Reencontrei a velha paixão. E paixão meus caros amigos é um fogo que arde de maneira intempestiva, animalesca e intuitiva. Fazia por minhas contas esparsas, uns treze anos, talvez um pouco mais ou menos, que não nos encontrávamos.
Foi instantâneo, todas as aventuras, decepções de juventude e conquistas de causar inveja aos garotos da rua, voltaram, igual um cruzado no queixo. Me vi arrebatado. Aquela antiga paixão, de dias longos, vividos despreocupadamente em cada encontro estava de volta.
Não tive, fraco que sou, como resistir. Passei sobre meus princípios e a meia idade que insistem em colocar freios aos instintos mais primitivos e voltei a ser um destemido apaixonado.
A primeira vez depois de tantos anos foi um fiasco total. Minhas mãos tremiam, não conseguia imprimir o ritmo certo, errava a intensidade das penetrações e a força empregada no ato. Foi realmente um fracasso, vergonha alheia e mesmo sem pedir, me deu novas chances.
Entendeu que longos anos de ausência e a falta de prática, deixam marcas no homem. Ela continuava martelando, provocando e me fez insistir e como consequência, não esmoreci mais. Foquei no que era importante, voltei a ler os sinais deixados sobre a mesa e compreendi que aquilo tudo estava adormecido, escondido em uma prateleira de armário. Eu sabia exatamente o que fazer e como executar os movimentos perfeitos.
Por ela, esta paixão louca e até desenfreada, igual a cantada por Cazuza, encontrei confrades que também a viviam. Compartilhavam do mesmo sentimento, de entrega sem pudor e vergonha àqueles prazeres momentâneos de puro êxtase e satisfação. Ela seduziu a todos, sem se importar, um minuto com a idade, experiência e aparências.
Assim como toda a paixão que se preza, me fez gastar os minguados trocados não consumidos pela inflação. Nosso encontro era quinzenal, depois passou a ser semanal e por fim, quase diário. Sempre regado com uma novidade de cor e tamanho satisfatório.
E sim, é verdade aquilo que diz o senso comum, homens não conseguem viver uma paixão sem serem descobertos. Minha mulher me descobriu em flagrante delito.
Para minha surpresa não fez escândalo, não gritou e tão pouco esperneou. Deixou de lado as perguntas clichês. Olhou com ternura e entendimento, da forma que somente seres evoluídos são capazes. Foi compreensiva ao afirmar - quem sou eu para te impor algo. Ela chegou antes de mim. Vai viver estes momentos e volta para casa!
E assim, dessa forma tempestuosa, com mil lembranças explodindo na memória e no peito, que repouso, por vez, sobre a mesa, dez objetos, distintos com o brasão e minhas cores.
Naquele momento conectam o presente com a adolescência já distante e afloram em mim o personagem escondido, o professor, o estrategista, o cérebro por trás da ficha, o comandante do esquadrão e torna-se inegável ainda mais a paixão pelo futebol de mesa, onde a camaradagem sobrevive apesar das peleias detalhadamente estudadas e disputadas.
Denais
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