falta de atenção com você, corra léguas dele.
Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades.
Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil?
Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto?
Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza… a do coração?
Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço?
Custou-me muito compreender que GRANDE HOMEM não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito.
Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, é o que abre seu CORAÇÃO sem rejeitar a realidade, é quem admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.
Um grande homem é o que cai e tem suficiente força para levantar-se e seguir lutando...
Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse Grande Homem com quem se casou, não era nem o mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito.
Esse Grande Homem é simplesmente aquele que nunca a fez chorar… É QUEM NO LUGAR DE LÁGRIMAS LHE ROUBOU SORRISOS…
Sorrisos por tudo que viveram e conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos 3 filhos que preenchem suas vidas.
Esse Grande Homem ama tanto a minha irmã que daria o que fosse por ela sem pedir nada em troca...
Esse Grande Homem a quer pelo que ela é, por seu coração e pelo que são quando estão juntos.
Aprendamos a ser um desses Grandes Homens, para vivenciar os anos junto de uma Grande Mulher e NADA NEM NINGUÉM NOS PODERÁ VENCER!

Envio esta mensagem aos meus AMIGOS "HOMENS", para que lhes toque o coração e tratem de fazer crescer esse GRANDE homem que vive dentro deles.

E às minhas amigas "mulheres" para que SAIBAM ESCOLHER ESSE GRANDE HOMEM QUE DEUS TEM PARA ELAS.

Arnaldo Jabor