sábado, 26 de janeiro de 2019

Pequenos desejos

Te observo assim, sem nenhum pudor, pois quem deseja, deve lhe dispensar.

E sem nada a temer, pego no teu pé, pequeno e magro, olhando para a unha cortada, quadrada e cuidada do dedo maior.

Abraçam-lhe minhas mãos que percorrem sua extensão, chegando ao calcanhar hidratado.

Beijo a parte baixa de tua perna, enquanto sem pudor mas com devassidão, encaro teus olhos entregues ao mesmo desejo.

As mãos sobem, passam pelo joelho, meio caminho do paraíso e percorrem um pouco mais a maratona que percorre tua coxa, desenhada, macia, desejada, amada.

Chega - diz sem convicção, puxando a mão para descobrir teus climas e temperaturas. Fica aí, mais rápido, menos pressão, saia e entre, nesse ritmo de noite enluarada.

Mão teimosa, não para quieta, sem merecer castigo, transpassa hemisférios, trópicos e afins, repousa na maciez destas nádegas tão minhas, tão suas, tão nossas.

Me prendo, não solto. Se largo não retorno, se retorno me estanco e há muito a que desbravar.

A boca beija a barriga, lambe o umbigo e chega aos seios que se apresentam, como a fonte do mel, do néctar da perdição e origem dos suspiros mais lânguidos do quarto.

Beijo a boca, mergulho nela como se o fundo não pudesse ser atingido, línguas que se tocam, corpos que já se misturam e se fundem, sem pressa e nem tempo.

Melhor parar de ler Vinícius, o poetinha da paixão, que me faz querer escrever de tudo e mais um pouco, para que leia depois do adormecer.

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