sexta-feira, 25 de maio de 2012

Descubra a Poesia em sua rotina...


É um consenso que a rotina possui um efeito devastador. As pessoas lutam ardentemente para que suas vidas nunca sejam tomadas por esta exterminadora de chances e esperanças, é uma vilã que não merece perdão. Pequenos detalhes, antes tão importantes passam despercebidos, os trajetos se assemelham, as atividades profissionais tornam-se repetitivas, a monotonia arma acampamento e toma um pedaço considerável do dia para si. Consequentemente, quando se percebe quadro igual ao exposto, as pessoas consideram o momento exato de realizar a quebra de paradigma, mudar o caminho e seguir para os lugares onde nunca tiveram coragem de pisar.

Li no MSN de uma amiga, a frase desafiadora: “Descubra a poesia em sua rotina”. Pare e pense junto comigo por alguns instantes, há possibilidade de encontrar algo poético numa rotina? Se tua resposta foi não, meu respeito, porém, se dissestes sim, mereces parabéns! O fato de todos os dias seguir passos pré-determinados, não significa uma sentença condenatória. Ele pode ser considerado uma nova chance de aliviar a existência, perceber que encontrar poesia em uma situação tão famigerada é um simples ponto de vista. Basta apenas desejar!

Há sim possibilidade de encontrar poesia em qualquer situação da vida e claro, na rotina.  O pai que busca seus filhos todos os dias na escola e é abraçado efusivamente por seus pequenos, está em contato com um poema de amor. Os filhos, que todo dia comem algo preparado por suas mães, estão presenciando um poema de doação.  Quando você se desloca pelo mesmo caminho todas as manhãs e presta atenção em um pássaro, nas árvores, em uma flor no meio do jardim, está tendo contato com um poema de vida.  Quando vemos uma mão auxiliando à outra desconhecida é um poema de esperança que nos é presenteado.

Existe sim muita poesia escondida na rotina, para desfrutar tudo que gratuitamente é distribuído, você só precisa, por um átimo de instante, crer – estar pronto para vivenciar o que de melhor é produzido, respirar, viver e sentir a equação perfeita, ser leitor e escritor de sua própria poesia.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um Beijo


O relógio desperta, mesmo horário durante seis dias na semana. Automaticamente o corpo começa a se mover; primeiro a mão direita que trava o despertador, a mão esquerda levanta as cobertas, os pés tocam o piso ao mesmo tempo. Levanta, sai do quarto, segue direto para o banho, precisa realizar o último movimento daquele ritual. Sempre fora assim.

Estranhamente, nos últimos meses existia um novo ingrediente na receita. Sabia que havia mais um corpo repousando sobre a cama, quente, cheio de vida e de curvas generosas.  A cabeça doía, ainda estava cansado – desejava dormir mais umas quatro horas, mas não podia – reunião de projetos logo no inicio da manhã é sempre um porre – pensou.

Charlotte dormia profundamente seu sono santo. Nua sob os lençóis brancos, lhe causava um misto de contentamento e certeza. Há muito não conseguia ser quem desejava, passou noites em claro aprisionado às lembranças maldosas, buscando nas canções e nos livros de análise as explicações para sua atitude dependente de um tempo extinto.

Agora tinha certeza que no quarto repousava a resposta de suas angústias. Devia a ela toda a sorte, a possibilidade de viver em plenitude, sabendo-se ainda capaz de amar, de cultivar algo mais importante que cactos nas janelas do banheiro. Fazia mais de ano que decidira deixar Monique seguir seu caminho e desde então desejava viver exatamente daquela forma.

Conhecera-a casualmente; designado a palestrar na Universidade de Berlin a respeito do projeto de preservação da fauna do Delta do Nilo; se encantara com a estudante loira de olhos azuis da primeira fila que lhe dispensava sorrisos espontâneos. Confessou-lhe mais tarde, enquanto tomavam um café no centro da cidade que fora mais difícil concentrar-se no que havia programado expor, depois que seus olhos se encontraram. Daquele encontro até morarem juntos passaram-se dois meses.

Apenas um detalhe impedia sua total dedicação, as lembranças de Monique. Ele não queria esquecer, embora soubesse da urgência de fazê-lo. Dentro dele não havia espaço para duas pessoas. Nunca confessara essa divisão consciente que trazia em si e embora as lembranças ainda fossem vivas, a cada novo dia elas ficavam mais distantes e dolorosas, sabia que não poderia e nem devia se apegar a elas se desejasse seguir em frente.

Começou a preparar o café, três conchas de café colombiano, a quantidade exata de água para que ele não ficasse fraco assemelhando-se a água suja e nem forte tal tintura; enquanto isso abria a janela e via os raios do sol beijar os prédios, aquecendo o dia. Contemplou aquele pequeno espetáculo e deixou a mente vagar. Neste vagar tentou se castigar, buscando no recôndito de si as ferinas lembranças, quis reviver o gosto da boca de Monique, a forma como beijava, como suas línguas se encontravam e a maciez de seus lábios, porém nada encontrava nenhuma referência. Lembrava apenas destes detalhes com Charlotte.

Arregalou os olhos, compreendia bem o que estava acontecendo.  Correu em direção ao quarto, saltou sobre a cama acordando sua parceira sem nenhuma cerimônia. A olhava como os desbravadores de um novo mundo, não surgiam palavras e nem eram necessárias. Apenas um beijo – a salvação de um condenado, a chance de recomeçar, sempre e sempre, quantas vezes forem necessárias.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Amizade Literária

Hoje a noite estava conversando com a Sandra, uma amizade feita no jornal mas que se desenvolveu de forma extremamente positiva  fora dele. É uma daquelas provas que existe realmente amizade entre os sexos opostos sem a necessidade impositiva de algum interesse carnal. Falávamos sobre uma paixão que temos em comum, a literatura em geral, escritores e livros que temos em nossas bibliotecas.

Ela possui edições que remontam a década de 40 do século passado - tais como O Guarani e o Morro dos Ventos Uivantes e os cuida com afinco, toma conta destas relíquias como os tesouros merecem ser tratados. Confesso que em minha coleção tenho dois livros que trato igualmente como raridades, um com e outro com quase um século de publicação; ambos escritos em italiano. O primeiro versa sobre a Doutrina Espirita, publicado em Milão em 1901 e o outro é a peça de teatro La Passione d'Italia de 1918.

Sandra é responsável direta por ter me apresentado a alguns excelentes escritores, principalmente os de origem portuguesa. Ultimamente temos falado sobre os russos, Tchaikovsky e Dostoiéviski, este último escritor do livro Os Irmãos Karamazov, obra com a qual ele vem despertando minha curiosidade a respeito do autor, uma vez que é considerada por pensadores como Nietzsche e  Freud como a maior obra da literatura mundial já escrita.

Não me recordo de ter comentado em algum post, mas a Sandra também é responsável direta pela criação deste espaço, uma incentivadora da primeira hora para que eu escrevesse quase sem parar e sempre que possível me cutuca perguntando quando nasce o primeiro livro; somente em afetos sinceros surgem devaneios iguais a estes!!

Para finalizar, através de nossas entregas ao mundo literário, surgiu uma definição sobre o que vem ser o livro; livro é sempre livro, parece óbvio, mas veja, ele trás muito mais que pensamentos rabiscados em suas folhas, carrega um desejo, uma vontade, a conexão entre várias almas e a capacidade inata de possibilitar a quem o tem em mãos a reflexão! Simples! Assim como a vida e as amizades que não se perdem no tempo!

domingo, 20 de maio de 2012

Aula


Sábios afirmam que as pessoas aprendem de três formas; pelo amor, pela dor e pelo exemplo. O amor limpa as feridas, acalenta, transforma momentos de tensão em paraísos na Terra; já a dor permite valorizar o que se possuía e perceber o quanto as decisões equivocadas repercutem no presente. O exemplo seria o mesmo que uma teoria sem a prática.

Para alguns, a dor é a professora mais eficaz, não discordo; porém valorizo em muito os ensinamentos do exemplo. Nestes dias tenho aliviado minha mente, as férias tão esperadas e necessárias permitem que minha atenção seja direcionada exatamente para o que acontece ao redor, por isso aconselho todos, a praticarem esta técnica sempre que for possível. Os resultados são incríveis!

Livrai-nos do mal!!!


Visualizar o passado ou buscar no presente as respostas para os questionamentos de outrora é possível e tem como resultado uma devastadora surpresa. Por mais que tente, ainda me surpreendo com as palavras ditas em conversas informais; não consigo compreender se as pessoas simplesmente abrem a boca e os pensamentos fluem tal qual o ar expelido pelos pulmões ou apesar de refletirem sobre determinado assunto, não se importam com as conseqüências de seus atos. Caldo de galinha, coberta quente e capacidade reflexiva, não fazem mal a ninguém!

A Vingança do Espelho - Zezé Macedo


"Voltei, um dia, à casa onde nasci.
Parei junto ao umbral,
Tentando ver, na tela da memória,
A história dos meus dias distantes.
O meu piano negro, onde eu dedilhava,
O quarto de mamãe, uma estante,
A janela por onde Fifinho dizia-me bom dia,
O meu gato,
As minhas bonecas,
Nada mais existe do que existiu outrora.
Outros nomes,
Outra gente.
Mas, de repente, vi um espelho pendurado na parede.
Aquele mesmo espelho onde eu, faceira,
Por uma tarde inteira, mirava o próprio rosto, fascinada.
Os meus cabelos negrejando, azulados ao sol,
No riso que plantava em minha boca.
Pela hora do arrebol, tentei aproximar-me, assim, do espelho,
Porém, diante dele, vi um vulto estranho de mulher.
Aonde foi que vi aquele rosto?
Aonde foi que notei a mim mesma?
Aquele olhar sem brilho,
Aquela boca pálida...
Esperei que a intrusa se afastasse,
mas... ai, sempre lá estava, como uma maldição,
A figura tão trágica, lembrando uma decepção.
Súbito, recuei num grito,
E, num grito de pavor e de horror,
Vi que a mulher que o espelho refletia
Era eu, era eu mesma...
Os meus cabelos negros se apagaram,
A minha silhueta gentil se transformou,
Ah, como ainda sinto brilhar dentro de mim a primavera!
Se a minha vida inteira eu vivi à espera de um bem que não chegou,
Esses lábios trêmulos, marcados por beijos tão fatais,
Essas mãos que embalaram um filho pequeno,
Apertado, ainda, contra o peito,
Querem conter um temporal desfeito...
Ah, morre, coração...
Maldito coração que só sofreu,
E jamais esqueceu...
Baionetas de luz varam agora o espelho,
No reflexo roxo do poente,
Irreverente,
A repetir, alucinadamente:
Não, não, não! É mentira! É mentira!
Joguei o espelho ao chão.
O espelho estilhacei,
E sangrei os dedos...
E, como uma canção de cristal que eu parti,
Vi minha própria imagem refletida,
Multiplicada,
Escarnecida,
Ali, então,
Nos cacos que rolaram pelo chão..."

terça-feira, 8 de maio de 2012

Deixaria Tudo - de Lucas Robles e Estefano Salgado

Trecho de uma canção, para inspirar aos corações apaixonados, espalhados pelos infinitos cantos... um lembrete, um grito, o desabafo tardio...



Por isso eu juro que...
Eu deixaria tudo se você ficasse
Meus sonhos, meu passado, minha religião
Depois de tudo está fugindo dos meus braços
Deixando o silêncio dessa solidão
Não sei mais o que eu faria com desejos, loucuras, todas fantasias
Nada tenho a perder, diz pra mim o que mais você quer da minha vida

domingo, 6 de maio de 2012

O Casamento de meu Irmão


Esta não é uma das minhas simples e modestas crônicas; ela possui um motivo muito forte para ser escrita e dividida. Nesta semana meu irmão oficialmente entra para o time dos casados.  Entre nós, ele já assinou o contrato com este time há cerca de cinco anos, mais ou menos o tempo em que ele conheceu a namorada, posterior noiva e dentro de alguns dias; esposa.

Aprendemos que toda boa história de amor possui um enredo típico de novela com encontros e desencontros, decisões difíceis e a certeza que no final o casal acaba unido. Logicamente com eles foi idêntico. Caminhos diferentes em alguns momentos, mas no final a certeza que o amor, aquele sentimento tão intenso vale a pena, é grandioso para ser desperdiçado. Creio ter sido este exato momento que tomaram a decisão – é chegada a hora de compartilhar a vida!

Um radialista de Porto Alegre possui uma definição muito bem humorada do amor, ele costuma dizer que ele fere, machuca e dói, mas é tão gostoso! Ela é correta, pois se analisarmos imparcialmente, sem levarmos em conta nossas experiências percebe-se, ser ele o verdadeiro combustível de nossas vidas, apesar de toda dor que possa causar.

Além de perceber que aquele pequeno ser chegado em uma madrugada de Maio cresceu e se tornou capaz de fazer as escolhas certas, avalizado pelos exemplos de respeito e admiração que presenciou é possuir a indisfarçável certeza que ele se tornou um homem de bem. Não bastasse isso, ainda fui convidado para apadrinhar este momento importante e único em sua vida.

Todos os que passaram por esta experiência única chamada de casamento, sabem que ele não é simples e nem fácil. Há um consenso que casamento feliz é sinônimo de quantidade elevada de anos em comum, mas neste ponto concordo com Chico Anysio que afirmava ser um dos grandes conhecedores a respeito do tema, uma vez que fora casado mais de meia dúzia de vezes, completava dizendo que, aquele que fica muito tempo casado com a Dona Maria não entende de casamento, entende sim da Dona Maria.

Viver grandes amores é muito fácil. Você pode se apaixonar diversas vezes por corpos diversos, por estórias incomuns, este é o fato. Agora viver um casamento é diferente. Um casamento é muito mais do que deitar e acordar com a mesma pessoa; isso até sexo casual proporciona. Ele é o ponto de partida para algo maior – família!  

Casamento é você pegar dois mundos, duas criações, duas formas distintas de ver a vida e colocá-los unidos em um universo que cabe dentro da casca de uma noz. A certeza do sucesso do casamento ocorre quando se percebe que mesmo com estas infinitas diferenças a relação perdura, cresce, amadurece se torna um dos bens mais preciosos que carregam.

Por tudo isso meu irmão, desejo a ti a tua esposa, não apenas dias bons, de plena paz e de total compreensão. Se fizesse simplesmente estes votos; não seria eu! Igualmente desejo que vocês tenham contratempos para poderem superar juntos, pitadas de ciúmes, discussões banais e momentos de dúvidas. Sabem por quê?

Porque são estes momentos que reforçam o amor – ao contrário que muitos dizem. Quando vocês forem rever as fotos de viagens, de festas, dos aniversários, perceberão que foram aqueles momentos que os fizeram cúmplices, próximos, amantes, enfim, um casal, duas almas juntas! Ah, claro, ia esquecendo, não durmam sem se beijarem, sem perdoarem pequenos deslizes e manias e principalmente agradeçam porque amores de verdade devem ser vividos em toda sua intensidade!

sábado, 5 de maio de 2012

Foto, para que, foto?


Hoje acessei a net e constatei que a maioria dos sites de noticias vinculava um artigo a respeito das fotos divulgadas de uma atriz global da forma que veio ao mundo.  O problema maior é que as imagens foram roubadas de seu computador e após uma chantagem de alguns Reais acabaram sendo liberadas na rede de computadores.

Nestes momentos percebe-se que não há mais nenhum tipo de privacidade; pois os cliques devem ter sido realizados para elevar a auto-estima ou até mesmo para presentear o marido, foram surrupiadas e transformaram-se em objeto de peregrinação de pessoas desconhecidas nos quatro cantos do mundo.

Então as mulheres não podem mais fazer uma surpresa para seu amado com fotos ousadas? Talvez esteja ficando cada vez mais quadrado, mas penso que há uma enorme diferença entre fotos sensuais e/ou ousadas e as de nu artístico e/ou explicito.  As sensuais são um convite, a forma sedutora de demonstrar que ela pensa em sua cara metade, mandando uma mensagem subliminar que para descobrir o que ela esconde sob seus tecidos poderá ser desvendado juntos.

O nu mais explicito mexe diretamente com os instintos animalescos do ser humano, é uma mensagem clara, objetiva, direta. Pegue uma revista masculina, qualquer uma, e se encontrará dúzias de fotos surreais. Talvez esteja com pouca imaginação, mas não consigo acreditar, por exemplo, que existam mulheres que façam brigadeiro sentado no armário da cozinha, nua e com a panela entre suas coxas. Creio que estas estão muito mais para a erotização e realização da imaginação do que para qualquer outra coisa.

Mulheres, maior exemplo de que você é importante ou eterna na vida de um homem, é perceber que ele lhe deseja como és não precisa de fotos para lembrar cada centímetro de seu corpo nu. Basta a ele fechar os olhos e lembrar cada pêlo, da textura de sua pele, da maciez de seus lábios, o gosto da boca e ao aspirar profundamente, sentir no ar o perfume exalado de seu corpo.

Foto alguma possui este poder que existe em você, pense nisto antes de encarar qualquer sessão fotográfica mais íntima!