Neste constante flertar no mundo das palavras, andei de mãos entrelaçadas com os mais diversos sentimentos, da desilusão ao sonho, do desamor ao amor e tantas vezes falei de paixão e das coisas da alma, mas percebi o quão relapso fui por ter deixado de tecer loas ao mais puro Estado de Espírito. Poderia então começar a falar da minha relação com o futebol e obviamente com o Grêmio, mas falar dela, sem citar uma pessoa, seria o mesmo que escrever uma tese de doutorado sem possuir conhecimento do tema.
Nasci no final de 1976, às portas do novo ano. A torcida gremista vivia um período de tristeza e insucessos que parecia não ter fim, o segundo Rolo Compressor colorado havia esmagado a auto-estima Tricolor e aplicara sem nenhuma resistência uma série de conquistas Estaduais até hoje não alcançada, um octacampeonato além de dois Campeonatos Nacionais. Era sofrimento demais para os corações gremistas. O Presidente do Grêmio na época decretou que chegara o momento do troco e montou uma equipe fantástica, com jogadores como Cassia, Oberdã, Yura, Tarcisio, Éder, André Catimba sob o comando de Telê Santana. Aquele 1977 prometia, esta era a esperança de cada gremista espalhado pelo Estado, era nisso que acreditavam até o momento que na final do Campeonato Estadual, Tarcisio perdeu um pênalti contra os vermelhos. Um filme de sofrimento ressurgiu na mente de cada gremista, um sofrimento que perdurou até o gol de pé trocado de André Catimba e sua antológica tentativa de dar um salto mortal que resultou em uma queda mais espetacular, ricamente registrada em fotos e textos da época. O final todos conhecem, quebra da hegemonia vermelha no Estado.
Ao organizar as lembranças de infância encontrei uma foto em que estava no colo de meu “avô”, deveria ter pouco mais de seis meses de vida e já estava vestindo um manto do Grêmio; uma camisa branca com detalhes azuis nas mangas e na gola. Consegue-se perceber um indisfarçável sorriso de contentamento daquele velhinho com seu neto no colo. Em verdade, ele era meu tio, mas a forma com que me tratava não era esta, era exatamente da forma que um avô se relaciona com seu neto, e apesar de não o ter sido de sangue ele o foi de coração. Bento Peixoto Castilhos este é o personagem a quem rendo homenagem! Ele foi casado com tia Jalva, irmã mais velha de minha mãe por incontáveis anos, em uma época em que as palavras proferidas pelos padres eram levadas ao pé da letra: “até que a morte os separe”.
Vô Bento era um gremista da melhor estirpe. Recordo de chegar várias vezes em sua casa e encontrá-lo, quando não estava jogando canastra, com o ouvido colado no radinho de pilha, sentado próximo a janela da sala escutando o jogo do Grêmio. Essa ligação com o Grêmio vinha de longa data, tanto tempo que descobri uma foto já amarelada em que ele estava todo realizado no que creio era a inauguração do Olímpico em um dos registros mais importantes e antigos desta relação. Talvez por isto, que, pai de três filhas influenciou duas a seguirem a mesma paixão. Maria das Graças minha madrinha de batismo e Maria de Lourdes minha madrinha de casamento, a ovelha vermelha foi Maria do Carmo, o que se pode fazer neste caso, é compreender e não descriminar uma pessoa neste estado.
A influência de Vô Bento e de Gracinha foram enormes, caso contrário como explicar que o primogênito de um casal de colorados fosse gremista? Resultado dos anos que se seguiram ao meu nascimento, em que o Grêmio conquistou aos poucos a hegemonia no Estado, alçou vôos mais longos no país, continente e repousou em Tóquio pintando o mundo de azul. Vacinados, meus pais fizeram um trabalho mais intenso de convencimento com meu irmão que debandou para o lado deles.
Fui conduzido pela primeira vez ao Olímpico pelas mãos de minha madrinha, que na época fazia parte de uma das mais apaixonadas torcidas organizadas, a Super Raça Gremista. O jogo acabou empatado em um gol e o adversário foi o Juventude de Caxias do Sul, isto lá pelo distante ano de 1985. Experiência única para um piá de pouco mais de oito anos, mas era inegável que a partir daquele momento estava cada vez mais sacramentado o destino traçado! São tantas lembranças que causam uma nostalgia regada de orgulho!
Hoje passados quase 35 anos da foto com Vô Bento, tenho uma coleção de quase 50 camisas do Grêmio, destas, duas tem especial significado; a de 1989 que ganhei de meus pais e que porta autógrafo do imortal Mazaropi e a que usava naquela tarde de 1977.
Infelizmente Vô Bento nos deixou um enorme vazio quando resolveu partir numa madrugada quente do ano de 1994. Creio que desejava ver os jogos do Tricolor num outro plano, onde seria possível rever antigos craques da bola, colegas de jornada, mas antes de mais nada, ele partiu sabendo que a semente da paixão Tricolor havia florescido na alma de seu neto mais velho!
Seja bem vindo, aqui compartilho um pouco de "minha Obra", meus pensamentos, os personagens reais e imaginários tomados de dúvidas, crônicas, poemas banais e a forma como enxergo o mundo.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Flores Inventadas
Entre a pieguice das palvras e a rudeza dos pensamentos,
fico com a docilidade, porque possui o poder transformador,
desconhece as fronteiras da indiferença e revoluciona,
o mundo como conhecemos, convertendo-o como mágica
no mundo em que desejamos.
E um destes meus desejos, é imaginar, já que não posso ver,
estampado em tua face, um sorriso bem natural,
no mesmo instante que teus olhos se cerram,
e sentes o perfume das rosas, a suavidade de suas petalas
de encontro ao teu corpo e um beijo meu!
fico com a docilidade, porque possui o poder transformador,
desconhece as fronteiras da indiferença e revoluciona,
o mundo como conhecemos, convertendo-o como mágica
no mundo em que desejamos.
E um destes meus desejos, é imaginar, já que não posso ver,
estampado em tua face, um sorriso bem natural,
no mesmo instante que teus olhos se cerram,
e sentes o perfume das rosas, a suavidade de suas petalas
de encontro ao teu corpo e um beijo meu!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
A manhã de Henry
Henry não conseguia pregar os olhos, apesar do cansaço que tomava conta dele e do sono que sentia. Era como se algo o mantivesse acordado, plenamente ligado e disposto a raciocinar sobre as mudanças que vinham ocorrendo em sua vida. Mudanças bruscas geram invariavelmente um desconforto descomunal, bem como, indagações profundas e o temor de sair daquela zona de segurança que resolvera estacionar há tanto tempo.
As tentativas para desligar o botão do pensamento que o direcionava para quilômetros dali eram inúteis. Havia tentado de formas diferentes se afastar daquele cálice, por mais que quisesse seus passos sempre o levavam para a mesma direção e o mesmo recomeço. Confessava para si que viver daquela forma, como um arremedo do que já fora não lhe agradava nenhum pouco. Obtivera a permissão de tentar consertar todos os problemas que criara em sua ultima estada naquela cidade, mas com seu jeito inconseqüente, colocara tudo a perder novamente.
Inegável a sua queda. Percebia que a necessidade de alternativas para colocá-lo novamente em condições plenas de discernir entre o certo e o errado eram latentes, não poderia viver escondendo-se sob disfarces que pensava, não enganavam mais ninguém. Tudo começara em uma noite perdida no tempo e espaço, imaginara se o portal de outra dimensão não fora aberto e ele sugado para dentro desta nova realidade que se descortinava em sua frente. Lutara durante muitos anos para não cair em tentação, mantivera-se fiel as suas mais profundas convicções, mas naquele instante nada daquilo parecia fazer algum sentido. É como se estivesse recomeçando a escrever sua História, e por experiência própria, sabia do riscos que enfrentaria. Estaria disposto a pagá-los?
Olhava para o teto mofado do quarto e reconhecia entre aquelas manchas, as faces de pessoas que pareciam saltar e falar-lhe. Decididamente era hora de agir. O dia começara feio, uma chuva forte lavava as ruas e deixava o clima mais frio. Estas tempestades de inverno serviam unicamente para isto, esfriar o tempo, faze-lo tirar os casacos do armário e sentir-se um pouco mais preso, seus movimentos acabavam por se restringir e era exatamente disto que ele estava escapando. A cada instante o som das águas caindo sobre sua janela tornava-se mais forte e isto tinha um efeito devastador sobre ele. Henry ficaria mais tempo na cama que insistia em expulsa-lo, iria se revirar de um lado para o outro, arrancaria os lençóis do lugar, iria atirar os travesseiros ao chão e resistira ao fato de levantar-se. Não poderia mais se furtar da responsabilidade, tinha que encarar a realidade e buscar uma saída, e ele o faria.
Estranhamente naquela manhã, seu rosto estava mais alongado, a barba por fazer já algum tempo emoldurava a palidez com que estava pintado. Os olhos fundos e opacos encaravam um homem que ele não conseguia decifrar. Estivera tão envolvido com as necessidades urgentes de Monique que esquecera dele próprio. Vivia uma relação repleta de altos e baixos com aquela mulher, ao ponto de diversas vezes terem se afastado, mas seus pólos os uniam novamente. Por mais que ele procurasse uma explicação plausível ela não se descortinava, continuava sem explicar qual a estranha ligação deles.
O chuveiro ligado permitia que a água fizesse coro com a chuva que ainda caia. Seus pensamentos estavam distantes. As palavras de Monique continuavam a ecoar – não tenho tempo agora, não posso ficar perdendo tempo, tenho relatórios pra entregar. Inegavelmente ela era uma mulher que priorizava a carreira e isso batia de frente ao pensamento de Henry. Ela deveria ser mais suave, mais leve, não levar a vida de forma tão seria, afinal de contas, era apenas metal, dinheiro que entrava por uma mão e sairia pela outra e não permitira que ela aproveitasse os instantes que poderia se proporcionar. Em contra partida, Monique não concordava com o ponto de vista dele. Ela era segura de si, desejava ser cada dia mais independente, achava desnecessário possuir um mantenedor, afinal, ela tinha fibra e saúde para conquistar o que desejava, só precisava ajustar a sua agenda profissional aos inúmeros compromissos que lhe eram ofertados. Seu dia se iniciava antes mesmo do sol surgir e terminava tarde da noite, era uma correria que realmente fazia inveja aos mais notáveis maratonistas. Definitivamente nunca se entenderiam.
Foi justamente nesta hora que Henry percebeu o quanto desconhecia a vida de Monique. Ela sempre fora uma incógnita, um aparente mar calmo e isso o instigava. Ninguém poderia ser daquele jeito 24 horas por dia, sorrisos, palavras gentis sem deixar guardado seu outro lado. Era justamente este outro lado que o fascinava, o jeito de explodir, de falar sem parar, de metralhá-lo com seus pensamentos, desejos, idéias e olhares. Sempre quisera acreditar que ele era o único que conhecia este outro lado da menina tranqüila.
Em verdade, queria conhecê-la e da mesma forma desejava que ela o conhecesse, de forma total, sem esconderijos, sem maneios, só que percebera que nunca haviam parado frente a frente e dito tudo o que lhes era importante, apenas mostravam a capa de seus livros, mas não permitiam que fossem folhados, manuseados, o seu conteúdo ainda era desconhecido e da forma como tudo estava sendo desenhado, permaneceriam ocultos. Ele pouco sabia sobre sua vida fora das quatro paredes, era como se apenas o desejo e o sexo os ligassem. Isto o incomodava, era óbvio, mas não poderia ser muito diferente, afinal de contas, eram apenas furtivos os momentos que desfrutavam.
Nunca pediram para entrar naquele espiral, em verdade quando se perguntavam como se conheceram, as definições eram diferentes. Cada qual se perguntava em qual o momento poderiam ter deixado o outro de fora de suas vidas e as respostas eram quase sempre as mesmas, sabiam que não deveriam permitir a aproximação, mas não possuíam coragem de afastar-se. Por mais que brigassem e se cobrassem ou tentassem manter uma posição de total afastamento e convencimento que nada existia entre eles, era impossível deixar de notar as faíscas que surgiam quando estavam próximos.
Todo o dia surgiam novos atores que insistiam em afastá-los e até parecia que esta deveria ser a melhor atitude a ser tomada, cada um seguiria sua vida, trilhariam caminhos diferentes e se fosse de agrado do destino se encontrariam mais a frente. Isto seria a atitude lógica a ser tomada por pessoas com um pouco de centro, mas eles inegavelmente eram diferentes da maioria. Pelo menos Henry assim julgava. Em sua forma de idealização encontrara naquela mulher um pedaço de vida que lhe permitia seguir vivo, era difícil definir tudo o que lhe chamava a atenção.
Ao meio de uma das infindáveis discussões que tiveram Monique mostrou toda a sua ferocidade ao dizer-lhe que ele não queria conversar, essa seria apenas uma desculpa encontrada para não deixar claro e escancarado o desejo de levá-la para cama. Ele pensou que talvez você mais fácil se transformasse essa inverdade em uma incontestável verdade. Sim, seria muito tranqüilo que confirmasse o desejo de tirar-lhe a roupa, prensa-la contra uma parede e possuí-la como os animais no cio. Sim, era isso que ela gostaria de escutar, teria a certeza que ele era igual a todos os outros que a procuravam e flertavam na esperança de ter momentos de prazer com uma mulher encantadora. Tinha tomado sua decisão, na próxima encarnação agiria assim, com certeza, mas nesta não teria este ímpeto.
Enquanto a água caia sobre seu corpo, tentava colocar os pensamentos em ordem, embora não soubesse ao certo o que estavam vivendo, que tipo de relacionamento era aquele baseado em desencontros e brigas, tinha apenas a certeza de não possuir a força necessária para dar um basta naquela situação. Iria simplesmente deixar a vida leva-lo, não era fácil para ele viver aquela situação, ela era extremamente contrária a tudo o que ele sempre acreditou. É como se ele pegasse os ensinamentos de uma vida inteira e os rasgasse, esquecendo as aulas de catecismo, as ameaças de uma vida nos mais profundos abismos tomados pelo fogo do inferno, estes seriam os riscos assumidos e talvez não tão bem mensurados. Ambos possuíam pares que lhes completavam, eram seus suportes emocionais, lhes proporcionavam o amor mais puro que poderiam desfrutar, mas parece que não era suficiente. Henry inegavelmente possuía uma alma indomável. Poderia traçar um paralelo entre o universo e sua alma, ambos estavam em constante expansão e era isso que o incomodava de maneira única. Tentava compreender o porquê era assim. Queria compreender porque Monique o deixou entrar em sua vida, se ela sempre propagara ser uma mulher centrada e tinha um pânico mortal que desconfiassem que ela estava encantada por ele, mesmo no período em que eram descompromissados. Seriam eles dois ingratos? Não estariam arriscando demais? Eram inúmeras perguntas que encontravam sempre a mesma resposta, um “não sei” com entonação entre o desespero e frustração.
As tentativas para desligar o botão do pensamento que o direcionava para quilômetros dali eram inúteis. Havia tentado de formas diferentes se afastar daquele cálice, por mais que quisesse seus passos sempre o levavam para a mesma direção e o mesmo recomeço. Confessava para si que viver daquela forma, como um arremedo do que já fora não lhe agradava nenhum pouco. Obtivera a permissão de tentar consertar todos os problemas que criara em sua ultima estada naquela cidade, mas com seu jeito inconseqüente, colocara tudo a perder novamente.
Inegável a sua queda. Percebia que a necessidade de alternativas para colocá-lo novamente em condições plenas de discernir entre o certo e o errado eram latentes, não poderia viver escondendo-se sob disfarces que pensava, não enganavam mais ninguém. Tudo começara em uma noite perdida no tempo e espaço, imaginara se o portal de outra dimensão não fora aberto e ele sugado para dentro desta nova realidade que se descortinava em sua frente. Lutara durante muitos anos para não cair em tentação, mantivera-se fiel as suas mais profundas convicções, mas naquele instante nada daquilo parecia fazer algum sentido. É como se estivesse recomeçando a escrever sua História, e por experiência própria, sabia do riscos que enfrentaria. Estaria disposto a pagá-los?
Olhava para o teto mofado do quarto e reconhecia entre aquelas manchas, as faces de pessoas que pareciam saltar e falar-lhe. Decididamente era hora de agir. O dia começara feio, uma chuva forte lavava as ruas e deixava o clima mais frio. Estas tempestades de inverno serviam unicamente para isto, esfriar o tempo, faze-lo tirar os casacos do armário e sentir-se um pouco mais preso, seus movimentos acabavam por se restringir e era exatamente disto que ele estava escapando. A cada instante o som das águas caindo sobre sua janela tornava-se mais forte e isto tinha um efeito devastador sobre ele. Henry ficaria mais tempo na cama que insistia em expulsa-lo, iria se revirar de um lado para o outro, arrancaria os lençóis do lugar, iria atirar os travesseiros ao chão e resistira ao fato de levantar-se. Não poderia mais se furtar da responsabilidade, tinha que encarar a realidade e buscar uma saída, e ele o faria.
Estranhamente naquela manhã, seu rosto estava mais alongado, a barba por fazer já algum tempo emoldurava a palidez com que estava pintado. Os olhos fundos e opacos encaravam um homem que ele não conseguia decifrar. Estivera tão envolvido com as necessidades urgentes de Monique que esquecera dele próprio. Vivia uma relação repleta de altos e baixos com aquela mulher, ao ponto de diversas vezes terem se afastado, mas seus pólos os uniam novamente. Por mais que ele procurasse uma explicação plausível ela não se descortinava, continuava sem explicar qual a estranha ligação deles.
O chuveiro ligado permitia que a água fizesse coro com a chuva que ainda caia. Seus pensamentos estavam distantes. As palavras de Monique continuavam a ecoar – não tenho tempo agora, não posso ficar perdendo tempo, tenho relatórios pra entregar. Inegavelmente ela era uma mulher que priorizava a carreira e isso batia de frente ao pensamento de Henry. Ela deveria ser mais suave, mais leve, não levar a vida de forma tão seria, afinal de contas, era apenas metal, dinheiro que entrava por uma mão e sairia pela outra e não permitira que ela aproveitasse os instantes que poderia se proporcionar. Em contra partida, Monique não concordava com o ponto de vista dele. Ela era segura de si, desejava ser cada dia mais independente, achava desnecessário possuir um mantenedor, afinal, ela tinha fibra e saúde para conquistar o que desejava, só precisava ajustar a sua agenda profissional aos inúmeros compromissos que lhe eram ofertados. Seu dia se iniciava antes mesmo do sol surgir e terminava tarde da noite, era uma correria que realmente fazia inveja aos mais notáveis maratonistas. Definitivamente nunca se entenderiam.
Foi justamente nesta hora que Henry percebeu o quanto desconhecia a vida de Monique. Ela sempre fora uma incógnita, um aparente mar calmo e isso o instigava. Ninguém poderia ser daquele jeito 24 horas por dia, sorrisos, palavras gentis sem deixar guardado seu outro lado. Era justamente este outro lado que o fascinava, o jeito de explodir, de falar sem parar, de metralhá-lo com seus pensamentos, desejos, idéias e olhares. Sempre quisera acreditar que ele era o único que conhecia este outro lado da menina tranqüila.
Em verdade, queria conhecê-la e da mesma forma desejava que ela o conhecesse, de forma total, sem esconderijos, sem maneios, só que percebera que nunca haviam parado frente a frente e dito tudo o que lhes era importante, apenas mostravam a capa de seus livros, mas não permitiam que fossem folhados, manuseados, o seu conteúdo ainda era desconhecido e da forma como tudo estava sendo desenhado, permaneceriam ocultos. Ele pouco sabia sobre sua vida fora das quatro paredes, era como se apenas o desejo e o sexo os ligassem. Isto o incomodava, era óbvio, mas não poderia ser muito diferente, afinal de contas, eram apenas furtivos os momentos que desfrutavam.
Nunca pediram para entrar naquele espiral, em verdade quando se perguntavam como se conheceram, as definições eram diferentes. Cada qual se perguntava em qual o momento poderiam ter deixado o outro de fora de suas vidas e as respostas eram quase sempre as mesmas, sabiam que não deveriam permitir a aproximação, mas não possuíam coragem de afastar-se. Por mais que brigassem e se cobrassem ou tentassem manter uma posição de total afastamento e convencimento que nada existia entre eles, era impossível deixar de notar as faíscas que surgiam quando estavam próximos.
Todo o dia surgiam novos atores que insistiam em afastá-los e até parecia que esta deveria ser a melhor atitude a ser tomada, cada um seguiria sua vida, trilhariam caminhos diferentes e se fosse de agrado do destino se encontrariam mais a frente. Isto seria a atitude lógica a ser tomada por pessoas com um pouco de centro, mas eles inegavelmente eram diferentes da maioria. Pelo menos Henry assim julgava. Em sua forma de idealização encontrara naquela mulher um pedaço de vida que lhe permitia seguir vivo, era difícil definir tudo o que lhe chamava a atenção.
Ao meio de uma das infindáveis discussões que tiveram Monique mostrou toda a sua ferocidade ao dizer-lhe que ele não queria conversar, essa seria apenas uma desculpa encontrada para não deixar claro e escancarado o desejo de levá-la para cama. Ele pensou que talvez você mais fácil se transformasse essa inverdade em uma incontestável verdade. Sim, seria muito tranqüilo que confirmasse o desejo de tirar-lhe a roupa, prensa-la contra uma parede e possuí-la como os animais no cio. Sim, era isso que ela gostaria de escutar, teria a certeza que ele era igual a todos os outros que a procuravam e flertavam na esperança de ter momentos de prazer com uma mulher encantadora. Tinha tomado sua decisão, na próxima encarnação agiria assim, com certeza, mas nesta não teria este ímpeto.
Enquanto a água caia sobre seu corpo, tentava colocar os pensamentos em ordem, embora não soubesse ao certo o que estavam vivendo, que tipo de relacionamento era aquele baseado em desencontros e brigas, tinha apenas a certeza de não possuir a força necessária para dar um basta naquela situação. Iria simplesmente deixar a vida leva-lo, não era fácil para ele viver aquela situação, ela era extremamente contrária a tudo o que ele sempre acreditou. É como se ele pegasse os ensinamentos de uma vida inteira e os rasgasse, esquecendo as aulas de catecismo, as ameaças de uma vida nos mais profundos abismos tomados pelo fogo do inferno, estes seriam os riscos assumidos e talvez não tão bem mensurados. Ambos possuíam pares que lhes completavam, eram seus suportes emocionais, lhes proporcionavam o amor mais puro que poderiam desfrutar, mas parece que não era suficiente. Henry inegavelmente possuía uma alma indomável. Poderia traçar um paralelo entre o universo e sua alma, ambos estavam em constante expansão e era isso que o incomodava de maneira única. Tentava compreender o porquê era assim. Queria compreender porque Monique o deixou entrar em sua vida, se ela sempre propagara ser uma mulher centrada e tinha um pânico mortal que desconfiassem que ela estava encantada por ele, mesmo no período em que eram descompromissados. Seriam eles dois ingratos? Não estariam arriscando demais? Eram inúmeras perguntas que encontravam sempre a mesma resposta, um “não sei” com entonação entre o desespero e frustração.
Desalento
Reclama, reclama, mas não sai da cama,
Espera que a Providência lhe resgate,
Assim vai protelando decisões,
Procura em vão pelos olhos do norte.
Esquece que restou apenas uma foto,
Teimosamente repousada ao peito,
Que sofre por falta de atenção.
Espera que a Providência lhe resgate,
Assim vai protelando decisões,
Procura em vão pelos olhos do norte.
Esquece que restou apenas uma foto,
Teimosamente repousada ao peito,
Que sofre por falta de atenção.
Cara ou Coroa
Para mim tanto faz,
Ler ou escrever,
Escutar ou falar,
Chegar ou partir,
Ganhar ou perder,
Se tudo o que faço
Depende da razão!
Ler ou escrever,
Escutar ou falar,
Chegar ou partir,
Ganhar ou perder,
Se tudo o que faço
Depende da razão!
Mestre das Ilusões
O maior dom do Ilusionista,
É mostrar o que nunca existiu,
Aprisionar, deixar cativo alguém,
Preso por vontade da curiosidade,
E mesmo nas cartas esquecidas,
Aquelas do fundo da gaveta,
Encontra-se o encanto e magia
Próprios de pessoas assim,
Rápidas para surgir,
Lentas para conquistar,
E demoradamente eternas.
É mostrar o que nunca existiu,
Aprisionar, deixar cativo alguém,
Preso por vontade da curiosidade,
E mesmo nas cartas esquecidas,
Aquelas do fundo da gaveta,
Encontra-se o encanto e magia
Próprios de pessoas assim,
Rápidas para surgir,
Lentas para conquistar,
E demoradamente eternas.
Anjo
E a menina voltou,
Retornou de sua distante viagem,
Deixou a ampulheta correr,
Companheira da solidão,
Parceira das noites de inverno,
Deixou pensamentos pelo chão,
Sem canções e flores,
Não encontrou a paz desejada,
Porque nada foi igual
Ao amor que sentiu por mim!
Retornou de sua distante viagem,
Deixou a ampulheta correr,
Companheira da solidão,
Parceira das noites de inverno,
Deixou pensamentos pelo chão,
Sem canções e flores,
Não encontrou a paz desejada,
Porque nada foi igual
Ao amor que sentiu por mim!
Sem importância
Que me importa a verdade,
Se sob véus escondemos rostos.
Que me importa a beleza,
Se ela falece ao passar dos anos.
Que me importa a voz,
Se as palavras tornam-se frias.
Que me importa a luz,
Se não consigo ver além de mim.
Que me importa,
As portas que tranquei,
As janelas que quebrei,
Se em tudo havia muito mais,
Um tanto de ti,
Um pouco de nós,
E nada de mim.
Se sob véus escondemos rostos.
Que me importa a beleza,
Se ela falece ao passar dos anos.
Que me importa a voz,
Se as palavras tornam-se frias.
Que me importa a luz,
Se não consigo ver além de mim.
Que me importa,
As portas que tranquei,
As janelas que quebrei,
Se em tudo havia muito mais,
Um tanto de ti,
Um pouco de nós,
E nada de mim.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Porque os Homens traem – visão simplista de uma alma masculina.
Esta será a crônica mais polêmica que escreverei, é uma certeza tão grande pautada no tempo gasto para batizá-la. Escrevo primeiro o poema, conto ou crônica, para após, escolher seu nome. Talvez, realizando uma analogia com a Criação, as encare como filhos (as), pois são pensamentos e sensações que deposito no papel. Pedaços meus, desnudos e expostos. Posso dizer que estou quebrando um paradigma, falando de assunto tão delicado, criador de julgamentos severos e condenações antecipadas de forma tão sincera.
A convenção popular afirma que o homem trai pelo instinto, sendo uma característica inata do ser, elevado ao quadrado ou cubo devido à criação e/ou exemplos familiares. Estudos recentes esclarecem que o ser humano não é biologicamente monogâmico, mas o é moralmente. Interessante afirmação, não fossem dois detalhes que me chamaram a atenção.
Conforme já expus, a cultura influencia o comportamento humano; nas culturas do oriente médio a poligamia é permitida e inclusive estimulada, e sendo uma característica do homem, gênero masculino, porque existem mulheres igualmente adulteras?
Primeiro ponto norteador é não julgarmos o caráter do próximo baseado no nosso. Este se torna erro crasso, porque podemos lançar a vala comum dos desavergonhados casos distintos. Existem tantas variações para o mesmo ponto de vista, que a tinta da caneta será insuficiente para esmiuçar cada um. Sim, embora postado no meio digital, sou conservador. Escrevo sempre com caneta, na velha, batida e já ultrapassada combinação tinta mais papel, mas esta não é a razão da crônica. Voltemos ao assunto.
Ao julgarmos, projetamos no outro todos os preceitos que conduzem nossa existência e caminhada de forma tão severo que seria possível condenar a morte todos a nossa volta. Mulheres afirmam na sua grande maioria que traem apenas como forma de vingança, porque estavam carentes e seus homens nãos as percebiam ou porque estes não auxiliavam no lar, não as entendiam entre outras. Torna-se tão interessante esta tese, porque toda a culpa recai no homem, você já havia percebido? Os homens são culpados por suas traições e pelas femininas. Poucas confessam que o fazem porque sentem excitação por uma terceira pessoa, porque desejam ser capazes de possuir todos os homens que tiverem vontade, porque sabem dizer sim às suas necessidades fisiológicas. Coloco todas estas informações omitidas na conta da sociedade ocidental.
Antes da ira de quem me lê, tomar conta de seus pensamentos e eu seja enviado para a berlinda ou a lugares pouco recomendáveis, deixo claro que não estou fazendo nenhuma apologia a poligamia ou traição casual ou consensual. Em verdade tentarei exemplificar da melhor maneira possível que não existe diferença nos motivos impulsionadores da traição por homens e mulheres.
Pensei e não encontrei outra forma de realizá-lo a não ser me usando como o exemplo mais transparente, se cabe este adjetivo aqui. É sempre muito complicado cortar a própria pele, nunca o diz literalmente, mas acredito que a dor deva ser dilacerante ao sentir a lâmina separar pele, carne e músculo, então imagine mostrar um lado escuro da personalidade, aquela que trazemos escondida sob ações mais nobres e sorrisos fáceis e principalmente os atos que negamos até para nossas pobres mães, as únicas que acreditam em nossa inocência. O faço porque nunca me importei com os julgamentos alheios, o único com o qual me preocupo é emitido por meu espírito, e este, geralmente é intolerante comigo, inversamente proporcional no trato com outros, ou seja, às vezes tenho vontade de lançar-me aos leões! Assumo meus erros, em um misto de coragem, covardia, inconseqüências, misturado com várias pitadas de sinceridade.
Nesta passagem já trai sim! O fiz por tantos fatores conhecidos; ora porque me senti carente e esquecido, não sendo valorizado pela parceira; já trai por causa dos ciúmes exagerados; porque senti excitação por outra mulher; para uma relação casual; para realizar fantasias; porque desejei testar meu poder de sedução. Já trai porque amei duas mulheres ao mesmo tempo, acredite, não é safadeza, é possível sim, amar duas pessoas com a mesma intensidade ainda mais quando são tão diferentes e por isso me completavam.
Talvez eu seja um daqueles homens iguais a todos os outros, ordinários, inconfiáveis, calhordas e cafajestes de carteirinha, que afirmam não ter possuído todas as mulheres que desejaram, mas todas as que o desejaram o tiveram; ou, seja diferente por ter a capacidade ao olhar para minha vida, de perceber meus erros. Não sei me classificar, a única certeza que porto comigo é ter possuído como parceiro em todas estas oportunidades, um grande remorso, um peso enorme na consciência; embora costume dizer que não tenho mais consciência, pois a matei há algum tempo. Ressalva apenas para o caso dos dois amores, para este nunca houve nenhum julgamento e tão pouco arrependimento, porque sempre o senti verdadeiro.
Acreditando que você leu todas as linhas até aqui, penso que tua face esteja demonstrando a perplexidade sentida, mas, para tudo há uma explicação. Quando um homem esmiúça motivos que o levam a ser aquele a quem sempre criticam, ele deseja demonstrar a existência de motivos claros e objetivos para sua atitude. Nesta minha caminhada, experimentei-os vindo dos lados defendidos com afinco por homens e mulheres. Somos todos iguais em gênero, número e grau, alguns em maior e menor intensidade. Não há uma fórmula ou conceito estanque, esta é a verdade, cada um reage de uma forma!
Posso afirmar que na vida já fui rei e peão, yin e yang, norte e sul, o tudo e o nada, opostos próximos e que me tornam tão imperfeitamente perfeito. Realmente não aconselho ninguém a realizar esta viagem que te obriga, não a comprar tíquetes ou carregar valises, mas a utilizar disfarces. Afirmo sim, que os ganhos por resistir às tentações mundanas da carne são imensuráveis; é a forma de viver uma existência plena onde não existe espaço e tão pouco motivos para arrependimentos e desta forma comprovar que a ciência e a crendice popular estão equivocadas.
Eu não consegui, mas torço sinceramente, para você ser uma destas pessoas capazes de fazê-lo!
A convenção popular afirma que o homem trai pelo instinto, sendo uma característica inata do ser, elevado ao quadrado ou cubo devido à criação e/ou exemplos familiares. Estudos recentes esclarecem que o ser humano não é biologicamente monogâmico, mas o é moralmente. Interessante afirmação, não fossem dois detalhes que me chamaram a atenção.
Conforme já expus, a cultura influencia o comportamento humano; nas culturas do oriente médio a poligamia é permitida e inclusive estimulada, e sendo uma característica do homem, gênero masculino, porque existem mulheres igualmente adulteras?
Primeiro ponto norteador é não julgarmos o caráter do próximo baseado no nosso. Este se torna erro crasso, porque podemos lançar a vala comum dos desavergonhados casos distintos. Existem tantas variações para o mesmo ponto de vista, que a tinta da caneta será insuficiente para esmiuçar cada um. Sim, embora postado no meio digital, sou conservador. Escrevo sempre com caneta, na velha, batida e já ultrapassada combinação tinta mais papel, mas esta não é a razão da crônica. Voltemos ao assunto.
Ao julgarmos, projetamos no outro todos os preceitos que conduzem nossa existência e caminhada de forma tão severo que seria possível condenar a morte todos a nossa volta. Mulheres afirmam na sua grande maioria que traem apenas como forma de vingança, porque estavam carentes e seus homens nãos as percebiam ou porque estes não auxiliavam no lar, não as entendiam entre outras. Torna-se tão interessante esta tese, porque toda a culpa recai no homem, você já havia percebido? Os homens são culpados por suas traições e pelas femininas. Poucas confessam que o fazem porque sentem excitação por uma terceira pessoa, porque desejam ser capazes de possuir todos os homens que tiverem vontade, porque sabem dizer sim às suas necessidades fisiológicas. Coloco todas estas informações omitidas na conta da sociedade ocidental.
Antes da ira de quem me lê, tomar conta de seus pensamentos e eu seja enviado para a berlinda ou a lugares pouco recomendáveis, deixo claro que não estou fazendo nenhuma apologia a poligamia ou traição casual ou consensual. Em verdade tentarei exemplificar da melhor maneira possível que não existe diferença nos motivos impulsionadores da traição por homens e mulheres.
Pensei e não encontrei outra forma de realizá-lo a não ser me usando como o exemplo mais transparente, se cabe este adjetivo aqui. É sempre muito complicado cortar a própria pele, nunca o diz literalmente, mas acredito que a dor deva ser dilacerante ao sentir a lâmina separar pele, carne e músculo, então imagine mostrar um lado escuro da personalidade, aquela que trazemos escondida sob ações mais nobres e sorrisos fáceis e principalmente os atos que negamos até para nossas pobres mães, as únicas que acreditam em nossa inocência. O faço porque nunca me importei com os julgamentos alheios, o único com o qual me preocupo é emitido por meu espírito, e este, geralmente é intolerante comigo, inversamente proporcional no trato com outros, ou seja, às vezes tenho vontade de lançar-me aos leões! Assumo meus erros, em um misto de coragem, covardia, inconseqüências, misturado com várias pitadas de sinceridade.
Nesta passagem já trai sim! O fiz por tantos fatores conhecidos; ora porque me senti carente e esquecido, não sendo valorizado pela parceira; já trai por causa dos ciúmes exagerados; porque senti excitação por outra mulher; para uma relação casual; para realizar fantasias; porque desejei testar meu poder de sedução. Já trai porque amei duas mulheres ao mesmo tempo, acredite, não é safadeza, é possível sim, amar duas pessoas com a mesma intensidade ainda mais quando são tão diferentes e por isso me completavam.
Talvez eu seja um daqueles homens iguais a todos os outros, ordinários, inconfiáveis, calhordas e cafajestes de carteirinha, que afirmam não ter possuído todas as mulheres que desejaram, mas todas as que o desejaram o tiveram; ou, seja diferente por ter a capacidade ao olhar para minha vida, de perceber meus erros. Não sei me classificar, a única certeza que porto comigo é ter possuído como parceiro em todas estas oportunidades, um grande remorso, um peso enorme na consciência; embora costume dizer que não tenho mais consciência, pois a matei há algum tempo. Ressalva apenas para o caso dos dois amores, para este nunca houve nenhum julgamento e tão pouco arrependimento, porque sempre o senti verdadeiro.
Acreditando que você leu todas as linhas até aqui, penso que tua face esteja demonstrando a perplexidade sentida, mas, para tudo há uma explicação. Quando um homem esmiúça motivos que o levam a ser aquele a quem sempre criticam, ele deseja demonstrar a existência de motivos claros e objetivos para sua atitude. Nesta minha caminhada, experimentei-os vindo dos lados defendidos com afinco por homens e mulheres. Somos todos iguais em gênero, número e grau, alguns em maior e menor intensidade. Não há uma fórmula ou conceito estanque, esta é a verdade, cada um reage de uma forma!
Posso afirmar que na vida já fui rei e peão, yin e yang, norte e sul, o tudo e o nada, opostos próximos e que me tornam tão imperfeitamente perfeito. Realmente não aconselho ninguém a realizar esta viagem que te obriga, não a comprar tíquetes ou carregar valises, mas a utilizar disfarces. Afirmo sim, que os ganhos por resistir às tentações mundanas da carne são imensuráveis; é a forma de viver uma existência plena onde não existe espaço e tão pouco motivos para arrependimentos e desta forma comprovar que a ciência e a crendice popular estão equivocadas.
Eu não consegui, mas torço sinceramente, para você ser uma destas pessoas capazes de fazê-lo!
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Disfarce
Esta não é apenas mais uma carta e talvez ela nem mereça ser lida, porque pode se assemelhar como um eterno queixar, mas ele tentara fazê-la como uma peça única que merecesse realmente ser guardada ou na pior das hipóteses, ser destruída após a leitura.
Não esperava sinceramente nenhum retorno, porque insistir em determinados desejos e vontade, poderia ser determinante para o insucesso de vidas que antes se assemelhavam a contos de fada. Pensara o quanto era estranho as produções que a Providência determina a cada um. Lembrara de uma tarde tão longínqua, que não possuía mais data, perdida no meio de tantas outras de igual importância, onde as impressões foram tão fortes, tão contundentes que criaram uma afinidade tão improvável quanto real. É como se fosse um reencontro, uma reaproximação criteriosamente planejada pelos engenheiros do destino para duas almas errantes, viajantes milenares dos labirintos plantados no tabuleiro da existência.
Humanos e imperfeitamente perfeitos, não observaram as sinalizações e sem importar os defeitos e os costumes, não mediram os esforços para que os antes guardados sonhos tornassem-se realidade. Suas testemunhas foram as estrelas de noites infindáveis, em que o silêncio significava imensuravelmente mais do que palavras escolhidas e repetidas incessantemente, sussurros eram as canções entoadas em torno das mesas e sempre foi assim, um constante encontro e desencontro. Um temor percorria os braços de ambos, as mãos tremiam e suavam frio a cada instante em que se quedavam frente a frente.
Sentados na beira do mar, guardados sob árvores ou simplesmente caminhando despreocupadamente em lugares tão especiais, eles imaginaram que seriam felizes. Sim, a felicidade estava restrita a singelas ocasiões, pequenas demonstrações de carinho e o mundo de ambos parecia repleto.
Ah esse tão inconstante ser humano, não se dá satisfeito por nada que conquista. Sempre deseja dar mais um passo, se sentir cada vez mais vivo, falar o que sente e deseja ser entendido. A estreita estrada de antes que os permitia tão próximos foi sendo alargada, e o que antes parecia ser uma tranqüila e perfeita viagem, tornou-se repleta de percalços.
Ele sentia-se relegado a um plano tão distante que se pegava perguntando o que havia acontecido e não encontrava respostas, imaginava que talvez ele devesse se convencer que não servia para acompanhá-la; pensou em várias daquelas noites em que a procurava em vão, em deixar gravado em algum banco de praça; “meu amor, você é uma ave que ama a liberdade e o céu não te limita, estás livre pra seguir teus longos vôos sem necessidade de voltar, me acostumarei com tua ausência!” Isto seria o correto, mas ele por mais que tentasse não conseguia.
Ainda estava bem viva em suas lembranças uma ligação furtiva no meio de uma manhã de tensão extrema, em que ela falando baixinho pergunta se a escutava bem. Diante de sua resposta afirmativa, ela fala bem baixinho: te gosto! Como deixá-la partir? Onde encontraria outra igual a ela? Ele não queria mais se preocupar com nenhuma situação, tentava se tornar em alguém mais forte, capaz de enfrentar todos os obstáculos e sair vitorioso sempre, mas quando conversavam havia briga, desentendimento covarde e a distância aumentava a saudade, era assim que ele sempre pensara e nisto se apegava na esperança dela sentir o mesmo.
Seu coração era bobo, talvez, louco, porque sabia no fundo que eram incompatíveis, não poderiam mais uma vez ficar juntos, mas era tanto amor e paixão que sentia que as razões que a própria razão desconhece falaram mais alto. Ficara parado, não tinha mais respostas, vivia na esperança de acordar ao seu lado, embora soubesse da impossibilidade, era chegada a hora de partir. Em verdade não conseguira, por mais que tentasse, todo o caminho acabava nos braços dela, em seus doces beijos e perdido nas curvas sinuosas de seu corpo.
Quisera, rezara tantas vezes para que houvesse uma saída e nenhuma apresentada lhe agradava. Não havia mais tempo, novo amor apresentava-se no horizonte de ambos e ele uma ultima vez a olhou pela janela, abanou de forma discreta e a deixou partir, contrariado em si mesmo, incerto da decisão tomada, fincou os pés no chão, decidira que sonhos não eram feitos para ele e vestiu pela ultima vez a armadura que dele, ela despira!
Não esperava sinceramente nenhum retorno, porque insistir em determinados desejos e vontade, poderia ser determinante para o insucesso de vidas que antes se assemelhavam a contos de fada. Pensara o quanto era estranho as produções que a Providência determina a cada um. Lembrara de uma tarde tão longínqua, que não possuía mais data, perdida no meio de tantas outras de igual importância, onde as impressões foram tão fortes, tão contundentes que criaram uma afinidade tão improvável quanto real. É como se fosse um reencontro, uma reaproximação criteriosamente planejada pelos engenheiros do destino para duas almas errantes, viajantes milenares dos labirintos plantados no tabuleiro da existência.
Humanos e imperfeitamente perfeitos, não observaram as sinalizações e sem importar os defeitos e os costumes, não mediram os esforços para que os antes guardados sonhos tornassem-se realidade. Suas testemunhas foram as estrelas de noites infindáveis, em que o silêncio significava imensuravelmente mais do que palavras escolhidas e repetidas incessantemente, sussurros eram as canções entoadas em torno das mesas e sempre foi assim, um constante encontro e desencontro. Um temor percorria os braços de ambos, as mãos tremiam e suavam frio a cada instante em que se quedavam frente a frente.
Sentados na beira do mar, guardados sob árvores ou simplesmente caminhando despreocupadamente em lugares tão especiais, eles imaginaram que seriam felizes. Sim, a felicidade estava restrita a singelas ocasiões, pequenas demonstrações de carinho e o mundo de ambos parecia repleto.
Ah esse tão inconstante ser humano, não se dá satisfeito por nada que conquista. Sempre deseja dar mais um passo, se sentir cada vez mais vivo, falar o que sente e deseja ser entendido. A estreita estrada de antes que os permitia tão próximos foi sendo alargada, e o que antes parecia ser uma tranqüila e perfeita viagem, tornou-se repleta de percalços.
Ele sentia-se relegado a um plano tão distante que se pegava perguntando o que havia acontecido e não encontrava respostas, imaginava que talvez ele devesse se convencer que não servia para acompanhá-la; pensou em várias daquelas noites em que a procurava em vão, em deixar gravado em algum banco de praça; “meu amor, você é uma ave que ama a liberdade e o céu não te limita, estás livre pra seguir teus longos vôos sem necessidade de voltar, me acostumarei com tua ausência!” Isto seria o correto, mas ele por mais que tentasse não conseguia.
Ainda estava bem viva em suas lembranças uma ligação furtiva no meio de uma manhã de tensão extrema, em que ela falando baixinho pergunta se a escutava bem. Diante de sua resposta afirmativa, ela fala bem baixinho: te gosto! Como deixá-la partir? Onde encontraria outra igual a ela? Ele não queria mais se preocupar com nenhuma situação, tentava se tornar em alguém mais forte, capaz de enfrentar todos os obstáculos e sair vitorioso sempre, mas quando conversavam havia briga, desentendimento covarde e a distância aumentava a saudade, era assim que ele sempre pensara e nisto se apegava na esperança dela sentir o mesmo.
Seu coração era bobo, talvez, louco, porque sabia no fundo que eram incompatíveis, não poderiam mais uma vez ficar juntos, mas era tanto amor e paixão que sentia que as razões que a própria razão desconhece falaram mais alto. Ficara parado, não tinha mais respostas, vivia na esperança de acordar ao seu lado, embora soubesse da impossibilidade, era chegada a hora de partir. Em verdade não conseguira, por mais que tentasse, todo o caminho acabava nos braços dela, em seus doces beijos e perdido nas curvas sinuosas de seu corpo.
Quisera, rezara tantas vezes para que houvesse uma saída e nenhuma apresentada lhe agradava. Não havia mais tempo, novo amor apresentava-se no horizonte de ambos e ele uma ultima vez a olhou pela janela, abanou de forma discreta e a deixou partir, contrariado em si mesmo, incerto da decisão tomada, fincou os pés no chão, decidira que sonhos não eram feitos para ele e vestiu pela ultima vez a armadura que dele, ela despira!
Minha Perdição
Meu coração está em mim, mas meus pensamentos não me pertencem mais. Eles voaram para longe e não conseguem retornar, se perderam entre as visitas que fizeram. Não conseguem voltar sozinhos e tão pouco, pedem auxilio, amam o aeroporto que os receberam, e a cada comunicação com a base, uma sensação de excitação e esperança toma conta de mim, como se a situação em que estão, os faça mais bem do que mal. Enquanto esta indefinição existe, de idas e vindas, de promessas e cumplicidade, de cabelos ao vento, olhos no infinito e dos assuntos tão pouco resolvidos, cria-se uma terceira dimensão possibilitando as mais improváveis manifestações, as ilusões tornam-se reais e até poderia afirmar que os minutos correm vagarosamente pelas areias do tempo.
Percebo, ter sido pego em uma brincadeira sem graça da vida, porque há um vazio dentro do peito neste abandono na beira de qualquer caminho, é como se não houvesse brilho na luz e tão pouco escuridão na noite, e os pedidos antes tão insistentes não encontram mais pouso e talvez tenham o mesmo fim destes errantes pensamentos, ao não encontrarem motivos para surgir, talvez não tenham necessidade de existência e se este for a conseqüência, o destino final será apenas uma doce lembrança embalada, entre as frases de Milton Nascimento numa estrada de fazer o sonho acontecer.
Percebo, ter sido pego em uma brincadeira sem graça da vida, porque há um vazio dentro do peito neste abandono na beira de qualquer caminho, é como se não houvesse brilho na luz e tão pouco escuridão na noite, e os pedidos antes tão insistentes não encontram mais pouso e talvez tenham o mesmo fim destes errantes pensamentos, ao não encontrarem motivos para surgir, talvez não tenham necessidade de existência e se este for a conseqüência, o destino final será apenas uma doce lembrança embalada, entre as frases de Milton Nascimento numa estrada de fazer o sonho acontecer.
Lua nua!
Lua cheia emoldurada pelo escuro do céu
Alimentava o desejo insaciável,
Rabiscando com seu brilho
A estrada imaginária que percorreria.
Minha busca por ti em sonhos,
Ostentaria um tanto da nobreza
Resultante dos momentos
Em que os destinos eram sempre
Iguais. Não haveria motivo que levasse a
Remoer as palavras ditas por entre dentes
Ainda que ecoassem como trovões,
Deixaria-as guardadas em locais próprios
Esquecendo o efeito que produziram.
Buscaria em cada lembrança
Ainda marcante, igual tua presença
Resgatar os mapas com os caminhos
Remotos para me auxiliar a
Obter sucesso nesta tão impressionante
Sucessão de encontros e desencontros
Know how tens de sobra, diria o amigo galês,
Usa-o igual aos observadores treinados
Nas mais antigas ciências da vida,
E sendo assim, a cada novo obstáculo,
Relutaria em me entregar, manteria-me de pé,
Tão altiva como a sombra do luar!
Alimentava o desejo insaciável,
Rabiscando com seu brilho
A estrada imaginária que percorreria.
Minha busca por ti em sonhos,
Ostentaria um tanto da nobreza
Resultante dos momentos
Em que os destinos eram sempre
Iguais. Não haveria motivo que levasse a
Remoer as palavras ditas por entre dentes
Ainda que ecoassem como trovões,
Deixaria-as guardadas em locais próprios
Esquecendo o efeito que produziram.
Buscaria em cada lembrança
Ainda marcante, igual tua presença
Resgatar os mapas com os caminhos
Remotos para me auxiliar a
Obter sucesso nesta tão impressionante
Sucessão de encontros e desencontros
Know how tens de sobra, diria o amigo galês,
Usa-o igual aos observadores treinados
Nas mais antigas ciências da vida,
E sendo assim, a cada novo obstáculo,
Relutaria em me entregar, manteria-me de pé,
Tão altiva como a sombra do luar!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Meu defeito é te Amar
Encontrei essa música, em um dvd de música sertaneja, que independente do pré-conceito de muitos com o gênero, expressa de forma transparente o que geralmente os homens do sertão sentem. Pode-se dizer que em muitos casos é a plena realidade, por isso, posto a letra escrita por Carlos & Jader.
Diz o que fazer, pra te convencer
Eu sei não é normal esse teu jeito
Eu soube porai que você riu de mim
Más já encontrei o meu defeito
(Bis) Meu defeito é te amar,
Eu sei não é normal esse teu jeito
Eu soube porai que você riu de mim
Más já encontrei o meu defeito
(Bis) Meu defeito é te amar,
Eu sempre fui assim.
tenho que me acostumar você não é prá mim
E quando eu penso em insistir
Eu lembro que eu já te disse eu poderia
Nunca mais te amar... se você não existisse.
É... me ensina um jeito de poder me afastar
Alguma forma de aprender me dominar
E um jeito simples prá que eu possa te esquecer
É... vou ser parceiro dessa amarga solidão
Vou aprender a ter você com ilusão
Porque eu não sou um objeto. eu também tenho
coração...
E quando eu penso em insistir
Eu lembro que eu já te disse eu poderia
Nunca mais te amar... se você não existisse.
É... me ensina um jeito de poder me afastar
Alguma forma de aprender me dominar
E um jeito simples prá que eu possa te esquecer
É... vou ser parceiro dessa amarga solidão
Vou aprender a ter você com ilusão
Porque eu não sou um objeto. eu também tenho
coração...
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